Por Larry C. Peterson e Gerald H. Haug
Scientific American Brasil – setembro/2006
Pesquisas recentes reafirmam o papel essencial do clima no colapso da grande civilização que ocupou extensas áreas da América Central.
Com sua magnífica arquitetura e sofisticado conhecimento de astronomia e matemática, os maias foram uma das grandes culturas do mundo antigo. Embora não utilizassem a roda nem instrumentos de metal, eles construíram pirâmides, templos e monumentos imensos de pedra talhada. Continuar lendo “O declínio dos Maias”→
Sei que é inútil tentar discutir os juízos de valores fundamentais. Se alguém aprova como meta, por exemplo, a eliminação da espécie humana da face da Terra, não se pode refutar esse ponto de vista em bases racionais. Se houver porém concordância quanto a certas metas e valores, é possível discutir racionalmente os meios pelos quais esses objetivos podem ser atingidos. Indiquemos, portanto, duas metas com que certamente estarão de acordo quase todos os que lêem estas linhas. Leia mais aqui
por Eduardo Augusto Geraque
Scientific American Brasil – novembro/2006
Apesar dos avanços nos últimos 20 anos, a poluição atmosférica continua a ser um problema grave de saúde pública em São Paulo. No inverno, é comum observar um céu marrom em São Paulo devido à chamada inversão térmica, que dificulta a dispersão dos poluentes. Continuar lendo “Perigo no ar”→
A Bíblia é toda fundamentada em religiões pagãs. Muito do que está lá remete a conceitos de semi-deuses, monstros, deuses, heróis, entidades misteriosas etc. Muitos dos personagens e eventos são encontrados nas mitologias greco-romana e egípcia. Você duvida? Então nos acompanhe. Continuar lendo “A Bíblia e o Paganismo”→
Você acorda uma manhã e se vê de volta aos anos 80 no corpo de uma criança de 8 anos, participando do programa infantil de Sérgio Mallandro. Talvez você preferisse ter acordado como uma barata gigante, mas nós nunca podemos prever como as transmigrações de alma no plano astral vão ocorrer.<!–more–>
Felizmente sua mente permanece a mesma – mais uma dessas coisas inexplicáveis da transmigração de alma. Quando se dá conta, está participando de uma das brincadeiras do programa, ‘A Porta dos Desesperados’. Ela é muito simples: existem três portas iguais. Atrás de uma delas está um prêmio, e atrás das outras duas portas estão pessoas vestidas com fantasias de monstro que irão lhe encher o saco por ter escolhido a porta errada.
Você escolhe uma porta, e irá ganhar o que estiver atrás dela. Então Sérgio Mallandro, dizendo que quer lhe ajudar e sabendo de antemão em qual das portas está o prêmio, abre uma das outras duas portas revelando um monstro, ou melhor, um homem mal-vestido de monstro. E ele faz a derradeira pergunta: “Quer trocar?”. Afinal, é ou não vantajoso trocar de porta?
Este pequeno problema é muito mais difícil do que parece, e tornou-se famoso nos EUA como o problema de Monty Hall, devido ao apresentador que possuía um quadro bem similar (ou o contrário seria mais apropriado) em seu programa popular ‘Let’s Make a Deal’ [‘Vamos fazer um trato’] nos anos 70, algo como os diversos programas de auditório de Sílvio Santos. Muitos neurônios são queimados porque a resposta do problema é contra-intuitiva, o que quer dizer que a primeira resposta que você der a ele deve estar errada. Não tenha medo, tente descobrir se é ou não vantajoso trocar de porta antes de continuar lendo.
Tentou? Pois bem, vamos primeiro à resposta correta e contra-intuitiva: É sim vantajoso trocar, na verdade é duas vezes mais provável ganhar o prêmio se você trocar de porta do que se não o fizer. Acredite… se quiser! Ou leia a explicação, que é apenas uma das muitas que circulam para o problema de Monty Hall:
Existem três portas, vamos chamá-las de A, B e C. Quando você escolheu uma delas, digamos a A, a chance de que ela seja a premiada é de 1/3. Como conseqüência, as chances de que você tenha errado, ou em outras palavras, de que o prêmio esteja nas outras duas portas B ou C são de 2/3. Você pode comprovar isso somando a probabilidade de cada uma das outras portas ou simplesmente sabendo que a probabilidade de que haja um prêmio é sempre 1. O importante é ter em mente que a chance de que o prêmio esteja nas outras portas que você não escolheu é de 2/3.
