O Hino para Nikkal

Deixe-me louvar Nikkal e exaltar Hirihbi,
o rei do verão; Hirihbi, o rei da devastação
Nikkal, deixe-me exaltar e louvar!
Yarah é luz; então deixe Yarah banhar-te
Com luz

Este é um poema antigo, bem antigo. Encontrado na região de Ugarit, na atual Síria, este texto está num tablete de argila com escrita cuneiforme, mas não é no idioma ugarítico, e sim em hurriano, idioma dos hurritas, povo que lá vivia lá pelo século 15 A.E.C.. Só isso, já seria fascinante, mas a história não acaba aqui. Este poema é a letra de uma música, o Hino Hurriano para Nikkal, a peça de música mais antiga encontrada, datando entre 1400 e 1200 A.E.C., tendo sido descoberto nas bibliotecas da cidade de Ugarit, hoje chamada Ras Shamra. Continuar lendo “O Hino para Nikkal”

Secundinus: o cara insultado mesmo depois de séculos

Algumas pessoas contam com o esquecimento. Podem ser as maiores cuzonas do Universo e pensam consigo “RÁ! Ninguém vai se lembrar mesmo!”. Como vimos o caso do Ea-Nasir, o pior comerciante da História, essa é uma falsa impressão, e muitos séculos depois irão descobrir que o pessoal… digamos, não gostava muito da distinta pessoa, como também foi o caso de um tal de Secvndinvs (ou Secundinus, se quiser aportuguesar o latim).

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No meio do caminho tinha umas pedras…

Eu vejo essas marcas, essas inscrições e penso no que a pessoa estava vivenciando naquele momento.No que estava pensando. Será que essas palavras são o nome de pessoas amadas ou uma assinatura num pedaço de pedra? O que ele ou ela viu, eu faço uma ideia. Muito provavelmente uma loja da Pizza Hut logo ali perto. Mas o que estaria pensando?

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O mistério do Quadrado Sator numa caveira

Nós temos uma relação um tanto quanto estranha com os nossos próprios destinos. Sabemos que vamos morrer um dia, mas esperamos retardar este momento. Há os que se cansam e encurtam o tempo de vida. Olhando para o horizonte, me pergunto quando começamos com isso. Muitos animais, como elefantes, têm ciência da própria mortalidade. Muitos animais têm rituais fúnebres, se afastam quando do seu momento final, se reúnem e mostram luto.

Alguns mantém um memento mori, uma lembrança de nossa mortalidade, com alguma inscrição de proteção, como um quadrado mágico. Continuar lendo “O mistério do Quadrado Sator numa caveira”

O deserto de Karoo e sua enigmática paisagem

O Deserto de Karoo, ou Carru, é uma região semi-desértica que fica no sul da África do Sul. Dados os céus muito limpos, longe de poluição luminosa, são excelentes para observação astronômica, como o Observatório SKA (Square Kilometre Array), um radiotelescópio recém-inaugurado com 197 antenas de 15 metros de diâmetro cada, o SARAO (South African Radio Astronomy Observatory) e o Starry Karoo, um observatório dos sonhos de Thierry Payet, um astrônomo amador francês. Localizado em Sutherland.

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Artigos da Semana 90

A semana foi boa, ou quase. Acabaram as minhas férias e voltei ao trabalho. Isso é ruim. Postar artigo sobre itens de pessoas que morreram há muito, muito tempo que foram desenterrados (os itens, não as pessoas). É um vislumbre legal de como as pessoas viviam, o que usavam no seu dia-a-dia. Mas não é só isso. Teve resenha do Matrix 4 também. Vamos dar uma olhadinha?

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Um canivete para quem perambulava pelo império romano

Ser um legionário romano não era fácil. Tinha uma vida dura, mas um bom prêmio em dinheiro, terras e uma pensão do Estado. Mas isso depois de 25 anos de serviço, sem nenhuma garantia de estar vivo na semana seguinte. O que garantiam é que você estaria sempre em movimento, conhecendo muitos lugares, mas não no estilo pacotão da CVC.

Estando sempre em movimento, era preciso levar consigo um monte de tranqueiras graças ao Mário (vai, pergunta!), que fez uma reforma no exército e os soldados tinham que levar praticamente todos os pertences, armas e ferramentas, ficando conhecidos como “Mulas de Mário”. Não apenas o gládio, o pilo, o scutum, mas até um canivete suíço.

PÉRA, CANIVETE SUÍÇO? Continuar lendo “Um canivete para quem perambulava pelo império romano”

A belíssima Tigela de Nijmegen

Eu sempre gosto de frisar como algumas bobagens que ainda circulam não passam disso: bobagens. A minha preferida é que vidros não são sólidos, mas líquidos super-resfriados, que escorrem com o tempo por serem altamente viscosos. Uma “prova” disso seria que os vitrais das antigas catedrais tem a parte inferior mais grossa que a de cima. Eu postei o artigo Afinal, o vidro é líquido ou sólido? explicando o que acontece e mostrei peças romanas e egípcias muito antigas.

Agora, temos mais um exemplo: arqueólogos encontram tigela impecável de quase 2.000 anos em Nijmegen, Países Baixos. Continuar lendo “A belíssima Tigela de Nijmegen”

Cientistas estudam cocô antigo e descobrem que pessoal andava cheio de parasitas, fora o cunhado

Normalmente temos a impressão que gente rica cuida melhor de si. Não é que seja uma mentira, mas devemos ter em mente que preocupações com higiene não é algo que sempre esteve presente em todas as sociedades. Romanos, por exemplo, davam muito valor à higiene, com seus imensos banhos e privadas coletivas, com um sistema de esgoto que carregava tudo embora, enquanto você ficava lá sentado no troninho, colocando a fofoca em dia.

Mas e como ficava o uso privado da privada na vida privada? No caso de judeus ricaços no 6º século Antes da Era Comum pode-se dizer que a saúde era uma merda. Continuar lendo “Cientistas estudam cocô antigo e descobrem que pessoal andava cheio de parasitas, fora o cunhado”

Ea-Nasir: o pior comerciante da História

Imaginem um sujeito tosco para negócios e que acha que pode passar incólume. Esse devia ser Ea-Nasir, o sujeito que achou que podia dar o cano nos outros e ficar por isso mesmo. Bem, podemos dizer que ele quase tinha razão.

Só quase. Nanni não ia deixar barato e deixou para a posteridade sua reclamação. Continuar lendo “Ea-Nasir: o pior comerciante da História”