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Homeopatia desmascarada

Por: Ana Luiza Barbosa de Oliveira

homeopathy_bottle.jpgIntrodução

Quase todo mundo já deve ter tomado remédios homeopáticos. Eles são considerados seguros e não causam efeitos colaterais como os remédios da alopatia (medicina tradicional), sendo freqüentemente usados por pais zelosos no tratamente de doenças infantis. No entanto, a maioria das pessoas que utiliza a homeopatia tem apenas uma vaga idéia de como estes remédios são preparados.

Apesar de largamente difundida, a prática da homeopatia tem inúmeros críticos. Sua forma de preparação faz com que os remédios homeopáticos não contenham um princípio ativo químico em quantidades mensuráveis, sendo sua ação baseada em uma suposta transmissão de energia capaz de curar a doença em questão. Este conceito é largamente contestado por não estar de acordo com o conhecimento científico atual e a eficácia deste tipo de remédio ainda não foi claramente determinada por estudos experimentais independentes.

No Brasil, a homeopatia é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina, o que faz com que as críticas a esta prática partam, geralmente, de profissionais de outras áreas, como a química e a biologia. Profissionais da área médica que não concordam com a homeopatia são impedidos de criticá-la abertamente devido a seu código de ética.

Os princípios da homeopatia

O pai da homeopatia, o médico alemão Samuel Hahnemann (1755-1843), tinha bons motivos para ir contra as práticas médicas comuns do século XVIII, que incluíam sangrias, sanguessugas, purgas e outros métodos que realmente causam mais mal do que bem.

Durante seus estudos, Hahnemann percebeu que a administração de quinino (uma droga empregada no tratamento da malária) a um paciente saudável causava alguns dos sintomas associados à esta doença. Assim, seguindo esta linha de pesquisa, Hahnemann eventualmente concluiu o seguinte princípio terapêutico: o caminho certo para tratar uma doença é dando ao paciente uma determinada droga, a qual numa pessoa saudável causa os mesmos sintomas apresentados pela pessoa doente. Por exemplo, os óxidos de enxofre SO2 e SO3 causam crises de tosse semelhante a crises de asmas, então estas substâncias são prescritas para pacientes asmáticos.

Hahnemann expôs sua teoria na frase em latim similia similibus curentur (semelhante cura semelhante) ou melhor ainda, doenças semelhantes curam doenças semelhantes, pois ele achava que determinadas substâncias causavam, quando ingeridas, uma doença artificial no doente, que fazia o corpo curar a doença verdadeira. Este é o princípio da similitude ou a Lei da Similitude, que foi apresentada ao mundo em 1796. A palavra homeopatia vem do grego homoios (similar, igual) e pathos (doença, sofrimento).

Hahnemann e seus seguidores começaram a fazer experimentos com várias substâncias de origem vegetal, animal e mineral, que foram compilados em livros chamados materia medica, que são utilizados para associar os sintomas de um paciente com a droga adequada.

Ele declarou ainda que as doenças eram perturbações na habilidade do corpo de se curar e que portanto eram necessárias apenas quantidades ínfimas para iniciar o processo de cura. Ele também declarou que as doenças crônicas eram uma manifestação de uma coceira reprimida (psora), um tipo de miasma ou espírito maligno. Utilizando inicialmente doses pequenas de medicamentos, Hahnemann posteriormente passou a empregar enormes diluições, teorizando que quanto maior a diluição maior o efeito. Desta forma, os remédios homeopáticos são “dinamizados”, isto é, diluídos até o ponto em que não mais exista mais uma única molécula do princípio ativo. Hahnemann justificou este procedimento com uma teoria de que não são os átomos das substâncias que curam, mas sim uma espécie de efeito indutivo causado pela presença destas moléculas durante a diluição. Este princípio é conhecido como Lei dos Infinitesimais.

