Abu Musa Jabir ibn Hayyan (???? ?? ????) (c.721–c.815), também conhecido pelo nome latino “Geber“, foi um alquimista islâmico proeminente, além de farmacêutico, filósofo, astrônomo, e físico. Ele também foi chamado de “o pai de química árabe” pelos europeus. A origem étnica dele não é clara, embora a maioria das fontes o atribuem a origem arábe ou persa. Geber é responsável pela introdução da experimentação na alquimia, assim como a invenção de vários processos importantes usados na Química moderna, como as sínteses dos ácidos nítrico e clorídrico, a destilação e a cristalização. Continuar lendo “Abu Musa Jabir ibn Hayyan (Geber)”
Categoria História
Mito e razão: “a porta para o logos”
Contribuições clássicas
O histórico da busca de uma realidade inteligível, “a porta para o logos”, é envolvida pelo mito. Desde o século VI a.C., os gregos da Jônia estavam a procura de uma substância primária, de um material básico do qual, segundo argumentavam, todas as coisas haviam se desenvolvido. Três homens, todos de Mileto e todos astrônomos e matemáticos, tinham suas teorias a esse respeito. Continuar lendo “Mito e razão: “a porta para o logos””
Falsas ciências e teorias pseudocientíficas
Por Valdir Gomes
Jornalista, pós-graduando em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)
Cientistas e jornalistas da área científica de vários países têm alertado nos últimos anos sobre a invasão das chamadas pseudociências (ou falsas ciências) nos meios de comunicação e acadêmicos. O astrônomo americano Carl Sagan, o físico brasileiro Marcelo Gleiser, o biomédico Renato Sabbatini (articulista de ciência do Correio Popular, de Campinas), o jornalista Ricardo Bonalume Neto, da Folha de S.Paulo, e o jornalista e acadêmico espanhol Manuel Calvo Hernando, entre outros, têm se dedicado à crítica de fenômenos paranormais, místicos e “alternativos”.
Atualmente, cientistas que se dedicam à divulgação da ciência têm se organizado em sociedades de combate à proliferação de teorias pseudocientíficas, como o Csicop – Commitee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal e a Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas, principalmente porque essas teorias têm uma relação muito perigosa com a ciência legítima, por motivos que explicarei mais adiante.
Mais do que combater a pseudociência, acredito ser de extrema importância também explicar o que são e como funcionam as falsas ciências. Como afirmou Sagan (O mundo assombrado pelos demônios, Companhia das Letras, 1996, pág. 30): “Se alguém nunca ouviu falar de ciência (muito menos de como ela funciona), dificilmente pode ter consciência de estar abraçando a pseudociência”. Particularmente, chamo a atenção para o caminho inverso: conhecer a pseudociência, para saber discernir entre o verdadeiro e o simulacro.
Para uma conceituação de pseudociência, faz-se necessário, primeiramente, partir da própria formação da palavra. Conhecer a morfologia de um termo, comparando-o a outro da mesma origem, pode ser um bom caminho para o entendimento de um fenômeno e suas implicações. O prefixo grego “pseudo” significa “falso”; anteposto a determinadas palavras em língua portuguesa, como elemento aglutinador, tem o objetivo de indicar que algo a que nos referimos apresenta-se de uma forma enganosa, que se utiliza de uma aparência simulada para ganhar credibilidade de quem o observa.
Dessa forma, a comparação com termos à primeira vista similares pode ajudar a clarear de vez as idéias. “Anticiência”, por exemplo, define um movimento contrário à ciência, no sentido de negação valorativa. Um terceiro termo, “protociência”, designa uma ciência em seu estágio primário de evolução, que tenta estabelecer legitimidade e conquistar reconhecimento na comunidade científica. Diferentemente da “pseudociência”, a “protociência” já se delineia nos cânones científicos e seu estatuto de ciência depende do tempo necessário para que suas hipóteses e experimentos demonstrem consistência e comprovem a eficiência dos conceitos e teorias, criando-se, a partir daí, seu rol de leis e pressupostos específicos, amparados em leis e pressupostos gerais já sedimentados. Embora ambas surjam de especulações, conhecimento intuitivo e estruturas conceituais questionáveis, geralmente é a protociência que mais tem condições de oferecer uma proposta de criatividade e curiosidade capaz de gerar interesse de pesquisa e produção de conhecimento racional. No entanto, quando a insistência nas especulações tornam as teorias e práticas pseudocientíficas uma ameaça até à saúde pública, combatê-las é o melhor caminho para o equilíbrio da própria ciência e da sociedade. O que pode acontecer é a inclusão da protociência (ou ciência de fronteira) como alvo desse ataque, impedindo sua evolução como conhecimento racional.
As teorias pseudocientíficas apresentam-se como uma proposta de conhecimento aparentemente sustentada por bases sólidas de investigação, seleção, comparação, apuração e explicação de fatos e objetos. Costuma responder com maior rapidez aos questionamentos, porque age eliminando etapas indispensáveis à construção de um conhecimento sólido e objetivo. Agindo assim, ela acaba atingindo o público também rapidamente, difundindo seus argumentos, influenciando e confundindo a opinião pública antes mesmo de a resposta científica entrar em cena para lançar uma explicação mais racional sobre os fenômenos. No entanto, quando chega o momento de apresentar publicamente justificativas e resultados para as teorias expostas – muitas sequer experimentadas –, as pseudociências tendem a escapar para o campo das argumentações subjetivas.
Embora a disseminação do conhecimento científico e o grande avanço da ciência possam nos fazer acreditar que teorias pseudocientíficas se enfraqueçam e desapareçam por si mesmas, devido às suas características e ao suporte teórico frágil que as sustentam, o que percebemos é o surgimento contínuo de novas disciplinas e teorias ditas “científicas”, mas questionáveis do ponto de vista da metodologia científica. Para tirar a prova, basta uma consulta ao Dicionário Cético (Skeptic’s Dictionary), elaborado pelo filósofo Robert Todd Carroll, fonte confiável de crítica e análise de práticas científicas e não-científicas e de fenômenos diversos, como alquimia, cirurgia psíquica, crenças, iridiologia, vampiros, raptos por extraterrestres e homeopatia, entre as mais de 320 definições que apresenta.
Cada vez mais propagadores da pseudociência insistem em tirá-la da obscuridade, usando termos, métodos e conceitos das ciências genuínas, o que causa mal-estar na comunidade científica e confusão de conceitos e valores na sociedade – o grande alvo das falsas ciências, em grande parte encorajadas pelos meios de comunicação de massa. É em geral pela mídia que as pessoas tomam contato com superstições e pseudociências. A partir daí, pela importância e credibilidade que atribuem aos meios de comunicação, em especial à TV, passam a acreditar em astrologia, quiromancia, clarividências e terapias alternativas de toda natureza. Terminam, então, por buscar conselhos e apoio para tomar decisões muita vezes vitais, ouvindo pseudo-estudiosos que se dizem autoridades em conhecimentos, muitos deles até desprovidos de qualquer lógica.
Certamente, as comunidades científica e acadêmica concordam sobre os danos que a pseudociência podem causar. Trata-se de uma volta ao obscurantismo, que deve ser encarada e combatida pelos homens da ciência e da comunicação, especialmente por jornalistas e divulgadores científicos, se não quisermos uma regressão social às superstições e ao charlatanismo medievais. Talvez o maior combustível da pseudociência ainda seja o desconhecido, o não-teorizado, o não-pesquisado; acredito que o surgimento e proliferação das teorias pseudocientíficas estarão sempre ligados à existência do “mistério” e do não-resolvido. Na medida em que as fronteiras do conhecimento avançam, amplia-se proporcionalmente o horizonte do desconhecido e, logo, do misterioso. Este é um dos axiomas da ciência.
Texto originalmente publicado em 20/05/1999 no Observatório da Imprensa em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ofjor/ofc200599.htm.
