As novas formas de vida ao redor do monte Santa Helena

monte-santa-helena.jpg18 de maio de 1980 é uma data que entrou para a história do sudoeste do estado norte-americano de Washington. Nessa data, às 08h32min, as forças do Senhor do Escuro interior da Terra rebelaram-se e o que se sucedeu foi a maior erupção vulcânica da história dos EUA, onde 57 pessoas morreram (sim, apenas 57 e já foi muito). A coluna de cinzas elevou-se a mais de 20 km na atmosfera e atingiu 11 estados. Só para terem uma ideia, o topo da montanha reduziu-se em 400 metros.

O que parecia uma tragédia total mostrou que o filme do Jurassic Park estava certo: a Natureza sempre dá um jeito. As forças da Seleção Natural não param, e o que se viu é algo que não existe na mente de muitas pessoas cegas pelos antolhos mentais do criaBURRIcionismo. Num lugar onde havia uma grande diversidade biológica, proliferando principalmente em árvores, o que se sucedeu com o extermínio daqueles seres vivos foi a proliferação de outros seres vivos, mais adaptados à paisagem lunar que se formou então. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural toma…

Continuar lendo “As novas formas de vida ao redor do monte Santa Helena”

Lagartas usam bactérias para produzir ilhas verdes em folhas amareladas

phyllonorycter_blancardella.jpgEstamos no outono, pessoal, mas creio que vocês já sabem disso. É uma época onde muitas folhas perdem seu brilhante verde, para adquirir tons amarelos e alaranjados. Isso porque as diversas xantofilas se sobressaem mais que as clorofila, mas o pigmento verde ainda está lá, pois somente a clorofila pode servir de catalisador para a fotossíntese. As xantofilas, não.

Muitos animais dependem das verdes folhas e as lagartas são um belo exemplo disso. Depois que as mamães colocam os ovos, estes eclodem e saem aquelas lindas lagartinhas que devoram avidamente folhas, para depois criarem um casulo, de onde se metamorfosearão. É interessante saber que as lagartas só se alimentam de folhas verdes e mais interessante ainda é que em muitos vegetais, apesar de suas folhas amarelarem no outono, aparecem “ilhas verdes”. Será que as duas coisas estão interligadas? Sim, estão.

Continuar lendo “Lagartas usam bactérias para produzir ilhas verdes em folhas amareladas”

Sobre a beleza das fêmeas de mariposas

manduca_sexta.jpgNa Ciência não existe nada que não desperte perguntas. Quem se baseia em verdades absolutas é a fé (e normalmente mostra-se errada). Sabemos que fêmeas e machos são diferentes morfologicamente (não! Sério?). A isso, damos o nome de “dimorfismo sexual”. Mas fica a pergunta: Se eles são formados pelos mesmos genes (ou quase) de crescimento, por que as diferenças? Entomologistas da Universidade do Arizona estudaram esse enigma em mariposas e encontraram indícios que haviam sido ignorados. Mas que seria da Ciência sem os mistérios? Aí está agraça, pois sempre há algo escondido, esperando para ser descoberto.

Continuar lendo “Sobre a beleza das fêmeas de mariposas”

Avestruzes pararam de voar quando os dinossauros desapareceram

avestruz.jpgDinossauros foram os dominantes supremos da Terra, há alguns milhões de anos. Sua presença afetou o processo evolutivo de outras espécies, já que aqueles seres que não estavam adaptados para fugir dos grandões, acabavam virando banquete. Em contraposição, com o sumiço dos dinos, quase todas as espécies de animais tiveram uma nova linha evolutiva que pudessem seguir. Dessa forma, aves como a ema e o avestruz dispunham de maior quantidade de alimento, acabaram tornando-se mais gordos e não tinham mais necessidade de voar, segundo pesquisadores australianos.

Continuar lendo “Avestruzes pararam de voar quando os dinossauros desapareceram”

Pesquisa indica que colônias de insetos funcionam como “superorganismos”

Nem todos puderam ver como funciona uma colmeia. Como toda colônia de insetos, ela funciona de modo muito semelhante a um organismo individual, onde cada membro da colônia age como se fosse uma célula, e um grupo dentro dessa colônia funciona como um órgão.

Colônias assim agem como se fossem um “superorganismo”, e isso não acontece só com abelhas, mas com formigas e outros insetos também, onde o comportamento cooperativo garante a segurança e manutenção otimizada, de forma a garantir a sobrevivência de todo o grupo. Como dito, trata-se de uma similaridade a um organismo vivo individual, onde o todo é muito mais que a soma das partes. Continuar lendo “Pesquisa indica que colônias de insetos funcionam como “superorganismos””

Jacarés respiram como as aves, dizem cientistas

jacare_picapau.jpgQual a semelhança entre jacarés, aves e dinossauros? Novas descobertas mostram que quando os dinos começaram a dominar a Terra, havia menos oxigênio atmosférico do que existe hoje em dia. Tomando por base indícios de ancestrais comuns às aves e aos répteis, a descoberta traz novas reflexões sobre nossa compreensão do processo evolutivo de jacarés e aves.

