O final dos tempos

impacto.jpgImagine um dia calmo de domingo. Crianças brincam inocentemente no parque. Os pais conversam e comentam fatos do dia-a-dia. Tudo normal na superfície do nosso lindo planeta azul.

Todos felizes, ignoram o perigo que viaja no espaço e se aproxima da Terra com velocidade astronômica. Continuar lendo “O final dos tempos”

O senso comum e a ciência

Por Rubem Alves
Extraído de Filosofia da Ciência

O que é que as pessoas comuns pensam quando as palavras ciência ou cientista são mencionadas? Faça você mesmo um exercício. Feche os olhos e veja que imagens vêm à sua mente.

As imagens mais comuns são as seguintes:

  • O gênio louco, que inventa coisas fantásticas;
  • O tipo excêntrico, ex-cêntrico, fora do centro, manso, distraído;
  • O indivíduo que pensa o tempo todo sobre fórmulas incompreensíveis ao comum dos mortais;
  • Alguém que fala com autoridade, que sabe sobre que está falando, a quem os outros devem ouvir e … obedecer. Continuar lendo “O senso comum e a ciência”

A nova Internet brasileira: Um guia ilustrado!

Como postar um comentário na nova Internet brasileira do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

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A Alma

Por Voltaire
extraído do Dicionário Filosófico

É um termo vago, indeterminado, que expressa um princípio desconhecido, porém de efeitos conhecidos que sentimos em nós mesmos. A palavra alma corresponde à animu dos latinos, à palavra que usam todas as nações para expressar o que não compreendem mais que nós. No sentido próprio e literal do latim e das línguas que dele derivam, significa “o que anima”. Por isso se diz: A alma dos homens, dos animais e das plantas, para significar seu princípio de vegetação e de vida. Ao pronunciar esta palavra, só nos dá uma idéia confusa, como quando se diz no Gênesis: “Deus soprou no rosto do homem um sopro de vida, e se converteu em alma vivente, a alma dos animais está no sangue, não mateis, pois, sua alma.”
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Moralidade, Ética e Religião

Por Marcos de Almeida

É possível que haja uma moralidade sem religião? É necessário existir um deus ou deuses de modo a que isso se torne indispensável para a moralidade? O fato de que algumas pessoas não são religiosas, as impedem de ser, automaticamente, morais? E se a resposta a estas questões exigirem a crença em uma divindade, qual das religiões é o real fundamento para a moralidade? A grande constatação é que ao olhar-se o quadro mundial dos dias de hoje, é possível afirmar que existem conflitos em número equivalente ao das religiões e pontos de vista religiosos. Continuar lendo “Moralidade, Ética e Religião”

Mito e razão: “a porta para o logos”

mitorazao.jpgContribuições clássicas

O histórico da busca de uma realidade inteligível, “a porta para o logos”, é envolvida pelo mito. Desde o século VI a.C., os gregos da Jônia estavam a procura de uma substância primária, de um material básico do qual, segundo argumentavam, todas as coisas haviam se desenvolvido. Três homens, todos de Mileto e todos astrônomos e matemáticos, tinham suas teorias a esse respeito. Continuar lendo “Mito e razão: “a porta para o logos””

Aparições de Deus

apparition.jpg Por Silvia Helena Cardoso

Ao longo da história da Humanidade, tomamos conhecimento de pessoas que declararam ser mensageiros de Deus. Estes indivíduos disseram ver luzes brilhantes, ouviram a voz de Deus ou mesmo do demônio, e comunicaram-se com Jesus, Nossa Senhora e anjos. Alguns deles chegaram a ser santificados.

Estas declarações são surpreendentemente semelhantes com as alucinações, ou seja, percepções de estimulação sensorial (principalmente visão e audição) quando a estimulação não está presente. Continuar lendo “Aparições de Deus”

Superstições de ano novo

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/lentilha.jpg&#8221; alt=”lentilha.jpg” style=”margin:4px;” align=”right” border=”0″ />Por <a href=”mailto:sabbatin@nib.unicamp.br”>Renato Sabbatini</a>

Chupe sete sementes de romã e guarde-as na carteira. Você ganhará bastante dinheiro no ano que está começando !

