
O entrevero lá no Oriente Médio já é notícia de ontem e ninguém mais liga. Entra aiatolá, se atola o aiatolá, bomba daqui, bm da dali, tudo a mesma coisa. Só tem uma coisa que não é a mesma coisa: meus artigos, que sempre é algo novo e diferente.

O entrevero lá no Oriente Médio já é notícia de ontem e ninguém mais liga. Entra aiatolá, se atola o aiatolá, bomba daqui, bm da dali, tudo a mesma coisa. Só tem uma coisa que não é a mesma coisa: meus artigos, que sempre é algo novo e diferente.

A Peste Negra do século XIV ganhou os livros, as pinturas macabras, as danças da morte e uma carreira invejável no imaginário do horror coletivo, com direito a matar um terço da Europa e inspirar séculos de paranoia sanitária. Mas havia uma outra praga, mais velha, mais misteriosa e muito menos fotogênica, que varou a Eurásia dois milênios antes, matou gente de Portugal até a Mongólia, e saiu de cena sem deixar um bilhete de explicação. Por anos, os cientistas coçavam a cabeça diante de um problema elegantemente inconveniente: essa praga mais antiga não se espalhava por pulgas como a medieval, mas aparecia em esqueletos humanos separados por milhares de quilômetros. Como? Via correio? Magia? Os historiadores da ciência precisavam de uma pista, e ela veio, com quatro mil anos de atraso e cheiro de rebanho, de uma ovelha. Continuar lendo “A ovelha que guardou o segredo da peste por 4 mil anos”

Existe uma categoria especial de erro humano que vai além do simples engano. É aquele tipo de equívoco tão monumental, tão fantástico, tão confiante em si mesmo, tão documentado e celebrado por pessoas inteligentes que acaba se tornando, séculos depois, uma espécie de obra de arte às avessas. O Unicórnio de Magdeburgo pertence a essa categoria. É um incrível exemplo de um fabuloso somatório de “deve ser assim, então é assim” Continuar lendo “O maravilhoso (pelos motivos errados) Unicórnio de Madgeburgo”

Quando se fala em predador assassino você pensa em leões, tigres, onças e seres humanos. Não é que você esteja errado, só não sabe de tudo, e acaba esbarrando em algo profundamente desconcertante ao descobrir que um ser do tamanho de um brigadeiro caça com mais eficiência do que um leão. O responsável por essa pequena humilhação zoológica atende pelo nome científico de Trachops cirrhosus, o morcego-de-lábios-franjados, habitante das florestas úmidas do Panamá. Durante décadas, os cientistas sabiam que ele caçava sapos, mas nunca tinham conseguido observar a caçada de verdade, no escuro, na floresta, sem interferir no comportamento do animal.
Até agora. Continuar lendo “O morceguinho nanico que humilhou os maiores predadores”

Tá tendo arranca-rabo no Oriente Médio de novo. Estou com preguiça de tecer maiores considerações. Vejam o que eu postei durante a semana.

Nas profundezas de um lugar esquecido da Romênia, o mal aguarda. A alguns metros abaixo do solo, ela está lá, insaciável, faminta, implacável… e presa no gelo. A monstruosidade que tem cinco mil anos de idade, quando a Idade do Bronze ainda estava engatinhando, os egípcios construíam pirâmides, e nessa caverna já estava dormindo, confortavelmente congelada, uma bactéria com um currículo perturbador: resistência a mais de dez classes de antibióticos modernos, incluindo os remédios que usamos hoje para tratar tuberculose, infecções urinárias e colite.
Ela não estava tentando nos matar, estava só esperando. E agora os cientistas a encontraram, e a notícia é daquelas que você lê e fica olhando pro teto durante alguns minutos. Continuar lendo “Caverna na Romênia guarda um pesadelo pré-histórico”

Os polvos são mestres do disfarce. Numa fração de segundo, essas criaturas marinhas podem transformar a aparência de sua pele para se camuflar perfeitamente em recifes de coral, rochas ou até no fundo arenoso do oceano. É como se tivessem um Photoshop biológico embutido, capaz de alterar cor, textura e até padrões tridimensionais da superfície corporal através de um sistema complexo de músculos e nervos. Agora, pesquisadores decidiram copiar essa proeza evolutiva, mas em versão sintética.
Eles criaram uma pele inteligente feita de hidrogel que pode mudar de aparência, textura e forma sob comando, esconder informações como um agente secreto e ainda fazer origami sozinha. Ah, e de bônus, conseguiram esconder a Mona Lisa dentro dela. Porque ciência também precisa de drama, aparentemente. Continuar lendo “A pele sintética que roubou os truques do polvo”

Estamos no carnaval, e com ele muita folia, muita animação, muita dança, muito sono, dormindo até tarde e aproveitando o feriado. Você aí que está lendo isso aqui, é sinal que não está na folia, então, aproveite e veja o que foi postado na semana.
EVOÉ, MOMO!

Se você já conviveu com gatos, provavelmente acredita conhecê-los bem. Sabe quando querem comida (sempre), quando desejam atenção (no momento mais inconveniente possível) e quando estão prestes a derrubar aquele copo precioso da mesa (segundos antes de fazê-lo, com aquele olhar calculista). Mas uma nova pesquisa acaba de revelar algo que vai virar seu entendimento felino de ponta-cabeça: o ronronar do seu gato diz muito mais sobre quem ele realmente é do que qualquer miado dramático que ele produza.
Enquanto o ronrom funciona como uma impressão digital sonora, estável e confiável, o miau é puro teatro adaptativo, uma ferramenta de manipulação refinada por milhares de anos de convivência com humanos crédulos como nós. Continuar lendo “Ronronar como carteira de identidade (miau é puro teatro)”

Há muitos milhares de anos, os seres humanos aprenderam uma coisa: levantar os olhos para a noite e esperar que o universo se revelasse. Entre madrugadas silenciosas, frio cortante e nuvens imprevisíveis, a Via Láctea surgia como um rio de luz atravessando a escuridão. O que começou como curiosidade tornou-se ritual. A cada ano, a galáxia voltava ao céu, nunca igual, nunca exatamente no mesmo lugar, e esse retorno constante transformou observação em contemplação. Continuar lendo “Uma década com a Espinha Dorsal da Noite”