A improbabilidade de Deus

Por Richard Dawkins

Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Os irlandeses mandam-se uns aos outros pelo ar em nome de Deus. Os árabes mandam-se a si próprios pelo ar em nome de Deus. Os imãs e os aiatolás oprimem as mulheres em nome de Deus. Os papas e os padres celibatários destroçam a vida sexual das pessoas em nome de Deus. Os shohets judeus cortam a garganta de animais vivos em nome de Deus. Continuar lendo “A improbabilidade de Deus”

Religião

Por Voltaire
Extraído do Dicionário Filosófico

Voltaire, é considerado como o melhor representante do intelectualismo do século XVIII. No Dicionário Filosófico, ele ataca as mazelas da França de sua época e os absurdos do fanatismo religioso. Neste verbete, Voltaire analisa filosoficamente a religião, mediante sua óptica e seu intelecto. Continuar lendo “Religião”

O final dos tempos

impacto.jpgImagine um dia calmo de domingo. Crianças brincam inocentemente no parque. Os pais conversam e comentam fatos do dia-a-dia. Tudo normal na superfície do nosso lindo planeta azul.

Todos felizes, ignoram o perigo que viaja no espaço e se aproxima da Terra com velocidade astronômica. Continuar lendo “O final dos tempos”

O senso comum e a ciência

Por Rubem Alves
Extraído de Filosofia da Ciência

O que é que as pessoas comuns pensam quando as palavras ciência ou cientista são mencionadas? Faça você mesmo um exercício. Feche os olhos e veja que imagens vêm à sua mente.

As imagens mais comuns são as seguintes:

  • O gênio louco, que inventa coisas fantásticas;
  • O tipo excêntrico, ex-cêntrico, fora do centro, manso, distraído;
  • O indivíduo que pensa o tempo todo sobre fórmulas incompreensíveis ao comum dos mortais;
  • Alguém que fala com autoridade, que sabe sobre que está falando, a quem os outros devem ouvir e … obedecer. Continuar lendo “O senso comum e a ciência”

A Alma

Por Voltaire
extraído do Dicionário Filosófico

É um termo vago, indeterminado, que expressa um princípio desconhecido, porém de efeitos conhecidos que sentimos em nós mesmos. A palavra alma corresponde à animu dos latinos, à palavra que usam todas as nações para expressar o que não compreendem mais que nós. No sentido próprio e literal do latim e das línguas que dele derivam, significa “o que anima”. Por isso se diz: A alma dos homens, dos animais e das plantas, para significar seu princípio de vegetação e de vida. Ao pronunciar esta palavra, só nos dá uma idéia confusa, como quando se diz no Gênesis: “Deus soprou no rosto do homem um sopro de vida, e se converteu em alma vivente, a alma dos animais está no sangue, não mateis, pois, sua alma.”
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A filosofia entre a religião e a ciência

Por Bertrand Russel

Os conceitos da vida e do mundo que chamamos “filosóficos” são produto de dois fatores: um, constituído de fatores religiosos e éticos herdados; o outro, pela espécie de investigação que podemos denominar “científica”, empregando a palavra em seu sentido mais amplo. Os filósofos, individualmente, têm diferido amplamente quanto às proporções em que esses dois fatores entraram em seu sistema, mas é a presença de ambos que, em certo grau, caracteriza a filosofia. Leia mais AQUI.

Nem só Jesus Cristo tinha poder

Apolônio de Tiana

Por Widson Porto Reis

Ele nasceu do útero de uma virgem e seu nascimento foi anunciado por um anjo. Reuniu ao seu redor um grupo de leais seguidores a quem transmitiu uma avançada mensagem de igualdade e fraternidade. Foi um agitador das massas e suas palavras tanto desagradaram aos romanos que acabaram por matá-lo. Em vida fazia inúmeros milagres: curava inválidos, anulava pragas, expulsava o demônio das pessoas e certa vez até ressucitou uma menina. Mas o maior dos seus feitos foi sua própria ressurreição, é claro. Uma vez completada sua missão, tomou seu lugar ao lado do Pai, do Espírito Santo e de sua própria mãe, também alçada aos céus, deixando aos seus seguidores em terra a dura tarefa de explicar como tinha tanta gente no céu se Deus era para ser único.

Ah sim, esqueci de dizer que não estou falando de Jesus Cristo. Estou falando de Apolônio de Tiana.

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Moralidade, Ética e Religião

Por Marcos de Almeida

É possível que haja uma moralidade sem religião? É necessário existir um deus ou deuses de modo a que isso se torne indispensável para a moralidade? O fato de que algumas pessoas não são religiosas, as impedem de ser, automaticamente, morais? E se a resposta a estas questões exigirem a crença em uma divindade, qual das religiões é o real fundamento para a moralidade? A grande constatação é que ao olhar-se o quadro mundial dos dias de hoje, é possível afirmar que existem conflitos em número equivalente ao das religiões e pontos de vista religiosos. Continuar lendo “Moralidade, Ética e Religião”

Mito e razão: “a porta para o logos”

mitorazao.jpgContribuições clássicas

O histórico da busca de uma realidade inteligível, “a porta para o logos”, é envolvida pelo mito. Desde o século VI a.C., os gregos da Jônia estavam a procura de uma substância primária, de um material básico do qual, segundo argumentavam, todas as coisas haviam se desenvolvido. Três homens, todos de Mileto e todos astrônomos e matemáticos, tinham suas teorias a esse respeito. Continuar lendo “Mito e razão: “a porta para o logos””

Superstições de ano novo

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/lentilha.jpg&#8221; alt=”lentilha.jpg” style=”margin:4px;” align=”right” border=”0″ />Por <a href=”mailto:sabbatin@nib.unicamp.br”>Renato Sabbatini</a>

Chupe sete sementes de romã e guarde-as na carteira. Você ganhará bastante dinheiro no ano que está começando !

