Melatonina como consertadora de DNA

Durante centenas de milhares de anos a regra foi simples e eficiente: escurece, dorme; amanhece, acorda. Até que alguém inventou a lâmpada elétrica e declarou guerra ao relógio biológico. Hoje, milhões de pessoas – enfermeiros, médicos, vigilantes, motoristas, operadores industriais e seu filho adolescente – vivem em permanente negociação com o próprio corpo. O problema é que o relógio circadiano não faz acordo coletivo. Enquanto o cérebro tenta se convencer de que 3h da manhã é um horário perfeitamente razoável para tomar decisões importantes, o organismo continua recebendo o sinal ancestral: “Está na hora de dormir.”

Uma das primeiras vítimas dessa confusão é a melatonina. Continuar lendo “Melatonina como consertadora de DNA”

Os segredos lunares de um robozinho soviético

Há uma categoria especial de objetos no universo que são, ao mesmo tempo, completamente inúteis e absolutamente indispensáveis. O retrorrefletor de laser do Lunokhod 1 é um deles. Não produz energia, não coleta amostras, não fotografa crateras, não faz absolutamente nada além de devolver a luz que recebe, exatamente de onde ela veio. É, em essência, um espelho glorificado preso a um rover soviético abandonado numa planície lunar. E foi justamente esse dispositivo de elegância quase monástica que, quarenta anos depois de todo mundo ter desistido de encontrá-lo, voltou a piscar para a Terra como se dissesse: “ainda estou aqui, obrigado por perguntar.” Continuar lendo “Os segredos lunares de um robozinho soviético”

Artigos da Semana 307

O dia começou uma merda. Na verdade, começou no fim do dia de ontem quando eu fiz uma cagada e alguns arquivos PUF, desapareceram. Por sorte, corri pras IA e as IA me ajudaram a resolver. Não resolveu 100%, mas 95%, o que já tá ótimo, e isso a um custo de 2 centavos de dólar. De repente, eu conto como foi, se vocês quiserem saber, com todo caminho das pedras. Enquanto isso, vejam o que eu postei durante a semana.

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Segredos do capacetão da ave assassina revelados

Se você precisa de uma prova viva de que aves são descendentes de dinossauros, não procure fósseis. Vá até a Nova Guiné ou ao nordeste da Austrália (sempre ela) ou ainda no Parque das Aves no Paraná, e dê uma bela olhada num casuar, olhando bem nos olhos dele. Melhor ainda: não olhe. Ele já está te olhando com aquela expressão de quem calculou a trajetória do seu pescoço antes de você terminar de respirar.

A Natureza achou que este ser das Trevas de quase 2m de altura que ostenta garras internas comparadas a adagas tinha algo faltando: coroar essa máquina de indignação paleontológica com um capacete ósseo no alto da cabeça, cuja função os cientistas debatem há mais de um século sem chegar a um acordo. Pois bem: a Ciência acaba de complicar ainda mais esse mistério, e de uma forma que você não esperava. Continuar lendo “Segredos do capacetão da ave assassina revelados”

Quem não tem colírio usa óculos escuros… ou espinafre

A Ciência tem um talento raro para resolver problemas de jeitos que nenhum ser humano mentalmente equilibrado imaginaria. Se alguém te dissesse que um tratamento para síndrome do olho seco poderia transformar células da córnea em algo vagamente parecido com mini-usinas fotossintéticas movidas a espinafre, você provavelmente concluiria que a pessoa passou tempo demais olhando para lâmpadas fluorescentes. Pois foi exatamente isso que pesquisadores da National University of Singapore fizeram, e o resultado é tão estranho quanto fascinante. Continuar lendo “Quem não tem colírio usa óculos escuros… ou espinafre”

Polícia francesa emite alerta contra veados bêbados causando problemas

O grande problema da guerra Infinita foi ter zoado com a linha temporal. Estamos na versão mais doida dela, só faltando todo mundo ser feito de marshmallow. Sabemos disso porque a humanidade finalmente chegou ao ponto em que a polícia francesa precisou emitir um alerta oficial sobre veados bêbados, alcoolizados, bebuns, cambaleando pelas estradas como universitários às 3 da manhã depois de descobrir open bar de vinho barato. Acho que nada mais francês que ter um monte de veados zanzando por aí completamente embriagados. Continuar lendo “Polícia francesa emite alerta contra veados bêbados causando problemas”

A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral

O Brasil descobriu, na semana passada, que a guerra cultural pode ser travada em qualquer front, inclusive na pia da cozinha. Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou a Resolução 1.834/2026 determinando a suspensão de fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a segunda marca mais presente nos lares brasileiros, perdendo apenas para a Coca-Cola no ranking do que o brasileiro médio tem em casa (falta de noção não entrou no cômputo por ser hors concour). A medida atingiu lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes fabricados pela Química Amparo em sua unidade de Amparo (SP), especificamente nos lotes com numeração final 1. Parece simples, parece técnico, parece o tipo de coisa que seria notícia por dois dias e sumia. Parecer, parece, mas o Brasil tem outros planos. Continuar lendo “A saga do detergente sagrado: fé, bactéria e lavagem cerebral”

Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)

A Ciência tem uma vocação irritante para revelar que aquilo que fazemos de forma preguiçosa e automática é, na verdade, um mecanismo fisiológico de alta sofisticação. Respirar, dormir, caminhar até a geladeira às duas da manhã: tudo, aparentemente, é mais complexo e mais milagroso do que a mediocridade cotidiana faria supor. O mais recente capítulo dessa série constrangedora vem de pesquisadores da Penn State, os quais descobriram que o simples ato de contrair os músculos abdominais provoca um suave balanço do cérebro dentro do crânio, e que esse balançar minúsculo ajuda a limpar o órgão de resíduos metabólicos. Sim: seu cérebro é uma esponja suja, e o movimento é a torneira. A metáfora não é minha; é dos próprios cientistas. Aplausos pela honestidade. Continuar lendo “Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)”

Artigos da Semana 304

Acabou o feriadão do trabalhador e você aí, como sempre, não fez nada. Podia ter lido meus artigos, mas estrava na gandaia, né? Bem, eu sou um cara legal e taqui a lista do que foi postado durante a semana.

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O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD”