O que é o Período Antropoceno?

A história da Terra é uma imensa saga, apesar de insignificante em contexto universal. Mesmo em sua relativa breve existência, a Terra passou por momentos conturbados, onde a ira interna do planeta mostrou sua devastadora ação e seu poder descontrolado moldou tudo o que conhecemos hoje. Com o passar dos dias, antes que recebessem o nome de "dias", das semanas, meses, anos, séculos, milênios e etc., o planeta vem sido mudado em sua aparência e em como ele interage com outros corpos celestes. Desde o mínimo meteorito até a queda de cometas capazes de liquidar tudo que está vivo sobre a superfície terrestre,a  Natureza demonstra que está pouco se lixando pro que vive, cresce e morre.

Para melhor estudar estas fases, cientistas estabeleceram faixas cronológicas onde há severa mudança no ecossistema. São as chamadas "Eras Geológicas". Atualmente, está em consenso que estamos em uma nova era geológica, que recebeu o nome de Período Antropoceno (em geologia, "Período" não é a mesma coisa que "Era"). Mas o que é isso e o porque deste nome? Do alto das montanhas do conhecimento, devemos abrir o Livro dos Por quês.

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O caso do peixe pokemon

Este é mais um artigo da série "Jornalistas Diplomados falando merda sobre o que não sabem". Ainda não entendi por que jornaleiros, digo, jornalistas enchem a boca pra falar "Jornalista Com Diploma", como se isso fosse o mesmo que ganhar um prêmio Nobel. A  Imprensa Golpista mais uma vez usa suas manipulações neo-liberais para afastar as pessoas do saber e conhecimento. Dessa vez, foi o Estadão, que soltou a bombástica manchete "Poluição do Rio Hudson em NY faz com que peixes evoluam". Isso parece coisa de quadrinhos, onde algum evento caótico causou imediata mutação, dando superpoderes aos peixes. Será que foi isso que aconteceu? (pergunta retórica, claro. Mais uma vez escreveram besteiras).

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Um FarmVille microscópico

A agricultura surgiu quando alguns de nossos ta-ta-ta-ta-ta-ta-taravós perceberam que quando uma semente de determinada planta cai na terra, brota-se – depois de certo tempo – uma outra planta igualzinha. Isso ajudou a criar assentamentos, pois até então nossos ancestrais eram fundamentalmente caçadores/coletores. Com a agricultura, a comida poderia ser obtida e, melhor, planejada para a população. A população crescia à medida que surgia melhores condições de alimentação, e conforme se crescia a população, era necessário produzir mais alimentos. Isso continua até hoje.

No mundo biológico, não são só os seres humanos que cultivam seus alimentos. Silenciosamente, outros seres também cultivam. Um exemplo disso são as bactérias Dictyostelium discoideum.

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Plantas que dão luz. Milagre da Física?

Sim, pois é isso que a reportagem da Folha, cujos competentíssimos repórteres, em matéria cedida pela Reuters, nos trouxeram. Segundo eles, um cientista do Centro de Pesquisa em Ciência Aplicada de Taiwan, apresentou à imprensa o resultado de um experimento que mistura nanopartículas de ouro e água a plantas. O resultado? A planta começa a emitir luz. Sim! Isso mesmo: sem nenhum custo ou consumo de energia.

Bem, pelo menos é o que os jornalistas pensaram e, pior!, escreveram. E o que é similar a um jornalista escrevendo sobre Ciência?

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Quando meus pais mudaram de casa

De acordo com novos estudos, nossos antepassadas saíram da África mais cedo do que se pensava. Bem mais cedo ou, do ponto de vista geológico, foi praticamente ontem. A bem da verdade, a história do homem na Terra é algo absurdamente recente. Por causa de uma Era Glacial, o nível dos oceanos baixaram, acarretando seca em alguns lugares. Isso fez com que antigos africanos começassem a procurar terras férteis em outros lugares. Agora, uma nova pesquisa nos diz que estas migrações começaram mais cedo do que se pensava.

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Os suspeitos de uma grande matança

As pessoas têm o péssimo hábito de olhar o mundo lá fora e pensar que tudo é perfeitinho. Não é. Desde as Grandes Extinções até aquele monte de camelô impedindo a sua passagem, o mundo sempre foi perigoso. Um exemplo foi a extinção geral, (quase) total e irrestrita ocorrida durante o período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos, onde mais de 90% da vida na Terra foi riscada do mapa, por causas diversas.

