Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval

Quando você vai ao médico hoje, existe um acordo tácito sobre o que esperar: exames de sangue, talvez uma receita de antibióticos, no máximo uma recomendação para cortar o glúten. O que definitivamente não está no cardápio é um exorcismo, uma consulta astrológica ou a informação de que você precisa adiar o tratamento porque uma deidade está passeando pela sua coxa esquerda neste dia; mas nem sempre foi assim. E para entender o quão diferente as coisas já foram, precisamos voltar mil anos no tempo e atravessar o planeta até chegar ao Japão do período Heian. Continuar lendo “Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval”

Artigos da Semana 276

Não fez tanto calor esta semana quanto semana passada e eu torcendo para Winter is Coming (não virá tão cedo). Aproveitei para dar uma caprichada em textos do Apoia.se, mesmo sacrificando um dia de postagem. Mas o que foi postado vale a pena. Sempre vale a pena.,

E se você não viu, taí a sua chance! Tem texto desde ferraris enterradas até esposas se transformando em cobras.

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O ouro líquido de Roma: o número 1 da Economia

A história humana está repleta de práticas que fazem você agradecer por ter nascido na era dos antibióticos e do saneamento básico. Mas poucas dessas práticas atingem o nível de “MAS HEIN?” que a relação dos romanos antigos com urina conseguiu alcançar. Estamos falando de uma civilização que construiu aquedutos magníficos, estradas que duraram milênios e um império que dominou o mundo conhecido e… bem, e que também fazia largo uso de urina para atividades do dia a dia.

Romanos achavam que o xixizão era recurso natural valioso demais para desperdiçar. Não estamos falando de um uso ocasional e discreto. Os romanos transformaram urina em indústria, cobraram impostos sobre ela e a incorporaram em praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, da lavanderia à medicina. Bem-vindo ao mundo onde fazer xixi era literalmente seu dever cívico! Continuar lendo “O ouro líquido de Roma: o número 1 da Economia”

Quando o ketchup era branco, europeu e hoje chamariam de opressor

Se você acha que ketchup sempre foi aquela pasta vermelha açucarada que a gente despeja em batata frita ou na pizza, para horror do pessoal tosco que come comida ruim pois não sabe para que servem condimentos e temperos (devem achar um absurdo colocar sal na batata frita ou pimenta na feijoada, aqueles silvícolas).

A rigor, o catchup (ou ketchup) original nasceu há mais de mil e quinhentos anos na China como um molho fermentado de vísceras e entranhas de peixe. Sim, pois é. Os chinas obtinham o molho espremendo tripas de peixe numa jarra, deixando aquilo fermentar ao sol por até 100 dias no inverno, e chamando de tempero. Continuar lendo “Quando o ketchup era branco, europeu e hoje chamariam de opressor”

Prove a placenta dos romanos

Eu ontem postei sobre a origem do termo “placenta”, dizendo que era por ser parecida com um antigo bolo romano chamado “placenta”. Obviamente, você não perguntou por isso e eu estou pouco me lixando para este tipo de detalhe. A questão é: como é esse tal bolo, mesmo?

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O anatomista que viu um bolo onde nascem bebês

Se você pensava que nomear crianças já era complicado, imagine nomear órgãos humanos. No século XVI, o anatomista italiano Matteo Realdo Colombo enfrentou exatamente esse dilema ao se deparar com aquela massa carnuda e circular que conecta mãe e bebê durante a gravidez. E sabe o que ele viu? Um bolo. Literalmente. Não é que o homem estava com fome na hora do batismo científico; ele simplesmente decidiu que aquele órgão se parecia muito com uma placenta, o famoso bolo italiano feito de camadas de queijo e mel. Assim nasceu uma das palavras mais estranhas da medicina: placenta. Porque às vezes a Ciência é só uma questão de perspectiva gastronômica. Continuar lendo “O anatomista que viu um bolo onde nascem bebês”

Analisando séries e filmes de super-heróis XXXV

Super-Krypto contra Baixo Astral

Paulo Autran, célebre ator, disse numa entrevista certa vez que é muito difícil contracenar com animais e crianças, porque fatalmente eles irão roubar a atenção. Foi mais uma vez provado que ele tinha razão, e quem roubou a atenção no filme do Super-Homem (foda-se que querem que chamem de Superman. É SUPER-HOMEM!) foi um cachorro que a rigor não existe, já que o Krypto é feito em CGI, mas o filme é muito mais que aquele cachorro burro feito uma porta, mas que roubou corações.

Eu não quis postar este artigo cedo demais, por isso só fui ver o filme no último sábado. Se eu tivesse visto o filme antes, teria vindo correndo contar tudo, mas é isso. O maravilhoso filme do Super-Homem, que é tudo o que um filme do Super-Homem deve ser. Prepara que lá vem spoiler. UMA TONELADA DELES! Continuar lendo “Analisando séries e filmes de super-heróis XXXV”

O que Alexandre, o Grande, tinha no prato?

Todo mundo conhece Alexandre, o Grande, o conquistador que não perdeu uma única batalha e expandiu seu império até os confins da Ásia. Mas… você já parou pra pensar no que esse sujeito comia? Qual era o gosto de um banquete real no século IV antes de Cristo? Pode apostar que vai muito além de pão e vinho. Continuar lendo “O que Alexandre, o Grande, tinha no prato?”

Luis VII e Leonor da Aquitânia: casamento, cruzadas e a guerra por uma barba

A História é escrita por ocorrências funestas, fatos intrincados, ocorrências diversas e… decisões aparentemente banais que pouco tem a ver com os acontecimentos em volta, mas acabam por podem mudar o rumo de tudo. Pois bem, deixe-me contar a história de como um rei francês conseguiu entregar metade do seu país para os ingleses por causa de uma barba. Não, não estou falando de uma barba mágica ou encantada; apenas pelos faciais comuns que, quando removidos no momento errado, podem custar um império. Continuar lendo “Luis VII e Leonor da Aquitânia: casamento, cruzadas e a guerra por uma barba”

Quando a Grã-Bretanha da Idade do Bronze comercializava com o Mediterrâneo

O estanho era o mineral essencial do mundo antigo. Era essencial fundi-lo com o cobre para produzir o bronze, que por muitos séculos foi o metal preferido para ferramentas e armas. No entanto, as fontes de estanho são muito escassas – especialmente para as cidades e estados da Idade do Bronze, em rápido crescimento, ao redor do Mediterrâneo Oriental.

Embora grandes depósitos de estanho sejam encontrados na Europa Ocidental e Central e na Ásia Central, os minérios de estanho mais ricos e acessíveis encontram-se, de longe, na Cornualha e em Devon, no sudoeste da Grã-Bretanha. No entanto, tem sido difícil comprovar que esses depósitos britânicos tenham sido usados ​​como fonte para os povos do Mediterrâneo Oriental. Assim, por mais de dois séculos, os arqueólogos têm debatido sobre onde as sociedades da Idade do Bronze obtinham seu estanho. Continuar lendo “Quando a Grã-Bretanha da Idade do Bronze comercializava com o Mediterrâneo”