Huguismos

”evolucao_da_religiao.gif”Existe um texto parônimo a um texto publicado aqui que trata da forma como algumas pessoas tentam te convencer no que elas acreditam, estando certas ou não. Baseado no primeiro texto John Cooper publicou um artigo relacionando estes textos de humor com a forma como alguns (auto-)proclamados representantes das religiões usam estes argumentos faláciosos para tentar convencer os outros do seu ponto de vista. A versão traduzida do texto eu encontrei aqui, e publico abaixo.

Fundamentalismo Cristão: Vote no Hugo e ele lhe dará um milhão de dólares quando você sair da cidade. Senão Ele vai te cobrir de porrada.

Catolicismo: Hugo lhe dará um milhão e dólares quando você sair da cidade, se Ele estiver a fim. Acreditamos que se você votar no Hugo, é mais provável que você ganhe o dinheiro, mas ele é que decide. Ah, e talvez ele te cubra de porrada antes de dr o dinheiro. Por sinal, nós temos edifícios muito antigos e sofisticados que você pode usar para votar no Hugo.

Protestantismo: Tudo bem, você não precisa votar no Hugo — mas você desejará isso se confiar Nele. Se você não confia Nele, Ele vai te cobrir de porrada quando você sair da cidade. Se você confiar Nele, ele lhe dará um milhão de dólares quando você sair da cidade.

Fundamentalismo Islâmico: Vote no Hugo e ele lhe dará um milhão de dólares quando você sair da cidade. Se não, nós vamos cobrir você de porrada, e talvez expulsemos você da cidade antes do tempo.

Ateísmo Fraco: Afinal de contas, quem é esse tal de Hugo? Eu nunca vi. Acho que vocês estão inventando ele!

Mormonismo: Se você votar no Hugo, quando você sair da cidade ele lhe dará um milhão de dólares E se todos os seus parentes já tiverem saído da cidade, o Hugo dará um milhão de dólares pra eles também! Por sinal, nós temos edifícios novos e sofisticados que você pode usar para votar no Hugo, se você nos pagar.

Judaísmo: Ok, pode votar no Hugo, eu não ligo. Ele não lhe daria um milhão de dólares mesmo que você votasse. E se Ele for cobrir alguém de porrada, vai ser aqui mesmo na cidade.
Ateísmo Forte: Hugo nao existe, e não existe nada fora da cidade. Por favor me excluam desta lista.

Rastafári: Hugo estava aqui outro dia e eu estava votando nele, mas por algum motivo Ele saiu da cidade e não me deu eu milhão de dólares. Tá bom então, vou fumar unzinho.

Cientologia: Você será igualzinho ao Hugo depois de aprender a votar em si mesmo (o que, por uma pequena taxa, nós lhe ensinaremos), e aí você pode dar um milhão de dólares a si mesmo. Se você gozar de nós enquanto estamos votando em nós mesmos, nós vamos te cobrir de porrada, porque a gente é incrível.

Discordianismo: Olha só! O Hugo acabou de votar em mim! Ah não, é uma espinha… Olha! Flores! Não, é só um milhão de dólares. Olha! Aquela nuvem parece um coelhinho!

Unitarianismo: Hugo 101: nós o ajudamos a explorar todas as diferentes pessoas de nome Hugo que podem ou não existir, e como conseguir seu milhão de dólares, se ele existir. Vários métodos para votar no Hugo são discutidos, com créditos extra para experimentos completados.

Confucionismo: Vote nos seus parentes que saíram da cidade, e um dia seus descendentes votarão em você.

Taoísmo: Todos os votos, todos os dólares são parte do Um.

Hinduísmo: Você pode votar no Hugo, na Maria ou no Roberto.Se você sair da cidade ninguém lhe dará um milhão de dólares, mas você provavelmente acabará voltando para votar em outras pessoas.

Nação Islâmica: Nós temos estrelas, portanto podemos votar como se deve no Hugo. Aqueles que não possuem estrelas em thars são maus; eles nunca receberão um milhão de dólares.

Budismo: Hugo deixou um milhão de dólares na sua casa. Você poderá encontrar o dinheiro, mas somente se esquecer que ele está na sua casa.

I CHing: Perseverem em votar — riquezas se seguirão. Sem culpa.

Wicca: Vote no Hugo uma vez e ele votará três vezes em você.

