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Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Os Anjos: Para que servem?

angel.gifUma das coisas que sempre me chamou a atenção foi a necessidade que Deus teve para criar anjos. Para que um deus todo-poderoso iria querer anjos? – eu sempre me perguntei. Afinal, Deus é omnipotente, omnividente e outros “omni”, não é mesmo? Há algum sentido em um ser hiperpoderoso necessitar de anjos? E isso não acontece só na cultura judaico-cristã. Em várias culturas, os anjos aparecem. Mas, quem ou o que são eles? Para que um deus (seja ele qual for) necessita de ter anjos? É o que analisaremos daqui em diante e, de princípio, vamos saber mais sobre o que são anjos.

Os anjos estão presentes na mitologia de muitas culturas. Eles seriam, segundo essas mitologias, entidades sobrenaturais a serviço de alguma divindade (tanto boas quanto más). Os mitos sobre estes seres acabam se assemelhando, dado que a tradição oral acabava por ser passada entre os povos. Ou seja, cada povo pegou um pedaço da mitologia do outro e daí construíram as suas próprias, mediante as adaptações inerentes às idiossincrasias de suas culturas.

Bom, a palavra “anjo” deriva do latim, angelu, e do grego, ángelos (αγγελωυ), com o significado de mensageiro. É muito comum usar-se a expressão “oh, fulano é um anjo”, significando que tal pessoa traz boas notícias. Entretanto, anjo mesmo (no sentido que empregamos atualmente) era chamado de “Daimon” (δαιμωυ) pelos gregos, que foi adequadamente corrompido para “demônios” pelos autores canônicos. Ôpa! Interessante, não é mesmo?

Segundo os gregos, eles eram o que se podia chamar de “espíritos da condição humana”, isto é, personificações de vários estados de existência, emoções, ações e moralidade. Os Daimones de moralidade foram divididos em Agathoi (o Bem, Virtudes) e Kakoi (o Ruim, Vícios). Foram classificados Daimones de ação humana e condição semelhantemente como Agathos (Bom, Favorável) ou Kakos (Ruim, Prejudicial).

niki.jpgOs nomes deles (ou seria “delas”? Ah, tanto faz. Anjos não têm sexo mesmo) foram simplesmente extraídos de substantivos gregos: Por exemplo, Hypnos é justamente a palavra grega para “sono” (hypnos) determinado por uma letra maiúscula, o Eros é amor (eros), vitória de Niki (niki), e assim por diante. Os romanos traduziram os nomes/palavras para latim da seguinte forma: Hypnos se torna Somnus, da palavra latina para sono, Eros/Amor, Niki/Victoria, etc. À esquerda, a escultura da Vitoria de Samotrácia que representa a deusa Atena Niki (deusa Atena que traz a vitória).

A maioria do Daimones não passava de personificações com pequeno ou quase nenhuma mitologia. Alguns eram porém determinados por uma caracterização feita pelos poetas da época, como no caso de Eris (Senhora da Discussão) e Hypnos (Deus do Sono). Outros similares ao Deus do Amor Eros e Niki, personificando Vitória, ganharam cultos alcançando a dedicação das pessoas e a construção de altares e templos. Acabaram por se tornar deuses assim.

Saindo da Grécia e indo ao Japão, encontramos os Yôkais. Outras possíveis escritas para essa palavra são: yokai e yookai. Y?kai é a palavra que os japoneses usam para designar fenômenos, objetos e criaturas sobrenaturais – e que estão além da compreensão das pessoas – cuja melhor tradução seria “estranho”, “inacreditável” ou mesmo “bizarro”.

youkai.jpgBom, para os japoneses, essas criaturas também podem ser chamadas de “ayakashi”. Frequentemente, Yökai é traduzido errôneamente (mas, muitas vezes proposital) como demônio ou diabo, embora sejam, em essência, entidades que não possuem qualquer tipo de conotação religiosa. Eles não estão ligados diretamente a divindades, simplesmente porque o Xintoísmo não é o que pode se chamar de “religião confessional”. O Xintoísmo possui uma teologia e liturgia quase que inteiramente voltada para práticas e costumes relacionados com o relacionamento familiar (deve-se lembrar que o Japão medieval também era dividido em castas e clãs), não restando espaço para o que pode-se chamar de códigos de ética e moral na sociedade em si, como ocorre com as religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), por exemplo. Como exemplo, podemos citar o culto aos ancestrais e o respeito e veneração aos mais velhos.