Essa e outras inofensivas superstições de Ano Novo são uma prova de que a mente humana é uma máquina lógica imperfeita.<!–more–> Infelizmente, nosso cérebro não evoluiu biologicamente por milhões de anos com o objetivo de perceber e entender as relações entre causa e efeito. Essa capacidade surgiu somente depois da evolução da linguagem e do seu uso como uma ferramenta de representação simbólica do mundo. Assim sendo, nossa psique é constantemente vítima de enganos, levando-nos a acreditar em coisas que o método cientifico facilmente comprova como sendo falsas. Ele é a nossa única garantia de que podemos chegar ao que se convencionou chamar de “verdade”. Ele é o conjunto de normas, premissas e procedimentos que os cientistas utilizam sistematicamente para descobrir novos conhecimentos.

Como funciona o método científico ? Um dos grandes problemas que nossa sociedade enfrente atualmente é que a maioria do público não tem uma idéia muito clara a respeito. Uma das conseqüências graves desse desconhecimento é que se abrem as portas para a aceitação da pseudociência e do esoterismo mascarado como ciência.

Para explicar melhor, vou dar um exemplo. Uma das armadilhas mais comuns em que a mente humana cai, é chamada de efeito “propter hoc”. Esse nome vem de uma frase em latim: “Post hoc ergo propter hoc”, e que sigifica “se algo acontece depois disso, então é devido a isso”. É como se fosse uma relação causa-efeito que parece existir devido à proximidade temporal entre dois eventos, mas que, na realidade, não têm conexão entre si. Um exemplo em medicina é dado por uma frase aparentemente brincalhona, mas que tem implicações bastante sérias: “Se uma gripe não for tratada, ela dura uma semana, se for tratada, dura apenas sete dias”. Essa é uma fonte muito comum de erros científicos em medicina. O médico trata uma doença com um medicamento, e ela desaparece depois de um certo tempo. Ele (e o paciente) ficam então convencidos de que o medicamento foi efetivo, quando o que aconteceu pode ter sido o desaparecimento espontâneo dos sintomas ou da própria doença, que aconteceriam independentemente do medicamento ter sido ministrado.

Então, como o cientista consegue discriminar entre um efeito “propter hoc” e uma relação causa-efeito real ?. Isso é fundamental para todos os aspectos do conhecimento científico. Sem um método que consiga discriminar entre ambos, não teríamos descoberto milhares de coisas úteis, como por exemplo, os antibióticos.

O segredo do método científico é simples: através da experimentação, tenta-se repetir muitas vezes o evento que se supõe ser a causa, e se observa quantas vezes ocorre o que se supõe ser o efeito. Ao mesmo tempo, tenta-se manter constantes ou eliminar todas as demais variáveis e fatores que poderiam interferir ou causar variações nessa relação. Tomando novamente o exemplo do medicamento antigripal: o cientista dividiria uma população de 100 pessoas com gripe em dois grupos. Para as pessoas de um dos grupos ele ministraria o medicamento sob investigação, enquanto que para o outro grupo ele daria um placebo. Ambos os grupos seriam formados de pessoas as mais parecidas possiveis em termos de sexo, faixa etária, faixa socioeconômica, história médica, raça e até genética. Qualquer outro tipo de tratamento para a gripe seria suspenso. Tanto os pacientes quanto os médicos não deveriam saber previamente se estão tomando o medicamento ativo ou o placebo. Posteriormente, a melhora dos sintomas seria analisada e comparada entre os dois grupos. Se o medicamento ativo for realmente eficaz, isso seria facilmente observado, utilizando técnicas de análise probabilistica desenvolvidas nos últimos cem anos.

Para testar se é verdadeira a “simpatia” das sementes de romã, seguiríamos um procedimento semelhante. Poderiamos observar ao longo de 1998 dois grupos de pessoas, as mais parecidas possiveis entre si: as que seguiram a simpatia e as que não seguiram. Entre as variáveis coletadas, anotaríamos quanto dinheiro as pessoas ganharam a mais do que o normal (promoções no trabalho, loteria, doações, vendas, etc.). Depois analizaríamos se houve realmente uma diferença entre os dois grupos. Alguém tem alguma dúvida sobre o resultado que iria dar ?

Como disse muito bem o grande cientista e divulgador Carl Sagan, falecido no ano passado, o método científico é a única luz que é capaz de nos guiar através da escuridão da ignorância.

O filósofo Karl Popper, também falecido em 1996, tem uma frase muito bonita, que mostra como funciona o método científico:

<em>”A diferença entre uma ameba e Einstein é que, embora ambos aprendam através da tentativa e do erro, a ameba não gosta de errar, ao passo que Einstein fica intrigado pelo erro. Conscientemente, ele investiga os seus erros, com a esperança de aprender através da descoberta e da sua eliminação.” </em>