Entendendo isso, basta ver que o apresentador abrirá sem erro uma dessas outras duas portas que contém um monstro, digamos que seja a B. Ao fazer isso, ele está lhe dando uma informação valiosa: se o prêmio estava nas outras portas que você não escolheu (B ou C), então agora ele só pode estar na porta que você não escolheu e não foi aberta, ou seja, a porta C. Ou seja, se você errou ao escolher uma porta – e as chances disto são de 2/3 – então ao abrir uma das outras portas não-premiadas o apresentador está literalmente lhe dizendo onde está o prêmio. Toda vez que você tiver escolhido inicialmente uma porta errada, ao trocar de porta você irá com certeza ganhar. Como as chances de que você tenha errado em sua escolha inicial são de 2/3, se você trocar suas chances de ganhar serão de 2/3 – e por conseguinte a chance de que você ganhe se não trocar de porta é de apenas 1/3. É assim mais vantajoso trocar de porta, acredite… se compreender!
A resposta intuitiva ao problema é a de que quando o apresentador revelou uma porta não-premiada, nós teríamos à nossa frente um novo dilema com apenas duas portas e um prêmio, portanto as chances de que o prêmio esteja em qualquer uma das duas portas seriam de 50%. O apresentador teria nos ajudado, já que nossas chances subiram de 1/3 para 1/2, mas realmente não faria diferença trocar ou não de porta uma vez que ambas teriam as mesmas chances de possuírem o prêmio. No entanto esta resposta está errada, pois a porta que o apresentador abre depende da porta que nós escolhemos inicialmente. O apresentador sabe desde o começo onde está o prêmio (ele nunca abrirá uma porta premiada). Ao abrir uma porta, ele não está criando um jogo todo novo, mas está dando informações valiosas sobre o jogo original. É por isso que a resposta é tão contra-intuitiva: parece-nos que o apresentador abriu uma porta aleatoriamente, mas isso está muito longe da verdade. Como vimos, se tivermos escolhido inicialmente uma porta não-premiada, ele não tem nenhuma liberdade de escolha e só pode abrir uma porta.
O problema de Monty Hall, também chamado por alguns de paradoxo de Monty Hall, é exposto em muitos cursos de estatística, e um exercício com ele seria dado em Harvard e Princeton. Ele demonstra muito bem como nosso cérebro não foi feito para lidar intuitivamente com tais tipos específicos de problemas. Felizmente, assim como nós podemos fatorar um número no papel com facilidade embora seja um tanto difícil fazer o mesmo mentalmente, pode-se resolver o problema de Monty Hall no papel de forma simples e sem erro usando o Teorema de Bayes de probabilidades condicionadas.
Ah sim, quanto ao nosso insólito caso de transmigração de alma no plano astral. Sinceramente, se depois de quebrar a cabeça com o problema de Monty Hall você ainda prefere ouvir falar de transmigração de alma então talvez seja hora de uma metamorfose.
Um dos eventos mais significativos na história das religiões é a dissenção entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Esta dissenção tem um nome: Cisma do Oriente e foi a causadora de sérias disputas e perseguições na Idade das Trevas.
Aqui estudaremos os fatos que levaram a esta briga e tentar entender o motivo das diversas vertentes cristãs não se entenderem (se é que algum dia seremos capazes de entender).
O termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma atitude negativa do pensamento. O cético é visto, freqüentemente, não somente como um espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da recusa e da negação categórica. Leia o restante aqui.
Mary:
– Olá! Nós estamos aqui para convidar você para beijar a bunda de Hank conosco.
Eu:
– Como?! Do que vocês estão falando? Quem é esse Hank e por que eu iria querer beijar a bunda dele?<!–more–>
John:
– Se você beijar a bunda do Hank ele vai dar a você um milhão de dólares. Se você não beijar ele vai foder com você.
Eu:
– Que? Isto é algum tipo bizarro de chantagem?
John:
– Hank é um filantropo bilionário. Hank construiu esta cidade. Ele é o dono dela. Ele pode fazer tudo o que quiser e o que ele quer é dar a você um milhão de dólares mas ele não pode fazer isso enquanto você não beijar a bunda dele.
