O legado de Galileu

por Augusto Damineli e Tasso Napoleão

Ao longo de todo este ano a humanidade terá a oportunidade inédita de reafirmar uma profunda conexão com o Universo, estimulando a consciência de sua origem cósmica. A matéria que forma o corpo de cada um de nós, por exemplo, por familiar que possa parecer, na realidade foi forjada no interior de estrelas de grande massa que explodiram ao final de sua vida. Elas fertilizaram o espaço com os elementos químicos que elaboraram em seu interior, os tijolos básicos para a construção do mundo: de estruturas vivas a formas inanimadas.

No imaginário da maioria das pessoas, vivemos “aqui em baixo” numa realidade dura em que tudo se desfaz com rapidez, enquanto “lá em cima” é o lugar da eternidade, da matéria em estado mais puro. Esse quadro mental foi cristalizado ao longo de milênios e resistiu às grandes revoluções que se aceleraram nos últimos 500 anos. A disseminação do conhecimento pela escola, livros e mídia não foi capaz de dissolver essa memória partilhada mesmo por pessoas com instrução universitária.

A declaração de 2009 como o Ano Internacional da Astronomia pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura a (Unesco) tem o propósito de oferecer às pessoas, em todo o mundo, a oportunidade de (re)fazer suas ligações com uma realidade mais rica e complexa que os sentidos revelam, à primeira vista. O Brasil, junto com a Itália e a França, desde 2003 esteve na liderança da ação que levou a Unesco a apoiar a proposta feita pela União Astronômica Internacional (IAU) de declarar 2009 o Ano Internacional da Astronomia. Continuar lendo “O legado de Galileu”

Grama especial ‘pode reduzir gás produzido pelo gado’

Cientistas da Irlanda (nenhum, que seja meu parente) andaram metendo o pé na jaca esses dias, antes dos festejos do Ano Novo. Ou isso, ou alguém tá afim de ganhar o prêmio IgNobel de 2009.

Cientistas de uma universidade da Irlanda, muito preocupados com o meio-ambiente, acreditam que um tipo diferente de grama poderia ajudar a diminuir a quantidade de gases produzidos pelo gado que dela se alimentar. Em suma, eles querem controlar a flatulência do gado, já que, devido ao seu processo de digestão, o gado produz grande quantidade de metano (CH4), um gás que age fortemente no agravamento do efeito estufa, assim como o dióxido de carbono (CO2), e há anos pesquisadores têm buscado formas de diminuir o problema. Continuar lendo “Grama especial ‘pode reduzir gás produzido pelo gado’”

Conservando energia com a tecnologia da “casa passiva”

Quem olha de fora não vê nada de incomum na fileira de casas novas de belo estilo, nas cores cinza e laranja, no distrito de Kranichstein. As casas têm guirlandas nas portas e são enfeitadas com luzes de Natal que piscam sob um chuvisco gelado. Mas essas residências são parte de uma revolução de design: não há válvulas de fluxo de ar, pisos frios, e ninguém precisa ficar sob os cobertores até que a lareira se acenda. Na verdade, nem lareira há. Na casa de Berthold Kaufmann, existe, de fato, um radiador como reserva de emergência na sala de estar – mas ele não está sendo usado. Mesmo nas noites mais frias na região central da Alemanha, a “casa passiva” de Kaufmann e de outros que adotaram este design obtêm todo o calor e água quente necessários a partir de uma quantidade de energia suficiente para fazer funcionar um secador de cabelos. Continuar lendo “Conservando energia com a tecnologia da “casa passiva””

Abelhas agem como humanos sob o efeito de cocaína

Você achava que o mundo era estranho o suficiente? SURPRESA!!! Ele ficará mais esquisito ainda depois de você ler o que os australianos descobriram: abelhas agem como humanos sob o efeito de cocaína. E não, meus caros. O único pó branco que uso é açúcar, logo eu estou careta enquanto escrevo isso.

A pesquisa publicada na edição dessa semana da revista científica Journal of Experimental Biology, visa analisar o funcionamento do cérebro das abelhas. E, para isso, os cientistas aplicaram uma pequena dose de uma solução de cocaína nas costas das abelhas e observaram o comportamento dos insetos. Só não garanto que os pesquisadores não tenham usado neles também, como teste controlado. Continuar lendo “Abelhas agem como humanos sob o efeito de cocaína”

Bactérias bloqueadas

A estrutura da molécula de DNA, descoberta por James Watson e Francis Crick em 1953, está sendo usada por cientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, como base para desenvolver um alternativa para combater a resistência a antibióticos em bactérias, um dos principais problemas de saúde na atualidade.

