Artigos da Semana 321

Esta semana foi doida. Entre divulgação científica postei os dois lados antípodas de uma moeda. O lado A e lado B, o ponto positivo e negativo do uso da IA. Um para fazer o trabalho e várias pessoas, reduzindo o tempo e otimizando recursos. O outro, uma IA louca solta ano mundo digital fazendo um monte de merda.

Tudo dependendo da índole de quem digita start.bat.

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A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis

Há problemas científicos que parecem ter sido criados especificamente para testar a paciência humana. Impressoras, por exemplo. Quem nunca foi vítima de uma impressora de TPM porque ela viu que você estava com pressa e a deadline de entregar o trabalho expirou e ela manda um DANE-SE, MEU PARÇA, e não imprimiu? Em outra situação, você tem uma liga metálica excepcionalmente resistente ao calor, desenvolvida para aplicações aeroespaciais, sabe que ela pode ser impressa em 3D, mas existe um pequeno detalhe: quase nenhuma impressora comercial consegue fazê-lo adequadamente impressoras são sempre impressoras!). Comofas?

Bem, você poderia testar uma combinação de potência do laser, velocidade de impressão e outros parâmetros até encontrar uma configuração que funcione. Só há um inconveniente: existem mais de 100 milhões de combinações possíveis. Nesse ponto, a expressão “vamos tentar algumas opções” começa a adquirir um significado quase cômico. Continuar lendo “A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis”

Pedagogia inovadora resolve problemas gasosos em sala de aula

Os Teóricos da Educação passam a vida inteirinha tentando entender o sentido daquela coisa que muitos chamam de “magistério” eu chamo de “sofrimento”. Há décadas (séculos?) estão teorizando e se reunindo e pensando e debatendo o que significa ensinar em seu mais amplo significado; mas isso porque não conheceram Mrs. Sydney-Browning e sua forma de lidar com flatulências, eflúvios anais e crianças peidorreiras criando uma espécie de “Cantinho do Peidinho”.

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Caranguejo sem-vergonha agora tem adversário a altura: um polvo faminto

Toda invasão biológica tem um roteiro parecido: uma espécie pega uma carona indevida (geralmente na água de lastro de um navio, o Uber clandestino dos ecossistemas), desembarca num lugar onde ninguém a esperava, descobre um buffet livre de comida sem predadores à vista e começa a se multiplicar como se tivesse lido o manual de “Como Arruinar uma Economia Pesqueira em Três Passos Fáceis”.

No litoral do nordeste da Itália, esse papel está sendo interpretado com particular entusiasmo por um crustáceo americano de pinças afiadas, e a resposta que os italianos encontraram para lidar com ele é tão elegante quanto inusitada: soltar milhares de polvos bebês no mar e torcer para que cresçam com fome. Continuar lendo “Caranguejo sem-vergonha agora tem adversário a altura: um polvo faminto”

Fotografando algo infotografável: uma molécula

Em 1926, quando Erwin Schrödinger escreveu a equação que leva seu nome, ele próprio não sabia dizer ao certo o que raio era aquela função de onda que acabara de inventar no papel, o que é o resumo do trabalho de todos os físicos. Schrödinger passou o resto da vida meio incomodado com a criatura: a matemática funcionava perfeitamente, previa tudo, acertava experimentos, só que ninguém conseguia dizer o que ela representava fisicamente, nem produzir dela algo tão simples quanto uma imagem. Um século depois, um grupo de físicos da Universidade de Göttingen resolveu, enfim, tirar essa entidade fantasmagórica do armário e fotografá-la, em três dimensões, dentro de uma molécula real. Continuar lendo “Fotografando algo infotografável: uma molécula”

Artigos da Semana 320

Aqui, mais uma vez embaixo das minhas cobertas neste dia plúmbeo, contemplo as vicissitudes da vida cochilando placidamente. Na verdade, acordei só para colocar o que foi postado durante a semana. Acho que vou voltar a dormir. Até mais! ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzz

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Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!

Você já é power-usuário de ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e… não, você não, Copilot. IA virou confidente, redator, consultor financeiro, leitor de horóscopo, recomendador de culinária, namorada etc. Tem IA para todos os gostos lidando com todo tipo de idiomas (inclusive essas aí que pessoal no Brasil fala, sendo que português só uma minoria. Então, eu fiquei pensando: será que tem IA para lidar com idiomas e escritas muito antigas, tipo, sei lá, hieróglifos egípcios e acádico? Sim, tem uma IA para isso, e se eu tivesse descoberto a tempo, não tinha ficado uma porrada de tempo decifrando acádico para agradar a sede da Lise por artigos no meu Apoia.se.

Sente-se e deleite-se com IA que você nunca ouviu falar. Continuar lendo “Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!”

Artigos da Semana 319

Estamos nos efeitos do El Niño o que esta prolongando o inverno e estou adorando, pois assim economizo cm ar-condicionado (e gasto com chuveiro elétrico). Enquanto estou confortavelmente debaixo do edredom, escrevendo no notebook, que tal darmos uma olhada no que foi postado durante a semana?

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Thor: O Deus Mais Burro do Mundo

Muito bem, eu sei que quando falo “Thor” você pensa no sujeito de cabelo esvoaçante, corpo de capa de revista e cara de quem acabou de sair de um comercial da L’Oreal Paris. Esse Thor loiro, filosófico, cheio de tiradas espirituosas para trocar farpas com Loki e amadurecer emocionalmente a cada filme, é uma invenção relativamente recente, no modo Disvel de infantilizar personagens; uma limpeza de imagem digna de agência de relações públicas, aplicada a uma divindade que, na mitologia nórdica original, tinha o QI equivalente ao de um martelo e a sutileza de uma britadeira pneumática.

O Thor de verdade, o dos poemas em nórdico antigo e das sagas islandesas, não vencia ninguém na base da conversa, tentando resolver tudo no músculo (e também nem sempre vencia… aliás, na maioria das vezes ele realmente tomava na cabeça). Este Thor, quando raramente vencia as coisas, era na base da porrada, mas a realidade (falar “realidade” numa história mitológica soa esquisito, eu sei) Thor Odinson simplesmente perdia feio, e voltava para casa resmungando com o orgulho arranhado. Continuar lendo “Thor: O Deus Mais Burro do Mundo”

Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista

Toda droga de sucesso estrondoso tem uma origem meio acanhada, quase burocrática, que ninguém lembra depois que ela vira fenômeno cultural. A aspirina nasceu para dor de cabeça e hoje disputa currículo com prevenção cardiovascular. O Viagra foi desenvolvido para angina e terminou revolucionando outro tipo de circulação sanguínea, bem mais comentado em rodas de amigos do que em congressos de Cardiologia. E há uma nova entrada nesse hall meio acidental dos remédios que fugiram do próprio currículo, o Ozempic e seus primos farmacêuticos, os agonistas do GLP-1. Continuar lendo “Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista”