Agora, crianças, prestem atenção que agora é que a porca torce o rabo, o jacaré vai abraçar e a Cuca mandou telegrama dizendo que já ta chegando.
Em 12 de julho, o glorioso Carlos IX, rei de França, permite que um contingente expedicionário parta da França para socorrer os rebeldes sitiados em Mons, que acaba simplesmente esmagado pela tropa espanhola! Nos dias 9 e 10 de agosto, durante uma reunião do conselho, o plano de guerra é definitivamente abandonado. O rei fora humilhado.
Coligny havia se comprometido a não dar mais um pio sem falar com Catarina. Assim, a rainha-mãe pode ocupar-se dos preparativos para o casamento “misto”. Como todo político que se preze, Coligny dá um “que se dane” pro juramento que fez e estimula Carlos IX, dizendo-lhe que é livre para seguir ou não o voto de seus conselheiros. O rei quer a guerra, mas se recusa a ser empurrado: ele escolherá o seu momento.
Quando a rainha-mãe retorna a Paris, constata que o rei prossegue nos preparativos de guerra e que um contingente de arcabuzeiros está a caminho da Picardia. Então, seu filho ingrato a enganou mais uma vez, cedendo às pressões de seu grande amigo. Razão a mais para acabar com o sujeito. Ela entra em contato com Ana d’Este, duquesa de Nemours, viúva de Francisco de Guise, que fora assassinado em 1563. O jovem duque Henrique de Guise jurou vingança pela morte de seu pai e responsabiliza Coligny. Catarina avisa que o rapaz tem carta branca para agir e ele, mesmo contra a vontade da mãe, aceita. Agora as coisas andam depressa. d’Anjou encontra o duque de Guise. Juntos eles fixam a data, a hora e o lugar da execução. Eles escolhem o matador, um certo Maurevert, atirador de elite.
O casamento de Henrique de Navarra com Margot se desenrola sem incidentes, apesar da hostilidade dos parisienses. d’Anjou e sua mãe aplacaram as desconfianças dos senhores huguenotes, que comparecem para homenagear Henrique de Navarra. Alguns partem antes do fim das festividades. O almirante permanece. O rei lhe prometera resposta sobre a declaração de guerra, em quatro dias. As advertências, porém, se multiplicam. Há rumores sinistros, mas além da coragem, Coligny tem guarda pessoal.
Catarina não duvida que a única maneira de retomar o seu poder sobre o filho é assassinar Coligny. Entretanto, o atentado falha e quando Carlos soube da tentativa de assassinato fica irritado. Ordena que todas as armas dos parisienses sejam confiscadas.
Carlos vai visitar o amigo e Catarina, finalmente recuperando sua argúcia, manda que se prepare uma caravana e que toda a Corte acompanhe o rei. Ela sabia que a ala católica se recusaria, estendendo assim o convite aos huguenotes. Mas, estes (diferente de Carlinhos) não são tão tolos assim e vêem com desconfiança a amabilidade dela. Carlos manda que se instaure um inquérito pra saber que quis passar o cerol em Coligny, e este inquérito levou direto a Henrique de Guise e, deste, a d’Anjou e a sua mãe. A bosta bateu no ventilador.
Nas ruas começou a haver agitação. Muitos querem que Guise (o perpetrador do atentado) seja degolado. Outros pressionam o almirante para deixar imediatamente a capital, mas este se recusa, se apoiando na promessa do rei em fazer justiça. Henrique de Navarra e o príncipe de Condé se apresentam ao rei, exigindo o total esclarecimento do atentado e uma punição severa para os culpados.
Agora que a coisa realmente começa a perder o controle.
O soberano responde que o inquérito está em curso e reitera a ordem de reagrupamento dos senhores huguenotes da rua de Béthisy para garantir a segurança do ferido e oferece aos dois príncipes a sua suíte pessoal no palácio. O rei escreve aos governadores de suas províncias para lhes informar do infame atentado que vitimou Coligny e imputa, com certa precipitação, a responsabilidade ao duque de Guise.
Catarina realmente fica com medo. Ela sabe que quando Carlos souber da cagada que ela armou, ele é bem capaz de apunhalar o irmão. Isso sem falar na vingança dos huguenotes! A noite interminável transcorre nessa angústia. Na manhã de 23 de agosto, o rei recebe um enviado de Coligny. Este lhe pede a guarda prometida para vigiar a rua de Béthisy. O rei concede. D’Anjou, que assiste à audiência, designa o capitão Casseins, criatura dos Guise. A chegada de Casseins e de 50 homens reacende a ira e a inquietude dos huguenotes. Seguem-se discussões acaloradas das quais participam dois “espiões”, Bouchavannes e Gramont. Estes correm ao Louvre e espalham a desinformação de um complô que se prepara: no dia 26 de agosto, 4.000 huguenotes se reunirão no bairro de Saint Germain, sob as ordens de Montgomery, atacarão o Louvre, degolarão a família real e proclamarão rei Henrique de Navarra.
