Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…

Havia uma vez um livro tão estranho que só podia ter vindo de outro mundo. Letras vermelhas e pretas, tabelas que se liam na horizontal, na vertical e na diagonal ao mesmo tempo (uma espécie de Sudoku medieval para quem queria saber se ia sobreviver à próxima peste), e um dono que jurava tê-lo recebido de uma ilha encantada perdida no Atlântico. Era o tipo de história que qualquer editora de best-seller pagaria caro hoje: mistério, magia, um segredo guardado por sete anos a fio. Só que, como quase sempre acontece quando se puxa o fio de uma lenda bonitinha, a verdade por trás do Livro de Hy-Brasil é ainda mais interessante do que a fantasia, e de quebra ajuda a explicar por que um país inteiro do outro lado do oceano se chama… Brasil. Continuar lendo “Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…”

Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval

Quando você vai ao médico hoje, existe um acordo tácito sobre o que esperar: exames de sangue, talvez uma receita de antibióticos, no máximo uma recomendação para cortar o glúten. O que definitivamente não está no cardápio é um exorcismo, uma consulta astrológica ou a informação de que você precisa adiar o tratamento porque uma deidade está passeando pela sua coxa esquerda neste dia; mas nem sempre foi assim. E para entender o quão diferente as coisas já foram, precisamos voltar mil anos no tempo e atravessar o planeta até chegar ao Japão do período Heian. Continuar lendo “Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval”

Como remédios e tratamentos eram receitados de boca em boca

O Brasil é um dos campeões em automedicação. Normalmente, as pessoas não gostam de ir a médico. Ok, eu também não gosto, mas vou assim mesmo. Alguns não gostam e não vão, dando preferência por pegar indicações de tratamento com os conhecidos; com isso, pegam receitas e indicações de remédios e vão na farmácia comprar. Sim, eu sei o que você está pensando: alguns remédios precisam de receita médica, mas você sabe muito bem que sempre se tem uma amiga que consegue fácil mediante uns conchavos. Só que isso não é nenhuma novidade, ainda mais se formos para o passado, em que médicos eram raridade; ter dinheiro para pagar médicos, mais ainda! Então, como as pessoas se tratavam?

Na base do crowd sourcing.

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Encontrado laboratório de Galeno

Cláudio Galeno era uma figura fantástica. Nascido em Pérgamo, na atual Turquia, em 129 EC, Galeno era médico, teórico, filósofo (do tipo de filosofia que presta, ouviu, Platão?), biólogo e neurocientista (sim, pois é. Dane-se você, Aristóteles e sua teoria que mulheres tem menos dentes que homens). Galeno atendia pobres, mas a grana mesmo estava no atendimento médico a gladiadores e imperadores. Cláudio Galeno fez grandes descobertas, e cometeu vários erros. Um dos motivos é que as leis vigentes proibiam exumar corpos humanos e disseca-los. Júpiter não gosta, lamento, mal aê, te vira que tu não é quadrado. Isso levou a Galeno achar que as mandíbulas humanas eram divididas em duas, como nos cães, e não são.

Até agora não se sabia ao certo onde era o laboratório e local de trabalho de Galeno, mas agora se sabe: embaixo da Basílica de Maxêncio em Roma.

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