Meganhas de Shiva catam Breaking Bad versão xarope

Sabe aquela cena clássica de filme policial em que os traficantes escondem drogas dentro de produtos inocentes e você pensa “HAHAHA, roteirista idiota. Ninguém inventaria tamanha idiotice”? Pois bem, no sábado passado, dia 18 de outubro, uma operação conjunta entre a polícia e o departamento de impostos especiais (Haddad: Hein? Impostos? Impostos! Queremos!) interceptou dois caminhões-contêiner com um carregamento inusitado: alguns caminhões estavam, supostamente, transportando batatas fritas e salgadinhos. O que encontraram? Ele, o Plot Twist: Eram garrafas de xarope.

MAS CALMA! Porque entra em cena o Plot Twist Triplo Carpado: eram xaropes que passarinho não usa para acalmar a tosse, já que eram proibidos por excesso de codeína.

Ahá! Eu não disse até agora onde era: O meu lugar favorito: Uttar Pradesh! Continuar lendo “Meganhas de Shiva catam Breaking Bad versão xarope”

A ópera-bufa do roubo ao Louvre

O homem audacioso passou muito tempo planejando. Aquele era o momento e ele está de pé, ali, de frente para o local de seu crime. A fachada do palácio se estende imponente sob o céu cinzento, suas alas simétricas de calcário já manchadas por séculos de chuva parisiense. Colunas coríntias subiam em fileiras solenes, frontões barrocos coroavam pavilhões como coroas esquecidas de reis mortos, e estátuas de deuses greco-romanos observavam o pátio vazio de paralelepípedos irregulares com olhos de mármore indiferente. Eram deuses, por que iriam se importar com as paixões humanas? Os telhados de ardósia negra desenham silhuetas dramáticas contra as nuvens, enquanto janelas altíssimas refletiam o céu como espelhos cegos. Nada quebrava a geometria clássica, nenhuma multidão de turistas profanava o silêncio; apenas o palácio e sua arrogância secular, guardião de tesouros que acreditava invulneráveis, enquanto a cidade acordava lenta e desatenta do outro lado dos portões.

O Louvre aguarda o homem cujas mãos pecaminosas irão despojar o magnífico museu de seus tesouros. O homem é audacioso, já falei, e ele irá colocar sua audácia e sua ousadia sob teste e ele conseguiu, de fato, seu intento ao realizar o roubo mais espetacular de sua época.

Ele roubou a Mona Lisa. Continuar lendo “A ópera-bufa do roubo ao Louvre”

Artigos da Semana 277

O dia hoje amanheceu chuvoso, pelo que agradeço. Além de não estar muito calor, tenho bons motivos para não sair de casa (se bem que o melhor motivo é que além de não ter nada de interessante fora de casa, ainda é cheio de… gente). Então, enquanto me deleito com um chocolate quente, sem sair da cama, vejamos o que foi publicado ao longo desta semana.

E não estou nem ai se rimou ou não.

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Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval

Quando você vai ao médico hoje, existe um acordo tácito sobre o que esperar: exames de sangue, talvez uma receita de antibióticos, no máximo uma recomendação para cortar o glúten. O que definitivamente não está no cardápio é um exorcismo, uma consulta astrológica ou a informação de que você precisa adiar o tratamento porque uma deidade está passeando pela sua coxa esquerda neste dia; mas nem sempre foi assim. E para entender o quão diferente as coisas já foram, precisamos voltar mil anos no tempo e atravessar o planeta até chegar ao Japão do período Heian. Continuar lendo “Gengibre, exorcismo e uma deidade viajante no seu corpo: o kit médico do Japão Medieval”

Elucubrações sobre o esperneio a respeito de uma escada

No vetusto ano de 2009, eu postei um artigo analisando, criticando e escrutinando a Escada de Loretto. Esta escada tem uma peculiaridade mística… ou é assim que a apresentam. Situada em um povoado localizado em Santa Fé, no Novo México esta escada fica uma capela recém-construída, e em 1878, as freiras perceberam que não havia como chegar ao coro, o pavimento superior. Elas passaram nove dias numa novena para São José. A história prossegue com um misterioso homem batendo à porta da capela no último dia. Disse que era carpinteiro e que poderia dar conta da tarefa. Ele construiu, sem ajuda de ninguém, e a escada que é considerada um prodígio de carpintaria: ninguém sabe como ela ficou de pé.