Essa e outras inofensivas superstições de Ano Novo são uma prova de que a mente humana é uma máquina lógica imperfeita.<!–more–> Infelizmente, nosso cérebro não evoluiu biologicamente por milhões de anos com o objetivo de perceber e entender as relações entre causa e efeito. Essa capacidade surgiu somente depois da evolução da linguagem e do seu uso como uma ferramenta de representação simbólica do mundo. Assim sendo, nossa psique é constantemente vítima de enganos, levando-nos a acreditar em coisas que o método cientifico facilmente comprova como sendo falsas. Ele é a nossa única garantia de que podemos chegar ao que se convencionou chamar de “verdade”. Ele é o conjunto de normas, premissas e procedimentos que os cientistas utilizam sistematicamente para descobrir novos conhecimentos.

Como funciona o método científico ? Um dos grandes problemas que nossa sociedade enfrente atualmente é que a maioria do público não tem uma idéia muito clara a respeito. Uma das conseqüências graves desse desconhecimento é que se abrem as portas para a aceitação da pseudociência e do esoterismo mascarado como ciência.

Para explicar melhor, vou dar um exemplo. Uma das armadilhas mais comuns em que a mente humana cai, é chamada de efeito “propter hoc”. Esse nome vem de uma frase em latim: “Post hoc ergo propter hoc”, e que sigifica “se algo acontece depois disso, então é devido a isso”. É como se fosse uma relação causa-efeito que parece existir devido à proximidade temporal entre dois eventos, mas que, na realidade, não têm conexão entre si. Um exemplo em medicina é dado por uma frase aparentemente brincalhona, mas que tem implicações bastante sérias: “Se uma gripe não for tratada, ela dura uma semana, se for tratada, dura apenas sete dias”. Essa é uma fonte muito comum de erros científicos em medicina. O médico trata uma doença com um medicamento, e ela desaparece depois de um certo tempo. Ele (e o paciente) ficam então convencidos de que o medicamento foi efetivo, quando o que aconteceu pode ter sido o desaparecimento espontâneo dos sintomas ou da própria doença, que aconteceriam independentemente do medicamento ter sido ministrado.

Então, como o cientista consegue discriminar entre um efeito “propter hoc” e uma relação causa-efeito real ?. Isso é fundamental para todos os aspectos do conhecimento científico. Sem um método que consiga discriminar entre ambos, não teríamos descoberto milhares de coisas úteis, como por exemplo, os antibióticos.

O segredo do método científico é simples: através da experimentação, tenta-se repetir muitas vezes o evento que se supõe ser a causa, e se observa quantas vezes ocorre o que se supõe ser o efeito. Ao mesmo tempo, tenta-se manter constantes ou eliminar todas as demais variáveis e fatores que poderiam interferir ou causar variações nessa relação. Tomando novamente o exemplo do medicamento antigripal: o cientista dividiria uma população de 100 pessoas com gripe em dois grupos. Para as pessoas de um dos grupos ele ministraria o medicamento sob investigação, enquanto que para o outro grupo ele daria um placebo. Ambos os grupos seriam formados de pessoas as mais parecidas possiveis em termos de sexo, faixa etária, faixa socioeconômica, história médica, raça e até genética. Qualquer outro tipo de tratamento para a gripe seria suspenso. Tanto os pacientes quanto os médicos não deveriam saber previamente se estão tomando o medicamento ativo ou o placebo. Posteriormente, a melhora dos sintomas seria analisada e comparada entre os dois grupos. Se o medicamento ativo for realmente eficaz, isso seria facilmente observado, utilizando técnicas de análise probabilistica desenvolvidas nos últimos cem anos.

Para testar se é verdadeira a “simpatia” das sementes de romã, seguiríamos um procedimento semelhante. Poderiamos observar ao longo de 1998 dois grupos de pessoas, as mais parecidas possiveis entre si: as que seguiram a simpatia e as que não seguiram. Entre as variáveis coletadas, anotaríamos quanto dinheiro as pessoas ganharam a mais do que o normal (promoções no trabalho, loteria, doações, vendas, etc.). Depois analizaríamos se houve realmente uma diferença entre os dois grupos. Alguém tem alguma dúvida sobre o resultado que iria dar ?

