O carro voador, gente burra e o óbvio não-percebido

Pessoal ontem, 16/10/2026 (sempre tenho que colocar a data, caso alguém acesse no futuro e seja burro suficiente para não ver quando foi postado) ficou maravilhado com a nova inovação nova da Tesla. Elão Almíscar mostrou um carro Tesla Roadster que deu uma de Hot Wheels, subiu uma curvona e deu pirueta com ar comprimido e pousou que nem o DeLorean de De Volta para o Futuro. Pessoal se dividiu entre maravilhado, outros “para que”, outros rindo da inutilidade, outros na base “foda pra caralho” e eu: “não é possível que eles não veem o óbvio”. Continuar lendo “O carro voador, gente burra e o óbvio não-percebido” →

Pesquisadores indianos descobrem mais coisinhas interessantes em Marte

Durante décadas, a imagem popular de Marte foi a de um deserto vermelho, parado e silencioso, uma sala de espera cósmica onde nada acontece além de poeira e de Matt Damon plantando batatas. Só que planetas, mesmo os que parecem mortos, têm clima, e clima é sempre mais agitado do que a aparência sugere.

É disso que trata um estudo recente liderado por cientistas da Índia, em parceria com universidades dos Emirados Árabes Unidos. É tipo uma mistura de dança do ventre estilo dancinha de Bollywood, pegando o melhor deles: no caso, a matemática. Pensa só a zona que ficaria passinho de Bollywood com dança do ventre (mandem o vídeo pro meu inbox). Continuar lendo “Pesquisadores indianos descobrem mais coisinhas interessantes em Marte” →

O problema nº 1 de fazer o nº 2 no Espaço

A corrida espacial nos deixou imagens gloriosas: marcas de botas no solo lunar, bandeiras fincadas e frases para a posteridade. O que não entrou nos cartazes foi a logística do outro extremo do corpo humano. Nos tempos do programa Apollo, o banheiro era um saquinho preso com adesivo, e a tripulação da Apollo 10 teve a companhia inesperada de um visitante flutuante que ninguém quis assumir. Meio século depois, a engenharia evoluiu: existe vaso sanitário em órbita, e o problema de fundo segue ali, teimoso como boleto de condomínio: a prisão de ventre no Espaço.

Sabia-se que o intestino de quem deixa o planeta fica preguiçoso, mas faltava uma explicação sólida. Pesquisadores da Universidade de Copenhague, em colaboração com a NASA, foram buscá-la onde ela estava escrita em letras químicas miúdas: no sangue de 52 astronautas: 488 amostras, em missões de dois a nove meses a bordo da Estação Espacial Internacional. O achado sugere que, poucas semanas depois de sair da Terra, as bactérias intestinais mudam de cardápio, e não para melhor. Continuar lendo “O problema nº 1 de fazer o nº 2 no Espaço” →

Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)

Há coisas no universo que a gente aceita sem questionar, tipo a Terra ter uma Lua, o Sol nascer no leste e aquele parente que só aparece em churrasco quando tem carne cara. Mas de vez em quando a Ciência decide cutucar essas certezas confortáveis, e é exatamente isso que aconteceu com Vênus, aquele planeta tido como “gêmeo da Terra” mesmo sabendo que é um gêmeo estilo Raquel: mesmo tamanho, mesma massa, composição rochosa parecida, e ainda assim um inferno sulfúrico de 460°C com chuva de ácido.

E para completar o quadro de disfunção familiar, Vênus não tem nenhum satélite natural. Nem unzinho sequer, e uma nova pesquisa finalmente explica por que, e a resposta é tão deliciosamente e aterrorizante quanto a ideia de pasar um dia completo em Vênus. Continuar lendo “Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)” →

Starlink virou tomógrafo do céu

Eu sei que você se lembra muito bem quando xingava a Internet xexelenta enquanto o Wi-Fi do vizinho parecia funcionar às mil maravilhas. Daí veio a banda larga, larga, e você ficou feliz, assinou Netflix 4K (para ver filmes em fullHD apenas). Então, está olhando com volúpia cada anúncio do Starlink e sua constelação de satélites, sem saber que esses satélites estão fazendo um dos favores mais elegantes já prestados à Ciência Espacial: estão mapeando uma camada da atmosfera que os físicos vinham tentando fotografar, metaforicamente falando, há décadas, com o equivalente cósmico de uma Tekpix que caiu da mesa, enquanto Starlink está lá com uma daquelas camerazonas imensas que fotógrafos usam na Copa do Mundo.

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O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial

Durante séculos, fazer Química (com ela a oração e a paz) significou basicamente isto: misturar coisas, ver o que explode, anotar o resultado e tentar de novo no dia seguinte. Bancadas cheias de vidraria, sobrancelhas eventualmente chamuscadas e uma paciência de santo foram – e continuam sendo – os verdadeiros pilares do método científico na área. Entretanto, equipamentos feitos de dióxido de silício estão, aos poucos, contando com a ajuda cada vez maior de outras coisas feitas de silício: processadores, e, em 2026 uma parte considerável desse ritual está sendo terceirizada para algoritmos que nunca dormem, não reclamam de exaustor entupido e ainda por cima têm bom gosto para sugerir rotas de síntese. Continuar lendo “O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial” →

A Galáxia mais pobre do Universo

Existe uma distinção muito importante entre ser pobre e ser primitivo. Um mendigo do século XXI, por mais desprovido de bens que esteja, carrega consigo carbono, oxigênio, ferro, cálcio e pelo menos uma dúzia de outros elementos que as estrelas levaram bilhões de anos para forjar. A galáxia LAP1-B não tem esse luxo. Ela é pobre de um jeito que nenhuma coisa no universo local consegue rivalizar: pobre de elementos, pobre de estrelas, pobre de tudo que não seja hidrogênio, um fiapo de hélio e uma quantidade surpreendente de matéria escura. E é exatamente por isso que ela pode ser a descoberta astronômica mais importante dos últimos anos. Continuar lendo “A Galáxia mais pobre do Universo” →

Os ET pede, o tosco dá, depois a CIA fica na cola de quem fez DNA

Há um tempo atrás, andava na moda querer saber os ancestrais. Os paulistenses não precisaram fazer isso, pois, é mais fácil e mais barato usar sotaque italiano de novela da Globo e mencionar alguma nona perdida (o mais próximo da Itália que têm relação é macarrão, e isso é mais chinês que italiano). Se você é um desses manés e já cuspiu num tubinho de plástico e mandou pelo correio para descobrir se tem ascendência italiana, nórdica ou algum bisavô turco que a família preferia não mencionar, há uma possibilidade que o folheto informativo omitiu completamente: você pode ter fornecido material genético para uma operação secreta da CIA em busca de híbridos extraterrestres.

Etzando a ascendência dos outros, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Os ET pede, o tosco dá, depois a CIA fica na cola de quem fez DNA” →

Os segredos lunares de um robozinho soviético

Há uma categoria especial de objetos no universo que são, ao mesmo tempo, completamente inúteis e absolutamente indispensáveis. O retrorrefletor de laser do Lunokhod 1 é um deles. Não produz energia, não coleta amostras, não fotografa crateras, não faz absolutamente nada além de devolver a luz que recebe, exatamente de onde ela veio. É, em essência, um espelho glorificado preso a um rover soviético abandonado numa planície lunar. E foi justamente esse dispositivo de elegância quase monástica que, quarenta anos depois de todo mundo ter desistido de encontrá-lo, voltou a piscar para a Terra como se dissesse: “ainda estou aqui, obrigado por perguntar.” Continuar lendo “Os segredos lunares de um robozinho soviético” →

Idiota age como idiota e xinga astronautas dizendo que eles não foram ao Espaço

Sexta-feira, finalzão de semana, todo mundo pronto pra sextar (exceto eu porque é dia 22 e o salário é uma longe lembranaç). O cérebro humano deveria estar descansando, hidratando, talvez contemplando uma pizza sinistra de ótima (já pedi a minha) e decisões ruins perfeitamente aceitáveis para depois das oito da noite. Seria assim, mas fomos novamente arrastados para o grande esgoto radioativo da civilização digital, já que depois da invenção de celulares com câmeras, o bando de Morlocks saiu debaixo da pedra e fica atazanando pessoas.

Um desses imbecis decidiu abordar os astronautas da missão Artemis II no Capitólio dos Estados Unidos para acusá-los de nunca terem ido ao Espaço. A esta altura, a Seleção Natural já deve estar preenchendo formulário de desistência, e Darwin ergue os ombros e diz “mas nunca falei que a seleção era para gente mais esperta”.

Voando até a Fronteira Final da Idiotice, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Idiota age como idiota e xinga astronautas dizendo que eles não foram ao Espaço” →