Estas idéias são a base da homeopatia moderna. Muitos homeopatas afirmam também que algumas pessoas possuem uma afinidade especial com um remédio em particular (o chamado “remédio constitucional”) e que serve para curar várias doenças. Estes remédios são prescritos de acordo com o tipo constitucional da pessoa. Alguns exemplos destes tipos são:

  • Ignatia – pessoa nervosa e muitas vezes chorona e que não gosta de fumaça de cigarro
  • Pulstilla – é uma mulher jovem com cabelo louro ou castanho claro, olhos azuis, gentil, temerosa, romântica, emotiva, amiga, porém tímida.
  • Nux Vomica – pessoa agressiva, belicosa, ambiciosa e hiperativa.
  • Sulfur – gosta de ser independente.

O ponto de vista bioquímico

Quimicamente, os remédios homeopáticos são diluições tão extremas que sua composição não passa de solvente puro (água, álcool, etc) ou outro veículo qualquer no caso de comprimidos (usualmente lactose, um tipo de açúcar) ou outras apresentações. Os homeopatas partem de substâncias de origem vegetal, animal ou mineral, daí a confusão com um ramo da medicina de eficácia realmente comprovada, a fitoterapia, que utiliza extratos botânicos que contém princípios ativos que realmente tem efeitos terapêuticos.

Um extrato bruto é preparado e seguido de “dinamização”, ou seja diluições sucessivas até que não haja sequer uma molécula de princípio ativo. Estas diluições são feitas da seguinte maneira: toma-se uma parte do extrato bruto e mistura-se a 9 ou 99 partes do solvente ou veículo. Esta etapa é repetida várias vezes e são chamadas de dinamizações. Estas dinamizações são indicadas pela “potência” do medicamento. A letra X indica diluições 1 para 10 e a letra C, 1 para 100. Desta forma, um medicamento 6X significa uma diluição de 1 para 1.000.000, por exemplo, um 1mL de extrato bruto para 1000 litros de água/álcool.

A maioria dos “medicamentos” é da ordem de 6X a 30X, mas alguns produtos são da ordem de até 30C, ou seja, a substância original sofreu uma diluição de 1 para 1060 (1 seguido de 60 zeros). Em outras palavras, é água pura. Se partíssemos de cerca de 1 gota de substância ativa o recipiente para fazer tal diluição teria que ter cerca de 10 bilhões de vezes o tamanho da Terra!!!. O princípio dos infinitesimais diz que se colocássemos uma gota de fel (uma substância muito amarga) em um recipiente deste tamanho e dele retirássemos uma gota, esta única gota conteria a essência do amargor.

Um remédio comercializado mundialmente conhecido como Oscillococcinum, é um produto 200C, utilizado para alívio de sintomas de resfriados e gripes. Seu “ingrediente ativo” é preparado da seguinte maneira: o coração e o fígado de um pato recém morto são incubados por cerca de 40 dias, o líquido resultante é filtrado, liofilizado, reidratado, “dinamizado” e impregnado em comprimidos de açúcar. A diluição, nestes caso é de 1 molécula de princípio ativo em 100200 (1 seguido de 400 zeros) moléculas, que é mais que todos os átomos existentes no Universo conhecido. Ou seja, os comprimidos são realmente “pílulas de farinha”. Ainda, com apenas um pato é possível produzir todo o medicamento vendido no mundo em um ano, um faturamento de cerca 20 milhões de dólares. Até hoje somente um teste clínico foi realizado, de forma que os resultados são totalmente inclusivos, já que nenhum medicamento pode ser considerado eficaz após ser aprovado em apenas um teste [1].

Os homeopatas dirão que a idéia é realmente atingir uma diluição tão alta que não reste nenhuma molécula do princípio ativo, já que Hahnemann acreditava que o processo de diluição que envolve intensa agitação ou maceração deixava para trás uma essência, imperceptível para os sentidos, mas capaz de revitalizar a força vital do corpo. Entretanto, estas noções não têm embasamento científico nenhum e nunca foram comprovadas por investigadores independentes. Mais do que isso, se a teoria de Hanhnemann fosse verdadeira, este fenônemo de transmissão da energia de uma molécula deveria se apresentar em inúmeros outros casos, além da preparação de remédios homeopáticos, o que também nunca foi observado. Algumas perguntas que surgem imediatamente são:

