Os répteis marinhos do passado

Organismos que viveram no passado geológico do nosso planeta podem ter formas bem diferentes e até mesmo extravagantes quando comparados com as espécies que vivem atualmente. Isto não é novidade para ninguém – estão aí dinossauros como o Maxakalisaurus , pterossauros como o Feilongus e formas intermediárias entre os peixes e os primeiros tetrápodes (vertebrados que conquistaram a terra firme) como o Tiktaalik , para citar só alguns exemplos. Mas poucos organismos surpreendem mais do que os ictiossauros. Continuar lendo “Os répteis marinhos do passado”

Descoberta latrina dos autores dos Manuscritos do Mar Morto

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/lombriga.jpg&#8221; alt=”lombriga.jpg” style=”margin:4px;” align=”left” border=”0″ /><em>Entre os parasitas intestinais encontrados no local, havia ovos de lombriga e tênia.</em>

Uma antiga seita judaica, à qual é atribuída a autoria dos Manuscritos do Mar Morto, seguia regras religiosas tão rígidas para defecar que seus membros acabaram cheios de parasitas, de acordo com pesquisadores que desenterraram a latrina dos essênios. O trabalho é comentado no serviço de notícias online <em>news@nature</em>.<!–more–>

A descoberta da latrina, argumentam os responsáveis pela pesquisa, poderá oferecer a ligação definitiva entre a seita dos essênios e os manuscritos, os mais antigos textos bíblicos já encontrados.

Os manuscritos descrevem regras rígidas sobre a defecação: ela teria de ser feita fora da visão dos demais membros do grupo, às vezes até a 1,4 km de distância, a noroeste. Depois disso, o essênio era obrigado a enterrar as fezes e a tomar um banho ritualístico.

Na região de Qumran, onde, acredita-se, viviam os essênios e perto de onde os manuscritos foram encontrados, essas instruções levariam o homem até um local reservado, atrás de um morro baixo. Segundo o arqueólogo Joe Zias, da Universidade Hebraica de Jerusalém, o lugar mostra os sinais de uma latrina – e uma usada por pessoas não muito saudáveis. Entre os parasitas intestinais encontrados no local, havia ovos de lombriga e tênia.

Mas não foram os vermes reunidos na latrina o que realmente prejudicou a saúde dos essênios, e sim os acumulados na área do banho ritual: a única piscina próxima era um lago de águas estagnadas, onde os essênios se lavavam continuamente.

O saneamento na época era bom, e só uma forte devoção religiosa levaria alguém a se afastar tanto da cidade para defecar, diz o arqueólogo, citando o fato como evidência da presença de essênios no local.

<em>Fonte: <a href=”http://estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/nov/13/283.htm&#8221; target=”_blank”>http://estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/nov/13/283.htm</a></em&gt;

A Bíblia é reprovada no teste da arqueologia

biblia_historia.jpgO relato da Bíblia sobre o Rei Davi é tão conhecido que até mesmo as pessoas que raramente abrem a Bíblia provavelmente têm uma idéia de sua grandeza. Davi, segundo as escrituras, era um líder militar tão soberbo que não só capturou Jerusalém, mas também transformou a cidade na sede de um império, unificando os reinados de Judá e Israel. Assim começou a era gloriosa, mais tarde ampliada por seu filho, o Rei Salomão, cuja influência se estendeu da fronteira do Egito até o Rio Eufrates. Depois, veio a decadência. Continuar lendo “A Bíblia é reprovada no teste da arqueologia”

O declínio dos Maias

Por Larry C. Peterson e Gerald H. Haug
Scientific American Brasil – setembro/2006

Pesquisas recentes reafirmam o papel essencial do clima no colapso da grande civilização que ocupou extensas áreas da América Central.

Com sua magnífica arquitetura e sofisticado conhecimento de astronomia e matemática, os maias foram uma das grandes culturas do mundo antigo. Embora não utilizassem a roda nem instrumentos de metal, eles construíram pirâmides, templos e monumentos imensos de pedra talhada. Continuar lendo “O declínio dos Maias”

Nosso primeiro bebê

por Christopher P. Sloan
National Geographic Brasil – novembro/2006

Zeresenay Alemseged tem dois filhos pequenos. Um deles é Alula, um menino que passa a maior parte do tempo no colo da mãe em uma casa térrea de Adis-Abeba, capital da Etiópia. O outro é uma menina de 3 anos que passou 3,3 milhões de anos incrustada em arenito, até que o cientista etíope e sua equipe retirassem seus ossos fossilizados do bloco rochoso. Foi um longo e lento renascimento para um bebê que viveu na aurora da humanidade.
Continuar lendo “Nosso primeiro bebê”