Bactérias cada vez mais resistentes a medicamentos causam milhares de mortes em todo o mundo a cada ano. Um exemplo é a Staphylococcus aureus, a mais violenta das espécies de estafilococos e uma das principais causas de infecções hospitalares. Chamada de “superbactéria”, é resistente à penicilina, tetraciclina, meticilina e a praticamente todos os outros antibióticos já desenvolvidos. Continuar lendo “Bactérias bloqueadas”

Estudo sugere perfil do ancestral comum da vida na Terra

Fim-de-semana tá chegando. E para comemorar, vamos dar de presente para nossos criaBURRIcionistas de plantão algo pra fazer seus estômagos embrulharem. Depois, a gente limpa as gaiolinhas e colocamos um rolete novo para eles brincarem. ;-)

Uma pesquisa realizada por cientistas no Canadá e na França sugere um novo perfil para o mais antigo ancestral comum universal – LUCA, na sigla em inglês (não, não tem nada a ver com a Suzanne Vega) – tido como o organismo que antecede toda a vida na Terra.

“Até agora a comunidade científica acreditava que o LUCA era um organismo ‘hipertermofílico’, que vivia a temperaturas acima dos 90ºC”, disse o especialista em bio-informática Nicolas Lartillot, da Universidade de Montreal, e um dos autores da pesquisa. “Mas os dados que coletamos sugerem que o LUCA era, na realidade, bastante sensível ao calor e vivia em climas onde a temperatura era abaixo dos 50ºC”, completou. Continuar lendo “Estudo sugere perfil do ancestral comum da vida na Terra”

Materiais alternativos são usados para refrigeração de água

Garrafas PET e fibra de coco podem ser uma solução simples, barata e original para resfriar água quente derivada de processos industriais. Esses materiais podem ser usados nas torres que resfriam a água e permitem, assim, seu reaproveitamento pelas indústrias. Um protótipo do equipamento, feito por pesquisadores do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), está sendo testado com sucesso. Continuar lendo “Materiais alternativos são usados para refrigeração de água”

Bactéria retém metais pesados de ambientes contaminados

Uma bactéria naturalmente resistente a metais pesados foi utilizada em pesquisa do engenheiro químico Ronaldo Biondo, no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, para criar uma linhagem de microorganismos modificada geneticamente, capaz de reter partículas metálicas e fazer a biorremediação de ambientes.

A nova bactéria, cuja foto está ao lado (não, aquilo não é um kibe), será utilizada no tratamento de efluentes contaminados por metais tóxicos, com possibilidade de ser adotada também para recuperar resíduos de minério perdidos durante as atividades de mineração. Continuar lendo “Bactéria retém metais pesados de ambientes contaminados”

Biodiesel feito de algas

Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento. Continuar lendo “Biodiesel feito de algas”

Gralha-azul possui estrutura ocular incomum

Ave-símbolo do Paraná, responsável pela dispersão de sementes da araucária, a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) tem bulbos oculares (olhos) diferenciados. Em estudo feito recentemente, o veterinário Fabiano Montiani-Ferreira, do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou nessa ave da família dos corvídeos uma estrutura óssea incomum no nervo óptico, também conhecido como ossículo de Gemminger, ou osso óptico. Esse elemento mostrou-se rico em medula óssea.

Embora a ocorrência de anel ósseo ao redor da parte branca do olho (esclera) seja comum entre as aves, a presença de um osso em torno do nervo óptico é exclusiva de alguns grupos. “Esse pequeno osso já havia sido descrito na década de 1950 em algumas espécies de aves, mas só agora foi identificado na gralha-azul”, ressalta Montiani. A real função da estrutura permanece desconhecida, pois ainda não foi suficientemente investigada. Suspeita-se que sua presença torne o ponto de inserção do nervo óptico na esclera mais rígido, o que ajudaria a dar sustentação à estrutura anatômica e a reduzir as conseqüências de impactos mecânicos. Continuar lendo “Gralha-azul possui estrutura ocular incomum”