  • Por que esta transmissão de energia inclui somente os efeitos terapêuticos do princípio ativo, e não seus efeitos colaterais?
  • Por que esta transmissão não ocorre também com outras substâncias com as quais a solução tem contato durante a sua preparação? Por mais cuidado que se tenha na sua preparação, as soluções serão sempre contaminadas, em menor ou maior grau, por um enorme número de substâncias presentes no ambiente. Como o efeito destas substâncias se “perde”?
  • A teoria homeopática diz que a “energia” do princípio ativo é transmitida para a solução durante o processo de diluição. Mas e quanto às pílulas, que consistem principalmente de lactose? Mesmo que acreditemos, por um instante, na transmissão de energia para uma solução, como essa energia é transferida para o açúcar?

De qualquer forma, mesmo que a teoria de Hahnemann não tenha fundamento, é concebível que os remédios homeopáticos sejam eficazes, agindo por algum outro mecanismo desconhecido. O verdadeiro teste da eficácia deste tipo de remédio consiste, portanto, na realização de estudos experimentais adequados. Infelizmente, os resultados dos estudos realizados até agora também não indicam um efeito terapêutico significante dos remédios homeopáticos.

1. Ferley JP, Zmirou D, D’Adhemar D, Balducci F. A controlled evaluation of a homeopathic preparation in influenza-like syndromes. Br J Clin Pharmac 1989) 27, 329-335. (abstract)

Pesquisa científica

Inúmeros estudos sobre a eficácia de remédios homeopáticos já foram realizados. Entretanto, a qualidade destes estudos varia consideravelmente e suas conclusões são muitas vezes influenciadas pelas crenças pessoais dos autores (tanto a favor como contra a homeopatia). Assim, citaremos uma série de reviews onde foram avaliados os resultados de vários estudos abordando remédios homeopáticos:

  • Hill C, Doyon F. Review of randomized trials of homeopathy. Rev. Epidme et Sante Publ 1990; 38: 139-147. (abstract): “Na nossa opinião, os resultados não apresentam evidências aceitáveis de que tratamentos homeopáticos são eficazes.”
  • Kleijnen, J., Knipschild, P. and ter Riet, G. Clinical trials of homeopathy. BMJ 1991; 302: 316-323. (abstract): “No momento, a evidência resultante de estudos clínicos é positiva, mas não suficiente para se chegar a conclusões definitivas porque a maioria dos estudos tem baixa qualidade metodológica e por causa do papel desconhecido da falta de imparcialidade nas publicações.”
  • Cucherat M, Haugh MC, Gooch M, Boissel JP. Evidence of clinical efficacy of homeopathy. A meta-analysis of clinical trials. HMRAG. Homeopathic Medicines Research Advisory Group. Eur J Clin Pharmacol. 2000 Apr;56(1):27-33. (abstract): “Existe alguma evidência de que os remédios homeopáticos são mais eficazes que placebo; entretanto, o valor desta evidência é baixo em função da baixa qualidade metodológica dos estudos.”
  • Linde K, Melchart D. Randomized controlled trials of individualized homeopathy: a state-of-the-art review. J Altern Complement Med 1998 Winter;4(4):371-88 (abstract): “Os resultados dos estudos disponíveis sugerem que a homeopatia individualizada tem um efeito superior ao placebo. As evidências, entretanto, não são convincentes por causa de falhas e inconsistências metodológicas.”
  • Jonas WB, Anderson RL, Crawford CC, Lyons JS. A systematic review of the quality of homeopathic clinical trials. BMC Complement Altern Med 2001;1(1):12 (abstract): “A pesquisa clínica homeopática está claramente em sua infância, com a maior parte dos estudos usando amostragem e técnicas de medida de baixa qualidade.”
  • Linde K, Hondras M, Vickers A, Riet Gt G, Melchart D. Systematic reviews of complementary therapies – an annotated bibliography. Part 3: Homeopathy. BMC Complement Altern Med 2001;1(1):4. (abstract): “A maioria dos estudos disponíveis parecem relatar resultados positivos, mas as evidências não são convincentes.”
  • Bellavite P, Andrioli G, Lussignoli S, Bertani S, Conforti A. [Homeopathy in the perspective of scientific research]. Ann Ist Super Sanita 1999;35(4):517-27 (abstract): “Uma resposta clara e definida ainda não é possível devido à baixa qualidade de alguns estudos publicados, a falta de reprodução por investigadores independentes e a incerteza a respeito das metodologias a serem usadas ao testar as alegações da homeopatia.”
  • Linde K, Clausius N, Ramirez G, Melchart D, Eitel F, Hedges LV, Jonas WB. Are the clinical effects of homeopathy placebo effects? A meta-analysis of placebo-controlled trials. Lancet 1997 Sep 20;350(9081):834-43. (abstract):”Os resultados de nossa análise não são compatíveis com a hipótese de que os efeitos clínicos da homeopatia são totalmente devidos ao efeito placebo. Entretanto, não encontramos evidências suficientes, nestes estudos, de que a homeopatia é nitidamente eficaz para qualquer condição clínica.”
  • Aulas, J. Homeopathy update. Préscrire International 1996; 15(155): 674-684. (artigo):”Como os medicamentos homeopáticos são geralmente utilizados em condições com resultados variáveis ou que apresentam recuperação espontânea (portanto respondem a placebo), é amplamente aceito que estes medicamentos tem um efeito em alguns pacientes. Porém, apesar do grande número de testes comparativos conduzidos até a presente data, não existe nenhuma evidência de que a homeopatia seja mais eficaz do que a terapia com placebo quando administrada nas mesmas condições”.
  • Wise, J. Health authority stops buying homoeopathy. British Medical Journal 314:1574,1997 (artigo integral): “Uma autoridade de saúde de Londres decidiu parar de pagar tratamentos homeopáticos em virtude da falta de evidências que justifiquem seu uso.” Nota-se que a decisão não foi influenciada por algum preconceito contra terapias alternativas, uma vez que “… a autoridade continuará a pagar por tratamentos de acupuntura … já que concluiu que existem boas evidências de que este tratamento é eficaz.”

Pode se argumentar que vários dos estudos mencionados acima citam alguns resultados positivos em relação à eficácia da homeopatia e que a consideração de que estas evidências são fracas seria causada por algum tipo de preconceito. Entretanto, considerando que a homeopatia é praticada há mais de cem anos, seria de se esperar resultados muito mais óbvios a seu favor, se ela fosse realmente eficaz. Por fim, o ônus da prova cabe aos homeopatas, isto é, antes que sua prática seja aceita pela comunidade científica, cabe a eles provar clara e confiavelmente sua eficácia.

Ao contrário dos medicamentos tradicionais, que cumprem longos períodos de testes em laboratórios para, enfim, se tornarem candidatos a testes clínicos rigorosos para tentar provar sua eficácia, os chamados remédios homeopáticos não passam por nenhum destes testes. O critério para sua inclusão na Farmacopéia Homeopática são as chamadas provas realizadas durante o século XIX e início do XX. O fato de entidades como o FDA (Food and Drug Administration, a vigilância sanitária dos EUA) reconhecerem os medicamentos homeopáticos não significa que estes sejam eficazes, justamente porque destes “medicamentos” não são exigidos os mesmos testes que os medicamentos comuns. Pelo contrário, a comunidade homeopática resiste a que estes testes sejam realizados (veja este documento).

A aparente eficácia

Apesar da falta de comprovação científica, inúmeras pessoas atestarão a eficácia dos remédios homeopáticos a partir de suas experiências pessoais. Por quê?

Dois efeitos contribuem para a aparente eficácia dos remédios homeopáticos. Em primeiro lugar, várias condições médicas de menor gravidade (por exemplo, uma gripe) têm uma regressão natural, mesmo que nenhum medicamento seja empregado. Ao observar esta regressão após tomar um medicamento ineficaz, a pessoa frequëntemente associará a cura ao medicamento, mesmo que este não tenha tido nenhuma participação no processo.