Como disse muito bem o grande cientista e divulgador Carl Sagan, falecido no ano passado, o método científico é a única luz que é capaz de nos guiar através da escuridão da ignorância.

O filósofo Karl Popper, também falecido em 1996, tem uma frase muito bonita, que mostra como funciona o método científico:

<em>”A diferença entre uma ameba e Einstein é que, embora ambos aprendam através da tentativa e do erro, a ameba não gosta de errar, ao passo que Einstein fica intrigado pelo erro. Conscientemente, ele investiga os seus erros, com a esperança de aprender através da descoberta e da sua eliminação.” </em>

A ciência precisa combater a pseudociência: uma declaração de 32 cientistas e filósofos russos

filosoforusso.jpgOs representantes de muitas ciências e disciplinas — astrônomos, físicos, químicos, biólogos, filósofos, advogados, psicólogos — estão preocupados pelo crescente disseminação da astrologia, medicina alternativa, quiromancia, numerologia e pseudo-ciências místicas na Rússia e outros países do mundo. Desejamos atrair a atenção do público à ameaça de uma atitude não crítica em relação às profecias e conselhos dos “praticantes modernos das ciências ocultas”, professadas tanto em particular como na mídia. Aqueles que acreditam na dependência do destino humano em corpos celestes, substâncias mágicas ou feitiçaria precisam entender que a ciência não pode de maneira alguma oferecer apoio a estas crenças. Continuar lendo “A ciência precisa combater a pseudociência: uma declaração de 32 cientistas e filósofos russos”

Falsas ciências e teorias pseudocientíficas

”pseudocientifica.jpg”Por Valdir Gomes
Jornalista, pós-graduando em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)

Cientistas e jornalistas da área científica de vários países têm alertado nos últimos anos sobre a invasão das chamadas pseudociências (ou falsas ciências) nos meios de comunicação e acadêmicos. O astrônomo americano Carl Sagan, o físico brasileiro Marcelo Gleiser, o biomédico Renato Sabbatini (articulista de ciência do Correio Popular, de Campinas), o jornalista Ricardo Bonalume Neto, da Folha de S.Paulo, e o jornalista e acadêmico espanhol Manuel Calvo Hernando, entre outros, têm se dedicado à crítica de fenômenos paranormais, místicos e “alternativos”.

Atualmente, cientistas que se dedicam à divulgação da ciência têm se organizado em sociedades de combate à proliferação de teorias pseudocientíficas, como o Csicop – Commitee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal e a Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas, principalmente porque essas teorias têm uma relação muito perigosa com a ciência legítima, por motivos que explicarei mais adiante.

Mais do que combater a pseudociência, acredito ser de extrema importância também explicar o que são e como funcionam as falsas ciências. Como afirmou Sagan (O mundo assombrado pelos demônios, Companhia das Letras, 1996, pág. 30): “Se alguém nunca ouviu falar de ciência (muito menos de como ela funciona), dificilmente pode ter consciência de estar abraçando a pseudociência”. Particularmente, chamo a atenção para o caminho inverso: conhecer a pseudociência, para saber discernir entre o verdadeiro e o simulacro.

Para uma conceituação de pseudociência, faz-se necessário, primeiramente, partir da própria formação da palavra. Conhecer a morfologia de um termo, comparando-o a outro da mesma origem, pode ser um bom caminho para o entendimento de um fenômeno e suas implicações. O prefixo grego “pseudo” significa “falso”; anteposto a determinadas palavras em língua portuguesa, como elemento aglutinador, tem o objetivo de indicar que algo a que nos referimos apresenta-se de uma forma enganosa, que se utiliza de uma aparência simulada para ganhar credibilidade de quem o observa.