Ernst Mayr
(1904-2005)
Chegar aos 100 anos de idade é algo raro entre os seres humanos. Ainda mais raro é chegar a essa idade lúcido e saudável. Muito mais raro é completar um século de vida lúcido, saudável e com força e disposição suficientes para continuar brigando pelas próprias idéias. Trata-se de algo verdadeiramente excepcional e que deveria ser saudado por todos nós, mesmo quando não concordamos inteiramente com as idéias do aniversariante.
Em 5 de julho de 2004, foi assim: o biólogo evolucionista Ernst Mayr (1904-2005) completou 100 anos de idade – lúcido, saudável e discutindo e escrevendo sobre ciência, mais precisamente sobre biologia. Continuar lendo “Ernst Mayr”
Abu Ali Hasan Ibn al-Haitham (Alhazen)
Abu Ali Hasan Ibn al-Haitham, mais conhecido como Alhazen, foi um cientista árabe da virada do milênio passado (965-1039) que passou a maior parte da sua vida no Egito, naquela época governado pelo todo-poderoso e também muito temperamental califa Al-Hakim. Continuar lendo “Abu Ali Hasan Ibn al-Haitham (Alhazen)”
Os répteis marinhos do passado
Organismos que viveram no passado geológico do nosso planeta podem ter formas bem diferentes e até mesmo extravagantes quando comparados com as espécies que vivem atualmente. Isto não é novidade para ninguém – estão aí dinossauros como o Maxakalisaurus , pterossauros como o Feilongus e formas intermediárias entre os peixes e os primeiros tetrápodes (vertebrados que conquistaram a terra firme) como o Tiktaalik , para citar só alguns exemplos. Mas poucos organismos surpreendem mais do que os ictiossauros. Continuar lendo “Os répteis marinhos do passado”
Entre duendes e UFO’s
Por Carl Sagan
Até que ponto a crença em duendes, gnomos e fadas do passado se assemelha aos ET’s e UFO’s de hoje? Será que os relatos antigos de contatos com duendes e outros seres fantásticos são semelhantes aos de contatos com extraterrestres?
Examinando a mente humana, muitas explicações de eventos de hoje podem estar no passado. Examinando diversos relatos, e estudos de cientistas, talvez descubramos…
A Bíblia é reprovada no teste da arqueologia
O relato da Bíblia sobre o Rei Davi é tão conhecido que até mesmo as pessoas que raramente abrem a Bíblia provavelmente têm uma idéia de sua grandeza. Davi, segundo as escrituras, era um líder militar tão soberbo que não só capturou Jerusalém, mas também transformou a cidade na sede de um império, unificando os reinados de Judá e Israel. Assim começou a era gloriosa, mais tarde ampliada por seu filho, o Rei Salomão, cuja influência se estendeu da fronteira do Egito até o Rio Eufrates. Depois, veio a decadência. Continuar lendo “A Bíblia é reprovada no teste da arqueologia”
O declínio dos Maias
Por Larry C. Peterson e Gerald H. Haug
Scientific American Brasil – setembro/2006
Pesquisas recentes reafirmam o papel essencial do clima no colapso da grande civilização que ocupou extensas áreas da América Central.
Com sua magnífica arquitetura e sofisticado conhecimento de astronomia e matemática, os maias foram uma das grandes culturas do mundo antigo. Embora não utilizassem a roda nem instrumentos de metal, eles construíram pirâmides, templos e monumentos imensos de pedra talhada. Continuar lendo “O declínio dos Maias”
A Cisma do Oriente
Um dos eventos mais significativos na história das religiões é a dissenção entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Esta dissenção tem um nome: Cisma do Oriente e foi a causadora de sérias disputas e perseguições na Idade das Trevas.
Aqui estudaremos os fatos que levaram a esta briga e tentar entender o motivo das diversas vertentes cristãs não se entenderem (se é que algum dia seremos capazes de entender).
<–artigo revisto e atualizado–>
