Biodiesel feito de algas

Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento. Continuar lendo “Biodiesel feito de algas”

Gralha-azul possui estrutura ocular incomum

Ave-símbolo do Paraná, responsável pela dispersão de sementes da araucária, a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) tem bulbos oculares (olhos) diferenciados. Em estudo feito recentemente, o veterinário Fabiano Montiani-Ferreira, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou nessa ave da família dos corvídeos uma estrutura óssea incomum no nervo óptico, também conhecido como ossículo de Gemminger, ou osso óptico. Esse elemento mostrou-se rico em medula óssea.

Embora a ocorrência de anel ósseo ao redor da parte branca do olho (esclera) seja comum entre as aves, a presença de um osso em torno do nervo óptico é exclusiva de alguns grupos. “Esse pequeno osso já havia sido descrito na década de 1950 em algumas espécies de aves, mas só agora foi identificado na gralha-azul”, ressalta Montiani. A real função da estrutura permanece desconhecida, pois ainda não foi suficientemente investigada. Suspeita-se que sua presença torne o ponto de inserção do nervo óptico na esclera mais rígido, o que ajudaria a dar sustentação à estrutura anatômica e a reduzir as conseqüências de impactos mecânicos. Continuar lendo “Gralha-azul possui estrutura ocular incomum”

Determinando a idade dos fósseis

Por Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências

Uma das questões recorrentes durante palestras e também na correspondência com os leitores desta coluna é sobre como os pesquisadores são capazes de determinar a idade de um fóssil. Como alguns podem imaginar, a datação de um fóssil não é uma questão trivial e está ligada à complexidade do registro paleontológico – desde a formação do fóssil até o que ocorre com a camada sedimentar onde este se preservou. Até que os princípios gerais não são tão complicados, mas a aplicação destes na prática…

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Clima incerto e tragédia previsível

A relação entre as mudanças climáticas globais e os fenômenos que deixaram mais de uma centena de mortos e cerca de 80 mil desabrigados em Santa Catarina é ainda uma incógnita. Mas a relação entre a tragédia e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, de acordo com Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Durante o seminário “Controle de Enchentes – 10 Anos do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que terminou nesta terça-feira (3/12), em São Paulo, Ribeiro também ressaltou a necessidade de aperfeiçoamento dos sistemas de previsão do clima e de inundações. Continuar lendo “Clima incerto e tragédia previsível”

Panderichthys e a origem dos dedos

Panderichthys é largamente reconhecido como a forma transicional da evolução dos tetrápodes (sabe como é, né… aqueles fósseis transicionais que os criaBURRIcionistas alegam que não existe). Um belo espécime lindamente preservada para horror de toscos que ainda têm a esperança que o mundo apareceu do nada foi encontrado em 2005.

O Panderichthys é (ou melhor, era) um bichinho muito interessante. Ele é mais parecido com um peixe do que com uma salamandra e para um criaBURRIcionista, é apenas um peixe, como uma sardinha em lata ou o imenso peixão que engoliu Jonas (ou era uma baleia? Não, não, era um monstro marinho! Não era… ah, esquece!), no entanto suas barbatanas eram ósseas. Continuar lendo “Panderichthys e a origem dos dedos”

A supernova de Tycho Brahe

brahe-107x150Astrônomos de um instituto alemão conseguiram captar “ecos de luz” da explosão de uma supernova observada pela primeira vez da Terra há mais de 400 anos para tentar solucionar o mistério que existia desde então entre os cientistas para descobrir a origem daquele evento.

Em 1572, uma “nova estrela” apareceu no céu, deixando astrônomos impressionados e provocando a revisão de antigas teorias sobre o universo. Os cientistas do instituto Max Planck usaram telescópios no Havaí e na Espanha para captar os ecos da explosão original, refletida por poeira cósmica.

O estudo foi publicado na última edição da revista Nature.

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O resfriamento da Terra no período hadeano

eras-terrestres-150x118Os primeiros 700 milhões dos 4,5 bilhões de anos de vida da Terra são conhecidos como “período hadeano”, em referência a Hades ou, para deixar de lado o nome grego antigo, o inferno. O nome parecia se enquadrar bem à percepção comum de que a Terra em seus primórdios era uma paisagem seca, quente e desolada, entremeada por mares de magma, ambientes incapazes de sustentar vida. Ainda que algum organismo tivesse surgido, teria em breve sido extinto pela conflagração gerada pelo choque de um dos gigantescos meteoritos que colidiram com o planeta na era em que o jovem Sistema Solar estava ainda repleto de detritos.

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Moscas fêmeas escolhem vários parceiros para evitar gene ruim

Evitar um gene maléfico à descendência é a razão pela qual as moscas fêmeas preferem ter vários parceiros em vez de um só, e se você pensou que era por causa delas serem vagabundas desclassificadas, errou feio! A conclusão é de um estudo realizado por uma equipe internacional de cientistas, publicado pela revista “Science”.

A poliandria, a prática feminina de se ligar a vários machos, é muito comum no reino animal, mas os motivos desta conduta são ainda uma incógnita, principalmente porque, em algumas espécies, o custo pode ser muito alto – nas fêmeas da mosca-das-frutas Drosophila melanogaster, por exemplo, causa a morte. No gênero humano, não. Desse modo, vai ter muita mulher com explicações biológicas “satisfatórias” por estarem pulando a cerca. Vamos ver quantas mulheres virão aqui me xingar…

Descoberto ancestrais das tartarugas

Foram encontrados no sudoeste da China fósseis da tartaruga mais antiga de que se tem notícia, com 220 milhões de anos. O esqueleto achado na província de Guiyang chama a atenção por não possuir o resistente casco que protege e envolve quase todo o corpo das tartarugas modernas. Os paleontólogos que analisaram o fóssil acreditam que ele esclarecerá muitas dúvidas sobre a evolução dos quelônios e sobre o surgimento de seu casco.

Apesar de não ter o casco, a tartaruga do Triássico superior chinês já apresentava a proteção ventral, conhecida como plastrão – um escudo ósseo exclusivo das tartarugas – completamente formado. Por isso, a espécie foi denominada Odontochelys semistestacea – literalmente, “tartaruga dentada com meia carapaça”. O quelônio foi descrito na Nature desta semana por cientistas chineses, americanos e canadenses. Continuar lendo “Descoberto ancestrais das tartarugas”

Primeira expedição brasileira ao interior da Antártida

Pesquisadores do PROANTAR (Programa Antártico Brasileiro) partem nesta quinta-feira (20/11) para a primeira expedição científica nacional ao interior da Antártica. A missão terá seu acampamento base a 2.000 km ao sul da Estação Antártica Comandante Ferraz, já sobre o espesso manto de gelo que cobre o continente.

Do acampamento base, parte do grupo avançará 400 km em uma das regiões mais isoladas da Antártica, o Monte Johns (79°37’S, 91°14W), onde serão realizadas perfurações do gelo para investigar as variações do clima e da química da atmosfera ao longo dos últimos 500 anos. Continuar lendo “Primeira expedição brasileira ao interior da Antártida”