A sonda poupando energia para continuar viajando audaciosamente

A humanidade enviou ao Espaço Interestelar uma sonda lançada quando Jimmy Carter era presidente dos Estados Unidos, o Brasil vivia sob ditadura militar e Guerra nas Estrelas (Fuck you e seu “Star Wars”) tinha acabado de estrear nos cinemas, e agora, quase meio século depois, os engenheiros da NASA precisam fazer exatamente o que qualquer pessoa faz quando o carregador do celular está sobrecarregado: desligar algumas coisas para economizar energia.

A Voyager 1, o objeto mais distante já construído pelo ser humano, está a cerca de 25 bilhões de quilômetros da Terra, ou seja, 170 vezes a distância da Terra ao Sol (chamamos isso de UA, Unidade Astronômica). E ainda assim, essa relíquia dos anos 1970 cruza a Fronteira Final com a dignidade de quem sobreviveu a tudo, mas depende de uma fonte de energia que perde cerca de quatro watts por ano. Para quem não tem noção do que isso significa: é como se, a cada doze meses, você perdesse a capacidade de acender uma lâmpada de pisca-pisca de Natal. Continuar lendo “A sonda poupando energia para continuar viajando audaciosamente”

Salmão chapado na cocaína nada mais que o salmão careta

Eu sei que você abriu esse texto esperando alguma coisa minimamente… sei lá. Não tenho mais a menor puta ideia do que as pessoas esperam, e é capaz de elas mesmas não saberem. Você chega no final de semana depois de ter feriados no meio dela e não ter podido enforcar nenhum, já que seu chefe é um corno, o que me deixa bem animado. ÊÊÊÊÊ!!! Daí eu vejo o quê? Que cientistas suecos e australianos publicaram um estudo demonstrando que salmões expostos a resíduos de cocaína nos rios se espalham por bem longe, se dispersam mais, gastam mais energia e ficam mais vulneráveis a predadores. Conseguimos criar um programa de condicionamento físico involuntário para a fauna aquática europeia. Academia da vida, literalmente. Sem matrícula, sem anuidade, sem nenhuma chance de cancelamento. Sim, esta é uma notícia de salmão doidão.

Sair varando pelos caminhos de Netuno totalmente virado no pó, esta é a sua SEXTA INSANA!! Continuar lendo “Salmão chapado na cocaína nada mais que o salmão careta”

O Papa que explodiu no próprio velório

Os rígidos soldados não estavam bem. Ali, imóveis, guardando a sua missão, eles estavam aos poucos resvalando e a ponto de desmaiar. Havia algo de sinistro e funesto no seu trabalho ali, mas a coisa estava saindo do controle. O mal-estar, a sombra de algo tóxico e horrível tomando conta do ambiente e a face horrível que ali estava traduzia o nauseabundo local que causava um esgar de nojo e horror que tomava conta ali. Barulhos suspeitos, desmaios sucessivos e o culminar horrendo daquilo seria algo que selaria o destino de muitas pessoas. Continuar lendo “O Papa que explodiu no próprio velório”

Comida saudável faz um mal desgraçado, diz ciência (ou quase)

A humanidade passou décadas escrevendo, revisando e praticamente plastificando o manual da vida saudável. Era bonito, coerente e vinha com aquele bônus psicológico irresistível: além de viver mais, você ainda podia julgar discretamente quem pedia fritura. Frutas, verduras, grãos integrais, água e uma certa antipatia pelo cheeseburger. Pronto. A fórmula da virtude alimentar. Aí chega um estudo e faz o que a realidade adora fazer com certezas humanas: dá uma risadinha e vira a mesa.

No encontro anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, pesquisadores apresentaram um resultado que não quebra exatamente a Ciência, mas dá uma entortada elegante nela: Jovens com menos de 50 anos, não fumantes, diagnosticados com câncer de pulmão tinham, em média, dietas melhores do que a população geral dos Estados Unidos. Não é um “melhor” simbólico, do tipo “troquei o refrigerante por suco de caixinha”. É melhor com método, disciplina e provavelmente uma air fryer que nunca viu óleo. Enquanto o americano médio marca 57 pontos no Healthy Eating Index, esse grupo chega a 65. A Realidade tem esses probleminhas de não dar a menor bola pro que esperamos dela. Continuar lendo “Comida saudável faz um mal desgraçado, diz ciência (ou quase)”