Por não ser uma religião voltada diretamente para o estabelecimento de valores sociais, o Xintoísmo guardou sua identidade, não se mesclando com as religiões de outras culturas, apesar de ser fundamentada nos princípios budistas. Fundamentada, mas com características próprias. O que sobrou de mais parecido com o budismo, foi o fato de não haver a quantidade de divindades que existem nas religiões nascidas na Ásia Menor e Palestina. Como exemplo de contra-ponto ao Xintoísmo, temos a Igreja Católica, que se relacionou (e ainda se relaciona) com diversas estruturas da sociedade, acabando portanto como religião confessional e voltada para o ordenamento da sociedade, inserindo-se rapidamente nas mais variadas esferas sociais como a política, economia e o direito.

Ao contrário do Catolicismo, o Xintoísmo é uma religião animista (atribui uma “alma” a todas as coisas, semelhante à alma humana), mas que inexiste deuses personificados em sua liturgia. Por um lado poderíamos considerar como sendo uma religião ateísta, posto que não há divindades definitivamente caracterizadas; entretanto, também podemos considerá-lo como sendo uma religião politeísta, já que tudo que existe no Universo seria, de certa forma, um deus. Confuso, não é? Mas, devemos lembrar que isso não acontece apenas no Xintoísmo, mas também em outras religiões do Extremo-Oriente.

Voltando aos Yökais, podemos dizer que são entidades do imaginário popular japonês que estão mais próximos de duendes e elfos da Europa, sacis e curupiras do folclore brasileiro e das lendas urbanas da atualidade. Tão reais quanto o Coelhinho da Páscoa, a Iara, Arcanjo Gabriel e outros seres mitológicos, criados nas profundezas da psique humana.

djinn.jpgEnveredando pela mitologia árabe, podemos observar que o que mais se aproximam dos anjos são os chamados “Gênios”. Não se sabe ao certo se a referida palavra é um aportuguesamento da palavra árabe Jinn (جن), ou provém da versão em latim: Genius. Na mitologia árabe pré-islâmica (e depois absorvido pelo Islã), um jinn – também escrito na forma “djinn” – é um membro dos jinni (ou “djinni”), uma raça de criaturas. A melhor tradução para a palavra “jinn” seria literalmente alguma coisa que tem uma conotação de dissimulação, invisibilidade, isolamento e distanciamento. Em suma, Gênios seriam todas e quaisquer criaturas com a faculdade de se tornarem invisíveis e/ou detentoras da arte da dissimulação.

Maomé faz referência a eles no Alcorão. A sura de número 72 recebe o nome de Al-Jinni e Maomé se diz enviado para ser profeta tanto da humanidade, como dos jinni. Aí fica evidenciado que ele dividia as entidades do mundo sobrenatural do mundo material, enquanto Allah interage com ambos, tendo poder supremo sobre os mundos natural e sobrenatural, sendo portanto supranatural, assim como YHWH dos hebreus e Deus (Jeová) do Cristianismo.

ahriman.jpgA mitologia árabe, de início, conferia peculiaridades boas e más aos gênios. Mas, com o tempo, eles acabaram tendo personalidade pérfida e malévola. Com a chegada do Islamismo, eles foram banidos de vez do panteão, sendo relacionados, majoritariamente, como sendo entidades negativas. Um exemplo é o jinn Iblis, orgulhoso e ciumento do poder de Allah, que lidera uma revolta de outros jinnis maus e muito poderosos contra o poder supremo de Allah, mas que acabam sendo atirados (ele se sua trupe) à Terra, onde passarão a tentar os seres humanos para que caiam no lado negro da Força, reunindo forças para um confronto final.

Qualquer semelhança entre esta e outra mitologia bem conhecida, NÃO É mera coincidência. Sim, exatamente! Estou falando dele: Ahriman, dos persas.

