Museu esconde múmia porque ela não deu permissão para ser bisbilhotada. Chamem um médium!

A humanidade finalmente alcançou um estágio de evolução moral tão extraordinário que agora está preocupada em obter autorização de cadáveres com três mil anos de idade. Depois de milênios de guerras, genocídios, saques, escravidão e outras demonstrações pouco edificantes da nossa capacidade de convivência, descobrimos que o verdadeiro problema civilizatório estava numa vitrine de museu em Glasgow. Uma múmia egípcia, aparentemente, vinha sendo exibida sem ter assinado um termo de consentimento

Isso é um escândalo! Uma afronta à dignidade de um cidadão que não apresenta reclamações formais desde aproximadamente 1000 A.E.C. Felizmente, a burocracia escocesa, sempre vigilante, resolveu intervir antes que o defunto sofresse novos constrangimentos. Mesmo porque, não basta morrer, ser embalsamado, atravessar trinta séculos, sobreviver ao colapso de impérios e acabar numa coleção europeia. Agora é preciso também estar em dia com a legislação de proteção à privacidade póstuma.

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O Brasil não deveria ter museus ou a tragédia do Museu Nacional

O Museu Nacional foi destruído. Mal sobraram as paredes e umas pouquíssimas coleções. Tudo perdido. Tudo virou cinzas. Tudo virou lágrimas e desespero. A incompetência generalizada deste país fez com que 200 anos de Museu e bilhões de anos de história se perdessem. Começou o empurra-empurra de responsabilidades, quando, no final, ficará por isso mesmo.

Vendo isso acontecer, como sabendo que outros museus no Brasil foram destruídos por incêndios, eu mantenho a minha opinião: entreguem todos os acervos de todos os museus brasileiros e entreguem para quem tem condições de cuidar deles.

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