Design da evolução

Cientistas estão retraçando os passos por meio dos quais a evolução obteve seus sucessos. Estão descobrindo que o mesmo kit de ferramentas genéticas pode construir estruturas tanto simples quanto complexas.

Olhos, asas – a natureza está repleta de estruturas complexas. Os cientistas vêm descobrindo como elas surgiram. Das minúsculas criaturas marinhas aos seres humanos, genes iguais são responsáveis pela estruturação do corpo, revelando a trajetória evolutiva dos primórdios elementares às formas mais intricadas. Continuar lendo “Design da evolução”

Os répteis marinhos do passado

Organismos que viveram no passado geológico do nosso planeta podem ter formas bem diferentes e até mesmo extravagantes quando comparados com as espécies que vivem atualmente. Isto não é novidade para ninguém – estão aí dinossauros como o Maxakalisaurus , pterossauros como o Feilongus e formas intermediárias entre os peixes e os primeiros tetrápodes (vertebrados que conquistaram a terra firme) como o Tiktaalik , para citar só alguns exemplos. Mas poucos organismos surpreendem mais do que os ictiossauros. Continuar lendo “Os répteis marinhos do passado”

Pesquisadores sugerem que a origem da vida era inevitável

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/origemdavida.jpg&#8221; alt=”origemdavida.jpg” style=”margin:4px;” align=”left” border=”0″ /><em>Por <a href=”http://estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/nov/14/329.htm&#8221; target=”_blank”>Carlos Orsi</a></em>

<em>A idéia oferece uma conseqüência previsível: todos os planetas onde há condições semelhantes às da Terra acabarão gerando os princípios da vida.</em>

A origem da vida na Terra costuma ser vista como um fenômeno único e altamente improvável, requerendo uma cadeia complexa de materiais, energia disponível e muita sorte. Mas, agora, dois cientistas americanos sugerem que, na verdade, a vida é um fenômeno inevitável, como um relâmpago que surge quando há uma diferença muito grande de carga elétrica entre nuvens e solo. <!–more–>A vida serviria, ainda, a uma função análoga à do raio: permitir a dissipação de energia acumulada.

Em artigo divulgado pelo Santa Fe Institute, Harold Morowitz e Eric Smith sugerem que, da mesma forma que raios são estruturas que surgem por conta de diferenças de voltagem, e permitem a dissipação dessas diferenças, os processos químicos da vida surgem por conta de diferenças de energia acumuladas em processos geológicos, como erupções vulcânicas, e atuam de forma a dissipar esses acúmulos.

Os pesquisadores argumentam que a geoquímica da Terra, em seus primórdios, gerava grandes acúmulos de energia sob a forma de diversos tipos de moléculas, e que a vida – por meio do metabolismo – foi o canal encontrado para dissipar essa energia, do mesmo modo que raios dissipam potencial elétrico e furacões dissipam diferenças de temperatura.

Em seu artigo, os cientistas argumentam que “um estado da geosfera que inclui a vida torna-se mais provável que um estado puramente abiótico (sem vida)”, já que os seres vivos atuam consumindo a energia acumulada no ambiente.

Desse modo, o surgimento dos seres vivos teria sido um “colapso para uma maior estabilidade” no planeta.

Morowitz e Smith reconhecem que ainda não têm todo o aparato teórico necessário para desenvolver a hipótese da “vida inevitável” em maiores detalhes, mas sua idéia oferece uma conseqüência previsível: a de que todos os planetas onde há condições semelhantes às da Terra acabarão desenvolvendo, pelo menos, os estágios iniciais da vida.

Polegares de Panda

por Eduardo Augusto Geraque

Diferença entre divulgação científica e jornalismo de ciência deve ser mais explicitada.

O biólogo e divulgador da ciência Stephen Jay Gould mostrou em seu livro O polegar do panda que a evolução da vida sobre a Terra pode ser mais bem explicada pelo modelo dos equilíbrios pontuados do que pelo gradualismo, o modelo defendido por Charles Darwin. Em vez de pequenos saltos, o mais sensato seria imaginar que as “linhagens mudam pouco durante a maior parte da sua história, mas eventos de especiação rápida ocasionalmente pontuam essa tranqüilidade. A evolução é a sobrevivência diferencial e o desdobramento dessas pontuações. O processo pode demorar centenas e até milhares de anos”. Continuar lendo “Polegares de Panda”

Chuva vermelha pode ter trazido vida alienígena para Terra

Em julho de 2001, uma misteriosa chuva vermelha atingiu uma grande área do sul da Índia.

Moradores acreditavam que a chuva era um anúncio do fim do mundo, mas a explicação oficial foi de que a chuva havia sido causada pela poeira do deserto que foi soprada da península Arábica. Continuar lendo “Chuva vermelha pode ter trazido vida alienígena para Terra”

Nosso primeiro bebê

por Christopher P. Sloan
National Geographic Brasil – novembro/2006

Zeresenay Alemseged tem dois filhos pequenos. Um deles é Alula, um menino que passa a maior parte do tempo no colo da mãe em uma casa térrea de Adis-Abeba, capital da Etiópia. O outro é uma menina de 3 anos que passou 3,3 milhões de anos incrustada em arenito, até que o cientista etíope e sua equipe retirassem seus ossos fossilizados do bloco rochoso. Foi um longo e lento renascimento para um bebê que viveu na aurora da humanidade.
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Por que alguns animais são tão inteligentes?

por Carel van Schaik
Scientific American Brasil – maio de 2006

Poucos duvidam de que os seres humanos sejam as criaturas mais inteligentes do planeta. Muitos animais têm habilidades cognitivas especiais, que lhes permitem se dar bem em seus hábitats particulares, mas eles não resolvem problemas novos muito freqüentemente. Alguns fazem isso, e nós os consideramos inteligentes, mas nenhum é tão perspicaz quanto nós. Continuar lendo “Por que alguns animais são tão inteligentes?”