Satanismo: Mas que diabo, vote no oguH.

Heaven’s Gate: A gente acabou de ver a limusine do Hugo passar. Estamos saindo da cidade AGORA pra ir junto.

Zen Budismo: Qual é o som de alguém votando sem o voto? Se você responder essa pergunta corretamente, pode ganhar um milhão de dólares, mas antes de ganhar você já não quererá mais. Chá?Testemunhas de Jeová: Dez mil pessoas nesta cidade votam no Hugo, mas só 144 vão ganhar um milhão de dólares depois que o Hugo queimar a cidade inteira, o que achamos que irá acontecer logo, logo. Leve um livrinho, ele explica o que achamos que queremos dizer com isso. Amanhã a gente volta pra falar mais um pouquinho.

Cristianismo New Age: Você é Hugo. Você tem um milhão de dólares, mas Você se esqueceu devido ao trauma da Sua criação católica. Minha nova série de workshops e vivências O ajudará a lembrar onde Você escondeu.

Ministérios do Êxodo: Nós te amamos, e queremos ajudá-lo a se curar dessa terrível doença que é comer salsichas Do Modo Errado. Deixe-nos ensiná-lo a saborear salsichas somente no pão, sem condimentos. Então, e so então, você será digno de votar no Hugo e ganhar seu milhão de dólares quando sair da cidade.

Xintoísmo: Hugo está nas árvores do parque neste instante. Você deveria dar uma volta e votar nele. Se você ficar famoso, talvez queira mudar seu nome para Hugo deepois de sair da cidade, e aí você pode voltar para o parque e os habitantes locais votarão em você.

Humanismo Ético: Vamos votar uns nos outros, e aí poderemos dividir o prêmio de um milhão de dólares. Se você for tentar o milhão de dólares do Hugo também é com você.

Gnosticismo: Hugo tem um golpista muito bom que gerou muita agitação enquanto estava aqui, saiu da cidade faz um tempo e não tem um centavo sequer. Mas existem boatos de Outra Pessoa com montes de dinheiro em Outro Lugar, em quem certamente vale a pena votar.

Ciência Cristã: Vote no Hugo e ele lhe dará um milhão de dólares quando sair da cidade e ainda seguro-saúde gratuito enquanto estiver aqui. Se você não votar ele, vai ter que pagar todas as consultas médicas e hospitais.

Egípcios (antigos): Hugo ainda está na cidade, mas vai levar um milhão da dólares do Roberto, da Joana e da Marta quando ele for embora. Você pode ficar com um pouco também se pegar carona na limusine dele.

Greco-romanos (antigos): Hugo e sua família desestruturada estão com problemas em questões de confiança, e não estão dando dinheiro. Não interessa em quem você vota, os outros vão te cobrir de porrada.

Quaker: você não precisa dar ouvidos ao Carlos ou sua lista. Se você esperar por um bom tempo, no fim o Hugo telefona pra você. Ele irá dizer como conseguir um milhão de dólares, do que a Lua é feita, etc. Você pode votar nele por telefone, se quiser.

Baha-í: É verdade! Quando você sair da cidade, Hugo lhe dará um milhão de dólares. Tudo que você ouviu sobre o Hugo tem alguma verdade; no fim todos chegaremos a um consenso e todo mundo na cidade será bem mais feliz. Ah, e mais uma coisa: Hugo definitivamente nao gosta que você coma salsichas a não ser dentro do pão, sem condimentos.

Astru (antigo): Hugo entrou em uma gangue de motociclistas e saiu da cidade, mas Ele aparece de vez em quando. Se você quer entrar na gangue Dele e que a outra gangue não te cubra de porrada, é só cobrir de porrada quem merecer (ou escrever umas letras de rock and roll duca) até que alguém faça você sair da cidade.

Judaísmo (antigo): Se você for bonzinho com um dos amigos mais chegados do Hugo, eles votarão no Hugo por você, e você leva o dinheiro na hora. Se te cobrirem de porrada, a culpa é sua, droga! Continue tentando.

Zoroastrismo: Não adianta votar no Hugo. Uma vez que nossos pais conheceram o Hugo antes de todo mundo, ele não está interessado em ningém votando nele (a não ser nós). Ele planeja voltar e limpar a cidade um dia, depois de dar um dinheiro para umas pessoas e cobrir de pancada quem saiu da cidade.