Catarina tem todos os motivos para desconfiar de Montgomery: ele já matou Henrique II, involuntariamente, é fato, é um exaltado e um furioso. Mas ela percebe, subitamente, que esse complô, apesar do perigo que representa, a tirará dos apuros. Ela chama seus leais servidores, Tavannes, Rirague, o conde de Retz e o duque de Nevers, aos quais apresenta um plano: decapitar o partido huguenote suprimindo Coligny e uma dúzia de seus auxiliares.
Obviamente, nenhum deles faz objeções. Discute-se apenas a lista dos condenados. Catarina diz que lamenta chegar a esse extremo. Depois da entrevista de Bayonne, Filipe II não cessara de lhe aconselhar essa solução. É de convir que ele tinha razão. Portanto, a decisão de princípio está tomada. Resta fazer o mais difícil: para torná-la exeqüível, é preciso obter a ordem de Carlos, único detentor da autoridade.
Isaías 11:8 – A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide.
Carlos IX se preocupa com a manutenção da ordem na capital. Ele envia d’Anjou para sondar a opinião pública. Os parisienses aclamam o herói deles e d’Anjou saca logo que os Guise simularam uma falsa partida e que tratam de agrupar seus partidários. De volta ao Louvre, ele declara que está tudo calmo e que os huguenotes se alarmam à toa.
Os líderes huguenotes começam a falar mais duramente, ameaçando a rainha-mãe que se algo acontecer a Coligny, que haverá um imenso derramamento de sangue católico, ao ponto do Sena ficar totalmente vermelho.
Enquanto isso, Carlos IX, novamente alertado pela roda de Coligny, reforça as medidas de proteção. Ele convoca Le Charron, preboste em exercício desde 16 de agosto, e ordena que feche as portas, multiplique as patrulhas, tire os navios do lado da cidade. Mas o preboste que saíra, Claude Marcel, é o verdadeiro dono de Paris. O rei, à sua própria revelia, acaba de fornecer aos chacinadores os meios de perpetrarem seus crimes.
Catarina manda um de seus protegidos, Gondi, falar com Carlos que o atentado a Coligny fora necessário para evitar os perigos a que submeteria o reino ao intervir nos Países Baixos e que o real objetivo do almirante era manietar o rei e “huguenotizar” todo o reino. Depois do atentado frustrado, seus partidários clamam vingança, conspiram contra ele. Todos são culpados de lesa-majestade. Algumas execuções, diz, desmantelarão o complô. Carlos protesta, mas Catarina, d’Anjou e outros aliados católicos fazem pressão ao jovem monarca. Este acaba sucumbindo e ao ser acusado de covardia pela própria mãe, ele dá a ordem fatal: “Vós o quereis! Pois bem! Matai! Matai todos!”
E assim aconteceu.
Não se sabe com certeza se era pra haver aquele morticínio todo. Mas é fato que chamaram Claude Marcel, cujo fanatismo era bem conhecido. Seu ódio pelos protestantes era patente. Seus quaterniers (chefes de bairro) recebem a missão de agir de forma que nenhum “desses ímpios” possa escapar. Ele já mandou levantar a lista das casas huguenotes. E como se pode ver, Claude Marcel teve responsabilidade esmagadora na organização do massacre.
Ao raiar do dia 24 de agosto, o rei convoca Henrique de Navarra e Condé, ambos príncipes de sangue, e os intima a escolher entre a abjuração e a morte. Do lado de fora, os cavalheiros de seus séquitos são desarmados e massacrados. Os que tentam escapar são caçados como animais.
Nos pátios do palácio, abate-se tudo que seja huguenote. Soa o rebate em Saint-Germain l’Auxerrois. Os sinos graves de Notre Dame e de todos os relógios de Paris respondem. O sinal está dado. Rua de Béthisy, os acólitos do duque de Guise acabam de assassinar o almirante e de jogar seu corpo pela janela.
Este fora o sinal inicial para um massacre mais vasto. Começando em 24 de Agosto e durando até outubro, houve uma onda organizada de assassínios de huguenotes em cidades como Toulouse, Bordéus, Lyon, Bourges, Rouen, e Orléans. De início, os alvos eram apenas os líderes huguenotes, mas a selvageria ganhou um tamanho sem precedentes. Homens, mulheres e crianças… todos os huguenotes, não importante sexo ou idade, foram brutalmente assassinados. Os soldados perderam o bom senso (se é que tiveram algum) e começaram a se divertir ao que se podia descrever como uma das mais bárbaras atitudes de um ser humano.
Êxodo 20:13 – Não matarás.
Êxodo 23:7 – Abstém-te de toda palavra mentirosa.
Não matarás o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado.
Deuteronômio 5:17 – Não matarás.
Mateus 5:21 – Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal.
Mateus 19:18 – Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho.
Mateus 5:21-22 – Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena
No dia 26, quando Carlos IX se dirige ao Parlamento para uma sessão solene, ele é aclamado pelos parisienses. Essa súbita popularidade o conforta em sua ilusão de ser, enfim, o monarca que sonhava ser, todo-poderoso e venerado pelos súditos.
