Governo manda IA fazer documento para regular severamente a IA

Não há nada como a maravilhosa humilhação pública que ultrapassa o constrangimento normal e entra naquele território raro onde a realidade parece ter sido roteirizada por roteiristas bêbados de sitcom política. Um hilário exemplo é trazido pela África do Sul, que entregou ao mundo um desses momentos históricos em que a civilização para ela, olha para a cena e pergunta baixinho: “Mermão, sério mesmo?”

O governo sul-africano preparou um lindo, maravilhoso e cheiroso Projeto de Política Nacional de Inteligência Artificial, mas teve que eliminá-lo, removê-lo e exterminá-lo. Motivo? Ele foi feito via IA, numa reviravolta digna de Shyamalan. Continuar lendo “Governo manda IA fazer documento para regular severamente a IA” →

A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral

O Brasil descobriu, na semana passada, que a guerra cultural pode ser travada em qualquer front, inclusive na pia da cozinha. Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou a Resolução 1.834/2026 determinando a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a segunda marca mais presente nos lares brasileiros, perdendo apenas para a Coca-Cola no ranking do que o brasileiro médio tem em casa (falta de noção não entrou no cômputo por ser hors concour). A medida atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo em sua unidade de Amparo (SP), especificamente nos lotes com numeração final 1. Parece simples, parece técnico, parece o tipo de coisa que seria notícia por dois dias e sumia. Parecer, parece, mas o Brasil tem outros planos. Continuar lendo “A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral” →

O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje

De tempos em tempos, a Internet descobre que a Idade Média era maravilhosa. Não o período da peste bubônica que matou um terço da Europa, não o das guerras ininterruptas ou das colheitas devastadas pela geada. A Idade Média romântica, aquela dos camponeses descansados que trabalhavam menos que o trabalhador médio e passavam os invernos bordando tapeçarias à beira da lareira, se banqueteando com uma dieta mais saudável. O argumento circula com a persistência das más ideias: os servos medievais tinham mais feriados do que você, seu CLT tosco, trabalhando só 1.620 horas por ano (contra as 1.780 do trabalhador moderno), e portanto viviam melhor. Soa bonito, eu sei. Continuar lendo “O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje” →

Cinemark descobre como sabotar uma lei sem quebrar nenhuma lei

Existe algo profundamente fascinante na habilidade humana de destruir uma ideia sem tecnicamente desobedecer a ela. Não é rebelião clássica, daquela com barricada, fumaça e gente gritando slogans revolucionários. Não, caro que não! O século XXI refinou o processo, e hoje a grande revolta acontece em salas climatizadas, entre advogados sorridentes e apresentações de PowerPoint chamadas “otimização operacional”. E foi exatamente isso que aconteceu quando a rede Cinemark que resolveu entrar em campo com o regulamento debaixo do braço e decidiu cumprir a famosa cota de tela da maneira mais absurdamente literal possível, passando seguidamente filme nacional por cem vezes seguidas.

Eu adoro o cheiro de desobediência civil pela manhã! Continuar lendo “Cinemark descobre como sabotar uma lei sem quebrar nenhuma lei” →

Artigos da Semana 304

Acabou o feriadão do trabalhador e você aí, como sempre, não fez nada. Podia ter lido meus artigos, mas estrava na gandaia, né? Bem, eu sou um cara legal e taqui a lista do que foi postado durante a semana.

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Artigos da Semana 303

Ontem teve arranca-rabo no Jantar dos Correspondentes e… bem, minha vida não alterou em nada. Não dei a mínima. Talvez maus artigos não mudem em nada a vida de vocês, mas algumas das histórias são bem divertidas e informativas.

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O Papa que explodiu no próprio velório

Os rígidos soldados não estavam bem. Ali, imóveis, guardando a sua missão, eles estavam aos poucos resvalando e a ponto de desmaiar. Havia algo de sinistro e funesto no seu trabalho ali, mas a coisa estava saindo do controle. O mal-estar, a sombra de algo tóxico e horrível tomando conta do ambiente e a face horrível que ali estava traduzia o nauseabundo local que causava um esgar de nojo e horror que tomava conta ali. Barulhos suspeitos, desmaios sucessivos e o culminar horrendo daquilo seria algo que selaria o destino de muitas pessoas. Continuar lendo “O Papa que explodiu no próprio velório” →

Artigos da Semana 302

Me ausentei um pouco pelo feriadão entrecortado. Tenho certeza que vocês estão ávidos dando F5 em notícias que não farão a menor diferença na vida de vocês. Ok, eu entendo. Crise tá aí, um monte de gente teve que pagar imposto de renda e agora estão em casa fingindo serem mais bem informados enquanto outros estão se divertindo.

Ah, sim Vocês leram o que eu postei durante a semana? Não vai mudar a vida de vocês mas guerra do Irã também não vai.

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Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)

A história adora vender a ideia de que grandes nomes têm finais à altura: discursos solenes, últimas palavras memoráveis e um certo ar de grandeza inevitável. Mas basta folhear com um pouco mais de atenção para perceber que a realidade, como sempre, prefere o improviso e, frequentemente, o ridículo. Entre gênios, artistas, guerreiros e cientistas, há uma coleção nada pequena de pessoas brilhantes que não caíram em batalha nem sucumbiram a grandes tragédias, mas sim a erros banais, decisões questionáveis e coincidências que fariam qualquer roteirista ser acusado de exagero.

Olhando de soslaio para ve se Dona Morte tá atrás de mim, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)” →

Seis vacas contra um castelo (adivinhe quem ganhou)

Há guerras que se resolvem com espadas, outras com diplomacia, e algumas, para surpresa geral, com gado bovino estrategicamente posicionado. Monsaraz, uma das fortalezas mais respeitadas do Alentejo medieval, caiu exatamente assim: não com sangue, fogo ou heroísmo épico, mas com estratégia, do grego στρατηγική, e… vacas! Seis vacas, para ser mais preciso, num feito que qualquer manual de estratégia militar teria recusado por inverossímil antes mesmo de chegar ao segundo parágrafo. E, no entanto, aconteceu. Os alentejanos ainda hoje contam. Séculos depois, ainda estamos aqui perguntando como alguém teve essa ideia. Continuar lendo “Seis vacas contra um castelo (adivinhe quem ganhou)” →