Elucubrações sobre o esperneio a respeito de uma escada

No vetusto ano de 2009, eu postei um artigo analisando, criticando e escrutinando a Escada de Loretto. Esta escada tem uma peculiaridade mística… ou é assim que a apresentam. Situada em um povoado localizado em Santa Fé, no Novo México esta escada fica uma capela recém-construída, e em 1878, as freiras perceberam que não havia como chegar ao coro, o pavimento superior. Elas passaram nove dias numa novena para São José. A história prossegue com um misterioso homem batendo à porta da capela no último dia. Disse que era carpinteiro e que poderia dar conta da tarefa. Ele construiu, sem ajuda de ninguém, e a escada que é considerada um prodígio de carpintaria: ninguém sabe como ela ficou de pé.

Terminado o trabalho, o homem que sumiu! E aqui começa o mito da Escada de Loretto, uma escada mística, mágica, incrível. Por algum motivo, as pessoas estão vindas às torrentes, 16 anos depois, desesperadas porque eu apontei que nada daquilo fazia sentido. Continuar lendo “Elucubrações sobre o esperneio a respeito de uma escada”

Artigos da Semana 276

Não fez tanto calor esta semana quanto semana passada e eu torcendo para Winter is Coming (não virá tão cedo). Aproveitei para dar uma caprichada em textos do Apoia.se, mesmo sacrificando um dia de postagem. Mas o que foi postado vale a pena. Sempre vale a pena.,

E se você não viu, taí a sua chance! Tem texto desde ferraris enterradas até esposas se transformando em cobras.

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O ouro líquido de Roma: o número 1 da Economia

A história humana está repleta de práticas que fazem você agradecer por ter nascido na era dos antibióticos e do saneamento básico. Mas poucas dessas práticas atingem o nível de “MAS HEIN?” que a relação dos romanos antigos com urina conseguiu alcançar. Estamos falando de uma civilização que construiu aquedutos magníficos, estradas que duraram milênios e um império que dominou o mundo conhecido e… bem, e que também fazia largo uso de urina para atividades do dia a dia.

Romanos achavam que o xixizão era recurso natural valioso demais para desperdiçar. Não estamos falando de um uso ocasional e discreto. Os romanos transformaram urina em indústria, cobraram impostos sobre ela e a incorporaram em praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, da lavanderia à medicina. Bem-vindo ao mundo onde fazer xixi era literalmente seu dever cívico! Continuar lendo “O ouro líquido de Roma: o número 1 da Economia”

Quando o ketchup era branco, europeu e hoje chamariam de opressor

Se você acha que ketchup sempre foi aquela pasta vermelha açucarada que a gente despeja em batata frita ou na pizza, para horror do pessoal tosco que come comida ruim pois não sabe para que servem condimentos e temperos (devem achar um absurdo colocar sal na batata frita ou pimenta na feijoada, aqueles silvícolas).

A rigor, o catchup (ou ketchup) original nasceu há mais de mil e quinhentos anos na China como um molho fermentado de vísceras e entranhas de peixe. Sim, pois é. Os chinas obtinham o molho espremendo tripas de peixe numa jarra, deixando aquilo fermentar ao sol por até 100 dias no inverno, e chamando de tempero. Continuar lendo “Quando o ketchup era branco, europeu e hoje chamariam de opressor”

O padre que viu o passado

Em 2 de maio de 1972, uma fotografia em preto e branco estampou as páginas do semanário italiano Domenica del Corriere. A imagem, granulada e de contornos imprecisos, mostrava o rosto sereno de um homem jovem, barbado, com os olhos semicerrados em uma expressão de dor contida. A legenda afirmava algo que fez o mundo parar: tratava-se do rosto de Jesus Cristo durante a crucificação, captado por um dispositivo revolucionário capaz de ver o passado.

Esta é a história de um cientista e um aparelho incrível chamado “Chronovisor”. Continuar lendo “O padre que viu o passado”

E com vocês o prêmio IgNobel 2025

A 35ª Cerimônia Anual do Prêmio Ig Nobel foi realizada na noite de quinta-feira, 18/09, pela revista Annals of Improbable Research, na Universidade de Boston, em Massachusetts. Os prêmios não são pra qualquer um: eles celebram pesquisas que, à primeira vista, parecem saídas de algum filme do Adam Sandler, mas que, no fundo, cutucam o cérebro humano pra pensar “peraí, isso faz sentido?”. O lema oficial? “Pesquisas que fazem as pessoas rirem e depois pensarem”. Porque, vamos combinar: em um mundo onde estudos sérios custam fortunas pra provar que gatos ronronam pra manipular humanos, o Ig Nobel é o alívio cômico que a Ciência merece.

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Artigos da Semana 271

Hoje é feriado, um feriado completamente inútil já que é domingo. Fora isso tem o bando de idiotas indo pra desfile de 7 de Setembro, o que eu acho brega, mas Direita e Esquerda adoram esse papo de soberania nacional e outras bobagens de gente que não tem que se preocupar em levantar às 4 da manhã pra ir trabalhar.

Lembrando que amanhã terei que levantar cedo, já que tenho boletos pra pagar, fiquem com o que foi postado durante a semana.

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Prove a placenta dos romanos

Eu ontem postei sobre a origem do termo “placenta”, dizendo que era por ser parecida com um antigo bolo romano chamado “placenta”. Obviamente, você não perguntou por isso e eu estou pouco me lixando para este tipo de detalhe. A questão é: como é esse tal bolo, mesmo?

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O anatomista que viu um bolo onde nascem bebês

Se você pensava que nomear crianças já era complicado, imagine nomear órgãos humanos. No século XVI, o anatomista italiano Matteo Realdo Colombo enfrentou exatamente esse dilema ao se deparar com aquela massa carnuda e circular que conecta mãe e bebê durante a gravidez. E sabe o que ele viu? Um bolo. Literalmente. Não é que o homem estava com fome na hora do batismo científico; ele simplesmente decidiu que aquele órgão se parecia muito com uma placenta, o famoso bolo italiano feito de camadas de queijo e mel. Assim nasceu uma das palavras mais estranhas da medicina: placenta. Porque às vezes a Ciência é só uma questão de perspectiva gastronômica. Continuar lendo “O anatomista que viu um bolo onde nascem bebês”

Ali Pasha: a corajosa tartaruga que lutou na Primeira Guerra Mundial

O soldado destemido tinha medo; e isso não é nada demais, pois, só os covardes alegam que não sentem as garras geladas do pavor em meio aos horrores da guerra…. de qualquer uma delas, pois guerras, guerras nunca mudam. Em meio aos tiros, bombas, cheiro de morte e destruição, o soldado encontra alguém tão perdido quanto ele. A diferença é que aquela alma ali não estava lutando para nenhum dos lados. Apenas foi pega em meio ao combate.

Isso aconteceu bem na Campanha de Gallipoli (1915-1916), uma das mais sangrentas operações militares da Primeira Guerra Mundial, e dali emergiu uma história extraordinária de companheirismo improvável entre um jovem marinheiro britânico e uma tartaruga. Esta é a história de Ali Pasha, que se tornaria o veterano de guerra mais inusitado da história britânica. Continuar lendo “Ali Pasha: a corajosa tartaruga que lutou na Primeira Guerra Mundial”