O Argumento do “Projetista Inteligente” pode ser considerado científico?

Por Lenny Flank
Tradução: Cássia C.C. Santos

Recentemente os criacionistas vêm adotando uma nova tática conhecida como o argumento do “Projetista Inteligente” ou “Aparição Súbita”. As moléculas complexas da vida incluindo o DNA são segundo eles “muito complicadas” e “muito improváveis”, para haver surgido por si mesmas através de processos aleatórios, e portanto devem ter sido postas juntas deliberadamente por um “projetista inteligente” com poderes sobrenaturais. Alguns criacionistas ilustram sua afirmação apontando que as possibilidades da formação de uma cadeia de DNA através de um mero acaso, são as mesmas de um tornado passar por um ferro-velho e formar um Boeing 747 completamente funcional. Continuar lendo “O Argumento do “Projetista Inteligente” pode ser considerado científico?”

Dino “saci” encontrado no Brasil preenche lacuna na evolução

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/dino_saci.jpg&#8221; align=”right” hspace=”4″ vspace=”4″ />Por muito pouco o paleontólogo Jorge Ferigolo não passou batido por um pequeno osso que despontava de um afloramento de rochas em Agudo, Rio Grande do Sul, no ano 2000. Até onde ele sabia, não havia fósseis naquele local. “Começamos a escavar e apareceu uma mandíbula. E depois o resto”, recorda-se. Seis anos depois, o achado improvável é oficialmente descrito como o mais novo dinossauro brasileiro.<!–more–>

O <em>Sacisaurus</em> (literalmente, “lagarto saci”) ganhou esse nome por uma brincadeira. Ossos desarticulados de vários indivíduos foram achados em Agudo, mas com um problema. “Temos 19 fêmures direitos e nenhum esquerdo”, diz Ferigolo. O porquê disso é um mistério.

Ele pertence ao grupo dos ornitísquios, uma das duas linhagens principais dos dinossauros. É o mesmo grupo que produziu bestas gigantes comedoras de plantas, como o chifrudo <em>Triceratops</em> e o estegossauro, famoso pelas placas de osso nas costas.

O animal gaúcho, no entanto, é bem menor que seus sucessores ilustres: tinha apenas 1,5 metro de comprimento. E mais primitivo também.

Por “primitivo” entenda-se tanto “antigo” quanto “esquisito”. A anatomia do <em>Sacisaurus</em> é diferente da de qualquer outro ornitísquio. Tanto que o artigo científico que o descreve, assinado por Ferigolo e por Max Langer, da USP de Ribeirão Preto, foi rejeitado duas vezes antes de ser aceito para publicação pelo obscuro periódico “Historical Biology”.

É justamente essa esquisitice que o torna tão interessante para a dupla. Eles argumentam que o animal traz um registro precioso da origem do chamado osso pré-dentário, o “bico” curvo e sem dentes característico de todos os ornitísquios.

No fóssil gaúcho, o pré-dentário é duplo, formado pela fusão de duas projeções ósseas. Em animais como o <em>Triceratops</em> ele é um osso único. Os brasileiros dizem que se trata de uma transição: por ser um dos ornitísquios mais antigos, ele estaria no meio do caminho da formação do pré-dentário.

Nem todo mundo concorda. Isso foi um dos fatores que causaram a rejeição ao artigo original pelas revistas “Proceedings of the Royal Society B” e “Journal of Vertebrate Paleontology”, a mais importante da área. “Se o mesmo artigo viesse do Paul [Sereno, paleontólogo-celebridade americano], teria sido aceito”, reclama Langer.

“O trabalho é boa ciência”, disse à <strong>Folha</strong> Farish Jenkins, da Universidade Harvard (EUA). “Esse animal é uma bonita transição para uma característica que aparece depois em todos os ornitísquios”, disse.

O estudo sobre o “saci” gaúcho também esfria a fervura dos que se apressam em apontar uma origem sul-americana para os dinossauros.

Até agora, vários dos dinos mais antigos do mundo haviam sido achados no Rio Grande do Sul e norte da Argentina, o que levou alguns a propor essa região como berço dos dinos.

Só que entre esses dinos-avós havia apenas um provável ornitísquio, o pisanossauro argentino –cujos fósseis são notoriamente incompletos. A descoberta de mais um ornitísquio na região, em tese, reforçaria essa idéia. Mas comparações feitas por Langer e apresentadas no novo estudo acrescentam ao time dos ornitísquios um outro animal, o <em>Silesaurus</em>, descoberto na Polônia e ainda mais antigo que o saci.

“O pisanossauro e o <em>Silesaurus</em> seriam os ornitísquios mais basais [primitivos]”, diz Langer. “Mas eles estão muito separados geograficamente. Isso vai contra a idéia de um centro de irradiação sul-americano. Na verdade, os dinossauros se espalharam muito rapidamente pelo mundo.”

Fonte: <a href=”http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15464.shtml&#8221; target=”_blank”>http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15464.shtml</a&gt;