Eu:
– Isto não faz sentido. Por que…
Mary:
– Quem é você para questionar o presente de Hank? Você não quer um milhão de dólares? Não é um preço suficiente por um pequeno beijo na bunda?
Eu:
– Bem talvez, se for verdade, mas…
John:
– Então venha beijar a bunda de Hank conosco.
Eu:
– Você beija a bunda de Hank freqüentemente?
Mary:
– Oh sim, o tempo todo…
Eu:
– E ele lhe deu um milhão de dólares?
John:
– Bem… não… você não pega o dinheiro de fato enquanto não deixar a cidade.
Eu:
– Então por que você não sai da cidade agora?
Mary:
– Você não pode partir até Hank lhe dizer que deve ir senão você não ganha o dinheiro e ele fode contigo.
Eu:
– Você conhece alguém que beijou a bunda de Hank, saiu da cidade e ganhou o milhão de dólares?
John:
– Minha mãe beijou a bunda de Hank durante anos. Ela deixou cidade ano passado, e eu tenho certeza que ela ganhou o dinheiro.
Eu:
– Você não falou com ela desde então?
John:
– Claro que não! Hank não permite.
Eu:
– Então por que você acha que ele realmente lhe dará o dinheiro se você nunca falou com alguém que ganhou o dinheiro?
Mary:
– Bem, ele lhe dá um pouco antes de você ir. Talvez você ganhe um aumento, talvez você ganhe um pequeno prêmio na loteria, talvez você ache uma nota de vinte dólares na rua.
Eu:
– O que é que isso tem a ver com Hank?
John:
– Hank tem certas “conexões”.
Eu:
– Desculpem, mas isto parece algum tipo de brincadeira maluca.
John:
– Mas são um milhão de dólares! Você não vai arriscar, vai? E lembre-se: se você não beijar a bunda de Hank ele vai te foder.
Eu:
– Talvez se eu pudesse ver Hank, falar com ele, obter os detalhes diretamente dele…
Mary:
– Ninguém vê Hank, ninguém fala com Hank.
Eu:
– Então como você beija a bunda dele?
John:
– Às vezes nós apenas sopramos um beijo para ele e pensamos em sua bunda. Outras nós beijamos a bunda de Karl, e ele passa adiante.
Eu:
– Quem é Karl???
Mary:
– Um amigo nosso. Ele é o que nos ensinou tudo sobre beijar a bunda de Hank. E tudo que nós tivemos que fazer foi levá-lo para jantar fora algumas vezes.
Eu:
– E vocês simplesmente aceitaram a palavra dele quando ele disse que havia um Hank, que Hank queria que vocês beijassem a bunda dele, e que esse Hank os recompensaria?
John:
– Oh, não! Karl tem uma carta que ele obteve de Hank há alguns anos explicando a coisa toda. Aqui está uma cópia; veja você mesmo.
<blockquote>Karl
1. Beije a bunda de Hank e ele lhe dará um milhão de dólares quando você deixar a cidade.
2. Beba com moderação.
3. Foda com as pessoas que não são como você.
4. Coma direito.
5. Hank em pessoa ditou esta lista.
6. A lua é feita de queijo verde.
7. Tudo que Hank diz é certo.
8. Lave suas mãos depois de ir ao banheiro.
9. Não beba álcool.
10. Coma suas salsicha com pães, sem qualquer condimento.
11. Beije a bunda de Hank ou ele foderá com você.</blockquote>
Eu:
– Isto está escrito num papel timbrado de Karl!
Mary:
– Hank estava sem papel.
Eu:
– Eu tenho uma suspeita de que, se nós conferíssemos, nós descobriríamos que esta letra é de Karl.
John:
– Claro, Hank ditou isto.
Eu:
– Eu pensei que você tivesse dito que ninguém consegue ver Hank?
Mary:
– Não agora, mas anos atrás ele falou com algumas pessoas.
Eu:
– Eu pensei que você tivesse dito que ele era um filantropo. Que tipo de filantropo fode com as pessoas só porque elas são diferentes?
Mary:
– É o que Hank quer, e Hank está sempre certo.
Eu:
– Por que você acha isto?
Mary:
– O artigo 7 diz: “Tudo o que Hank diz é certo”. Isso é o bastante para mim!
Eu:
– Talvez seu amigo Karl tenha feito a coisa toda.