Com tantos povos vivendo juntos, conforme dito acima, nada mais natural que a maioria dos mitos sejam bem parecidos. Conforme dito por Dan Brown, usando os lábios do acadêmico Robert Langdon: “Muito pouca coisa em qualquer religião organizada é original”. Então, Ahriman dos persas acaba se convertendo em Iblis, no qual foi moldado a Chtan dos hebreus. Apesar dele não ser claramente citado na Tanakh (Bíblia hebraica) – em que a única referência a Chtan (ou Satã/Satanás) feita no Velho Testamento seja uma clara referência ao imperador babilônico Nabucodonozor – Chtan é uma entidade bem presente na mitologia hebraica, ainda que não seja escrita. Devemos lembrar que se os hebreus (e atuais judeus) sequer escrevem o nome de Deus, e quando se referenciam a ele, escrevem D’us, por se acharem tão pequenos perante Jeová (ou Javé ou ainda YHWH), que seria um desrespeito escreverem seu nome com todas as letras, imaginem escrever o nome de uma entidade demoníaca.

Muito bem, já que mencionamos os hebreus, está chegando o momento de examinarmos a mitologia judaico-cristã.

Podemos perceber que na mitologia judaico/cristã que os anjos terminaram com um encargo mais, digamos assim, humilde; sendo rebaixados a “paus-mandados” e garotos de recado. Não passando, portanto, de mensageiros mandando notícia pra lá e pra cá, servindo de X-9 para Javé (também chamado Jeová ou YHWH).

Uma hora são mensageiros benfazejos (vide Gabriel saudando Maria), outra hora são seres perversos e chegam que nem a PM em meio a arrastão (como no caso do “bondoso” Lot, mas isso veremos a seguir). Tudo variando de acordo com o interesse do escritor da referida estória. E como há escritores para todos os gostos…

Entretanto, há coisas muito estranhas nos textos bíblicos. Sendo uma religião monoteísta, Deus faz muito uso dos anjos para, digamos, trabalhinhos sujos. Bom, o melhor é começar do princípio.

Gênesis 2:1 –Assim foram acabados os céus (por Deus), a Terra e todo seu exército.

Exército? Mas, ué? Contra quem? Não existia nada lá, afinal de contas. E não, não se pode começar com a história sobre o demo e a revolta dos anjos, pois ele sequer é mencionado no Velho Testamento, não é mesmo? Ou será…

Bem, de qualquer forma, segundo as atuais versões da Bíblia, a representação da maldade no Gênesis é uma cobra.

Gênesis 3:1 – A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”

Não há indicação que era um anjo ou coisa do gênero. No máximo poderia se imaginar que as serpentes eram animais malignos, mas não entidades sobrenaturais. No original em hebraico, a palavra empregada é nachash (והנחש היה) e a Vulgata Latina confirma:

Sed et serpens erat callidior cunctis animantibus terrae quae fecerat Dominus Deus qui dixit ad mulierem cur praecepit vobis Deus ut non comederetis de omni ligno paradisi.

Perante isso, não se pode aceitar que era um ser sobrenatural, mas sim um dos animais criados por Javé e colocado no Jardim do Éden. Só aconteceu que este animal desenvolver uma personalidade má.

O que eu sinceramente não entendo é como um ser omnisciente faria uma imensa burrada dessas, posto que deveria (em tese) saber que a “cobrona” faria aquilo. No final das contas, o Omni³ acabou punindo Adão e Eva por uma “distração” dele mesmo. Mas, isso é assunto pra outro artigo.

No versículo 24 deste mesmo capítulo, Javé (também conhecido como Deus ou Senhor dos Anéis Bíblico) expulsa Adão e Eva do Éden e coloca querubins (que seria, supostamente, uma das ordens mais altas entre os anjos) para servirem de sentinelas, com espadas flamejantes nas mãos, guardando a Árvore da Vida.

