A Terra não dorme mais e os satélites estão de prova

Eu vi uma foto da Mari hoje e fiquei com inveja. Inveja da noite escura, de poder ver as estrelas. Ela consegue ver um mundaréu de estrelas e eu, por morar em capital, só consigo ver algumas, e isso é muito, muito ruim. Os astronautas como os da Estação Espacial Internacional veem nosso planeta à noite, uma esfera azul e silenciosa pontilhada de luzes. É belo, poético e, se você prestar atenção, ligeiramente alarmante. Aquelas luzes não estão diminuindo. Estão crescendo. E um novo estudo confirmou, com a mais detalhada análise de satélites já feita, que o planeta está ficando progressivamente mais brilhante durante a noite, embora não de forma uniforme, e não pelos motivos que você talvez imaginasse. Continuar lendo “A Terra não dorme mais e os satélites estão de prova”

O prédio que girou 90 graus enquanto os funcionários ficavam pendurados no telefone

Eu sempre digo que nossos avós eram o máximo. Vocês podem dizer “ain, é bom viver no futuro”. Nossos avós CONSTRUÍRAM o futuro. Os caras eram capazes de maravilhas, e isso porque eram arrogantes e queriam fazer o impossível, só que não sabiam que o que estavam fazendo era impossível, por isso fizeram. Um exemplo disso se deu em outubro de 1930, quando 600 funcionários chegaram ao trabalho num edifício, fizeram o que tinham que fazer, foram embora, no final do expediente, com o mesmo edifício estando Ok, só que estava em outro lugar. Literalmente.

O prédio tinha se mudado durante o dia. Não metaforicamente, não em sentido figurado para alguma tese de teoria organizacional. O edifício de concreto, tijolo e aço de 11 mil toneladas tinha percorrido dezenas de metros e girado 90 graus (!), enquanto lá dentro as telefonistas continuavam atendendo chamadas, a água saía das torneiras e o gás aquecia os radiadores. Um dos funcionários relatou, anos depois, que sequer percebeu o movimento. Bom trabalho, 1930. Bom trabalho. Continuar lendo “O prédio que girou 90 graus enquanto os funcionários ficavam pendurados no telefone”

Artigos da Semana 300

Hoje é dia do coelhinho (se eu fosse como tu…). Você deve ter pego em muitos ovos, se enchido de barras de chocolate até transbordar e outros duplos sentidos que na verdade é um sentido só: comemorar a Páscoa. Vamos ver o que foi postado durante a semana que não teve nada a ver com Páscoa, mas enfim…

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Quando DNA decide virar engenheiro e caçar doenças

Se tem uma coisa que a ciência adora fazer é pegar algo banal, olhar com atenção suficiente e, de repente, transformar aquilo em tecnologia de ponta. Desta vez, o escolhido foi o DNA. Sim, o mesmo que carrega sua herança genética agora está sendo promovido a operário microscópico, com potencial para circular pelo seu corpo, detectar problemas e agir com uma precisão que faria qualquer tratamento atual parecer um chute no escuro.

A ideia parece ficção científica, mas é só bioquímica bem aproveitada. O DNA não é apenas um arquivo de informações; ele também é um material estrutural extremamente previsível. As bases se encaixam com regras rígidas, permitindo que cientistas projetem formas tridimensionais com precisão quase obsessiva. Fitas simples funcionam como dobradiças flexíveis; fitas duplas viram hastes rígidas. Com isso, dá para montar estruturas que imitam braços, garras e articulações em escala nanométrica. É robótica, só que invisível. Continuar lendo “Quando DNA decide virar engenheiro e caçar doenças”

Artigos da Semana 299

Hoje é domingo de ramos, dia que você vai com os galhinhos para benzer na igreja, esperando elo incrível dia de sentar a porrada em Jesus, sentar a porrada em Judas e depois se entupir de chocolate. A vida é boa na época da Páscoa. Bem, vejamos o monte de maluquices que eu postei durante a semana, entre capivaras fujonas, garrafas enfiadas onde o sol não brilha, navios esmerdalhados e o RH do Vaticano contratando.

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O vaso de guerra que perdeu a guerra para o vaso com cocô

A Marinha dos Estados Unidos opera com um orçamento anual na casa dos US$200 bilhões. Uma quantia tão colossal que quase exige trilha sonora de música clássica e um pedido formal de desculpas à realidade e o motivo você vai saber enquanto estiver lendo o texto. Por enquanto, basta saber que esse montante visa projetar poder global, manter frotas inteiras, desenvolver tecnologias que beiram a ficção científica e, em tese, assegurar que a máquina militar mais sofisticada do planeta funcione, inclusive no básico.

Pelo menos, no papel. A realidade costuma ser mais sacana, como um naviozão gigantão dominado por um cagalhão. Continuar lendo “O vaso de guerra que perdeu a guerra para o vaso com cocô”

O professor que virou um crocodilo corredor

Existe uma imagem que o mundo ocidental tem do crocodilo: aquele matusquela cabisbaixo nas margens lamacentas de um rio africano, imóvel como um tronco mal-humorado, esperando pacientemente que algum gnu distraído chegue perto o suficiente para se arrepender. Pois bem, essa imagem tem lá seus 200 milhões de anos de atraso. Porque antes que a preguiça se tornasse a filosofia oficial do grupo, houve quem corresse. E RÁPIDO!

Pesquisadores identificaram uma nova espécie de crocodilomorfo do período Triássico, encontrada em Gloucester, no sudoeste da Inglaterra, com cerca de 215 milhões de anos de existência e uma silhueta que não tem absolutamente nada a ver com o que imaginamos hoje quando pensamos em crocodilo. O bicho tinha pernas longas e esguias, corpo leve e uma constituição física adaptada para a velocidade em terra firme. Não vivia na água, nem ficava como um Zé Ruela esperando a presa. O serzão malvadão caçava. Continuar lendo “O professor que virou um crocodilo corredor”

Artigos da Semana 297

Hoje é dia da premiação do Oscar, e mais um ano eu não irei assistir. Quando tiver filmes que prestem concorrendo, aí é outra história. Enquanto isso, o arranca-rabo no Irã ainda está acontecendo e minha fatura de cartão está alta. Adivinhem com qual coisa estou me importando?

Nisso, vejam o que foi postado durante a semana.

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Confundiram um pedregulho voador com um míssil

No domingo (08/03) à tarde, enquanto boa parte da Europa estava tranquilamente de pantufas e ocupada arranjando um motivo para não entrar em guerra com o Irã, um objeto de alguns metros de diâmetro cruzou o céu. Geral ficou com o símbolo do cobre na mão, e se você acha que eu escrevi isso porque tenho medinho de escrever cu, errou redondamente, tão redondo quanto o seu cu. Quer dizer, acho que ele é assim, não sei, não me interessa.

O que me interessa mesmo é que um pedregulhão espacial, com bilhões de anos de estrada acumulados, muita milhagem a ponto de estar em sala VIP de Guarulhos (que merda, eu sei) e absolutamente nenhum interesse em geopolítica, decidiu que Koblenz, cidade simpática no estado alemão da Renânia-Palatinado, seria um destino razoável. O Cosmos, como de costume, não consultou ninguém. Continuar lendo “Confundiram um pedregulho voador com um míssil”

Artigos da Semana 296

O entrevero lá no Oriente Médio já é notícia de ontem e ninguém mais liga. Entra aiatolá, se atola o aiatolá, bomba daqui, bm da dali, tudo a mesma coisa. Só tem uma coisa que não é a mesma coisa: meus artigos, que sempre é algo novo e diferente.

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