Terminado o trabalho, o homem que sumiu! E aqui começa o mito da Escada de Loretto, uma escada mística, mágica, incrível. Por algum motivo, as pessoas estão vindas às torrentes, 16 anos depois, desesperadas porque eu apontei que nada daquilo fazia sentido. Continuar lendo “Elucubrações sobre o esperneio a respeito de uma escada”

O dia em que a Terra olhou para si mesma pela primeira vez

Imagine que você nunca viu seu próprio rosto. Nem em espelho, nem em fotografia, nem mesmo refletido na superfície de um lago. Você sabe que existe, sente sua presença, mas jamais contemplou sua própria imagem. Foi exatamente essa a condição da humanidade até 12 de maio de 1959, um dia aparentemente comum que, sem muito alarde, nos concedeu algo extraordinário: a possibilidade de ver nosso próprio planeta em movimento, volitando no vazio cósmico como uma bolinha azul girando ao sabor do Infinito e Além. Continuar lendo “O dia em que a Terra olhou para si mesma pela primeira vez”

Indiano assustado mete a esposa no pau (EPA!) alegando que ela vira cobra

Eu sei que você olha para sua sogra que lhe dirige um sorriso afetuoso enquanto pensa “idiota. A merda que minha filha fez”, enquanto você devolve o sorriso pensando “jararaca”. Obviamente, isso é mais um xingamento interno do que exposição da verdade. As jararacas não merecem tal comparação. Problema que em alguns lugares algumas pessoas olham para as suas cremosas e têm medo, mais medo que a Regina Duarte. Alguns moradores desse tipo de local creem que suas esposas podem até se transformar em cobras? Onde? Bem, qual outro lugar seria se não… Continuar lendo “Indiano assustado mete a esposa no pau (EPA!) alegando que ela vira cobra”

O caso da Ferrari “roubada” e enterrada num quintal

Tem histórias que parecem roteiro de filme B que a Netflix recomendaria às 3 da manhã, quando você já desistiu de escolher algo decente pra assistir e ainda está com uma insônia daquelas. A diferença é que essa aqui aconteceu de verdade, quando um grupo de crianças cavando buracos num quintal em Los Angeles – porque é isso que crianças fazem quando não têm celulares – bateu numa coisa estranha. Não era osso de dinossauro. Não era tesouro pirata. Era algo simultaneamente mais valioso e mais absurdo: uma Ferrari enterrada debaixo do gramado, como quem enterra um hamster de estimação.

Só que é um componente de estimação um tanto mais caro. Continuar lendo “O caso da Ferrari “roubada” e enterrada num quintal”

Artigos da Semana 275

Infelizmente, percebo que os dias de temperatura amena estão acabando, já que hoje fez calor aqui. Ruim de péssimo, mas fazer o quê? Sai de casa já não é legal (vide a quantidade de gente atacada por cães, assaltos, aviões caindo, gente despencando de vulcões e encontrar o vizinho chato). O bom mesmo é fcar em caas, no ar-condicionado, muita comida na geladeira e o resumo do que foi publicado durante a semana.

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Deus Krishna é dimenor segundo Justiça Indiana

Se você achava que a humanidade já tinha esgotado as formas de transformar espiritualidade em burocracia, é porque ainda não deu uma espiada no judiciário indiano. Lá, no coração da democracia mais populosa do mundo, acontece o milagre do impossível: um deus imortal, onisciente e onipotente sendo tratado como uma criança de jardim de infância. Krishna (vocês sabem: derrotou demônios, ergueu montanhas com um dedo, pregou sobre desapego material e comprou Coca-cola com casco de Pepsi), pela lei indiana, é considerado um menor de idade eterno. Não pode assinar nada, não pode tomar decisões sozinho e precisa de um tutor. Sim, Krishna tem um “responsável legal”, como se estivesse esperando a mãe assinar a autorização pra excursão da escola.

E não pense que isso é um detalhe exótico perdido em pergaminhos coloniais. É coisa fresquinha, de 2025: Krishna está atolado em 18 processos simultâneos sobre 13,77 acres de terra em Mathura, brigando judicialmente com uma mesquita do século XVII. Dezoito processos. Isso dá duas temporadas completas na Netflix, com direito a cliffhanger no fim de cada audiência.

Ajuizando um mundo sem juízo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Deus Krishna é dimenor segundo Justiça Indiana”