Inscrições em rochas são a forma mais antiga de escrita do Novo Mundo

Existem fortes indícios de que a civilização mais antiga do México e da América Central possuía um sistema de escrita. Ao analisar um bloco de rocha coberto por uma seqüência de símbolos desbotados, o antropólogo Stephen Houston, da Universidade Brown, nos Estados Unidos, e seus colegas declararam se tratar de uma amostra da primeira forma de escrita do Novo Mundo. As inscrições datam de cerca de 900 a.C. ou mais, e pertencem à primeira sociedade complexa da região, a Olmeca. “Imagine decifrar a escrita dessa civilização extraordinária, que conhecemos há 100 anos. Isso permitiria conhecer muito mais sobre ela do que somente por meio de seus artefatos”, diz Houston. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science de 15 de setembro. Continuar lendo “Inscrições em rochas são a forma mais antiga de escrita do Novo Mundo”

Dino “saci” encontrado no Brasil preenche lacuna na evolução

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/dino_saci.jpg&#8221; align=”right” hspace=”4″ vspace=”4″ />Por muito pouco o paleontólogo Jorge Ferigolo não passou batido por um pequeno osso que despontava de um afloramento de rochas em Agudo, Rio Grande do Sul, no ano 2000. Até onde ele sabia, não havia fósseis naquele local. “Começamos a escavar e apareceu uma mandíbula. E depois o resto”, recorda-se. Seis anos depois, o achado improvável é oficialmente descrito como o mais novo dinossauro brasileiro.<!–more–>

O <em>Sacisaurus</em> (literalmente, “lagarto saci”) ganhou esse nome por uma brincadeira. Ossos desarticulados de vários indivíduos foram achados em Agudo, mas com um problema. “Temos 19 fêmures direitos e nenhum esquerdo”, diz Ferigolo. O porquê disso é um mistério.

Ele pertence ao grupo dos ornitísquios, uma das duas linhagens principais dos dinossauros. É o mesmo grupo que produziu bestas gigantes comedoras de plantas, como o chifrudo <em>Triceratops</em> e o estegossauro, famoso pelas placas de osso nas costas.

O animal gaúcho, no entanto, é bem menor que seus sucessores ilustres: tinha apenas 1,5 metro de comprimento. E mais primitivo também.

Por “primitivo” entenda-se tanto “antigo” quanto “esquisito”. A anatomia do <em>Sacisaurus</em> é diferente da de qualquer outro ornitísquio. Tanto que o artigo científico que o descreve, assinado por Ferigolo e por Max Langer, da USP de Ribeirão Preto, foi rejeitado duas vezes antes de ser aceito para publicação pelo obscuro periódico “Historical Biology”.

É justamente essa esquisitice que o torna tão interessante para a dupla. Eles argumentam que o animal traz um registro precioso da origem do chamado osso pré-dentário, o “bico” curvo e sem dentes característico de todos os ornitísquios.

No fóssil gaúcho, o pré-dentário é duplo, formado pela fusão de duas projeções ósseas. Em animais como o <em>Triceratops</em> ele é um osso único. Os brasileiros dizem que se trata de uma transição: por ser um dos ornitísquios mais antigos, ele estaria no meio do caminho da formação do pré-dentário.

Nem todo mundo concorda. Isso foi um dos fatores que causaram a rejeição ao artigo original pelas revistas “Proceedings of the Royal Society B” e “Journal of Vertebrate Paleontology”, a mais importante da área. “Se o mesmo artigo viesse do Paul [Sereno, paleontólogo-celebridade americano], teria sido aceito”, reclama Langer.

“O trabalho é boa ciência”, disse à <strong>Folha</strong> Farish Jenkins, da Universidade Harvard (EUA). “Esse animal é uma bonita transição para uma característica que aparece depois em todos os ornitísquios”, disse.

O estudo sobre o “saci” gaúcho também esfria a fervura dos que se apressam em apontar uma origem sul-americana para os dinossauros.

Até agora, vários dos dinos mais antigos do mundo haviam sido achados no Rio Grande do Sul e norte da Argentina, o que levou alguns a propor essa região como berço dos dinos.

Só que entre esses dinos-avós havia apenas um provável ornitísquio, o pisanossauro argentino –cujos fósseis são notoriamente incompletos. A descoberta de mais um ornitísquio na região, em tese, reforçaria essa idéia. Mas comparações feitas por Langer e apresentadas no novo estudo acrescentam ao time dos ornitísquios um outro animal, o <em>Silesaurus</em>, descoberto na Polônia e ainda mais antigo que o saci.

“O pisanossauro e o <em>Silesaurus</em> seriam os ornitísquios mais basais [primitivos]”, diz Langer. “Mas eles estão muito separados geograficamente. Isso vai contra a idéia de um centro de irradiação sul-americano. Na verdade, os dinossauros se espalharam muito rapidamente pelo mundo.”

Fonte: <a href=”http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15464.shtml&#8221; target=”_blank”>http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15464.shtml</a&gt;