
Quando você vai ao médico hoje, existe um acordo tácito sobre o que esperar: exames de sangue, talvez uma receita de antibióticos, no máximo uma recomendação para cortar o glúten. O que definitivamente não está no cardápio é um exorcismo, uma consulta astrológica ou a informação de que você precisa adiar o tratamento porque uma deidade está passeando pela sua coxa esquerda neste dia; mas nem sempre foi assim. E para entender o quão diferente as coisas já foram, precisamos voltar mil anos no tempo e atravessar o planeta até chegar ao Japão do período Heian. Continuar lendo “Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval”


Cláudio Galeno era uma figura fantástica. Nascido em Pérgamo, na atual Turquia, em 129 EC, Galeno era médico, teórico, filósofo (do tipo de filosofia que presta, ouviu, Platão?), biólogo e neurocientista (sim, pois é. Dane-se você, Aristóteles e sua teoria que mulheres tem menos dentes que homens). Galeno atendia pobres, mas a grana mesmo estava no atendimento médico a gladiadores e imperadores. Cláudio Galeno fez grandes descobertas, e cometeu vários erros. Um dos motivos é que as leis vigentes proibiam exumar corpos humanos e disseca-los. Júpiter não gosta, lamento, mal aê, te vira que tu não é quadrado. Isso levou a Galeno achar que as mandíbulas humanas eram divididas em duas, como nos cães, e não são.