Lá pelas tantas, vocês já devem estar até o pescoço com água, lama ou de notícias sobre o temporal apocalíptico que arrasou as cidades da região serrana do Rio. Vale lembrar aquela frase mais do que batida: Crônicas de uma tragédia anunciada. Entra ano, sai ano e a coisa é sempre a mesma. Frentes frias, alta umidade, chuvas torrenciais e desmoronamentos. Todos se unem em oração, lamentos pelos quatro cantos do pais e nada é feito pra resolver o problema. Não adianta chorar o leite derramado se continuamos segurando a jarra de forma errada e o leite continuará caindo de novo e de novo.
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Segundo Daniel García-Castellanos, membro do grupo de pesquisa do Instituto de Ciências da Terra Jaume Almera, de Barcelona, o Mar Mediterrâneo se encheu em menos de dois anos com as águas do Oceano Atlântico que atravessaram o estreito de Gibraltar com um volume mais de mil vezes superior ao atual do Amazonas. Isso, com toda a certeza, fará com que um bando de idiotas criaBURRIcionistas aleguem que está definitivamente provada a ocorrência do Dilúvio.
A relação entre as mudanças climáticas globais e os fenômenos que deixaram mais de uma centena de mortos e cerca de 80 mil desabrigados em Santa Catarina é ainda uma incógnita. Mas a relação entre a tragédia e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, de acordo com Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).