Gênesis 3:24 – E (Deus) expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida.

karabu.jpgQuerubim (do hebraico kruwb – כרוב) deriva do nome do deus assírio Kirabu, com rosto de homem, asas e corpo de touro. Alguns acadêmicos discordam disso, afirmando categoricamente que deriva da palavra babilônica Karabu, significando “um ser abençoado, bendito”. Bom, deve-se levar em conta que na descrição da feitura da Arca da Aliança existem dois querubins em cima dela (não se diz explicitamente que tenham corpos de homens, apenas que estejam com os rostos inclinados, conforme é dito em Êxodo, cap. 25:

17. Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio.
18. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro,
19. fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa.
20. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.
21. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der.
22. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas

arca_alianca.jpgAs atuais representações da Arca da Aliança (que nunca ninguém achou o menor vestígio), mostram os querubins com aspecto quase humano. Mas, como as descrições bíblicas se referem a seres alados, pode-se muito bem intuir que eles aceitavam tais figuras com corpos de animais, pois é muito provável a leitura do termo keruvim araiot (querubins-leões) como uma expressão hebraica relacionada a figura em forma de leão (shedu), ao contrário do querubim na forma de um touro (kerubu). Nunca foi dito na Torah que tais entidades mitológicas tinham que ser antropomórficas.

Voltando um pouquinho nos textos (mais precisamente em Gênesis, cap.19), dois anjos chegam em Sodoma e acabam batendo um papinho com Lot.

1. Pela tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Lot, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-lhes ao encontro e prostrou-se com o rosto por terra.
2. “Meus Senhores, disse-lhes ele, vinde, peço-vos, para a casa de vosso servo, e passai nela a noite; lavareis os pés, e amanhã cedo continuareis vosso caminho.” “Não, responderam eles, passaremos a noite na praça.”
3. Mas Lot insistiu tanto com eles que acederam e entraram em sua casa. Lot preparou-lhes um banquete, mandou cozer pães sem fermento e eles comeram.
4. Mas, antes que se tivessem deitado, eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde os jovens até os velhos, toda a população.
5. E chamaram Lot: “Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os conheçamos¹
¹ Esse conheçamos significa ter relações sexuais. Os caras estavam afim de traçar os anjos 😉 )

Notem que eles são descritos anteriormente (capítulo 18) como homens. Logo, nada de asa. Como Lot sabia que eram anjos? Bem, ele deve ter recebido um sinal ou apenas adivinhou. Isso não é relevante agora, pois o melhor ainda está por vir, pois vejam só o que se diz no versículo 8:

Gênesis 19:8 – Ouvi: tenho duas filhas que são ainda virgens, eu vo-las trarei, e fazei delas o que quiserdes. Mas não façais nada a estes homens, porque se acolheram à sombra do meu teto.”

Lot era um cara bom e justo. Livrou a cara (ou devo dizer que foram outras partes?) dos anjos, mas liberou a “pureza” das filhas pra galera se divertir. Se isso não demonstrar o quão puro, bondoso e exemplo de pai Lot era, não sei mais o que demonstrará. Quem ver isso acontecer hoje, achará perfeitamente normal, não é? Um pai oferecendo a virgindade das filhas para salvar o brioco de dois desconhecidos… Legal, não é mesmo?

Bom, infelizmente, o povo tava afim mesmo era de experimentar carne fresca, que nem o pessoal da presídio quando chega prisioneiro novinho. Isso devia incluir velhos (viagra??), adolescentes (não havia “Playboy” nem site pornô na época) e crianças (essa juventude transviada…). Pois, TODA a população significa que era toda mesmo. Ou não?

13. porque vamos destruir este lugar, visto que o clamor que se eleva dos seus habitantes é enorme diante do Senhor, o qual nos enviou para exterminá-los.”

Bom, aqui podemos ver que os anjos deram uma de PM em meio a um arrastão, e saíram varrendo todo mundo. Caiu fogo e enxofre na cidade (novamente me pergunto sobre os velhos, doentes e crianças de colo. Tudo tarado, né?) e ela foi riscada do mapa.

A mulher de Lot era curiosa e, enquanto eles estavam fugindo, ela deu uma espiadela para trás para ver o que se passava. Isso a transformou numa estátua de sal. Com isso, as filhas de Lot se viram num dilema: Eles tinham se escondido numa caverna perto de uma cidade, mas sem condição de procriarem (tava faltando homem?) e acabaram transando como próprio pai. Em caso de qualquer dúvida, favor consultar Gênesis 19:31-38.

As sacanagens que estão na Bíblia eu deixarei para um outro artigo 😛 . Continuemos falando sobre os anjos.

Finalmente, achou-se uma real utilização para os anjos no Livro de Enoque. Lembram-se de Gênesis 2:1, mencionado acima? Pois é.