Dessa forma, a comparação com termos à primeira vista similares pode ajudar a clarear de vez as idéias. “Anticiência”, por exemplo, define um movimento contrário à ciência, no sentido de negação valorativa. Um terceiro termo, “protociência”, designa uma ciência em seu estágio primário de evolução, que tenta estabelecer legitimidade e conquistar reconhecimento na comunidade científica. Diferentemente da “pseudociência”, a “protociência” já se delineia nos cânones científicos e seu estatuto de ciência depende do tempo necessário para que suas hipóteses e experimentos demonstrem consistência e comprovem a eficiência dos conceitos e teorias, criando-se, a partir daí, seu rol de leis e pressupostos específicos, amparados em leis e pressupostos gerais já sedimentados. Embora ambas surjam de especulações, conhecimento intuitivo e estruturas conceituais questionáveis, geralmente é a protociência que mais tem condições de oferecer uma proposta de criatividade e curiosidade capaz de gerar interesse de pesquisa e produção de conhecimento racional. No entanto, quando a insistência nas especulações tornam as teorias e práticas pseudocientíficas uma ameaça até à saúde pública, combatê-las é o melhor caminho para o equilíbrio da própria ciência e da sociedade. O que pode acontecer é a inclusão da protociência (ou ciência de fronteira) como alvo desse ataque, impedindo sua evolução como conhecimento racional.

As teorias pseudocientíficas apresentam-se como uma proposta de conhecimento aparentemente sustentada por bases sólidas de investigação, seleção, comparação, apuração e explicação de fatos e objetos. Costuma responder com maior rapidez aos questionamentos, porque age eliminando etapas indispensáveis à construção de um conhecimento sólido e objetivo. Agindo assim, ela acaba atingindo o público também rapidamente, difundindo seus argumentos, influenciando e confundindo a opinião pública antes mesmo de a resposta científica entrar em cena para lançar uma explicação mais racional sobre os fenômenos. No entanto, quando chega o momento de apresentar publicamente justificativas e resultados para as teorias expostas – muitas sequer experimentadas –, as pseudociências tendem a escapar para o campo das argumentações subjetivas.

Embora a disseminação do conhecimento científico e o grande avanço da ciência possam nos fazer acreditar que teorias pseudocientíficas se enfraqueçam e desapareçam por si mesmas, devido às suas características e ao suporte teórico frágil que as sustentam, o que percebemos é o surgimento contínuo de novas disciplinas e teorias ditas “científicas”, mas questionáveis do ponto de vista da metodologia científica. Para tirar a prova, basta uma consulta ao Dicionário Cético (Skeptic’s Dictionary), elaborado pelo filósofo Robert Todd Carroll, fonte confiável de crítica e análise de práticas científicas e não-científicas e de fenômenos diversos, como alquimia, cirurgia psíquica, crenças, iridiologia, vampiros, raptos por extraterrestres e homeopatia, entre as mais de 320 definições que apresenta.

Cada vez mais propagadores da pseudociência insistem em tirá-la da obscuridade, usando termos, métodos e conceitos das ciências genuínas, o que causa mal-estar na comunidade científica e confusão de conceitos e valores na sociedade – o grande alvo das falsas ciências, em grande parte encorajadas pelos meios de comunicação de massa. É em geral pela mídia que as pessoas tomam contato com superstições e pseudociências. A partir daí, pela importância e credibilidade que atribuem aos meios de comunicação, em especial à TV, passam a acreditar em astrologia, quiromancia, clarividências e terapias alternativas de toda natureza. Terminam, então, por buscar conselhos e apoio para tomar decisões muita vezes vitais, ouvindo pseudo-estudiosos que se dizem autoridades em conhecimentos, muitos deles até desprovidos de qualquer lógica.

Certamente, as comunidades científica e acadêmica concordam sobre os danos que a pseudociência podem causar. Trata-se de uma volta ao obscurantismo, que deve ser encarada e combatida pelos homens da ciência e da comunicação, especialmente por jornalistas e divulgadores científicos, se não quisermos uma regressão social às superstições e ao charlatanismo medievais. Talvez o maior combustível da pseudociência ainda seja o desconhecido, o não-teorizado, o não-pesquisado; acredito que o surgimento e proliferação das teorias pseudocientíficas estarão sempre ligados à existência do “mistério” e do não-resolvido. Na medida em que as fronteiras do conhecimento avançam, amplia-se proporcionalmente o horizonte do desconhecido e, logo, do misterioso. Este é um dos axiomas da ciência.


Texto originalmente publicado em 20/05/1999 no Observatório da Imprensa em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ofjor/ofc200599.htm.