Unificacionismo: O Hugo ficou meio maluco depois que aquela experiência com jardinagem não deu certo, aí uma das suas múltiplas personalidades começou com aquela história de votar no Hugo. Uns anos depois, outra personalidade Se manifestou, alegando que era o filho do Hugo, Cris. Cobriram Ele de porrada e O expulsaram da cidade, e por isso ele disse que agora tinham que votar Nele. Aí ele me ligou e contou que o Carlos estava errado, e que se nós nos tratarmos bem uns aos outros, o Hugo vai voltar logo e dar um milhão de dólares a cada um na cidade. Mas Ele disse que você devia me dar um monte de dinheiro enquanto isso porque já que não estamos prontos para que Ele volte a cidade, ele precisa de ajuda para divulgação e os selos não são de graça.

Discussão em chat termina em briga e condenação

webchat.jpgUm britânico que afirma ter promovido o primeiro caso da Inglaterra de ataque relacionado à “fúria online” foi condenado a dois anos e meio de prisão na sexta-feira. Ele atacou um homem com o qual trocou insultos pela Internet.

Paul Gibbons, 47, morador do sul de Londres, admitiu que atacou John Jones em dezembro de 2005 depois de meses de troca de injúrias em uma sala de bate-papo dedicada à discussão do Islã. Continuar lendo “Discussão em chat termina em briga e condenação” →

A Alma

Por Voltaire
extraído do Dicionário Filosófico

É um termo vago, indeterminado, que expressa um princípio desconhecido, porém de efeitos conhecidos que sentimos em nós mesmos. A palavra alma corresponde à animu dos latinos, à palavra que usam todas as nações para expressar o que não compreendem mais que nós. No sentido próprio e literal do latim e das línguas que dele derivam, significa “o que anima”. Por isso se diz: A alma dos homens, dos animais e das plantas, para significar seu princípio de vegetação e de vida. Ao pronunciar esta palavra, só nos dá uma idéia confusa, como quando se diz no Gênesis: “Deus soprou no rosto do homem um sopro de vida, e se converteu em alma vivente, a alma dos animais está no sangue, não mateis, pois, sua alma.”
Leia mais AQUI!

A filosofia entre a religião e a ciência

Por Bertrand Russel

Os conceitos da vida e do mundo que chamamos “filosóficos” são produto de dois fatores: um, constituído de fatores religiosos e éticos herdados; o outro, pela espécie de investigação que podemos denominar “científica”, empregando a palavra em seu sentido mais amplo. Os filósofos, individualmente, têm diferido amplamente quanto às proporções em que esses dois fatores entraram em seu sistema, mas é a presença de ambos que, em certo grau, caracteriza a filosofia. Leia mais AQUI.

Nem só Jesus Cristo tinha poder

Apolônio de Tiana

Por Widson Porto Reis

Ele nasceu do útero de uma virgem e seu nascimento foi anunciado por um anjo. Reuniu ao seu redor um grupo de leais seguidores a quem transmitiu uma avançada mensagem de igualdade e fraternidade. Foi um agitador das massas e suas palavras tanto desagradaram aos romanos que acabaram por matá-lo. Em vida fazia inúmeros milagres: curava inválidos, anulava pragas, expulsava o demônio das pessoas e certa vez até ressucitou uma menina. Mas o maior dos seus feitos foi sua própria ressurreição, é claro. Uma vez completada sua missão, tomou seu lugar ao lado do Pai, do Espírito Santo e de sua própria mãe, também alçada aos céus, deixando aos seus seguidores em terra a dura tarefa de explicar como tinha tanta gente no céu se Deus era para ser único.

Ah sim, esqueci de dizer que não estou falando de Jesus Cristo. Estou falando de Apolônio de Tiana.

Continuar lendo “Nem só Jesus Cristo tinha poder” →

Mito e razão: “a porta para o logos”

mitorazao.jpgContribuições clássicas

O histórico da busca de uma realidade inteligível, “a porta para o logos”, é envolvida pelo mito. Desde o século VI a.C., os gregos da Jônia estavam a procura de uma substância primária, de um material básico do qual, segundo argumentavam, todas as coisas haviam se desenvolvido. Três homens, todos de Mileto e todos astrônomos e matemáticos, tinham suas teorias a esse respeito. Continuar lendo “Mito e razão: “a porta para o logos”” →

Aparições de Deus

apparition.jpg Por Silvia Helena Cardoso

Ao longo da história da Humanidade, tomamos conhecimento de pessoas que declararam ser mensageiros de Deus. Estes indivíduos disseram ver luzes brilhantes, ouviram a voz de Deus ou mesmo do demônio, e comunicaram-se com Jesus, Nossa Senhora e anjos. Alguns deles chegaram a ser santificados.

