Neandertal passava por tratamento dentário e você aí reclamando

O primeiro dentista da História provavelmente usava pele de mamute, morava numa caverna e tinha higiene duvidosa. Mas, surpreendentemente, talvez fosse melhor do que muito “profissional” de TikTok vendendo carvão ativado pra clarear os dentes.

Pesquisadores analisaram um molar neandertal de cerca de 59 mil anos encontrado na caverna de Chagyrskaya, na Sibéria, e descobriram algo impressionante: o dente parece ter sido deliberadamente perfurado com ferramentas de pedra para aliviar uma infecção dolorosa. Em outras palavras, um proto-canal dentário feito milhares de anos antes de existir anestesia, consultório ou aquela musiquinha constrangedora de sala de espera. Continuar lendo “Neandertal passava por tratamento dentário e você aí reclamando”

Artigos da Semana 306

A semana tá movimentada, desde Toba explodindo, detergente politizado, veados bebadaços, IA à solta e advogado fazendo o melhor que advogado faz (merda, mas de forma tão merda que só podia ser coisa de jovem).

A semana da loucura!

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Toba explosivo quase elimina a Humanidade

A grande história da Humanidade começou há muito, muito tempo. Tudo tem tentado matar as pessoas. Não satisfeito com isso, o Toba resolveu acordar e zonear geral com todo mundo. Há cerca de 74 mil anos, uma montanha acordou de mau humor e entrou em erupção com uma violência tão descomunal que foi pedaço de Toba para tudo que é lado, numa violência tão grande que os geólogos ainda hoje usam o evento como régua para medir o que a palavra “catástrofe” pode significar de verdade: a erupção foi mais de dez mil vezes mais potente do que a do Monte Santa Helena, em 1980. Toba sinistro esse.

E no meio de tudo isso, havia humanos. Continuar lendo “Toba explosivo quase elimina a Humanidade”

Artigos da Semana 305

Hoje é dia das mães, uma data que precisa ser comemorada, ou ela vai tirar o chinelo do pé e chamar pelo seu nome completo. Você sabe o que isso significa, certo? Sabe também que temos aqui o que foi postado durante a semana.

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O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje

De tempos em tempos, a Internet descobre que a Idade Média era maravilhosa. Não o período da peste bubônica que matou um terço da Europa, não o das guerras ininterruptas ou das colheitas devastadas pela geada. A Idade Média romântica, aquela dos camponeses descansados que trabalhavam menos que o trabalhador médio e passavam os invernos bordando tapeçarias à beira da lareira, se banqueteando com uma dieta mais saudável. O argumento circula com a persistência das más ideias: os servos medievais tinham mais feriados do que você, seu CLT tosco, trabalhando só 1.620 horas por ano (contra as 1.780 do trabalhador moderno), e portanto viviam melhor. Soa bonito, eu sei. Continuar lendo “O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje”

Artigos da Semana 304

Acabou o feriadão do trabalhador e você aí, como sempre, não fez nada. Podia ter lido meus artigos, mas estrava na gandaia, né? Bem, eu sou um cara legal e taqui a lista do que foi postado durante a semana.

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O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD”

O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta

Há duas formas de sobreviver a uma catástrofe. A primeira é escapar dela. A segunda é não escapar, mas ainda assim atravessar dois milênios com uma história boa o suficiente para que alguém resolva contá-la. O cidadão de Pompeia que saiu correndo com um bacião de barro na cabeça claramente falhou na etapa prática da coisa. Mas, em compensação, venceu com folga na parte narrativa. Pouca gente consegue morrer de forma tão absurdamente humana e, ainda assim, reaparecer séculos depois com direito a “retrato” digital.

E aqui estamos nós, em pleno século XXI, usando a mesma tecnologia que produz gatinhos astronautas para devolver o rosto a um sujeito que só queria não ser atingido por uma chuva de pedras vulcânicas. É o tipo de ironia histórica que Pompeia adora oferecer: enquanto o Vesúvio transformava uma cidade em cápsula do tempo, a inteligência artificial, dois mil anos depois, tenta fazer o caminho inverso. Nem sempre com perfeição, mas com uma intenção curiosamente nobre. Continuar lendo “O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta”

Artigos da Semana 303

Ontem teve arranca-rabo no Jantar dos Correspondentes e… bem, minha vida não alterou em nada. Não dei a mínima. Talvez maus artigos não mudem em nada a vida de vocês, mas algumas das histórias são bem divertidas e informativas.

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O Papa que explodiu no próprio velório

Os rígidos soldados não estavam bem. Ali, imóveis, guardando a sua missão, eles estavam aos poucos resvalando e a ponto de desmaiar. Havia algo de sinistro e funesto no seu trabalho ali, mas a coisa estava saindo do controle. O mal-estar, a sombra de algo tóxico e horrível tomando conta do ambiente e a face horrível que ali estava traduzia o nauseabundo local que causava um esgar de nojo e horror que tomava conta ali. Barulhos suspeitos, desmaios sucessivos e o culminar horrendo daquilo seria algo que selaria o destino de muitas pessoas. Continuar lendo “O Papa que explodiu no próprio velório”