A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral

O Brasil descobriu, na semana passada, que a guerra cultural pode ser travada em qualquer front, inclusive na pia da cozinha. Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou a Resolução 1.834/2026 determinando a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a segunda marca mais presente nos lares brasileiros, perdendo apenas para a Coca-Cola no ranking do que o brasileiro médio tem em casa (falta de noção não entrou no cômputo por ser hors concour). A medida atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo em sua unidade de Amparo (SP), especificamente nos lotes com numeração final 1. Parece simples, parece técnico, parece o tipo de coisa que seria notícia por dois dias e sumia. Parecer, parece, mas o Brasil tem outros planos. Continuar lendo “A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral” →

Artigos da Semana 305

Hoje é dia das mães, uma data que precisa ser comemorada, ou ela vai tirar o chinelo do pé e chamar pelo seu nome completo. Você sabe o que isso significa, certo? Sabe também que temos aqui o que foi postado durante a semana.

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Cliente insatisfeita com salão tem plano infalível contra cabeleireiro. Ela falha

Existe algo profundamente cansativo em viver numa sociedade onde qualquer inconveniente cotidiano pode, a qualquer momento, evoluir para uma ocorrência policial. Você acorda achando que o pior que pode acontecer num salão de beleza é sair com o cabelo estranho e uma autoestima temporariamente lesionada. Mas não! Em 2026, nem uma franja pode mais fracassar em paz. Agora existe a possibilidade concreta de ela escalar diretamente para tentativa informal de assassinato. Continuar lendo “Cliente insatisfeita com salão tem plano infalível contra cabeleireiro. Ela falha” →

Diretora de escola promove Rinha de Criança e por algum motivo estranho deu ruim

Há quem diga que se há uma coisa que o mundo da educação especial absolutamente não precisava, era de uma releitura do Clube da Luta com crianças no papel dos protagonistas e uma terapeuta ocupacional empunhando a função de árbitro. Pois, é, foi exatamente isso que aconteceu em Jonesboro, Arkansas, no estabelecimento artisticamente batizado de The Delta Institute for the Developing Brain, que, ao que tudo indica, estava muito mais interessado no desenvolvimento de certos reflexos do que de certos neurônios. Especificamente os reflexos de socar, estrangular e, quando necessário, calar a boca depois.

A primeira regra da Rinha de Criança e que não se fala da Rinha de Criança, mas alguém deu com a língua nos dentes. Continuar lendo “Diretora de escola promove Rinha de Criança e por algum motivo estranho deu ruim” →

Artigos da Semana 304

Acabou o feriadão do trabalhador e você aí, como sempre, não fez nada. Podia ter lido meus artigos, mas estrava na gandaia, né? Bem, eu sou um cara legal e taqui a lista do que foi postado durante a semana.

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19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas” →

O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD” →

O hábito não faz o monge, mas ajuda o golpista

Estamos em época de exacerbar o empreendedorismo. Há muitas formas,  mas tem uma  que dispensa CNPJ, plano de negócios e qualquer traço detectável de vergonha na face; não, não estou falando de tráfico de drogas, e sim ter uma batina, uma expressão de quem conversa diretamente com o Altíssimo em grupo de WhatsApp e um QR Code estrategicamente escondido na manga. É o Capitalismo da fé em sua forma mais pura, onde Deus entra com a aura, o Espírito Santo com a legitimidade e o fiel entra com o saldo da conta corrente, feliz da vida por ter contribuído com a obra divina.

Pequenas Igrejas Grandes Negócios, e alguns resolveram encurtar o caminho para a riqueza. Continuar lendo “O hábito não faz o monge, mas ajuda o golpista” →

O pastor que mandou o Nono Mandamento pra escanteio

O ditado mais elucidativo e real do mundo é “Em casa de ferreiro, espeto de pau”. Economistas que quebram, nutricionistas obesos, psicólogos em colapso existencial, coaches de produtividade que não entregam o curso no prazo… a lista é longa, edificante e, francamente, reconfortante para quem nunca escreveu um livro sobre nada. Leslie Williams, 62 anos, pastor evangélico do estado da Flórida, acaba de entrar nessa galeria ilustre pela porta da frente: autor de um livro sobre como amar sua esposa, preso por ter duas delas ao mesmo tempo. Continuar lendo “O pastor que mandou o Nono Mandamento pra escanteio” →

Artigos da Semana 303

Ontem teve arranca-rabo no Jantar dos Correspondentes e… bem, minha vida não alterou em nada. Não dei a mínima. Talvez maus artigos não mudem em nada a vida de vocês, mas algumas das histórias são bem divertidas e informativas.

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