Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)

Há coisas no universo que a gente aceita sem questionar, tipo a Terra ter uma Lua, o Sol nascer no leste e aquele parente que só aparece em churrasco quando tem carne cara. Mas de vez em quando a Ciência decide cutucar essas certezas confortáveis, e é exatamente isso que aconteceu com Vênus, aquele planeta tido como “gêmeo da Terra” mesmo sabendo que é um gêmeo estilo Raquel: mesmo tamanho, mesma massa, composição rochosa parecida, e ainda assim um inferno sulfúrico de 460°C com chuva de ácido.

E para completar o quadro de disfunção familiar, Vênus não tem nenhum satélite natural. Nem unzinho sequer, e uma nova pesquisa finalmente explica por que, e a resposta é tão deliciosamente e aterrorizante quanto a ideia de pasar um dia completo em Vênus. Continuar lendo “Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)”

O submarino que vazou o TNT que virou comidinha de mexilhão

Você estudou na escola (espero) que os U-boats alemães foram os maiores responsáveis por dar uma imensa dor de cabeça à Inglaterra por causa do bloqueio que a Alemanha Nazista impôs para colocar os súditos do Leãozinho e do Unicórnio. Entretanto, o pessoal da época do Káiser já tinha o hábito de fazer uso de submarinos para furtivamente tocar o terror nas águas, quando ninguém esperava por eles, ainda mais quando as tecnologias de detecção eram simplificadas pelo nome “sorte”. Sim, pois é! Pouca gente sabe que durante a Primeira Guerra Mundial a Alemanha já fazia uso de submarinos para tocar o terror no Mar do Norte.

A história de hoje é sobre como algo deu muito, muito ruim naquela época, e ainda hoje ainda pode ser péssimo. Motivo? Um submarino vazando TNT (sim, o explosivo).

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Artigos da Semana 323

Esta semana foi um saco: gente choramingando com IA trazendo o Apocalipse, Médium que usa Google, rei achado no estacionamento que teve seus dentes verificados e até o pessoal “ain u qui vussê fazia no 11 di çetembru?” (eu estava trabalhando, não tinha tempo para ficar com o cu na frente da TV o dia todo).

Bem, vejamos o que foi postado durante a semana, inclusive com Brasil endo uma terra mística esquisita e fora dos mapas convencionais.

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As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026

Todo mês de setembro, pouco antes de o comitê sueco anunciar quem vai salvar a humanidade com uma descoberta em Física Quântica ou com alguma bobagem da Economia, um bando de cientistas se veste de cogumelo, sobe a um palco em algum canto da Europa e aceita, com lágrimas genuínas nos olhos, um prêmio por ter enfiado o pé em cima de uma cobra, enterrado mil cuecas ou descoberto, com rigor de laboratório, o jeito certo de assoar o nariz.

Bem-vindos à trigésima sexta edição do Ig Nobel, a premiação que existe para provar, ano após ano, que a curiosidade científica não tem freio de mão e, às vezes, nem senso de autopreservação; e sim, esta é a sua cientificamente revisada SEXTA INSANA! Continuar lendo “As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026”

Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados

Há uma categoria de descoberta científica que eu adoro particularmente: aquela em que a Ciência gasta uma fortuna, um exército de pesquisadores e uma tecnologia de ponta para provar que, no fim das contas, somos todos igualmente nojentos por dentro. Reis, camponeses, imperadores, pastores de cabra: por baixo do esmalte, a boca de todo mundo é uma zona de guerra microbiana, e a realeza, ao que parece, não tinha acesso a nenhum tratamento VIP nesse departamento.

O caso que motiva essa reflexão começa com um esqueleto encontrado, literalmente, sob um estacionamento. Em 2012, arqueólogos ingleses desenterraram em Leicester os restos de um monarca que a história tratou com a mesma delicadeza que Shakespeare: como vilão de peça teatral. Essa é a história de como fomos acabar fuçando a boca de Ricardo III. Continuar lendo “Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados”

Artigos da Semana 322

Hoje é um domingo que é sábado, já que amanhã é feriado e eu estou aqui no bem-bom descansando, como convém a idosos como eu. Vocês jovens que se ralem de trabalhar. Aí, ó. A calçada tá suja e a ia tá imunda. Vão lá limpar. Depois podem ler o que foi postado durante a semana!

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Cocô providencial causou explosão de vida na Terra

Há coisas que a humanidade prefere não discutir à mesa do jantar, e o topo dessa lista é ocupado, invariavelmente, por aquilo que sai do corpo depois que a comida termina sua jornada. Trocamos de assunto, torcemos o nariz, e seguimos em frente falando de coisas semelhantes: eleições; no final das contas, ambos acabam sendo a mesma coisa, com a diferença que o cocô propriamente dito é um mero detalhe biológico sem maiores consequências, já que ele não faz leis, não promulga leis e nem te faz conviver com outros iguais a ele.

A Ciência, com seu talento peculiar para nos constranger, acaba de sugerir o contrário: sem excremento, você provavelmente não estaria aqui lendo isto, nem eu escrevendo, nem praticamente nada com sistema nervoso central estaria fazendo o que quer que seja em lugar nenhum do planeta. Sim, o mundo tá aqui do jeito que conhecemos por causa de uma tempestade de merda. Literalmente!

E sim, farei todo tipo de piada deprimente, depressiva, deplorável e digna do melhor da pior Quinta Série! Continuar lendo “Cocô providencial causou explosão de vida na Terra”

Artigos da Semana 321

Esta semana foi doida. Entre divulgação científica postei os dois lados antípodas de uma moeda. O lado A e lado B, o ponto positivo e negativo do uso da IA. Um para fazer o trabalho e várias pessoas, reduzindo o tempo e otimizando recursos. O outro, uma IA louca solta ano mundo digital fazendo um monte de merda.

Tudo dependendo da índole de quem digita start.bat.

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A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis

Há problemas científicos que parecem ter sido criados especificamente para testar a paciência humana. Impressoras, por exemplo. Quem nunca foi vítima de uma impressora de TPM porque ela viu que você estava com pressa e a deadline de entregar o trabalho expirou e ela manda um DANE-SE, MEU PARÇA, e não imprimiu? Em outra situação, você tem uma liga metálica excepcionalmente resistente ao calor, desenvolvida para aplicações aeroespaciais, sabe que ela pode ser impressa em 3D, mas existe um pequeno detalhe: quase nenhuma impressora comercial consegue fazê-lo adequadamente impressoras são sempre impressoras!). Comofas?

Bem, você poderia testar uma combinação de potência do laser, velocidade de impressão e outros parâmetros até encontrar uma configuração que funcione. Só há um inconveniente: existem mais de 100 milhões de combinações possíveis. Nesse ponto, a expressão “vamos tentar algumas opções” começa a adquirir um significado quase cômico. Continuar lendo “A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis”

Fotografando algo infotografável: uma molécula

Em 1926, quando Erwin Schrödinger escreveu a equação que leva seu nome, ele próprio não sabia dizer ao certo o que raio era aquela função de onda que acabara de inventar no papel, o que é o resumo do trabalho de todos os físicos. Schrödinger passou o resto da vida meio incomodado com a criatura: a matemática funcionava perfeitamente, previa tudo, acertava experimentos, só que ninguém conseguia dizer o que ela representava fisicamente, nem produzir dela algo tão simples quanto uma imagem. Um século depois, um grupo de físicos da Universidade de Göttingen resolveu, enfim, tirar essa entidade fantasmagórica do armário e fotografá-la, em três dimensões, dentro de uma molécula real. Continuar lendo “Fotografando algo infotografável: uma molécula”