O livro de Enoque (ou Enoch, como queira) é um livro apócrifo. Livros apócrifos (άπόκρυφος – secreto) são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs (ou seja, há livros apócrifos do Antigo Testamento) nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no cânon. Ou seja, somente aceitaram juntar livros que condiziam com a opinião deles. Muito esperto, não? Os livros apócrifos são muitas vezes chamados de livros pseudo-epigráficos e somam um total de 15 livros. Há ainda livros que a ICAR adicionou mais tarde (e rejeitados pelos protestantes) são chamados Deuterocanônicos (a saber, os sete livros apócrifos mais importantes são: I e II Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico e Baruque. Os quatro primeiros são históricos; Sabedoria de Salomão e Eclesiástico são poéticos, mas também chamados de Sapienciais, Baruque é profético).

O livro de Enoque estava entre os diversos documentos encontrados numa caverna em Qumram. ele é , digamos, curioso. Relata coisas bem interessantes quando no início dos tempos (pelo menos, segundo a visão do autor, é claro), um bocado de tempo antes do Dilúvio (imagina-se que Enoque seria, em tese, antepassado de Noé).

O livro de Enoque, catalogado como 4Q201, nomeia os nomes dos vinte chefes dos anjos caídos (o texto está escrito escrito em aramaico). Nele, faz clara menção aos Nefilim, como sendo estes anjos caídos. Isso lhe diz algo? Não? Tudo bem, mas com certeza eles são conhecidos na Bíblia; portanto, se você pensa que o livro de Enoque tem mais é que ir pra fogueira, saiba que os Nefilim são mencionados várias vezes na Bíblia; mas nas traduções, eles receberam (espertamente) outros nomes. São os Gigantes.

No artigo O Dilúvio Desmascarado o que era mesmo que vinha escrito no capítulo 6 do Gênesis?

1. Quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas,
2. os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram belas, e escolheram esposas entre elas.
3. O Senhor então disse: “Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos.”
4. Naquele tempo viviam gigantes na terra, como também daí por diante, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e elas geravam filhos. Estes são os heróis, tão afamados nos tempos antigos.

א ויהי כי החל האדם לרב על פני האדמה ובנות ילדו להם

ב ויראו בני האלהים את בנות האדם כי טבת הנה ויקחו להם נשים מכל אשר בחרו

ג ויאמר יהוה לא ידון רוחי באדם לעלם בשגם הוא בשר והיו ימיו מאה ועשרים שנה

ד הנפלים היו בארץ בימים ההם וגם אחרי כן אשר יבאו בני האלהים אל בנות האדם וילדו להם המה הגברים אשר מעולם אנשי השם

Agora, sim! As coisas começam a fazer sentido.

Este trecho é muito controverso e os religiosos pulam que nem pipoca quando se aponta esta passagem. Isso faz com que eles pulem (espertamente, segundo eles) esta menção aos Gigantes. Mas, quem eram esses Gigantes? Não faz sentido nenhum. Não se adéqua ao contexto nem nada. No entanto, quando se examina o Livro de Enoque e estuda-se o original em hebraico do Torah, começamos a entender muitas coisas obscuras. Duvidam?

Nefilim (ou Nephilim, em hebraico הנּפלים) significa “os [anjos] que caíram”. Mesmo porque, é a forma plural (im) do verbo Nephal, cujo significado peculiar é “cair, fazendo cair”. E isso faz toda a diferença, vamos analisar o texto do Dilúvio de novo:

Naquele tempo viviam gigantes na terra, como também daí por diante, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e elas geravam filhos.

Claramente se demonstra a existência de diferentes classes: Homens, filhos de homens e seres filhos diretos de Deus. Ora, Deus não criou o tal exército antes? Para quê? Por quê? Omnisciência? Mas, se ele se arrependeu (conforme Gênesis 6:6), então ele não previu o que ia acontecer com antecedência. Para que o exército então?

Ora, é óbvio que está faltando um pedaço entre a criação do mundo e o capítulo 2, versículo 1 do Gênesis.

