
Passamos décadas acreditando numa fábula reconfortante: a de que répteis são bichos de poucas palavras, quase monges zen do reino animal, gastando a vida entre um banho de sol e outro sem fazer alarde. Aves cantam para tudo quanto é lado, mamíferos latem, rosnam e berram por qualquer motivo (inclusive nenhum), mas cobra, lagarto, jacaré e tartaruga sempre ficaram no papel de figurantes silenciosos, quase um cenário reptiliano estático. Pois bem, essa imagem serena está desmoronando mais rápido do que uma resolução de ano novo. Continuar lendo “A vida secreta e barulhenta dos répteis”

Répteis formam uma classe muito interessante. Há diversos deles e mostram-se como um verdadeiro sucesso em termos de evolução biológica desde o período Carbonífero, tendo surgido há cerca de 310 e 320 milhões de anos. Depois de centenas de milhões de anos, o que temos é a fina flor e animais muito bem adaptados ao ambiente, capazes de sair correndo atrás de vocês em terra e nadando caso você se julgue espertão o suficiente pra se jogar no rio, pensando que vai escapar.
“Convergência” é o nome que se dá ao processo evolutivo em que duas espécies distintas – até mesmo de classes diferentes – acabam convergindo para alguma característica semelhante. Um perfeito exemplo são os golfinhos (mamíferos) e tubarões (peixes), que possuem morfologia externa semelhante, ainda mais que ambos vivem no mar, e qualquer diferencial que propicie uma vantagem hidrodinâmica garante o almoço ou escapar de ser o almoço. Por convergência, eles acabaram com um formato bem parecido.
Toda criança é sádica, ou pelo menos as normais. Eu fiz, você fez e seu amiguinho de infância também cortou rabo de lagartixa pra saber se ela crescia de volta, ficava cotó ou virava o Godzilla. Claro, a geração leite-com-pêra e ovomaltine, criados numa redoma com merthiolate que não arde, são capazes de surtarem se virem uma lagartixa. Nossas amiguinhas geconídea tem muitos poderes, como subir pelas paredes (junto com as mulheres quando essas as olham). O que pouca gente sabe é que lagartixas têm capacidade de camuflagem, mudando sua cor para se misturar com o ambiente (não confundir com mimetização, que é quando o animal ou planta imita outro corpo, como é o caso do bicho-pau, que tem a forma de um gravetinho).