O pastor que mandou o Nono Mandamento pra escanteio

O ditado mais elucidativo e real do mundo é “Em casa de ferreiro, espeto de pau”. Economistas que quebram, nutricionistas obesos, psicólogos em colapso existencial, coaches de produtividade que não entregam o curso no prazo… a lista é longa, edificante e, francamente, reconfortante para quem nunca escreveu um livro sobre nada. Leslie Williams, 62 anos, pastor evangélico do estado da Flórida, acaba de entrar nessa galeria ilustre pela porta da frente: autor de um livro sobre como amar sua esposa, preso por ter duas delas ao mesmo tempo. Continuar lendo “O pastor que mandou o Nono Mandamento pra escanteio” →

O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta

Há duas formas de sobreviver a uma catástrofe. A primeira é escapar dela. A segunda é não escapar, mas ainda assim atravessar dois milênios com uma história boa o suficiente para que alguém resolva contá-la. O cidadão de Pompeia que saiu correndo com um bacião de barro na cabeça claramente falhou na etapa prática da coisa. Mas, em compensação, venceu com folga na parte narrativa. Pouca gente consegue morrer de forma tão absurdamente humana e, ainda assim, reaparecer séculos depois com direito a “retrato” digital.

E aqui estamos nós, em pleno século XXI, usando a mesma tecnologia que produz gatinhos astronautas para devolver o rosto a um sujeito que só queria não ser atingido por uma chuva de pedras vulcânicas. É o tipo de ironia histórica que Pompeia adora oferecer: enquanto o Vesúvio transformava uma cidade em cápsula do tempo, a inteligência artificial, dois mil anos depois, tenta fazer o caminho inverso. Nem sempre com perfeição, mas com uma intenção curiosamente nobre. Continuar lendo “O homem que tentou fugir do Vesúvio, falhou e a IA o trouxe de volta” →

Artigos da Semana 303

Ontem teve arranca-rabo no Jantar dos Correspondentes e… bem, minha vida não alterou em nada. Não dei a mínima. Talvez maus artigos não mudem em nada a vida de vocês, mas algumas das histórias são bem divertidas e informativas.

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O Papa que explodiu no próprio velório

Os rígidos soldados não estavam bem. Ali, imóveis, guardando a sua missão, eles estavam aos poucos resvalando e a ponto de desmaiar. Havia algo de sinistro e funesto no seu trabalho ali, mas a coisa estava saindo do controle. O mal-estar, a sombra de algo tóxico e horrível tomando conta do ambiente e a face horrível que ali estava traduzia o nauseabundo local que causava um esgar de nojo e horror que tomava conta ali. Barulhos suspeitos, desmaios sucessivos e o culminar horrendo daquilo seria algo que selaria o destino de muitas pessoas. Continuar lendo “O Papa que explodiu no próprio velório” →

O surpreendente Homem de Cheddar

Em 1903, alguns trabalhadores escavavam tranquilamente dentro de uma caverna no desfiladeiro de Cheddar, em Somerset, quando encontraram algo que não deveria estar ali, pelo menos não à vista. Um corpo. Não enterrado com cuidado, não acompanhado de objetos, não transformado em memória. Apenas um esqueleto, encolhido, esquecido, preservado pelo acaso e pela pedra durante cerca de dez mil anos.

Ele já estava ali antes de qualquer coisa que hoje chamamos de civilização europeia. Antes da invenção da escrita, antes das pirâmides, antes de Stonehenge. Ainda assim, quando o encontraram, fizeram o que sempre se faz: deram um nome e encaixaram numa narrativa confortável. Chamaram-no de Homem de Cheddar e decidiram, sem muito debate, que ele era o “primeiro britânico”. Continuar lendo “O surpreendente Homem de Cheddar” →

Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)

A história adora vender a ideia de que grandes nomes têm finais à altura: discursos solenes, últimas palavras memoráveis e um certo ar de grandeza inevitável. Mas basta folhear com um pouco mais de atenção para perceber que a realidade, como sempre, prefere o improviso e, frequentemente, o ridículo. Entre gênios, artistas, guerreiros e cientistas, há uma coleção nada pequena de pessoas brilhantes que não caíram em batalha nem sucumbiram a grandes tragédias, mas sim a erros banais, decisões questionáveis e coincidências que fariam qualquer roteirista ser acusado de exagero.

Olhando de soslaio para ve se Dona Morte tá atrás de mim, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)” →

Seis vacas contra um castelo (adivinhe quem ganhou)

Há guerras que se resolvem com espadas, outras com diplomacia, e algumas, para surpresa geral, com gado bovino estrategicamente posicionado. Monsaraz, uma das fortalezas mais respeitadas do Alentejo medieval, caiu exatamente assim: não com sangue, fogo ou heroísmo épico, mas com estratégia, do grego στρατηγική, e… vacas! Seis vacas, para ser mais preciso, num feito que qualquer manual de estratégia militar teria recusado por inverossímil antes mesmo de chegar ao segundo parágrafo. E, no entanto, aconteceu. Os alentejanos ainda hoje contam. Séculos depois, ainda estamos aqui perguntando como alguém teve essa ideia. Continuar lendo “Seis vacas contra um castelo (adivinhe quem ganhou)” →

Artigos da Semana 301

Enquanto o mundo está o mesmo de sempre com arranca-rabo de todo lado eleições com novos parasitas mantendo as mesmas políticas de sempre e um festival de inutilidades postadas nos jornais, vocês devem me agradecer por trazer coisas que realmente importam,e elas estão aqui, nos artigos da semana:

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Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma

Roma conquistou o mundo conhecido, pavimentou estradas por toda a Europa, chegou às margens do Reno com suas legiões e seus gladii (plural de gladius ou “gládio”) e, então, numa tarde qualquer do século I da nossa era, afundou um carregamento inteiro num lago suíço. Sem sobreviventes, sem registro, sem testemunha. Dois mil anos depois, mergulhadores vasculham o fundo lodoso do Lacus Eburodunensis – hoje conhecido como lago Neuchâtel – e encontram praticamente tudo intacto, como recém-saído da olaria. A História tem um senso de humor que os professores preferem não comentar. Continuar lendo “Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma” →

Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado

Há uma tradição respeitável entre políticos do mundo inteiro: mentir. É quase um requisito da profissão, está implícito no contrato não escrito que o eleitor assina ao depositar seu voto na urna. Mas mentir com a própria cara, literalmente, usando inteligência artificial para substituir a sua fisionomia por outra pessoa trinta anos mais jovem e depois insistir, diante de provas fotográficas, que aquilo é você? Isso já ultrapassa os limites do cinismo convencional e adentra um território novo: o da desfaçatez estética com pretensão ontológica. Continuar lendo “Política precisa ter filtro, mas alguns candidatos interpretaram isso errado” →