Estas declarações são surpreendentemente semelhantes com as alucinações, ou seja, percepções de estimulação sensorial (principalmente visão e audição) quando a estimulação não está presente. Continuar lendo “Aparições de Deus” →

A ciência precisa combater a pseudociência: uma declaração de 32 cientistas e filósofos russos

filosoforusso.jpgOs representantes de muitas ciências e disciplinas — astrônomos, físicos, químicos, biólogos, filósofos, advogados, psicólogos — estão preocupados pelo crescente disseminação da astrologia, medicina alternativa, quiromancia, numerologia e pseudo-ciências místicas na Rússia e outros países do mundo. Desejamos atrair a atenção do público à ameaça de uma atitude não crítica em relação às profecias e conselhos dos “praticantes modernos das ciências ocultas”, professadas tanto em particular como na mídia. Aqueles que acreditam na dependência do destino humano em corpos celestes, substâncias mágicas ou feitiçaria precisam entender que a ciência não pode de maneira alguma oferecer apoio a estas crenças. Continuar lendo “A ciência precisa combater a pseudociência: uma declaração de 32 cientistas e filósofos russos” →

Falsas ciências e teorias pseudocientíficas

”pseudocientifica.jpg”Por Valdir Gomes
Jornalista, pós-graduando em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)

Cientistas e jornalistas da área científica de vários países têm alertado nos últimos anos sobre a invasão das chamadas pseudociências (ou falsas ciências) nos meios de comunicação e acadêmicos. O astrônomo americano Carl Sagan, o físico brasileiro Marcelo Gleiser, o biomédico Renato Sabbatini (articulista de ciência do Correio Popular, de Campinas), o jornalista Ricardo Bonalume Neto, da Folha de S.Paulo, e o jornalista e acadêmico espanhol Manuel Calvo Hernando, entre outros, têm se dedicado à crítica de fenômenos paranormais, místicos e “alternativos”.

Atualmente, cientistas que se dedicam à divulgação da ciência têm se organizado em sociedades de combate à proliferação de teorias pseudocientíficas, como o Csicop – Commitee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal e a Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas, principalmente porque essas teorias têm uma relação muito perigosa com a ciência legítima, por motivos que explicarei mais adiante.

Mais do que combater a pseudociência, acredito ser de extrema importância também explicar o que são e como funcionam as falsas ciências. Como afirmou Sagan (O mundo assombrado pelos demônios, Companhia das Letras, 1996, pág. 30): “Se alguém nunca ouviu falar de ciência (muito menos de como ela funciona), dificilmente pode ter consciência de estar abraçando a pseudociência”. Particularmente, chamo a atenção para o caminho inverso: conhecer a pseudociência, para saber discernir entre o verdadeiro e o simulacro.

Para uma conceituação de pseudociência, faz-se necessário, primeiramente, partir da própria formação da palavra. Conhecer a morfologia de um termo, comparando-o a outro da mesma origem, pode ser um bom caminho para o entendimento de um fenômeno e suas implicações. O prefixo grego “pseudo” significa “falso”; anteposto a determinadas palavras em língua portuguesa, como elemento aglutinador, tem o objetivo de indicar que algo a que nos referimos apresenta-se de uma forma enganosa, que se utiliza de uma aparência simulada para ganhar credibilidade de quem o observa.