É claro que vocês podem pensar que isso é ideia minha, só que outros historiadores conhecidos reconhecem os Nefilim como parte da Tradição Judaica: Flávio Josefo e Fílon de Alexandria. Santo Agostinho, chato como ele só, era contrário a esta idéia, cujo motivo é bem lógico de se supor.

Afinal, Agostinho defendia a mesma Igreja que fez o “milk shake” de livros, somando e subtraindo livros segundo seus interesses. Óbvio que ele seria contrário, não é mesmo? Prefiro a opinião de Josefo, um dos maiores historiadores judeus.

Outro autor de peso, aceito por acadêmicos cristãos, é o teólogo George Hawkins Pember.

No livro “Earth’s Earliest Ages”, Pember defende o estudo teológico que a Terra não fora criada completamente vazia, mas que esse estado foi resultado da suposta rebelião de Lúcifer.

Muitos artistas retrataram a Queda dos Anjos, entre eles o pintor flamengo Pieter Brueghel “o velho” (1525-1569), conforme o quadro abaixo.

queda_anjos_bruegel.jpg

No Concílio IV de Latrão vem dizendo o seguinte: “O Diabo e demais demônios, por Deus certamente foram criados bons por natureza; mas eles, por si mesmos, se fizeram maus.”

Interessante. Deus além de não saber o que vai acontecer, cria seres tão maravilhosos que fazem o que querem, desobedecem como querem e suas vontades se impõem perante o Omni³.

A ICAR ensina, mediante o Concílio Vaticano II, Const Gaudium et Spes, n.º 37, que “toda a história humana está invadida por uma tremenda luta contra o poder das trevas, que iniciada desde o princípio do mundo durará até o último dia, como diz o Senhor”.

Apocalipse 12:7-8 – “Houve uma batalha no céu. Miguel e seus Anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus Anjos travaram combate mas não prevaleceram. E já não houve lugar lá para eles”.

E o Catecismo da ICAR é taxativo.

A narrativa da queda (Gênesis cap. 3) utiliza uma linguagem metafórica, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que teve lugar no princípio da história do homem (conforme Gênesis 13:1). A Revelação dá-nos uma certeza de fé de que toda a história humana está marcada pela falta original, livremente cometida pelos nossos primeiros pais (conforme Concílio de Trento: DS 1513; Pio XII: DS 3897; Paulo VI: AAS 58(1966), 654).

Agora, é hora de sentarmos e nos entregar a reflexões.

Deus, o famoso Omni³, sabe de tudo que se passa (pelo menos, é o que dizem). Ele cria anjos que sabe (ele sabe, não é?) que vão fazer um furdunço danado e declarar guerra. Daí, O poderosíssimo, omniultrapowerfulmegafucker Javé cria anjos e monta um exército pra deter a invasão dos Céus. Qualquer semelhança com um traficante arrebanhando “soldados”, que acabam querendo tirar o “manu” da posição principal e controlar o movimento, ta ligado? Daí, o Chefão cria outro exército pra conter a investida e os pobres moradores envolta é que acabam sofrendo as conseqüências. Típico.

Se o Senhor dos Anéis Bíblico era tão incrível e poderoso, porque ele precisa de um batalhão pra se defender? Se ele é o tal, um estalar de dedos e Plóink!!! Tudo limpo de novo.

Além de ser um incompetente em termos de criação (eu teria feito coisas melhores e mais eficientes), é um péssimo administrador e um péssimo visionário, posto que não sabe nem o que ai acontecer no dia seguinte.

As pessoas deveriam ir no PROCON reclamar…

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • voix69

    @marieu,

    “Eu gostaria de saber o que você teria feito melhor que Deus…”

    – Bom…suponho que um tubo, por onde passa o ar que eu respiro e, também, a comida que me alimenta, não é um projeto muito bom, não. 😉
    Isso eu teria feito melhor. :mrgreen:

    – E também não gosto da TPM. 😎 Minha mulher vira um monstro. Eu faria algo diferente disso. Sei lá, talvez uma crise de felicidade.
    Isso eu teria feito melhor. :mrgreen:

    – Tambem não gosto de dilúvio. Acho que um esporro bem dado, já estava de bom tamanho, mas matar todo mundo…crianças e animais…não sei…
    Isso eu teria feito melhor. 🙂

    Administrador André respondeu:

  • Ledpurple

    @Carlos Eduardo, Como provar que uma coisa que não existe, não existe?

