Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)

A história adora vender a ideia de que grandes nomes têm finais à altura: discursos solenes, últimas palavras memoráveis e um certo ar de grandeza inevitável. Mas basta folhear com um pouco mais de atenção para perceber que a realidade, como sempre, prefere o improviso e, frequentemente, o ridículo. Entre gênios, artistas, guerreiros e cientistas, há uma coleção nada pequena de pessoas brilhantes que não caíram em batalha nem sucumbiram a grandes tragédias, mas sim a erros banais, decisões questionáveis e coincidências que fariam qualquer roteirista ser acusado de exagero.

Olhando de soslaio para ve se Dona Morte tá atrás de mim, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)”

Idiotas transformam frequência de aviação em zoológico

A quinta-feira tá uma bosta, o café está ruim, meu pagamento já virou fumaça faz tempo, mas, pelo menos, o dia ainda não mia, não rosna nem late. É um consolo modesto, porém relevante, considerando o estado atual da civilização, que, aparentemente, atingiu o fundo do poço e resolveu cavar mais um pouco. Você acorda, abre o noticiário esperando o pacote padrão de desgraças humanas e encontra algo que não é trágico o suficiente pra ser sério, nem inteligente o suficiente pra ser tolerável. Pilotos comerciais, adultos pagos pra carregar centenas de vidas, decidiram transformar a frequência internacional de emergência da aviação num zoológico amador ao vivo.

Não é sátira. É só a realidade operando sem coleira. Continuar lendo “Idiotas transformam frequência de aviação em zoológico”

Artigos da Semana 301

Enquanto o mundo está o mesmo de sempre com arranca-rabo de todo lado eleições com novos parasitas mantendo as mesmas políticas de sempre e um festival de inutilidades postadas nos jornais, vocês devem me agradecer por trazer coisas que realmente importam,e elas estão aqui, nos artigos da semana:

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Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma

Roma conquistou o mundo conhecido, pavimentou estradas por toda a Europa, chegou às margens do Reno com suas legiões e seus gladii (plural de gladius ou “gládio”) e, então, numa tarde qualquer do século I da nossa era, afundou um carregamento inteiro num lago suíço. Sem sobreviventes, sem registro, sem testemunha. Dois mil anos depois, mergulhadores vasculham o fundo lodoso do Lacus Eburodunensis – hoje conhecido como lago Neuchâtel – e encontram praticamente tudo intacto, como recém-saído da olaria. A História tem um senso de humor que os professores preferem não comentar. Continuar lendo “Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma”

Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado

Há uma tradição respeitável entre políticos do mundo inteiro: mentir. É quase um requisito da profissão, está implícito no contrato não escrito que o eleitor assina ao depositar seu voto na urna. Mas mentir com a própria cara, literalmente, usando inteligência artificial para substituir a sua fisionomia por outra pessoa trinta anos mais jovem e depois insistir, diante de provas fotográficas, que aquilo é você? Isso já ultrapassa os limites do cinismo convencional e adentra um território novo: o da desfaçatez estética com pretensão ontológica. Continuar lendo “Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado”

O prédio que girou 90 graus enquanto os funcionários ficavam pendurados no telefone

Eu sempre digo que nossos avós eram o máximo. Vocês podem dizer “ain, é bom viver no futuro”. Nossos avós CONSTRUÍRAM o futuro. Os caras eram capazes de maravilhas, e isso porque eram arrogantes e queriam fazer o impossível, só que não sabiam que o que estavam fazendo era impossível, por isso fizeram. Um exemplo disso se deu em outubro de 1930, quando 600 funcionários chegaram ao trabalho num edifício, fizeram o que tinham que fazer, foram embora, no final do expediente, com o mesmo edifício estando Ok, só que estava em outro lugar. Literalmente.

O prédio tinha se mudado durante o dia. Não metaforicamente, não em sentido figurado para alguma tese de teoria organizacional. O edifício de concreto, tijolo e aço de 11 mil toneladas tinha percorrido dezenas de metros e girado 90 graus (!), enquanto lá dentro as telefonistas continuavam atendendo chamadas, a água saía das torneiras e o gás aquecia os radiadores. Um dos funcionários relatou, anos depois, que sequer percebeu o movimento. Bom trabalho, 1930. Bom trabalho. Continuar lendo “O prédio que girou 90 graus enquanto os funcionários ficavam pendurados no telefone”

Artigos da Semana 300

Hoje é dia do coelhinho (se eu fosse como tu…). Você deve ter pego em muitos ovos, se enchido de barras de chocolate até transbordar e outros duplos sentidos que na verdade é um sentido só: comemorar a Páscoa. Vamos ver o que foi postado durante a semana que não teve nada a ver com Páscoa, mas enfim…

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A caganeira que causou uma guerra

Existem ocorrências minúsculas, até mesmo displicentes, que acabam por escalonar em algo bem maior, algo que ninguém ligaria os pontos diretamente sem saber o que aconteceu pelo meio. Chamamos isso de “Efeito dominó”, aquela situação em que uma peça cai, empurra a próxima, que empurra a seguinte, e de repente você está olhando para uma catástrofe que começou com um detalhe ridículo. A História é cheia desses momentos, mas poucos chegam ao nível do que aconteceu na noite de 7 de julho de 1937, perto de Pequim, quando um simples soldado raso deflagrou, sem querer, uma guerra que matou entre 15 e 20 milhões de pessoas e evoluiria de forma catastrófica em uma guerra muito maior.

Esta é a história de Shimura Kikujiro e como uma caganeira inadvertidamente causou a Segunda Guerra Sino-Japonesa. Continuar lendo “A caganeira que causou uma guerra”

Quebrando Ruim Brasil: Catou o celular e foi em cana por tráfico

Hoje é aquele dia religioso de meter a porrada em Jesus, descansar em casa e sofrer reprimendas porque comeu um bom bife (não necessariamente nesta ordem). Eu estava pronto para curtir o saboroso nada quando me vem a notícia de algo que aconteceu no primeiro de abril, que você juraria ser mentira, mas como eu conheço a estupidez das pessoas, tenho certeza que foi exatamente assim: mãe de mãos leves cata um celular e a cadeia de eventos leva a prisão de traficantes (a saber, o filho dela).

Curtindo a felicidade do feriado em casa enquanto outros estão em cana, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Quebrando Ruim Brasil: Catou o celular e foi em cana por tráfico”

O ponto final de um adeus

Neil Gaiman diz que deuses morrem quando não possuem mais devotos, gente que os venera, gente que acredita neles. É a mesma coisa com escritores. Alguns logram de ser imortais, com fiéis leitores que apreciam as linhas deitadas antes, hoje e sempre. Outros escritores caem no vazio do esquecimento, perecem dia após dia, somem num soçobrar inaudível, indistinto e imperceptível. É um ponto no meio de um texto.

E some. O último ponto é um ponto final.

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