Outro efeito importante é conhecido como efeito placebo. Placebo significa em latim “eu vou agradar”. O termo foi introduzido no século XIX para denominar remédios que eram receitados somente para agradar o paciente. Um placebo é definido como um tratamento que causa um efeito no paciente, apesar de não ter nenhuma ação específica na doença. Em outras palavras, é um medicamento “falso”, cuja função é apenas fazer o paciente acreditar que está sendo tratado. O efeito placebo é bem documentado, sendo empregado nos testes de avaliação de novos medicamentos. Nesses testes se adota um procedimento conhecido como duplo cego. Isto significa que parte dos pacientes recebe o medicamento real e o restante recebe um placebo, sendo que nem os pacientes nem os médicos que aplicam os medicamentos sabem quem está recebendo o quê. Desta forma, é eliminada qualquer influência de fatores psicológicos na evolução da doença. Se o medicamento em teste apresentar resultados significativamente melhores que o placebo, sabe-se então que isto é realmente conseqüência de sua ação química no organismo. Dependendo da doença em questão a fração de pacientes que apresentam melhora após a administração do placebo pode ser superior a 30%.

Pode-se argumentar que se o efeito de um medicamento baseia-se unicamente no efeito placebo, isto não constitui um problema, já que a pessoa irá se curar de sua doenças sem sofrer efeitos colaterais resultantes da administração de remédios tradicionais. Isto é realmente válido para doenças auto-limitadas, que não apresentam consequências graves. Por outro lado, a administração de um placebo para doenças graves pode levar a sérias conseqüências (inclusive, em alguns casos, a morte). Este é um risco assumido conscientemente por pacientes que se oferecem voluntariamente para participar de pesquisas de novos medicamentos.

Outros fatores podem influenciar a percepção da eficácia de um medicamento. Um excelente texto sobre este assunto pode ser encontrado aqui.

Conclusões

  • Os princípios que formam a base teórica da homeopatia não têm nenhuma comprovação científica; pelo contrário, eles estão em flagrante desacordo com o nosso conhecimento atual de física, química e biologia;
  • A princípio, o fato de uma teoria ir de encontro ao conhecimento atual em qualquer área da ciência não significa necessariamente que esta teoria esteja errada. Existem inúmeros casos na história da ciência onde novas teorias, inicialmente descartadas, foram posteriormente comprovadas. O verdadeiro teste de uma nova teoria é a sua coerência com resultados experimentais observados e sua capacidade de prever novos resultados anteriormente inesperados. Entretanto, até o momento, as teorias da homeopatia não atingiram nenhum destes requisitos.
  • Mesmo que as teorias homeopáticas estejam erradas, é concebível que os remédios homeopáticos sejam eficazes, agindo por algum outro mecanismo desconhecido. Mais uma vez, o verdadeiro teste é a obtenção de resultados experimentais confiáveis. Infelizmente, apesar de serem empregados há mais de um século, ainda não foram obtidos resultados convincentes de que os remédios homeopáticos são realmente eficazes contra qualquer tipo de doença.
  • O fato de que os remédios homeopáticos não são submetidos a testes tão rigorosos como os medicamentos tradicionais e, principalmente, a oposição (de pelo menos parte) da comunidade homeopática a que isto seja feito, contribui para a descrença em sua eficácia.
  • Um argumento clássico a favor das chamadas terapias alternativas, onde a homeopatia se enquadra, é de que os resultados que comprovam sua eficácia são descartados pela comunidade científica em razão de preconceito ou da ausência de uma atitude “aberta” a conhecimentos originados fora das linhas tradicionais de pesquisa. Apesar de isto poder ser verdade para certos indivíduos, o método científico é, em sua concepção, imparcial. É difícil acreditar que a comunidade médica em geral descartaria qualquer tipo de tratamento cujo efeito fosse realmente comprovado, por simples preconceito. Isto é especialmente válido para o caso dos remédios homeopáticos, em virtude de seu baixíssimo custo de preparação.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας