Penisgate: a Olimpíada de Inverno e a batalha aerodinâmica mais constrangedora da história do esporte

A Agência Mundial Antidoping (World Anti-Doping Agency, WADA) já teve que lidar com muita Coisa ao longo dos anos. Sangue sintético, urina congelada de terceiros, testosterona escondida em cremes e shampoos, aquele esquema russo digno de roteiro de John le Carré envolvendo buraco na parede do laboratório. Mas nada, absolutamente nada na gloriosa história da trapaça esportiva preparou a WADA para o momento em que, a menos de 24 horas da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de 2026 em Milão, seu diretor-geral teve que sentar numa coletiva de imprensa e responder com a cara mais séria possível se a agência ia investigar atletas olímpicos que supostamente estavam injetando ácido hialurônico no pênis para ganhar medalhas no salto de esqui.

Pausa para você reler essa frase e confirmar que não, você não está tendo um derrame, e sim, vivemos numa linha do tempo completamente surreal em que tem que dar uma guaribada no pinto para não entrar numa fria em meio a uma competição.

Pintando e bordando com trapaça em olimpíadas, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Penisgate: a Olimpíada de Inverno e a batalha aerodinâmica mais constrangedora da história do esporte”

Picatrix: O Manual de Instruções do Feiticeiro Malvado

Se você já se perguntou como um vilão medieval se tornava vilão de verdade (e não apenas aquele rei chato que cobrava impostos absurdos), a resposta está condensada em um único livro. Um livro que, por sinal, andava circulando pelas melhores bibliotecas da Europa durante séculos, com a mesma normalidade que livros de auto-ajuda tipo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, que foi febre lá pelo início dos anos 2000. Esse livro se chama Picatrix, e ele é, sem exagero, um dos documentos mais estranhos, mais mórbidos e mais fascinantes que a Idade Média nos legou.

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O assalto que revolucionou a Psicologia

Existe um momento mágico na vida de todo policial: aquele instante em que levanta uma das sobrancelhas e se pergunta “É sério isso?”. Foi mais ou menos isso o que aconteceu com a polícia de Pittsburgh, na Pensilvânia, em 6 de janeiro de 1995. Naquele dia, dois homens roubaram o Mellon Bank na agência de Swissvale (de onde levaram US$ 5.200 às 14h47min) e o Fidelity Savings Bank no bairro de Brighton Heights, achando que estavam encenando “11 Homens e Um Segredo”, mas com serias restrições orçamentárias.

A dinâmica do assalto foi simples: um deles fazia papel de vigia na fila enquanto o outro apontava uma arma para o caixa, pegavam alguns milhares de dólares e ambos picavam a mula. Nada de sofisticação hollywoodiana, nada de disfarces elaborados. Aliás, nada de disfarce algum! Continuar lendo “O assalto que revolucionou a Psicologia”

Artigos da Semana 290

Tá chovendo a semana toda. Eu estou aqui, com uma caneca de chocolate quente, entre minhas cobertas, feliz da vida ainda de férias. Lancei esta semana dois livros em que eu conto histórias, e lançarei mais livros separando os volumes por eras e assuntos. Tem até um artigo que eu só falo disso, além de outras coisas que eu postei durante a semana. Bóra ler?

E comprem meus livros. Custa só R$24,90 cada um.

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Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André

Este é um ano que começou com novidades em termos de projetos. Um projeto que eu já vinha conduzindo há um tempo e com cuidado. Algo que finalmente deslanchei (ainda que não totalmente). Então, depois de revisões e tal, começou a saírem eles: meus livros! Continuar lendo “Lançados livros de História como você nunca leu. Quem escreveu? Eu, André”

A insana Bomba de Morcegos

Planeta Terra, cidade Tóquio. Como todas as grandes metrópoles em sua época, Tóquio tinha um grande problema: a Segunda Guerra Mundial. No amanhecer de 1943, o rugido de um avião irrompe o ar frio da manhã, cruza o céu e larga um container que parece uma bomba comum. Só que não é. A uns 300 metros de altitude, o troço se abre e liberta milhares de morcegos. Silenciosos, rápidos, quase invisíveis, eles se espalham pela cidade procurando um cantinho escuro para descansar. Infiltram-se sob telhados, em casas e prédios, sem critério especial. Mas esses não são morcegos comuns.

Cada um carrega uma pequena bomba incendiária amarrada ao corpo. Quando o sol nasce, o temporizador dispara. Milhares de ignições simultâneas incendeiam as construções de madeira do Japão. Em minutos, a cidade inteira está em chamas. Continuar lendo “A insana Bomba de Morcegos”

Quando Nova York quis se divorciar dos EUA

Acho que, na psique das pessoas, quando você fala “Estados Unidos”, todo mundo pensa na Estátua da Liberdade e na própria Nova York, um ícone de civilização ocidental. Eu posso assegurar que ninguém pensa em Pascagoula, Mississippi, quando se fala na Murica. O que as pessoas não sabem é que, em 1860 o prefeito de Nova York andava de ovo virado e resolveu transformar a maior metrópole americana num paraíso comercial sem compromisso com ninguém além do próprio lucro. E olha, quase deu certo. Continuar lendo “Quando Nova York quis se divorciar dos EUA”

Beijing: a dança do Tempo Eterno

Beijing. Um nome que ecoa como ventos ancestrais sussurrando através de muralhas eternas. Um nome carregado de impérios caídos, revoluções flamejantes e silêncios profundos como o mar. No Ocidente, chamamos de Pequim, um reflexo distante de línguas esquecidas, rotas perdidas e eras que se entrelaçam. Dois nomes para uma só cidade, como se um único não bastasse para abarcar sua essência infinita. Continuar lendo “Beijing: a dança do Tempo Eterno”

Artigos da Semana 288

Este e um pequeno vislumbre de onde estou. Sem trabalho, sem dor de cabeças, só descanso. Sim, eu sei que vocês não me invejam porque adoram trabalhar e ajudam a criar um país mais democrático e mais justo, melhorando a sociedade e movimentando a economia, fazendo o Brasil crescer. Eu sim, sou um vagabundo e ninguém me inveja. Bem, continuem não me invejando enquanto leem o que andei postando nas duas últimas semanas.

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A Saga do Coprólito Viking

Existe uma máxima não escrita no mundo da arqueologia: cave fundo o suficiente e você vai encontrar merda. Literalmente. Mas raramente essa merda vira manchete internacional, é avaliada como “tão insubstituível quanto as Joias da Coroa” e acaba exposta num museu com toda a pompa que normalmente reservamos para relíquias sagradas e tesouros perdidos. Esta é a história do Coprólito do Lloyds Bank, possivelmente o cocô mais famoso da história ocidental; e não, não estou falando do sistema financeiro em 2008.

Ah, e quando falei “essa merda”, não é ofensa ou xingamento, é exatamente o que um coprólito é. Continuar lendo “A Saga do Coprólito Viking”