Houve muitas extinções ao longo do tempo, como a do Pleistoceno, Cretáceo-Triássico (K/T), Triássico Superior, Paermo/Triássica, Frasniano/Fameniano, Ordoviciano Superior e o Vendiano. Muita sorte ter algo vivo hoje em dia, a não ser que alguma força obscura tenha brincado de XBOX Celestial só para saber se algo sobreviveria e demonstrando absoluta falta do que fazer, além de uma incompetência ímpar. Enfim, o que realmente sabemos sobre o período Permiano?

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Biolamp: A ideia mais estúpida já inventada

Costumo dizer que jornalista falando de Ciência é a mesma coisa que tartaruga tentando costurar. Entretanto, tem algo pior que isso: designers. Eles não só falam besteira, como desenham besteiras e o mundo de idiotas replicam o monte de merda que estes imbecis inventam. Um perfeito exemplo é a tal “Biolamp” (não confundir com sua homônima), inventada por um dizáiner húngaro, que promete revolucionar tudo o que sabemos sobre poluição atmosférica e nos dar ares mais limpos.

Obviamente, eu não tenho nada contra sistemas anti-poluição, mas devemos ter cuidado com as inovações. Uma das frases que eu mais gosto é a do Marcelo Gleiser, que diz “Se sua teoria vai de encontro a todas as leis da Física, você pode estar certo. Se sua teoria viola apenas a Segunda Lei da Termodinâmica, ela estará invariavelmente errada”.

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O Palácio dos Cristais de Naica

A mina de Naica está localizada no estado de Chihuahua, México. Ela seria mais uma outra mina comum, esquecida num país largado em qualquer canto do mundo. Entretanto, assim como as estradas, as minas têm histórias, segredos. Nada se compara com os monumentais cristais encontrados na Cueva de los Cristales, e é praticamente impossível não compará-la com a Fortaleza da Solidão do filme do Super-Homem. A visão é estonteteante, mas também mortal.

Naica é basicamente uma mina de chumbo, zinco e prata. Mas seu maior tesouro estava escondido de forma mais profunda. Nunca sabemos o que o planeta pode produzir, indiferente à nossa tola existência. Naica nos mostra que sua grandiosidade não está no valor que damos aos minérios, pois este valor é subjetivo. Povos pré-colombianos não davam tanto valor ao ouro quanto os europeus. O verdadeiro tesouro de Naica passou milênios escondido, até que uma descoberta (como sempre, por acaso) em 2000 mudou a história do lugar.

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Living Earth Simulator, o Simulador da Terra Viva

Lembra-se de tudo de melhor em termos de ficção científica? Pois, parece que está para se tornar realidade. Desde os primórdios, escritores de FC introduzem conceitos como Inteligência Artificial e mundo gerados por computador. Sim, eu sei o que você está pensando: Matrix Neuromancer, um ícone do Cyberpunk (quando terminar de ler este artigo, faça algo de bom na sua vida e compre o livro. Não vai se arrepender).

Agora, o que antes estava restrito à imaginação dos autores mais consagrados estará disponível no mundo real (se é que você sabe o que é real). Cientistas pesquisam em modelos computacionais de forma a reproduzir todas as variantes caóticas que constituem os sistemas climáticos e disseminação de doenças. Em outras palavras, eles criarão uma "Terra em Bits", um simulador da vida na Terra. Second Life? Meh!

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Crianças inglesas publicam estudo em periódico indexado

Qual a diferença entre cientistas de verdade e idiotas falaciosos? Cientistas de verdade não têm medo de colocar a cara à tapa e publicam suas pesquisas em periódicos indexados, com revisão por pares (o chamado peer review). O máximo que criaBURRIcionistas conseguem é publicar suas besteiras em sites religiosos ou postar videozinho babaca no YouTube (de preferência, desabilitando os comentários, para não passarem vergonha). Um grupo de estudantes fez um projeto de ciências e descobriram que as abelhas podem ser treinadas para reconhecer cores em busca de alimento.

Que estudantes conseguem publicar seus estudos em periódicos científicos não é novidade. A novidade é que os referidos estudantes são alunos da Escola Primária Blackawton, e têm entre 8 e 10 anos. Resumindo: estas crianças possuem mais periódicos científicos publicados que a soma de todos os criaBURRIcionistas juntos. CHUPA, SABINO! (ops, ele pode levar a sério)

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