Quando o Ano Novo significava um tapão na fuça do Rei

Você adora comemorar réveillon que eu sei. Cair de boca no peru, passar a mão na coxinha da galinha, encher a caveira d álcool e fingir que você não é cuzão por natureza, tudo foi culpa da manguaça. Agora, imagine celebrar o Ano Novo com um ensopado de cordeiro e beterraba, um banquete digno de um rei. Problema que nessa festança, o rei da Babilônia seria arrastado pelos cabelos, forçado a ajoelhar-se e levaria um tapa tão forte no rosto que precisaria chorar de verdade, ou ia dar muito ruim.

Bem-vindo ao Akitu, o festival de Ano Novo da antiga Babilônia, onde humildade real, mitologia sangrenta e banquetes elaborados se encontravam numa celebração que durava mais de uma semana. Continuar lendo “Quando o Ano Novo significava um tapão na fuça do Rei”

Cozinhe com Darth Vader

Cidadãos do Império, vermes rebeldes, cozinheiros de cantina que ainda acham que “tempero é opcional” e demais formas de vida inferiores que, por algum erro administrativo, ainda respiram. Eu, Grand Moff Tarkin, comandante e governador sob a liderança de nosso magnífico Imperador, a partir deste exato ciclo galáctico, declaro-me cansado desta lavagem que vocês insistem em preparar.

O Imperador não está satisfeito e, por isso, coloco Lord Vader para capitanear a cozinha desta mixórdia que vocês chamam de planeta. Para tanto, instruí-o a criar um canal de culinária, sua escumalha rebelde! Continuar lendo “Cozinhe com Darth Vader”

O almoço do verdadeiro Drácula (ou quem o inspirou)

Eu já postei antes sobre o Paprika Hendl de Drácula; no caso, o Drácula do livro de Bram Stoker. Só que este Drácula foi inspirado numa figura bem mais sinistra que a criatividade humana não consegue superar, e isso porque não é uma crueldade ou malignidade sobrenatural, mas uma pessoa de carne e osso. Seu nome era Vlad Țepeș, voivoda da Valáquia.

Ele era tão gente fina que ficou conhecido como Vlad, o Empalador.

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Da Transilvânia para sua mesa: o Paprika Hendl de Drácula

Quando Bram Stoker escreveu Drácula em 1897, ele não apenas criou um dos personagens mais icônicos da literatura de terror, mas também registrou sabores e aromas de uma Europa Central que poucos conheciam, deitando sobre as páginas de seu romance gótico um pouco dessa cultura gastronômica.

Entre as brumas dos Cárpatos e os corredores sombrios do castelo do Conde, há um detalhe que muitos leitores deixam passar: a comida. E é justamente em uma dessas passagens que encontramos o Paprika Hendl (ou Paprikás Csirke, em húngaro), um prato que revela muito sobre o contexto histórico da obra. Continuar lendo “Da Transilvânia para sua mesa: o Paprika Hendl de Drácula”

Quando o ketchup era branco, europeu e hoje chamariam de opressor

Se você acha que ketchup sempre foi aquela pasta vermelha açucarada que a gente despeja em batata frita ou na pizza, para horror do pessoal tosco que come comida ruim pois não sabe para que servem condimentos e temperos (devem achar um absurdo colocar sal na batata frita ou pimenta na feijoada, aqueles silvícolas).

A rigor, o catchup (ou ketchup) original nasceu há mais de mil e quinhentos anos na China como um molho fermentado de vísceras e entranhas de peixe. Sim, pois é. Os chinas obtinham o molho espremendo tripas de peixe numa jarra, deixando aquilo fermentar ao sol por até 100 dias no inverno, e chamando de tempero. Continuar lendo “Quando o ketchup era branco, europeu e hoje chamariam de opressor”

Mulheres da Geração X não largam os ultraprocessados (e você não tá longe disso)

Todo mundo passou anos sabendo (coloque as aspas você, eu estou com preguiça) que comida industrializada é prática, moderna e até saudável; cof cof… então, acaba descobrindo, décadas depois, que esse cardápio era menos um estilo de vida e mais um convite elegante ao vício.

Se você acha que essa coisa de “vício em comida” é papo de autoajuda ou teoria furada de quem tá de dieta, temos mais uma ótima para adicionar ao plantel: pesquisadores da Universidade de Michigan descobriram que mulheres 50+ cumprem mais critérios clínicos de dependência em ultraprocessados do que gerações mais velhas. E não é pouco: é como se fosse um vírus sutil, silencioso, que ninguém avisou que estava chegando e que agora aparece de repente no laudo científico. Continuar lendo “Mulheres da Geração X não largam os ultraprocessados (e você não tá longe disso)”

O que Alexandre, o Grande, tinha no prato?

Todo mundo conhece Alexandre, o Grande, o conquistador que não perdeu uma única batalha e expandiu seu império até os confins da Ásia. Mas… você já parou pra pensar no que esse sujeito comia? Qual era o gosto de um banquete real no século IV antes de Cristo? Pode apostar que vai muito além de pão e vinho. Continuar lendo “O que Alexandre, o Grande, tinha no prato?”

Aprenda a fazer um cheesecake romano

Pouca gente imagina, mas os romanos antigos já saboreavam algo muito próximo do que hoje chamamos de cheesecake. O savilium era uma sobremesa simples, mas surpreendentemente sofisticada para a sua época, feita com queijo, mel, ovos e um pouco de farinha. Assada até firmar, ela era servida ainda quente e regada com mais mel por cima — uma verdadeira delícia que atravessou os séculos em forma de registro escrito. A receita chegou até nós por meio de Marcius Porcius Cato, também conhecido como Catão, o Velho, que a incluiu em seu tratado De Agri Cultura, escrito por volta de 160 A.E.C. Continuar lendo “Aprenda a fazer um cheesecake romano”

Sanduba de mosquito, vai?

Mosquitos, aqueles pequenos miseraveisinhos voadores são uma dor de cabeça para a humanidade desde tempos imemoriais. Eles são os principais transmissores da dengue, entre uma outra penca de doenças. Criaram várias formas de aniquilar estes sem-vergonhas, inclusive uma raquete elétrica para BZZZZZZT eletrocutá-los. O chato é quando se tem a raquete mas nenhum mosquito por perto. O que fazer com o brinquedo? Continuar lendo “Sanduba de mosquito, vai?”

Prove o melhor tempero romano jamais criado (na opinião dos romanos)

Os romanos adoravam cozinhar (por “adorar” eu quero dizer mandar os escravos cozinharem). Diferente de paulistas e paulistanos, os romanos davam muito valor a condimentos e temperos para deixar suas comidas deliciosas e com aroma incrível. Eles não curtiam comida com sabor de derrota como muitos que eu conheço.

O tempero que os romanos mais apreciavam era um molho de peixe fermentado chamado “garum”. Segundo historiadores, esta palavra em sua forma latina deriva do grego γάρος (garos), um tipo de alimento à base de peixe mencionado por autores clássicos como Aristófanes, Sófocles e Ésquilo.

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