Carlos reiterou a tese do complô para justificar a execução de Coligny e de seus subalternos. Depois, cumprindo os desejos da rainha-mãe e de d’Anjou, acrescenta: “Tudo o que se passou em Paris foi feito, não só por meu consentimento, mas por minha ordem e de meu próprio movimento.”
O que foi mostrado na verdade é que este covarde não passou de fantoche, mas isso não é desculpa. Sendo rei, ele tinha a obrigação de zelar pelo bem-estar de seu povo, pouco importando a crença deles.
Sempre digo que religião e ânsia pelo poder andam juntas. Religião sempre foi uma das melhores armas para conter populações e, ao mesmo tempo, serve de bode expiatório para loucuras como genocídios que nem o que ocorreu na França.
NÃO MATARÁS!!
Baseado em texto de Georges Bordonove
Para saber mais:
► A Cisma do Oriente
► Esquecendo Deus
► O Protestantismo visto pelos católicos

Poderia ser um artigo muito melhor se não fosse recheado de intolerância gratuitae mania de onisciência “pós-acontecido”.
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Isso não é desculpa para matar mulheres e crianças só porque rezam pro mesmo deus, mas de partido diferente.
Isso levando em conta que vc entendeu o artigo, é claro.
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Sua resposta também não justifica coisa alguma, além de não ter nada a ver com o que eu disse acima. Eu estava falando do artigo, e não dos envolvidos no evento histórico.
Mas se você sempre responde com reclamações genéricas, então não há o que discutir. Continue fazendo análises superficiais e defendendo sua ideologia, não se pode esperar melhor do que isso.
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Tenho culpa se vc falou besteira? As análises são baseadas num texto de um medievalista conceituado. O fato da donzela aí não ter gostado não fará diferença alguma. Pode sapatear à vontade.
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Você baseou num texto, e colocou suas baboseiras radicais no meio, grande coisa. Argumento de autoridade não justifica a superficialidade e tolice radical (e anti-democrática) de sua ideologia.
No mais: Você é quem responde com deboche e tergiversação, e eu é quem “sapateio”. Tá certo… Falou pra você, parabéns por preferir discutir sem argumentos. Você se tornou o que tanto odeia. Talvez você queime religiosos algum dia, para provar o quanto eles são “malignos”.
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Eu não tenho que argumentar nada. A história tá aí: por causa de uma religião escrota, pessoas inocentes foram assassinadas. Fim.
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Não questiono a história séria. Estou falando de *seu* artigo. E não sei pra que ocultar os comentáriois,e só deixa-los aparecer depois que você coloca sua resposta. Se for assim, censure-os de vez! Até!
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A questão dos comentários é simples: Eles só aparecem depois que algum dos administradores aprova. Assim, é por minha imensa BONDADE que eu permito vc postar.
Blogs são para a conveniência de seus donos. Se não gostou, procure a Monfort e vá se queixar lá.
Freqüências de comunicação desligadas. Não tenho tempo de ficar discutindo besteiras. Se não gostou do que leu…
Não dou a mínima.
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@André, A intolerância religiosa já existia antes de Cristo,a história conta é
verdade, as atrocidades dos cruzados, mas conta também que Lutero
perseguiu e matou os anabatistas que eram aliados dele e apenas por uma
discordância foram mortos com requintes de crueldade. Concordo com você
em alguns pontos contudo não tenho a pretenção de agredir a Jesus Cristo,
a Deus e a sua existência e nem os contrarios ao catolicismo. Já fui religioso, hoje não sou mais, justamente pelas mentiras principalmente nas pregações
Mas acredito em Deus, porque não acredito que morreu, acabou, não é
possível para mim, olhar para o céu e ver estrelas,a natureza, enfim tudo que está em minha volta e não crer que alguém fez isso. No mais,cada um tem a sua opinião e não vou nem tentar mudar a sua, mas só uma sujestão, pare com as agressões ou se tornará um deles. Um abraço e fique se quiser com Deus.
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O problema não é com uma divindade qualquer e sim com o que as religiões fazem.
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:mrgreen: LOL!
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Creio que esta instituição seja responsável pelo maior número de assassinatos na história da intolerância e estupidez humana, suas histórias de massacres, escravismo, tortura, exploração, pedofilia, estupro e bestialidades afins estão ai, espalhados em todos os lugares, mas seus adeptos, que narram histórias do Gênesis, desconsideram fatos mais recentes. O termo ‘heresia’ gerou um massacre colossal, uma massa demilidora, e essa raça estúpida o usa ainda hoje como se fosse inofensivo.
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Pois é. Heresia vem de haerĕsis, que significa “escolha”. Mas escolhas são para pessoas livres, coisa que as religiões odeiam.
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Bem, bom, na realidade, eu creio, que na época reinava incondicionalmente a ignorância,e ambas as partes pensavam que a briga era por “Deus”.
_ O que mais me impressiona, é que, continuamos ignorantes! Que aliás, o filme Henrique, nos esclarece sobre esse episodio!
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