Artigos da Semana 319

Estamos nos efeitos do El Niño o que esta prolongando o inverno e estou adorando, pois assim economizo cm ar-condicionado (e gasto com chuveiro elétrico). Enquanto estou confortavelmente debaixo do edredom, escrevendo no notebook, que tal darmos uma olhada no que foi postado durante a semana?

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Thor: O Deus Mais Burro do Mundo

Muito bem, eu sei que quando falo “Thor” você pensa no sujeito de cabelo esvoaçante, corpo de capa de revista e cara de quem acabou de sair de um comercial da L’Oreal Paris. Esse Thor loiro, filosófico, cheio de tiradas espirituosas para trocar farpas com Loki e amadurecer emocionalmente a cada filme, é uma invenção relativamente recente, no modo Disvel de infantilizar personagens; uma limpeza de imagem digna de agência de relações públicas, aplicada a uma divindade que, na mitologia nórdica original, tinha o QI equivalente ao de um martelo e a sutileza de uma britadeira pneumática.

O Thor de verdade, o dos poemas em nórdico antigo e das sagas islandesas, não vencia ninguém na base da conversa, tentando resolver tudo no músculo (e também nem sempre vencia… aliás, na maioria das vezes ele realmente tomava na cabeça). Este Thor, quando raramente vencia as coisas, era na base da porrada, mas a realidade (falar “realidade” numa história mitológica soa esquisito, eu sei) Thor Odinson simplesmente perdia feio, e voltava para casa resmungando com o orgulho arranhado. Continuar lendo “Thor: O Deus Mais Burro do Mundo”

Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista

Toda droga de sucesso estrondoso tem uma origem meio acanhada, quase burocrática, que ninguém lembra depois que ela vira fenômeno cultural. A aspirina nasceu para dor de cabeça e hoje disputa currículo com prevenção cardiovascular. O Viagra foi desenvolvido para angina e terminou revolucionando outro tipo de circulação sanguínea, bem mais comentado em rodas de amigos do que em congressos de Cardiologia. E há uma nova entrada nesse hall meio acidental dos remédios que fugiram do próprio currículo, o Ozempic e seus primos farmacêuticos, os agonistas do GLP-1. Continuar lendo “Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista”

Serviços e Emergência começam a ser atendidos por robôs, até os que já são e ninguém sabia

Quando se está em perigo, o melhor é pedir ajuda, claro. Para isso existe o serviço de Emergência: EUA: 911, Reino Unido: 999 e 112, Portugal: 112, Brasil: uma algaravia e números e você que se dane para decorar todos eles (para depois ser ignorado). O lance é dinamizar e ter u sistema que atenda rápido e seja eficiente. Muitos serviços automatizaram seus protocolos (automatizaram até acender a luz), e o atendimento dos serviços de Emergência agora caminham pera serem automatizados via algum ChatBot da via, como está acontecendo nos EUA. E você já deve imaginar o que vem por aí. Continuar lendo “Serviços e Emergência começam a ser atendidos por robôs, até os que já são e ninguém sabia”

Artigos da Semana 318

Hoje é dia dos pais e vocês deveriam me dar presentes, já que eu sou como um pai pra vocês: estou profundamente desapontado, tenho a certeza que falhei seriamente em ensinar algo, acho que vocês deveriam pedir coisas pras mães de vocês, que acho que são gostosas. Já que expliquei bem o caso, vamos ver o que foi postado ao longo da semana.

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Linus Pauling estava certo, mas não como ele achava

Toda disciplina científica tem seu santo mártir e seu bobo da corte particular. De vez em quando essas duas figuras habitam o mesmo corpo. É sobre um desses casos que vamos falar hoje: como uma ideia ridicularizada por décadas, relegada à prateleira empoeirada da “medicina alternativa” ao lado de cristais e homeopatia, está sendo cuidadosamente desempoeirada por pesquisadores sérios, em revistas sérias, com microscópios sérios. E o melhor: sem que ninguém precise admitir publicamente que aquele senhor teimoso talvez não fosse tão maluco assim. Continuar lendo “Linus Pauling estava certo, mas não como ele achava”

O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial

Durante séculos, fazer Química (com ela a oração e a paz) significou basicamente isto: misturar coisas, ver o que explode, anotar o resultado e tentar de novo no dia seguinte. Bancadas cheias de vidraria, sobrancelhas eventualmente chamuscadas e uma paciência de santo foram – e continuam sendo – os verdadeiros pilares do método científico na área. Entretanto, equipamentos feitos de dióxido de silício estão, aos poucos, contando com a ajuda cada vez maior de outras coisas feitas de silício: processadores, e, em 2026 uma parte considerável desse ritual está sendo terceirizada para algoritmos que nunca dormem, não reclamam de exaustor entupido e ainda por cima têm bom gosto para sugerir rotas de síntese. Continuar lendo “O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial”

A cidade que esqueceu de inventar reis

Há um roteiro que a história repete com a monotonia de uma novela mexicana. Vila prospera, vira cidade, e aparece um sujeito de coroa (ou tiara sacerdotal) reivindicando que os deuses o escolheram pessoalmente para acumular a maior parte do excedente. O Egito teve seus reis e pirâmides, a Mesopotâmia seus reis-sacerdotes e Creta o suntuoso palácio de Cnossos. Por décadas, o consenso entre historiadores foi simples e fatalista: cidade que cresce é cidade que concentra riqueza no topo.

Só que uma cidade no que hoje é o Paquistão parece ter perdido a memória desse roteiro. Entre 2600 e 1900 A.E.C., ela cresceu, prosperou, virou a maior metrópole do Vale do Indo e, em vez de gerar uma elite cada vez mais destacada, fez o oposto: ficou mais igualitária à medida que enriquecia. Nada de palácios, nada de tumbas de ouro, nada de estátuas de governantes olhando para baixo com desdém arquitetônico. Continuar lendo “A cidade que esqueceu de inventar reis”

Artigos da Semana 316

É muito triste a vida sem Copa do Mundo. Uma semana sem e já estou com crise de abstinência. Para sanar isso, só começando com outro projeto. Eu falo disso num dos artigos: um novo site no Substack, com artigos apenas em inglês. Veja este e outros assuntos postados durante a semana.

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Um novo projeto!

O mundo anda chato do lado de cá. Eu sento, escrevo um artigo ou outro, alguns de vocês leem, pouquíssimos compartilham. No dia seguinte, eu vejo algo que possa ser interessante, escrevo artigo, posto, alguns de vocês leem, pouquíssimos compartilham. Depois eu fico escrevendo um imenso texto, posto, alguns de vocês leem, pouquíssimos compartilham. Tá tudo muito chato.

Então, pensei cá comigo: e que tal fazer algo diferente? Então lancei um novo projeto: textos voltados para gringos.

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