Os segredos cristalográficos de Chernobyl

Em 26 de abril de 1986, o reator 4 da usina de Chernobyl explodiu e inaugurou o maior pesadelo civil da história nuclear. Quarenta anos depois, a Zona de Exclusão segue lá, com seus lobos, suas florestas improváveis, seus turistas de nervos de aço e uma pergunta que não sai de cena: o que aconteceu com a sujeira radioativa que ficou pelo caminho? Ela não evaporou, não pediu demissão e não foi embora junto com a Guerra Fria. Virou poeira. Uma poeira de péssimo humor.

Pois um grupo de cientistas resolveu fazer o que ninguém parecia ter feito direito: pegar pedacinhos desse pó, colocá-los diante de um dos feixes de raios X mais refinados do planeta e perguntar a cada um, em cristalografês fluente, quem são e o que andaram fazendo da vida desde 1986. A resposta surpreendeu, e não no sentido de festa de aniversário. Continuar lendo “Os segredos cristalográficos de Chernobyl” →

A história do homem que comeu plutônio

O cientista olha com curiosidade para a peça. É um tubo, na verdade, e em seu interior está uma substância raríssima, cara e em pequeníssima quantidade. Quantos milhares ou milhões de dólares aquilo valeria? ele não sabia dizer, mas barata, com certeza, ela não era. O homem sabia do poder das reações químicas, mas ele não sabia o que se sucedia dentro do tubo. O tempo corria e o homem leva o pequeno tubo perto do rosto, o que qualquer químico consciente jamais faria, mas a curiosidade venceu o cuidado e o pior que poderia acontecer com o tubo aconteceu: ele estourou, e com isso o homem sente o horrível sabor da morte sob a forma de uma substância que seria considerada letal.

O homem era Donald Mastick, e ele acabara de engolir uma amostra de plutônio. Continuar lendo “A história do homem que comeu plutônio” →

Grandes ideias de jerico: colecionar plutônio

Existem boas ideias, ideias medianas, ideias muito ruins, ideias péssimas, invadir a Polônia e ser jovem. Imaginem o jovem maldito ter a brilhante ideia de… sei lá… transformar a própria casa numa miniatura de Chernobyl. Pois bem, um Zé Ruela australiano realmente pensou que seria uma boa dar vazão à sua sanha de colecionador e se aventurar pela tabela periódica, procurando ter todos os elementos químicos. O problema é que os meganhas acharam que plutônio era demais. Continuar lendo “Grandes ideias de jerico: colecionar plutônio” →

Brasileiro sendo brasileiro até em usina nuclear

As pessoas são idiotas e acham que usinas nucleares são bombas relógio. Só sabem mencionar Chernobyl (que na década de 80 já estava mais que obsoleta) e Fuk7ushima (tomou um porradão de um tsunami de 30 metros de altura). Meu melhor argumento é imbatível, e ninguém me refutou: usinas nucleares são tão seguras que mesmo com a monumental incompetência do brasileiro, elas nunca deram problemas, quando o que se esperaria era uma cagada atômica (pun intented. Fuck you).

Como o William Bonner disse uma vez, o brasileiro médio é o Homer Simpson. Isso tanto é verdade que um trabalhador terceirizado em Angra 2 (a usina nuclear localizada em Angra dos Reis – d’OH –, Rio de Janeiro) se contaminou com material radioativo. Acho que vou chamá-lo de Homero da Silva.

Ficando radiante com a estupidez humana, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Brasileiro sendo brasileiro até em usina nuclear” →

Grandes Ideias que sequer deveriam ter sido pensadas: Operação Plowshare

Eu tinha postado antes como a Era Atômica trouxe incríveis novidades. Entre elas, o uso de raios-X para vários fins. Desde o uso como exame não-invasivo até ver se seu pé estava bem acomodado dentro do sapato. Outro exemplo de fascínio mórbido pela tecnologia estava no uso de bombas atômicas. Isso despertou e muito o interesse da população, alavancou negócios e até mesmo tiveram incríveis planos para elas. O que passaram a chamar de “usos pacíficos para a bomba atômica”. Continuar lendo “Grandes Ideias que sequer deveriam ter sido pensadas: Operação Plowshare” →