John:
– De jeito nenhum! O Artigo 5 diz: “Hank em pessoa ditou esta lista”. ‘ Além disso o artigo 2 diz “beba com moderação”, o artigo 4 diz “coma direito”, e o artigo 8 diz “lave suas mãos depois de ir ao banheiro”. Todo mundo sabe que essas coisas são corretas, então o resto deve ser verdade também.
Eu:
– Mas o 9 diz “não beba álcool”, o que contradiz o artigo 2, e o 6 diz “a lua é feita de queijo verde”, que está óbviamente errado.
John:
– Não há nenhuma contradição entre o 9 e o 2. O 9 apenas esclarece o 2. E, sobre o 6, você nunca esteve na lua, assim você não pode dizer com certeza.
Eu:
– Os cientistas têm afirmado categoricamente que a lua é feita de pedra…
Mary:
– Mas eles não sabem se a pedra veio da Terra ou do espaço sideral, então ela pode facilmente ser queijo verde.
Eu:
– Eu realmente não sou um perito mas eu acho que a teoria de que a Lua veio da Terra foi descartada. Além disso não saber de onde a pedra veio não faz dela queijo.
John:
– Aha! Você acabou de admitir que os cientistas cometem enganos, mas nós sabemos que Hank sempre tem razão!
Eu:
– “Sabemos”?
Mary:
– Claro que sabemos. O artigo 5 diz isso.
Eu:
– Você está dizendo que Hank está sempre certo porque a lista diz isso, que a lista está certa porque Hank a ditou e nós sabemos que Hank ditou isto porque a lista assim o diz. Isso é lógica circular, é como dizer que “Hank está certo porque ele diz que ele está certo”.
John:
– Agora você está entendendo! É gratificante ver alguém chegando ao modo de pensar de Hank.
Eu:
– Mas… oh, não importa. Como é o negócio com salsichas?
<em>(Mary se ruboriza)</em>
John:
– Salsichas com pães e sem nenhum condimento. É o modo de Hank. Qualquer outra maneira está errada.
Eu:
– E seu eu não tiver pão?
John:
– Sem pão, sem salsicha. Salsicha sem pão é errado.
Eu:
– Sem catchup? Sem mostarda?
<em>(Mary aparenta estar realmente chocada)</em>
John <em>(gritando)</em>:
– Não precisa usar esse vocabulário! Condimentos de qualquer tipo são errados!
Eu:
– Então uma porção grande de chucrute com algumas salsichas picadas estaria fora de questão?
Mary <em>(colocando os dedos nos ouvidos)</em>:
– Eu não estou ouvindo isto… La la la, la la, la! La la la, la la, la!
John:
– Isso é repugnante. Só um anormal comeria…
Eu:
– É bom! Eu sempre como.
<em>(Mary desmaia)</em>
John amparando Mary:
– Bem, se eu soubesse que você era um desses eu não teria perdido meu tempo aqui. Quando Hank foder você eu estarei lá, contando o meu dinheiro e rindo. Eu beijarei a bunda de Hank por você, seu comedor-de-salsichas-picadas-sem-pão!.
<em>(Com isto, John arrastou Mary para o seu carro e ambos foram embora)</em>
Reza a lenda que certo dia no laboratório de Los Alamos, um grupo de jovens cientistas discutia animadamente a possibilidade de vida extraterrena. Concluíram que os extraterrestres deveriam existir, afinal, o Universo é infinito e nós não devemos ser os únicos seres inteligentes em todo esse espaço. Seria então que o físico Enrico Fermi, que estava ouvindo a conversa, teria se levantado em resposta e professado a célebre frase “Então onde eles estão?”. Como Fermi era brilhante e muito famoso, sendo o inventor entre outras coisas do primeiro reator nuclear, desta simples frase nascia o ‘paradoxo de Fermi’, um dos principais argumentos usados para afirmar que nós estamos sozinhos. Segundo ele, se os ETs existem, eles já deveriam ter pousado na frente da Casa Branca. Read more »
Qual a primeira arma de um cientista? Equipamentos de última geração? Técnicas futuristas? Não! É o ceticismo e a vontade de descobrir.
Estudar e buscar respostas. Mas, e quando as pessoas lhe apresentam um problema que não querem que você solucione? E quando você apresenta diversos meios de testar as alegações, mas é impedido? A teoria do “dragão na garagem” ilustra muito bem isso…