Toba explosivo quase elimina a Humanidade

A grande história da Humanidade começou há muito, muito tempo. Tudo tem tentado matar as pessoas. Não satisfeito com isso, o Toba resolveu acordar e zonear geral com todo mundo. Há cerca de 74 mil anos, uma montanha acordou de mau humor e entrou em erupção com uma violência tão descomunal que foi pedaço de Toba para tudo que é lado, numa violência tão grande que os geólogos ainda hoje usam o evento como régua para medir o que a palavra “catástrofe” pode significar de verdade: a erupção foi mais de dez mil vezes mais potente do que a do Monte Santa Helena, em 1980. Toba sinistro esse.

E no meio de tudo isso, havia humanos. Continuar lendo “Toba explosivo quase elimina a Humanidade”

Artigos da Semana 305

Hoje é dia das mães, uma data que precisa ser comemorada, ou ela vai tirar o chinelo do pé e chamar pelo seu nome completo. Você sabe o que isso significa, certo? Sabe também que temos aqui o que foi postado durante a semana.

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O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje

De tempos em tempos, a Internet descobre que a Idade Média era maravilhosa. Não o período da peste bubônica que matou um terço da Europa, não o das guerras ininterruptas ou das colheitas devastadas pela geada. A Idade Média romântica, aquela dos camponeses descansados que trabalhavam menos que o trabalhador médio e passavam os invernos bordando tapeçarias à beira da lareira, se banqueteando com uma dieta mais saudável. O argumento circula com a persistência das más ideias: os servos medievais tinham mais feriados do que você, seu CLT tosco, trabalhando só 1.620 horas por ano (contra as 1.780 do trabalhador moderno), e portanto viviam melhor. Soa bonito, eu sei. Continuar lendo “O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje”

Emergência cardíaca faz médico apelar para exame inesperado e eficiente

A  Emergência de qualquer hospital é pauleira, ainda mais se for no Brasil, que é considerado medicina de guerra. Só que daí você pensa “ah, na gringa é diferente!” Não é, e isso ficou comprovado quando um sujeito de 29 anos, em Queens, Nova York, que saiu andando tranquilamente pela rua e, de repente, percebeu que seu coração estava sambando mais rápido que bateria de escola de samba na Sapucaí. Cento e quarenta batimentos por minuto, o coração do cidadão estava tentando pedir arrego em código Morse.

O cara bateu hospital, o eletrocardiograma confirmou fibrilação atrial: as câmaras superiores do coração totalmente zuadas e os médicos iniciaram o protocolo, só que havia um problemão ali. Como foi resolvido? Você prestou atenção na imagem de abertura?

Aprofundando-se no âmago das pessoas a fim de proporcionar um bate-bate-coração-acelerado, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Emergência cardíaca faz médico apelar para exame inesperado e eficiente”

Cinemark descobre como sabotar uma lei sem quebrar nenhuma lei

Existe algo profundamente fascinante na habilidade humana de destruir uma ideia sem tecnicamente desobedecer a ela. Não é rebelião clássica, daquela com barricada, fumaça e gente gritando slogans revolucionários. Não, caro que não! O século XXI refinou o processo, e hoje a grande revolta acontece em salas climatizadas, entre advogados sorridentes e apresentações de PowerPoint chamadas “otimização operacional”. E foi exatamente isso que aconteceu quando a rede Cinemark que resolveu entrar em campo com o regulamento debaixo do braço e decidiu cumprir a famosa cota de tela da maneira mais absurdamente literal possível, passando seguidamente filme nacional por cem vezes seguidas.

Eu adoro o cheiro de desobediência civil pela manhã! Continuar lendo “Cinemark descobre como sabotar uma lei sem quebrar nenhuma lei”

Artigos da Semana 304

Acabou o feriadão do trabalhador e você aí, como sempre, não fez nada. Podia ter lido meus artigos, mas estrava na gandaia, né? Bem, eu sou um cara legal e taqui a lista do que foi postado durante a semana.

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19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas”

O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD”

A vitamina do Sol que veio turbinar a quimioterapia

Há algo quase filosoficamente perturbador na ideia de que um dos aliados mais promissores no combate ao câncer de mama seja algo que o ser humano sintetiza simplesmente tomando sol. Não um anticorpo monoclonal de última geração que custa o preço de um apartamento na Barra da Tijuca. Não um inibidor molecular produzido em laboratório com nome impronunciável. Vitamina D. Aquela mesma que os médicos pedem para checar no exame de sangue anual e que metade da população apresenta deficiência sem saber, possivelmente porque trabalha em escritório das nove às seis com a persiana fechada.

Pois, bem, uma pesquisa brasileira acaba de mostrar que esse nutriente barato e amplamente disponível pode fazer a quimioterapia funcionar significativamente melhor, e o resultado é suficientemente expressivo para dar o que pensar. Continuar lendo “A vitamina do Sol que veio turbinar a quimioterapia”

O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta

Há duas formas de sobreviver a uma catástrofe. A primeira é escapar dela. A segunda é não escapar, mas ainda assim atravessar dois milênios com uma história boa o suficiente para que alguém resolva contá-la. O cidadão de Pompeia que saiu correndo com um bacião de barro na cabeça claramente falhou na etapa prática da coisa. Mas, em compensação, venceu com folga na parte narrativa. Pouca gente consegue morrer de forma tão absurdamente humana e, ainda assim, reaparecer séculos depois com direito a “retrato” digital.

E aqui estamos nós, em pleno século XXI, usando a mesma tecnologia que produz gatinhos astronautas para devolver o rosto a um sujeito que só queria não ser atingido por uma chuva de pedras vulcânicas. É o tipo de ironia histórica que Pompeia adora oferecer: enquanto o Vesúvio transformava uma cidade em cápsula do tempo, a inteligência artificial, dois mil anos depois, tenta fazer o caminho inverso. Nem sempre com perfeição, mas com uma intenção curiosamente nobre. Continuar lendo “O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta”