Artigos da Semana 277

O dia hoje amanheceu chuvoso, pelo que agradeço. Além de não estar muito calor, tenho bons motivos para não sair de casa (se bem que o melhor motivo é que além de não ter nada de interessante fora de casa, ainda é cheio de… gente). Então, enquanto me deleito com um chocolate quente, sem sair da cama, vejamos o que foi publicado ao longo desta semana.

E não estou nem ai se rimou ou não.

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O avião que foi ao Espaço sem querer e voltou para contar a história

Em 1983, Hollywood nos presenteou com Starflight One (Rota de Perigo, em português), um telefilme baseado no romance “Orbit” de Thomas H. Block. A premissa era deliciosamente absurda: um avião hipersônico comercial acidentalmente acaba na órbita terrestre durante seu voo inaugural. O filme era tão inverossímil que os críticos da época o chamaram de “Airport ‘85”, repleto de clichês de filmes de desastre e impossibilidades científicas hilariantes, como lançar o ônibus espacial Columbia três vezes em 24 horas, algo que demoraria semanas na vida real e usarem um caixão para o engenheiro passar de uma nave para outra (o caixão tem um buraco e ele tampa com o dedo, só para coroar a insânia).

A ficção pode parecer absurda às vezes. Mas do Além a voz de Tom Clancy ressoa dizendo “A ficção precisa fazer sentido, a Realidade, não”. 20 anos antes desse filme B ser filmado, algo igualmente absurdo – porém completamente real – já havia acontecido com o piloto Joe Walker em 19 de julho de 1963. Continuar lendo “O avião que foi ao Espaço sem querer e voltou para contar a história”

O dia em que a Terra olhou para si mesma pela primeira vez

Imagine que você nunca viu seu próprio rosto. Nem em espelho, nem em fotografia, nem mesmo refletido na superfície de um lago. Você sabe que existe, sente sua presença, mas jamais contemplou sua própria imagem. Foi exatamente essa a condição da humanidade até 12 de maio de 1959, um dia aparentemente comum que, sem muito alarde, nos concedeu algo extraordinário: a possibilidade de ver nosso próprio planeta em movimento, volitando no vazio cósmico como uma bolinha azul girando ao sabor do Infinito e Além. Continuar lendo “O dia em que a Terra olhou para si mesma pela primeira vez”

A academia mais cara do Universo (literalmente)

Enquanto você está aqui embaixo discutindo se vale a pena pagar R$ 150 por mês numa academia que tem uma esteira quebrada desde 2019, a 408 km de altura, sete astronautas acabaram de protagonizar o episódio mais surreal de “Malhação no Espaço” que já se viu. Na Estação Espacial Internacional, onde uma única flexão custa aproximadamente o PIB de um país pequeno em combustível de foguete, o pessoal da Expedição 73 decidiu que exercitar-se não é apenas questão de saúde, é literalmente questão de sobrevivência da espécie. Continuar lendo “A academia mais cara do Universo (literalmente)”

Excesso de CO2 causará tubarões banguelas daqui a uns anos

Tubarões são aquelas máquinas assassinas psicóticas que tocam o terror nos oceanos, matam tudo que tem pela frente, tocam bateria e exigem respeito. Aqueles maníacos oceânicos abala geral. O problema é que um dia você acorda e descobre que esses predadores implacáveis que há 400 milhões de anos cortam os mares como facas suíças com barbatanas estão ficando banguelas. Não metaforicamente, como um político em crise. Literalmente. Pois é exatamente isso que um grupo de cientistas alemães descobriu ao simular o futuro ácido dos nossos oceanos, numa pesquisa que parece saída de um filme B de terror marinho, mas que é terrivelmente real. Continuar lendo “Excesso de CO2 causará tubarões banguelas daqui a uns anos”

As marcas magmáticas de Marte

Marte é o tipo de planeta que parece ter saído de uma sessão de brainstorming entre um roteirista de ficção científica, um poeta épico e um geólogo com um fraco por dramas cósmicos. É vermelho, é rústico, é o Clint Eastwood do sistema solar: todo marcado, cheio de cicatrizes e com uma história que faz você querer sentar com uma pipoca e ouvir. Por mais de duas décadas, a sonda Mars Express da Agência Espacial Europeia (ESA) tem orbitado esse caubói interplanetário, tirando fotos como um paparazzi obcecado, e um de seus alvos favoritos é Acheron Fossae, uma região que parece o caderno de rascunho de um titã com um péssimo dia.

Dando um zoom nesse canto do Planeta Vermelho, vemos cada rachadura e colina, e eles contam uma novela geológica que mistura bilhões de anos de fúria, paciência e um toque de azar cósmico. Continuar lendo “As marcas magmáticas de Marte”

Artigos da Semana 264

Ainda aqui no meu recesso, já curado do resfriado e sem nenhum pix de vocês ter caído na minha conta, seu bando de mão de vaca. Ainda bem que eu tenho meus fiéis mecenas no Apoia.se. Por sinal, vão lá que já coloquei artigo novo hoje, mas reservado pros apoiadores. é baratinho, ô!

Enquanto isso, vejam o que eu postei aqui, durante esta semana.

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Quando Júpiter cuspiu asteroides no Sistema Solar Interior

Imagine que você é um vizinho pacato em um bairro residencial quando, de repente, o sujeito da casa ao lado decide reformar o quintal e, no processo, acidentalmente joga pedras no seu telhado por anos e mais anos a fio e você sequer tem como reclamar pois o vizinho é bem maior que você. Agora multiplique essas pedras pelo tamanho de montanhas, adicione velocidades absurdas, e troque o vizinho chato por Júpiter, o planetão gigantão que, há 4 bilhões de anos, decidiu que seria uma excelente ideia fazer uma pequena reorganização no Sistema Solar. Continuar lendo “Quando Júpiter cuspiu asteroides no Sistema Solar Interior”

O pedregulhão marciano que vai se aninhar em casa de ricaço

No meio do deserto do Níger, tinha um meteorito; tinha um meteorito no meio do deserto do Níger. Até aí, nada de novo, afinal, o Espaço vive despencando sobre nós em pequenas parcelas. Mas esse aqui não era qualquer pedregulho espacial. Era um pedaço colossal de Marte. Uma rocha vermelha, com quase 25 quilos de pura nostalgia interplanetária e uma história digna de novela cósmica.

Batizado oficialmente de NWA 16788, o meteorito é o maior fragmento marciano já encontrado na Terra. Para efeito de comparação, ele é cerca de 70% maior que o segundo colocado no ranking marciano. Enquanto a maioria dos meteoritos de Marte cabe na palma da mão (e às vezes nem nela), esse exige as duas mãos e talvez um guindaste. Continuar lendo “O pedregulhão marciano que vai se aninhar em casa de ricaço”

Nördlingen: quando o Cosmos resolve fazer piada com a história

Existe uma pequena cidade na Alemanha que conseguiu o feito raro de ser simultaneamente a coisa mais fantástica e mais absurda do mundo. Nördlingen não é apenas uma cidade medieval perfeitamente preservada, pois, isso seria banal demais até para os padrões alemães. Não, ela teve que ir além e se instalar no meio de uma motherfucking cratera de meteoro de 15 milhões de anos, construir suas casas com pedras cravejadas de diamantes microscópicos e ainda por cima servir de campo de treinamento para astronautas da NASA. É como se alguém tivesse decidido misturar Game of Thrones com Armageddon e jogado um pouco de 2001: Uma Odisseia no Espaço só para dar aquele toque de sofisticação científica. Continuar lendo “Nördlingen: quando o Cosmos resolve fazer piada com a história”