A Terra daqui a um bilhão de anos

Há um tipo de pensamento que costuma aparecer em momentos silenciosos, quase sempre à noite, quando a pressa do dia já perdeu a força: o que será deste lugar quando não estivermos mais aqui? Não daqui a cem anos, nem a mil. Muito além disso. Um tempo tão distante que qualquer traço humano já terá sido apagado, como pegadas na areia depois da maré. Imaginar a Terra nesse futuro remoto é, ao mesmo tempo, fascinante e desconfortável. É olhar para um mundo familiar e perceber que ele não nos pertence tanto quanto gostamos de acreditar. Continuar lendo “A Terra daqui a um bilhão de anos”

Artigos da Semana 302

Me ausentei um pouco pelo feriadão entrecortado. Tenho certeza que vocês estão ávidos dando F5 em notícias que não farão a menor diferença na vida de vocês. Ok, eu entendo. Crise tá aí, um monte de gente teve que pagar imposto de renda e agora estão em casa fingindo serem mais bem informados enquanto outros estão se divertindo.

Ah, sim Vocês leram o que eu postei durante a semana? Não vai mudar a vida de vocês mas guerra do Irã também não vai.

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O que o Universo demorou bilhões de anos, cientistas fizeram no laboratório facilmente mais uma vez

Existe um clube extremamente exclusivo dentro da tabela periódica. Não é o dos elementos radioativos, que pelo menos têm a decência de aparecer em quantidade suficiente para causar preocupação. Também não é o dos gases nobres, que basicamente vivem de esnobar qualquer tentativa de interação química. É um grupo bem mais ingrato: os chamados p-núcleos.

Estamos falando de cerca de 35 isótopos ricos em prótons que são, ao mesmo tempo, mais pesados que o ferro e absurdamente raros. Tão raros que, durante décadas, a Ciência simplesmente não sabia explicar de onde eles vinham. Não era falta de interesse, e sim falta de pista mesmo. Agora, pela primeira vez, pesquisadores conseguiram reproduzir em laboratório uma das reações nucleares responsáveis pela formação do mais leve desses elementos, o selênio-74. A boa notícia é essa. A má notícia é a clássica: entender um pedaço do problema só deixou mais evidente o tamanho do resto. Continuar lendo “O que o Universo demorou bilhões de anos, cientistas fizeram no laboratório facilmente mais uma vez”

A vez da irmã mais nova visitar a Lua

Se você cresceu achando que ir à Lua era basicamente “apontar o foguete e acelerar até chegar”, a NASA tem uma notícia ligeiramente desconcertante: nos anos 60, era quase isso mesmo. O programa Apollo, aquele monumento tecnológico erguido no meio da Guerra Fria, operava na base do que engenheiros chamam, com admirável eufemismo, de “brutalidade elegante”: gastar uma quantidade obscena de energia para resolver o problema rápido. O foguete Saturno V tinha a mesma sutileza filosófica de um rinoceronte em choque com um muro, mas chegava lá. Mais de meio século depois, a NASA olha para o mesmo destino e decide fazer algo que soa quase ofensivo para o espírito apressado do século XXI: dar uma volta maior, mais lenta, mais calculada. E não, isso não é regressão, é sofisticação; e a diferença entre as duas abordagens se esconde num detalhe que a maioria das pessoas nunca percebe no telão da transmissão ao vivo: o caminho. Continuar lendo “A vez da irmã mais nova visitar a Lua”

Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma

Roma conquistou o mundo conhecido, pavimentou estradas por toda a Europa, chegou às margens do Reno com suas legiões e seus gladii (plural de gladius ou “gládio”) e, então, numa tarde qualquer do século I da nossa era, afundou um carregamento inteiro num lago suíço. Sem sobreviventes, sem registro, sem testemunha. Dois mil anos depois, mergulhadores vasculham o fundo lodoso do Lacus Eburodunensis – hoje conhecido como lago Neuchâtel – e encontram praticamente tudo intacto, como recém-saído da olaria. A História tem um senso de humor que os professores preferem não comentar. Continuar lendo “Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma”

Artigos da Semana 300

Hoje é dia do coelhinho (se eu fosse como tu…). Você deve ter pego em muitos ovos, se enchido de barras de chocolate até transbordar e outros duplos sentidos que na verdade é um sentido só: comemorar a Páscoa. Vamos ver o que foi postado durante a semana que não teve nada a ver com Páscoa, mas enfim…

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