Artigos da Semana 328

Falta uma semana para a eleição e estou muito preocupado com ela. Haja vista a quantidade de artigos que eu postei sobre isso. Ok, eu quero que se dane. Eu postei sobre colmeias, gente dando balão em big tech, robô tarado, terrorista bundão e até mesmo carros voadores!

Eleição? Sem tempo, irmão.

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Artigos da Semana 327

A semana começou louca, evoluiu para a insânia, tornou-se estupendamente idiota e foi corada com uma excelente divulgação científica. De tédio vocês não morrem aqui, se é que ainda tem gente lendo para se divertir. Bem, vamos ao que foi postado durante a semana.

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Por que a ferida do diabético não fecha?

Você tá cansado de saber que um dos grandes problemas que os diabéticos possuem é não poder se entupir de deliciosos doces. Ah, sim, tem a parte das feridas não cicatrizarem, o que pode ser muito, muito ruim! Este tipo de ferida crônica da diabetes é algo bizarro, porque o organismo tem todo o material de reparo à disposição e, ainda assim, a obra não anda. Mais de 131 milhões de pessoas no mundo convivem com essas úlceras, os custos anuais em saúde chegam a cerca de 755 bilhões de dólares e, quando tudo desanda, o desfecho inclui amputação e morte. Por que isso acontece?

Uma recente pesquisa propõe que tudo gira em volta das células do sistema imunológico, as coordenadoras de qualquer reação a uma lesão. A literatura vinha dando pouca atenção a como cada população imune muda ao longo das fases da cicatrização numa ferida diabética, o que equivale a avaliar um filme olhando uma cena só. Continuar lendo “Por que a ferida do diabético não fecha?” →

Fotografando algo infotografável: uma molécula

Em 1926, quando Erwin Schrödinger escreveu a equação que leva seu nome, ele próprio não sabia dizer ao certo o que raio era aquela função de onda que acabara de inventar no papel, o que é o resumo do trabalho de todos os físicos. Schrödinger passou o resto da vida meio incomodado com a criatura: a matemática funcionava perfeitamente, previa tudo, acertava experimentos, só que ninguém conseguia dizer o que ela representava fisicamente, nem produzir dela algo tão simples quanto uma imagem. Um século depois, um grupo de físicos da Universidade de Göttingen resolveu, enfim, tirar essa entidade fantasmagórica do armário e fotografá-la, em três dimensões, dentro de uma molécula real. Continuar lendo “Fotografando algo infotografável: uma molécula” →

A Verdadeira História das Luvas Cirúrgicas

Há coisas que a gente aceita como óbvias sem nunca se perguntar de onde vieram, e a luva cirúrgica é uma delas. Hoje, a ideia de um cirurgião enfiando as mãos nuas dentro de um paciente soa tão absurda quanto pedir a um eletricista que trabalhe descalço numa poça d’água. Mas até o fim do século XIX era exatamente assim que a medicina funcionava: sem luvas, sem lavagem de mãos entre um paciente e outro, e com uma taxa de mortalidade cirúrgica que beirava os 50%.

Esta é a história de como um romance salvou a cirurgia moderna. Continuar lendo “A Verdadeira História das Luvas Cirúrgicas” →

O câncer que sempre demoraram pra identificar não tem mais onde se esconder

Existe uma categoria especial de vilão na medicina: aquele que não dá pistas, não manda aviso, não aparece no exame de rotina e só resolve se revelar quando já está com a faca no pescoço do paciente. O câncer de pâncreas é o campeão olímpico dessa modalidade. Enquanto o câncer de mama aceita mamografia, o de próstata se deixa rastrear pelo PSA e o de colo de útero condescende com o Papanicolau, o adenocarcinoma ductal pancreático fica ali, quieto, crescendo no meio do abdômen como um inquilino que nunca faz barulho mas está destruindo o encanamento. Quando ele finalmente aparece no scanner, geralmente já virou problema do vizinho também, isto é, já metastatizou.

Um novo estudo apresentou um exame de sangue capaz de detectar o sem-vergonha do câncer de pancreas com uma precisão que, no contexto desta doença, beira o milagroso: 91,9% de acerto geral e 87,5% de acerto nas fases iniciais da doença, exatamente quando o tratamento ainda tem alguma chance real de funcionar. Continuar lendo “O câncer que sempre demoraram pra identificar não tem mais onde se esconder” →

A Saga do Coprólito Viking

Existe uma máxima não escrita no mundo da arqueologia: cave fundo o suficiente e você vai encontrar merda. Literalmente. Mas raramente essa merda vira manchete internacional, é avaliada como “tão insubstituível quanto as Joias da Coroa” e acaba exposta num museu com toda a pompa que normalmente reservamos para relíquias sagradas e tesouros perdidos. Esta é a história do Coprólito do Lloyds Bank, possivelmente o cocô mais famoso da história ocidental; e não, não estou falando do sistema financeiro em 2008.

Ah, e quando falei “essa merda”, não é ofensa ou xingamento, é exatamente o que um coprólito é. Continuar lendo “A Saga do Coprólito Viking” →

SOHO: 30 anos bisbilhotando o Sol e sobrevivendo a tudo que deu errado

Em 2 de dezembro de 1995, a ESA e a NASA lançaram o Solar and Heliospheric Observatory, o SOHO para os íntimos, com a modesta ambição de observar o Sol por dois anos. A ideia era posicionar o satélite a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, num ponto privilegiado entre nosso planeta e o astro-rei, e deixá-lo espiar a estrela sem interrupções. O que os engenheiros não esperavam é que esse observador solar se tornaria o satélite mais teimoso da história espacial, recusando-se terminantemente a se aposentar mesmo três décadas depois. Continuar lendo “SOHO: 30 anos bisbilhotando o Sol e sobrevivendo a tudo que deu errado” →

O cérebro, esse roteirista de novela

Você olha para um pudim e sente alegria. Ou ouve uma música e lembra de um amor de adolescência que você preferia esquecer. Isso acontece porque o cérebro, esse roteirista de novela com tendências dramáticas, vive ligando pontas soltas entre coisas que nem sempre parecem ter relação direta. E agora, um estudo espanhol resolveu investigar como, exatamente, o cérebro consegue montar essas tramas rebuscadas e fazer decisões com base em associações que, à primeira vista, não têm nada a ver. Tipo banana, sal, medo e trauma. Sim, banana. Continuar lendo “O cérebro, esse roteirista de novela” →

Quando sequestraram o cérebro de Albert Einstein

O Professor estava em seu trabalho, absorto com números, equações e as complexidades do Universo. Em seu âmago, o Professor travava uma luta contra si mesmo, apesar de estar alheio a essa guerra. Uma guerra que ele iria perder, mesmo tendo ajudado a vencer outra guerra há anos jogada no passado. De repente, em meio a uma lancinante dor, o Professor cai prostrado, e então o mínimo de consciência do que estava ocorrendo passou pelo seu prestigiado cérebro, mas essa informação não durou muito tempo por lá, já que ele caiu na inconsciência.

O professor foi levado correndo ao hospital e lá exalou seu último suspiro; entretanto, sua história não acabaria ali, pois outros cientistas resolveram que era demais perder a oportunidade de aprender mais, embora a ética soasse como algo mais sendo uma barreira do que uma norma. Assim, mãos pecaminosas fizeram um trabalho medonho e o que jamais deveria ter sido feito acabou sendo feito. Continuar lendo “Quando sequestraram o cérebro de Albert Einstein” →