Dessa forma, a comparação com termos à primeira vista similares pode ajudar a clarear de vez as idéias. “Anticiência”, por exemplo, define um movimento contrário à ciência, no sentido de negação valorativa. Um terceiro termo, “protociência”, designa uma ciência em seu estágio primário de evolução, que tenta estabelecer legitimidade e conquistar reconhecimento na comunidade científica. Diferentemente da “pseudociência”, a “protociência” já se delineia nos cânones científicos e seu estatuto de ciência depende do tempo necessário para que suas hipóteses e experimentos demonstrem consistência e comprovem a eficiência dos conceitos e teorias, criando-se, a partir daí, seu rol de leis e pressupostos específicos, amparados em leis e pressupostos gerais já sedimentados. Embora ambas surjam de especulações, conhecimento intuitivo e estruturas conceituais questionáveis, geralmente é a protociência que mais tem condições de oferecer uma proposta de criatividade e curiosidade capaz de gerar interesse de pesquisa e produção de conhecimento racional. No entanto, quando a insistência nas especulações tornam as teorias e práticas pseudocientíficas uma ameaça até à saúde pública, combatê-las é o melhor caminho para o equilíbrio da própria ciência e da sociedade. O que pode acontecer é a inclusão da protociência (ou ciência de fronteira) como alvo desse ataque, impedindo sua evolução como conhecimento racional.

As teorias pseudocientíficas apresentam-se como uma proposta de conhecimento aparentemente sustentada por bases sólidas de investigação, seleção, comparação, apuração e explicação de fatos e objetos. Costuma responder com maior rapidez aos questionamentos, porque age eliminando etapas indispensáveis à construção de um conhecimento sólido e objetivo. Agindo assim, ela acaba atingindo o público também rapidamente, difundindo seus argumentos, influenciando e confundindo a opinião pública antes mesmo de a resposta científica entrar em cena para lançar uma explicação mais racional sobre os fenômenos. No entanto, quando chega o momento de apresentar publicamente justificativas e resultados para as teorias expostas – muitas sequer experimentadas –, as pseudociências tendem a escapar para o campo das argumentações subjetivas.

Embora a disseminação do conhecimento científico e o grande avanço da ciência possam nos fazer acreditar que teorias pseudocientíficas se enfraqueçam e desapareçam por si mesmas, devido às suas características e ao suporte teórico frágil que as sustentam, o que percebemos é o surgimento contínuo de novas disciplinas e teorias ditas “científicas”, mas questionáveis do ponto de vista da metodologia científica. Para tirar a prova, basta uma consulta ao Dicionário Cético (Skeptic’s Dictionary), elaborado pelo filósofo Robert Todd Carroll, fonte confiável de crítica e análise de práticas científicas e não-científicas e de fenômenos diversos, como alquimia, cirurgia psíquica, crenças, iridiologia, vampiros, raptos por extraterrestres e homeopatia, entre as mais de 320 definições que apresenta.

Cada vez mais propagadores da pseudociência insistem em tirá-la da obscuridade, usando termos, métodos e conceitos das ciências genuínas, o que causa mal-estar na comunidade científica e confusão de conceitos e valores na sociedade – o grande alvo das falsas ciências, em grande parte encorajadas pelos meios de comunicação de massa. É em geral pela mídia que as pessoas tomam contato com superstições e pseudociências. A partir daí, pela importância e credibilidade que atribuem aos meios de comunicação, em especial à TV, passam a acreditar em astrologia, quiromancia, clarividências e terapias alternativas de toda natureza. Terminam, então, por buscar conselhos e apoio para tomar decisões muita vezes vitais, ouvindo pseudo-estudiosos que se dizem autoridades em conhecimentos, muitos deles até desprovidos de qualquer lógica.

Certamente, as comunidades científica e acadêmica concordam sobre os danos que a pseudociência podem causar. Trata-se de uma volta ao obscurantismo, que deve ser encarada e combatida pelos homens da ciência e da comunicação, especialmente por jornalistas e divulgadores científicos, se não quisermos uma regressão social às superstições e ao charlatanismo medievais. Talvez o maior combustível da pseudociência ainda seja o desconhecido, o não-teorizado, o não-pesquisado; acredito que o surgimento e proliferação das teorias pseudocientíficas estarão sempre ligados à existência do “mistério” e do não-resolvido. Na medida em que as fronteiras do conhecimento avançam, amplia-se proporcionalmente o horizonte do desconhecido e, logo, do misterioso. Este é um dos axiomas da ciência.


Texto originalmente publicado em 20/05/1999 no Observatório da Imprensa em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ofjor/ofc200599.htm.

O único debate válido sobre Design Inteligente

Moderador: Estamos aqui hoje para debater este assunto controverso que é Evolução versus Design Inte… (Cientista puxa um bastão de basebol)

Moderador: Ei, o que você está fazendo?

(Cientista quebra a patela do proponente do Design Inteligente)

Continuar lendo “O único debate válido sobre Design Inteligente” →