Por JR Minkel
A comunidade internacional tem centrado esforços para aliviar o fardo das doenças infecciosas e da desnutrição ao redor do mundo. Ainda assim, projeções indicam que uma fração cada vez maior de mortes em países em desenvolvimento em breve poderá ser causada por males crônicos como diabetes, doenças cardíacas, câncer e doenças respiratórias. Em um exemplo dessa tendência, pesquisadores relatam que a alta taxa de glicose no sangue causa o mesmo número de mortes no mundo que alguns patógenos e já resultou numa epidemia de diabetes na Ásia.
No ano 2000, a Organização das Nações Unidas divulgou suas oito Metas de Desenvolvimento do Milênio para os países mais pobres, incluindo a erradicação da pobreza extrema. Porém, quando crianças param de morrer de pneumonia e desnutrição, novos problemas entram em cena. “Quando se sobrevive até idades mais avançadas, surgem novas doenças crônicas”, diz Majid Ezzati, especialista em saúde pública da Universidade de Harvard. “Em muitos locais, elas já se tornaram a causa dominante” de doenças, observa Ezzati. Segundo ele, a África subsaariana é a principal exceção. Na Índia, sul da Ásia e regiões pobres da América Latina, a freqüência de doenças crônicas é alta, em parte devido ao trinômio destruidor composto por alimentação altamente calórica, tabaco e álcool, diz.
Durante o último quarto de século, a incidência de diabetes quase quadruplicou na maioria dos países do leste e do sul da Ásia, incluindo China e Índia, de acordo com pesquisadores sul-coreanos que revisaram estudos recentes na edição de 10 de novembro da Lancet. Esses países atualmente apresentam uma proporção de diabéticos semelhante à dos EUA, onde a doença afeta 8% da população. Esta doença, no entanto, é um problema maior na Ásia. Lá, as pessoas a contraem mais cedo e com um peso corpóreo menor que em outras regiões. Como resultado, experimentam complicações mais prolongadas e morrem mais cedo em decorrência do mal, relata o grupo.
Mesmo quando a alta taxa de açúcar no sangue não leva ao diabetes, que provoca a morte de um milhão de pessoas anualmente, ela causa 2,2 milhões de mortes em todo o mundo por doença cardíaca e derrame todos os anos, observam Ezzati e seus colegas em outro artigo na mesma revista. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão com base em dados de saúde reunidos em 52 países ao redor do mundo.
As conseqüências econômicas de tais problemas de saúde podem ser consideráveis, de acordo com um relatório publicado em 8 de novembro pelo grupo de saúde pública Oxford Health Alliance. Nos países com renda baixa e média, cerca de 80% do ônus causado por doenças crônicas recai sobre aqueles em idade de trabalho – 60 anos ou menos -, ressalta o artigo. “Normalmente se acredita que doença crônica é algo que tem a ver apenas com os mais velhos e, portanto, sem relevância econômica”, diz Marc Suhrcke, economista da Organização Mundial de Saúde em Viena e co-autor do estudo. Como as doenças crônicas afetam a população economicamente ativa, elas podem reduzir a poupança e a produtividade do trabalho, afirma Suhrcke.
O combate às doenças crônicas não precisa competir com os esforços para controlar infecções e a desnutrição. O controle de doenças infecciosas e crônicas requer uma sólida infra-estrutura de saúde, ressalta Ezzati. “os dois tipos de doenças podem ser combatidos em conjunto, pelas instituições já existentes”, afirma.
