Plágios, fofoqueiros e lavagem de roupa suja diplomática

No dia 6 de agosto último, eu contei a história do professor de Cambridge que foi pego com a boca na botija kibando trabalho alheio e usando IA para redigir os trabalhos até o ChatGPT fazer bico. A ascensão meteórica de Jason Arday se tornou um pesadelo humilhante pra Cambridge depois de tanta coisa errada foi descoberta, e isso culminou com ele pedindo demissão do cargo (o que também acusaram ter feito com uso de IA) para depois ser encontrado morto no dia 14 de agosto, em condições pra lá de misteriosas e até agora nada foi divulgado das investigações, o que eu acho que será acobertado.

A polêmica virou nota de rodapé acadêmico em luto público e, adivinhem, munição política, com embaixadores, presidentes e o início a uma Caça às Bruxas. Continuar lendo “Plágios, fofoqueiros e lavagem de roupa suja diplomática”

Serviços e Emergência começam a ser atendidos por robôs, até os que já são e ninguém sabia

Quando se está em perigo, o melhor é pedir ajuda, claro. Para isso existe o serviço de Emergência: EUA: 911, Reino Unido: 999 e 112, Portugal: 112, Brasil: uma algaravia e números e você que se dane para decorar todos eles (para depois ser ignorado). O lance é dinamizar e ter u sistema que atenda rápido e seja eficiente. Muitos serviços automatizaram seus protocolos (automatizaram até acender a luz), e o atendimento dos serviços de Emergência agora caminham pera serem automatizados via algum ChatBot da via, como está acontecendo nos EUA. E você já deve imaginar o que vem por aí. Continuar lendo “Serviços e Emergência começam a ser atendidos por robôs, até os que já são e ninguém sabia”

CHOQUE DO DIA: Descobriram que aprovar alunos automaticamente faz reprovação despencar

Eu fico feliz em morar num país que finalmente resolveu sua crise educacional. Não foi necessário aumentar o salário dos professores, reduzir o número de alunos por turma, construir escolas em tempo integral, criar programas de recuperação de aprendizagem nem qualquer outra medida daquele tipo: cara, demorada e constrangedoramente trabalhosa. A solução foi muito mais elegante, e tem aquela beleza cristalina das ideias que parecem óbvias depois que alguém as enuncia: se os indicadores educacionais estão ruins, muda-se a forma de produzi-los. O problema some, os gráficos melhoram e todo mundo vai para casa feliz, inclusive o aluno que não sabe fração.

Vendo ser aprovada a burrice institucionalizada coo projeto de governo, esta é a sua SEXTA INSANA!

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O bizarro imposto sobre janelas

Ao longo da história, os governos têm demonstrado uma criatividade fiscal que seria admirável se não fosse tão irritante. Os egípcios antigos tributavam o óleo de cozinha. Roma cobrava imposto sobre urina, matéria-prima valiosa para lavar roupas e curtir couro. Pedro, o Grande, resolveu taxar as barbas russas. E a Inglaterra, fiel à sua tradição de excentricidade institucionalizada, inventou o imposto sobre janelas. Sim: o direito de olhar para fora de casa tinha preço, e quem não pudesse pagar simplesmente emparedava a abertura e ficava no escuro, literalmente. Continuar lendo “O bizarro imposto sobre janelas”

A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral

O Brasil descobriu, na semana passada, que a guerra cultural pode ser travada em qualquer front, inclusive na pia da cozinha. Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou a Resolução 1.834/2026 determinando a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a segunda marca mais presente nos lares brasileiros, perdendo apenas para a Coca-Cola no ranking do que o brasileiro médio tem em casa (falta de noção não entrou no cômputo por ser hors concour). A medida atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo em sua unidade de Amparo (SP), especificamente nos lotes com numeração final 1. Parece simples, parece técnico, parece o tipo de coisa que seria notícia por dois dias e sumia. Parecer, parece, mas o Brasil tem outros planos. Continuar lendo “A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral”

Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado

Há uma tradição respeitável entre políticos do mundo inteiro: mentir. É quase um requisito da profissão, está implícito no contrato não escrito que o eleitor assina ao depositar seu voto na urna. Mas mentir com a própria cara, literalmente, usando inteligência artificial para substituir a sua fisionomia por outra pessoa trinta anos mais jovem e depois insistir, diante de provas fotográficas, que aquilo é você? Isso já ultrapassa os limites do cinismo convencional e adentra um território novo: o da desfaçatez estética com pretensão ontológica. Continuar lendo “Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado”

Quando Nova York quis se divorciar dos EUA

Acho que, na psique das pessoas, quando você fala “Estados Unidos”, todo mundo pensa na Estátua da Liberdade e na própria Nova York, um ícone de civilização ocidental. Eu posso assegurar que ninguém pensa em Pascagoula, Mississippi, quando se fala na Murica. O que as pessoas não sabem é que, em 1860 o prefeito de Nova York andava de ovo virado e resolveu transformar a maior metrópole americana num paraíso comercial sem compromisso com ninguém além do próprio lucro. E olha, quase deu certo. Continuar lendo “Quando Nova York quis se divorciar dos EUA”

Albânia tenta acabar com corrupção elegendo IA para cargo de ministro

O mundo dos Bálcãs acaba de dar um passo evolutivo tecnológico que faz o resto da humanidade parecer um bando de neandertais com ternos caros: a Albânia, terra de bunkers esquecidos e gangues que lavam mais dinheiro que uma lavanderia em dia de chuva, acaba de nomear uma Inteligência Artificial como ministra das licitações públicas. Sim, você leu certo. Uma bot vestida de xhubleta (não fique de gracinha, porque o nome é esse mesmo, seu pervertido). O nome da bagaça é “Diella”, que significa “sol” na língua local, porque nada grita “fim da corrupção” como um sol virtual iluminando os cantos escuros dos contratos estatais. Continuar lendo “Albânia tenta acabar com corrupção elegendo IA para cargo de ministro”

Governo inventa GPS do rabo e idiotas acreditam

Eu já falei várias vezes e torno a repetir: Demóstenes estava certo, e todo político é inimigo do povo. Acontece que o bom político (esse “bom” não tem a ver com bondade, mas sim com suas capacidades de ser político e manipular seus eleitores) sempre se aproveita de algo em voga e tenta capitalizar isso para si, a despeito do que o pessoal de redes sociais possam dizer. Políticos só se importam com redes sociais quando esta lhe serve de armas, e o bom político (ainda no conceito de ser “bom” em algo) aproveita a máxima: não existe má propaganda, existe propaganda.

A onda agora é o Brasil criar sua própria rede GPS. Continuar lendo “Governo inventa GPS do rabo e idiotas acreditam”

O lado escuro da corrupção à luz do Sol

Se tem uma coisa que o marketing ambiental adora vender, é a imagem da energia solar como a heroína da transição energética. Painéis reluzentes, telhados ecológicos, raios de sol convertidos em eletricidade limpa e consciência tranquila. Tudo muito bonito. Mas, como toda boa história americana, essa também tem seu escândalo, e temos tudo aquilo que você possa imaginar: dinheiro público, ganância privada e gente demais querendo salvar o planeta com a outra mão enfiada no bolso do contribuinte. E sexo, claro!

Nos EUA, a energia solar está crescendo como fermento em massa. A Califórnia, em particular, virou o carro-chefe dessa expansão. Incentivos generosos, metas ambiciosas de descarbonização e uma população com culpa ambiental suficiente para investir em telhados solares e carros elétricos fizeram do estado um laboratório verde a céu aberto. Mas um estudo recente resolveu olhar para além dos watts gerados e da atmosfera agradecida, e encontrou algo menos resplandecente: corrupção sistêmica no mercado solar californiano. Continuar lendo “O lado escuro da corrupção à luz do Sol”