    Administrador André respondeu:

    Como provar que não existem cães ovíparos? Você já viu um cão ovíparo? Se eu simplesmente disser que vi um cão ovíparo sem dar nenhuma prova, se as minhas alegações sobre cães ovíparos não podem ser verificadas, se são absurdas, se não há evidências, se simplesmente se baseia na alegação vazia “por que eu estaria mentindo?”, pergunto: qual a probabilidade de haver um cão ovíparo?

    Almeida respondeu:

    Divulgue a história do cão ovipáro, pegue um ovo e dê para pesquisadores analisarem (esses mesmos que analisaram o santo graal).
    Chegaram à conclusão que, sim, o cão ovíparo existe e todas pessoas acreditarão, até mesmo o motherfucker King kong!
    :mrgreen:

  • patchuli

    outra coisa que prova que a bibia diz a verdade é o fato de ela mencionar a perseguição aos cristãos, que está em evidencia aqui no seu blog ;D Deus te abençoe e eu oro para que vc tenha experiencias que provem que ele eh real e que te ama e pode te proteger

    Pryderi respondeu:

    Que tal vc orar para acabar com a fome no mundo AMANHÃ? Seu deus disse que o que pedirem a ele, ele atenderia

    Almeida respondeu:

    e eu oro para que vc tenha experiencias que provem que ele eh real
    .
    Que experiências seriam essas?
    Sim, porque eu gostaria de replicá-las e ser premiado pela fundação Templeton.

  • patchuli

    viajou legal filhão. Para de assistir programa de ET no history e começa a estudar

    NestorBendo respondeu:

    A maconha dele é estragada, a sua é mofada.

    Vamos analisar a situação do seu brilhante comentário: começou com letra minúscula, terminou sem pontuação, não separou o vocativo. Alguém mais precisa estudar, também…

  • patchuli

    seus argumentos so serviram para alimentar a minha fé em Deus

    Pryderi respondeu:

    Caguei!

    Henrique E respondeu:

    Por seu deus cara, ainda bem que parou enquanto estava perdendo!

    Se continuasse acabaria tendo uma overdose de ignorância.

  • Infelizmente, aquilo é mentira, ok? Fica triste, não.

  • Entendi. A Bíblia foi distorcida várias vezes. Isso significa que pode até não existir deus nenhum, que isso foi apenas um erro de tradução.

  • Bom, justo e misericordioso deus esse seu. Prefiro Hannibal Lecter

  • NestorBendo

    Esses bebês de colo facínoras e de péssimo caráter… Matar, pilhar e destruir é fichinha para eles!

  • NestorBendo

    Meu filho tem que aprender a concatenar as ideias. Esse seu balseiro de comentários tá mais bagunçado que um balaio de gatos.

  • NestorBendo

    Isso prova que eles não são deuses, ou pimenta no deus dos outros é refresco?

  • cloverfield

    Você aceita que se mate crianças porque acha que elas são más?

    não costumo insultar quem pensa difererente de mim, mas isso passa de todos os limites que se pode esperar de um ser humano descente.

    Você não passa de um fanático psicopata arrogante sem nenhuma consideração pela humanidade.

  • cloverfield

    Posso fazer uma tomografia no meu crânio e ver as imagens do meu cérebro.
    Posso medir as ondas dele em atividade e repouso.
    Como todos os crânios humanos tem um cérebro dentro, posso admitir que tenho um também.

    Não acreditamos só no que vemos diretamente.

    Podemos ver muitas coisas que a princípio não podem ser vistas diretamente mas de forma indireta, como planetas distantes orbitando estrelas.

    Assim sendo, posso não ver meu cérebro, mas tenho evidências fortes que me levam a ter certeza de que tenho um.

  • Almeida

    Obrigado pela sua contribuição!
    Agora ficou claro pra mim que nunca houve efetivamente a ressurreição de Cristo. Foi apenas um erro de tradução.

  • Você pegou um erro de 7 anos? PARABÉNS! Sério, eu mesmo não tinha visto e esse artigo foi publicado em 2008. Valeu, mesmo!

    Celso F. Trucolo respondeu:

    De nada, André, foi um prazer ajudar.