No caso de nós, humanos – bem como outros mamíferos -, o ar flui para dentro e para fora dos pulmões; o tipo de coisa que você já está careca de saber. Quando o ar é inalado, move-se através de camadas progressivamente menores e ramificadas chamadas de “brônquios”, até chegarem aos alvéolos pulmonares (preciso dizer onde eles ficam?). Lá, acontece a troca gasosa do oxigênio pelo dióxido de carbono, onde a hemoglobina é o veículo dos gases. Nada demais até aí, e até minha avozinha sabe disso. Entretanto, nas aves o ar que é inalado e flui somente em uma direção em um loop contínuo. Em vez de despejar oxigênio em alvéolos, o oxigênio passa por tubos de transferência dentro dos pulmões, chamados “parabrônquios”, através do qual o ar flui em uma única direção antes de sair do pulmão. Continuar lendo “Jacarés respiram como as aves, dizem cientistas”

Pegadas de milhões de anos questionam atual processo evolutivo dos tetrápodes

pegadas_varsovia.jpgDando um giro pelo mundo e encontramos direto da Polônia, com sugestão do nosso espião, o Sabino: Algumas pegadas fossilizadas de 395 milhões de anos foram descobertas na Polônia, pertencentes a um animal vertebrado com membros em vez de aletas emparelhadas (o chamado tetrápode). 00-à-esquerda sabe que muitos criaBURRIcionistas usarão isso para desmentir a Evolução, coitados. Por isso, ele insistiu que eu explicasse o que diabos significam aquelas pegadas.

Ao contrário do que possam pensar, a descoberta coloca mais uma informação no cenário da Evolução, já que questiona a origem dos vertebrados terrestres, onde os fósseis encontrados até agora são de 18 milhões de anos. Isso significa dizer que temos não uma falha da Evolução (lamento, ela está mais do que provada em campo, in vitro e in silico), mas algo que a comprova como fato de MUITOS milhões de anos ANTES do que supunhamos. Assim, se você é mais um que acredita na Terra Nova (aquela bobagem da Terra possuir só 6000 anos), lamento, mas não muito. Mais foi mais uma pá de cal em seus sonhos. ;) Continuar lendo “Pegadas de milhões de anos questionam atual processo evolutivo dos tetrápodes”

Desinfetantes podem promover o crescimento de “superbactérias”

limpeza_hospital.jpgTodos os dias, donas-de-casa, restaurantes, hospitais, lojas etc usam desinfetantes para deixar o ambiente mais limpo. O problema é que isso pode sair pela culatra. O uso massivo de desinfetantes pode provocar o desenvolvimento de uma alta resistência a antibióticos nas bactérias. Bem-vindos ao lado negro do processo evolutivo, onde as garras da Seleção Natural determinarão os seus destinos, ó mortais!

Continuar lendo “Desinfetantes podem promover o crescimento de “superbactérias””

Publicado o primeiro volume da Enciclopédia Microbiológica

Cientistas adoram bactérias. Não porque elas podem ser patogênicas ou ajudar no nosso trato digestivo; mas porque são seres vivos simples e nos fornecem dados importantes, onde podemos mapear muito facilmente seu código genético. Alguns cientistas separam as classificações Archaea e Bacteria como dois reinos independentes, mas a maioria ainda classifica ambas como pertencentes ao mesmo reino: o Monera, embora este esteja caindo em desuso.

Archaeas são organismos procariotas (seu material genético não está protegido por uma membrana nuclear, e sim disperso como pedaços de macarrão numa sopa), sobrevivendo em ambientes extremos, como fontes de água quente, lagos ou mares muito salinos, pântanos (onde produzem metano) e ambientes ricos em gás sulfídrico e com altas temperaturas; por isso, são também chamados de Extremófilos. Como são seres muito rudimentares, qualquer deriva genética incapacitará sua aptidão de sobreviver nesses locais. Por isso, sua variância é quase nenhuma, pois as espécies derivadas desses extremófilos não estavam aptos para sobreviver e morreram sem deixar descendentes. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural toma.

Continuar lendo “Publicado o primeiro volume da Enciclopédia Microbiológica”

Conflitos sexuais e evolução moldam a morfologia genital dos patos

Pela foto aí ao lado, você pode até estar pensando que o pobre patinho está morrendo à míngua, com suas tripas expostas ao vento, morrendo de uma forma brutal. Na verdade, não. Aquilo que você está vendo ali esticado não tem nada a ver com os intestinos, é o pênis do dito pato.

Não, você não leu errado, logo, pare de ficar se admirando no espelho achando que é o tal. Aquele pato tem um pinto (irônico, não?) maior que o seu em todos os sentidos. O pior é que, como divulgador de Ciência, acabo tendo que compartilhar histórias assim. A vida não é fácil. A dita realmente é dura… Continuar lendo “Conflitos sexuais e evolução moldam a morfologia genital dos patos”