Os antigos mistérios egípcios desvendados pela Química do século XXI

Todos ficam assombrados, maravilhados e desconcertado com o Egito. Um império fascinante e misterioso. Sabemos muito do Egito, mas não tudo, e eu arrisco que ainda nem arranhamos o que eles tinham escondido consigo, e que aos poucos estamos desvendando. É como um romance de mistério, em que os verdadeiros detetives são cientistas, e os químicos (com eles a oração e a paz) aqueles que darão a versão final do que realmente aconteceu. Continuar lendo “Os antigos mistérios egípcios desvendados pela Química do século XXI” →

O mundo invisível do interior de sapatos observado pelo poder da Era Atômica

A família risonha entra saltitante na loja. O pai, a mãe e o filhinho. Eles entram de mãos dadas e o vendedor, com terno bem alinhado, o espera com um sorriso maior ainda. O filho iria provar novos sapatos, era um evento! Papai pede pelo melhor par, mamãe, com cabelos bem arrumados, fica extasiada na seção de feminina. O filho olha pro sapato e escolhe, papai orgulhoso prepara a carteira, mas a mãe, preocupada como só as mães podem ser, indaga se aquele sapato seria o ideal, ao que o vendedor estufa o peito e diz com orgulho que a modernidade da ciência iria auxiliá-los. Ele apresenta o aparelho e com ele conseguirão ver através dos sapatos, das meias e até da pele como estará o pé do pequeno petiz. A mãe leva a mão à boca, seria seguro. O pai ri, pois é óbvio que seria seguro, completamente seguro, disse o pracista. E assim, ele mostra de forma indolor como o sapato se adequava ao párvulo que lá estava. Sem dor, sem perigo. Todos estavam completamente seguros ao ver as imagens.

Mas eles estavam enganados. Terrivelmente enganados. Continuar lendo “O mundo invisível do interior de sapatos observado pelo poder da Era Atômica” →

Gente esperta, pero no mucho, tem medo de 5G e prefere usar acessórios radioativos

As pessoas são surtadas com tecnologias mais complicadas que fogo e pedra lascada. Aí um maluco criou tabletes de argila e degringolou tudo. Daí foi ladeira abaixo e todo mundo fica desconfiado. Depois da invenção dos tabletes de argila, já partimos direto pra esse negócio de 5G. G O QUÊ? Que significa este G? Só pode ser algo do demonho!

Pensando assim, algumas pessoas fincaram o pé e resolveram se proteger deste malévolo 5G. Como? Ora, com um pingente que iria protegê-los dessa radiação duzinferno. O problema é que o pingente é muito mais radioativo. Mas radioativo MESMO.

Indo para Goiânia comprar uns colares e enfeites, esta é a sua SEXTA INSANA!

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O segredo nebuloso das partículas atômicas

O século XIX foi a Era da Invenção, da Inovação. A Era que ficou conhecido os processos que envolvem a Termodinâmica e o alvorecer da Era Atômica. O problema é a natureza elusiva do átomo. Como determinar algo tão pequeno? Charles Thomson Rees Wilson, em 1897, criou o que viria a ser chamada de “Câmara de Wilson” ou “Câmara de Nuvens”. Continuar lendo “O segredo nebuloso das partículas atômicas” →

Altos índices de obesidade no Kwait pode ser devido a contaminação por urânio. Mas pode não ser

Kwait, além de ser uma titiquinha de pais, só se salvando por ser muito rico graças ao petróleo, tem uma das mais altas taxas de obesidade do mundo. Sim, chocante; você estava pronto para dizer EUA, mas as taxas de obesidade entre adultos americanos não passam de 40%. No Kwait, 42,8% da população é obesa. Arábia Saudita (35,2%), Egito (34,6%), Jordânia (34,3%) e Emirados Árabes Unidos (33,7%) formam os gordinhos de Allah. Os países que possuem as menores taxas de obesidade são Bangladesh, Etiópia, Nepal, Vietnã, Madagascar e Índia, todos tinham níveis de obesidade abaixo de 2% de suas populações. Acho que dá para se ter uma pequena ideia do motivo, não?

O problema é: “por que o Kwait é uma nação de chupetinhas de baleias do deserto?”

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