Artigos da Semana 301

Enquanto o mundo está o mesmo de sempre com arranca-rabo de todo lado eleições com novos parasitas mantendo as mesmas políticas de sempre e um festival de inutilidades postadas nos jornais, vocês devem me agradecer por trazer coisas que realmente importam,e elas estão aqui, nos artigos da semana:

Continuar lendo “Artigos da Semana 301”

Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma

Roma conquistou o mundo conhecido, pavimentou estradas por toda a Europa, chegou às margens do Reno com suas legiões e seus gladii (plural de gladius ou “gládio”) e, então, numa tarde qualquer do século I da nossa era, afundou um carregamento inteiro num lago suíço. Sem sobreviventes, sem registro, sem testemunha. Dois mil anos depois, mergulhadores vasculham o fundo lodoso do Lacus Eburodunensis – hoje conhecido como lago Neuchâtel – e encontram praticamente tudo intacto, como recém-saído da olaria. A História tem um senso de humor que os professores preferem não comentar. Continuar lendo “Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma”

Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado

Há uma tradição respeitável entre políticos do mundo inteiro: mentir. É quase um requisito da profissão, está implícito no contrato não escrito que o eleitor assina ao depositar seu voto na urna. Mas mentir com a própria cara, literalmente, usando inteligência artificial para substituir a sua fisionomia por outra pessoa trinta anos mais jovem e depois insistir, diante de provas fotográficas, que aquilo é você? Isso já ultrapassa os limites do cinismo convencional e adentra um território novo: o da desfaçatez estética com pretensão ontológica. Continuar lendo “Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado”

O prédio que girou 90 graus enquanto os funcionários ficavam pendurados no telefone

Eu sempre digo que nossos avós eram o máximo. Vocês podem dizer “ain, é bom viver no futuro”. Nossos avós CONSTRUÍRAM o futuro. Os caras eram capazes de maravilhas, e isso porque eram arrogantes e queriam fazer o impossível, só que não sabiam que o que estavam fazendo era impossível, por isso fizeram. Um exemplo disso se deu em outubro de 1930, quando 600 funcionários chegaram ao trabalho num edifício, fizeram o que tinham que fazer, foram embora, no final do expediente, com o mesmo edifício estando Ok, só que estava em outro lugar. Literalmente.

O prédio tinha se mudado durante o dia. Não metaforicamente, não em sentido figurado para alguma tese de teoria organizacional. O edifício de concreto, tijolo e aço de 11 mil toneladas tinha percorrido dezenas de metros e girado 90 graus (!), enquanto lá dentro as telefonistas continuavam atendendo chamadas, a água saía das torneiras e o gás aquecia os radiadores. Um dos funcionários relatou, anos depois, que sequer percebeu o movimento. Bom trabalho, 1930. Bom trabalho. Continuar lendo “O prédio que girou 90 graus enquanto os funcionários ficavam pendurados no telefone”

Artigos da Semana 300

Hoje é dia do coelhinho (se eu fosse como tu…). Você deve ter pego em muitos ovos, se enchido de barras de chocolate até transbordar e outros duplos sentidos que na verdade é um sentido só: comemorar a Páscoa. Vamos ver o que foi postado durante a semana que não teve nada a ver com Páscoa, mas enfim…

Continuar lendo “Artigos da Semana 300”

A caganeira que causou uma guerra

Existem ocorrências minúsculas, até mesmo displicentes, que acabam por escalonar em algo bem maior, algo que ninguém ligaria os pontos diretamente sem saber o que aconteceu pelo meio. Chamamos isso de “Efeito dominó”, aquela situação em que uma peça cai, empurra a próxima, que empurra a seguinte, e de repente você está olhando para uma catástrofe que começou com um detalhe ridículo. A História é cheia desses momentos, mas poucos chegam ao nível do que aconteceu na noite de 7 de julho de 1937, perto de Pequim, quando um simples soldado raso deflagrou, sem querer, uma guerra que matou entre 15 e 20 milhões de pessoas e evoluiria de forma catastrófica em uma guerra muito maior.

Esta é a história de Shimura Kikujiro e como uma caganeira inadvertidamente causou a Segunda Guerra Sino-Japonesa. Continuar lendo “A caganeira que causou uma guerra”

Quebrando Ruim Brasil: Catou o celular e foi em cana por tráfico

Hoje é aquele dia religioso de meter a porrada em Jesus, descansar em casa e sofrer reprimendas porque comeu um bom bife (não necessariamente nesta ordem). Eu estava pronto para curtir o saboroso nada quando me vem a notícia de algo que aconteceu no primeiro de abril, que você juraria ser mentira, mas como eu conheço a estupidez das pessoas, tenho certeza que foi exatamente assim: mãe de mãos leves cata um celular e a cadeia de eventos leva a prisão de traficantes (a saber, o filho dela).

Curtindo a felicidade do feriado em casa enquanto outros estão em cana, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Quebrando Ruim Brasil: Catou o celular e foi em cana por tráfico”

O ponto final de um adeus

Neil Gaiman diz que deuses morrem quando não possuem mais devotos, gente que os venera, gente que acredita neles. É a mesma coisa com escritores. Alguns logram de ser imortais, com fiéis leitores que apreciam as linhas deitadas antes, hoje e sempre. Outros escritores caem no vazio do esquecimento, perecem dia após dia, somem num soçobrar inaudível, indistinto e imperceptível. É um ponto no meio de um texto.

E some. O último ponto é um ponto final.

Continuar lendo “O ponto final de um adeus”

O câncer que sempre demoraram pra identificar não tem mais onde se esconder

Existe uma categoria especial de vilão na medicina: aquele que não dá pistas, não manda aviso, não aparece no exame de rotina e só resolve se revelar quando já está com a faca no pescoço do paciente. O câncer de pâncreas é o campeão olímpico dessa modalidade. Enquanto o câncer de mama aceita mamografia, o de próstata se deixa rastrear pelo PSA e o de colo de útero condescende com o Papanicolau, o adenocarcinoma ductal pancreático fica ali, quieto, crescendo no meio do abdômen como um inquilino que nunca faz barulho mas está destruindo o encanamento. Quando ele finalmente aparece no scanner, geralmente já virou problema do vizinho também, isto é, já metastatizou.

Um novo estudo apresentou um exame de sangue capaz de detectar o sem-vergonha do câncer de pancreas com uma precisão que, no contexto desta doença, beira o milagroso: 91,9% de acerto geral e 87,5% de acerto nas fases iniciais da doença, exatamente quando o tratamento ainda tem alguma chance real de funcionar. Continuar lendo “O câncer que sempre demoraram pra identificar não tem mais onde se esconder”

Artigos da Semana 299

Hoje é domingo de ramos, dia que você vai com os galhinhos para benzer na igreja, esperando elo incrível dia de sentar a porrada em Jesus, sentar a porrada em Judas e depois se entupir de chocolate. A vida é boa na época da Páscoa. Bem, vejamos o monte de maluquices que eu postei durante a semana, entre capivaras fujonas, garrafas enfiadas onde o sol não brilha, navios esmerdalhados e o RH do Vaticano contratando.

Continuar lendo “Artigos da Semana 299”