Uma nova era no estudo dos neandertais

Por Bernardo Esteves

Nosso conhecimento sobre os hominídeos mais próximos do Homo sapiens – os neandertais, extintos há cerca de 30 mil anos – é inferido a partir de fósseis e artefatos deixados por eles. Mas isso está prestes a mudar: com a determinação de seqüências de DNA do núcleo de células dessa espécie, dois grupos de pesquisadores inauguram esta semana um novo capítulo no estudo dos homens de Neandertal, que deve levar ao seqüenciamento do genoma dessa espécie. Continuar lendo “Uma nova era no estudo dos neandertais”

Uma estranha forma de ver o mundo

Por Adilson de Oliveira

 A compreensão do mundo a nossa volta é uma tarefa que tem sido realizada por filósofos e cientistas há milhares de anos. Várias tentativas já foram empreendidas, algumas com sucesso e outras com fracasso. No caso particular da física, muitas teorias e modelos já foram propostos e refutados. Atualmente ela está fundamentada em duas grandes teorias: a teoria da relatividade geral de Einstein e a mecânica quântica. Continuar lendo “Uma estranha forma de ver o mundo”

Brasil descarbonizado

Por Sérgio Abranches

Principais obstáculos para um futuro sem carbono estão em questões institucionais e comportamentais

O Brasil pode assumir a liderança na busca de um futuro de energia sem carbono. Nossa matriz energética está centrada na hidroeletricidade. Fomos os pioneiros na utilização de etanol como combustível. Adotamos o primeiro carro 100% a álcool há décadas. Estamos atrasados no uso do biodiesel, mas os investimentos estão crescendo rapidamente. A integração entre hidroeletricidade e bioenergia tem tudo para nos colocar na vanguarda da oferta de energia de baixa emissão de gases estufa. Podemos até sonhar em só ter energia limpa e renovável para todos os usos, em poucas décadas. Continuar lendo “Brasil descarbonizado”

Ministros chegam a acordo sobre revisão do Protocolo de Kyoto

Ministros que participam da reunião sobre clima da ONU decidiram nesta sexta-feira revisar o Protocolo de Kyoto em 2008 e adotaram outras medidas sobre o combate em longo prazo ao aquecimento global, segundo autoridades. O acordo dos 35 países ricos pode ser um passo importante para que países em desenvolvimento, como China e Índia, sejam mobilizados quando o Protocolo de Kyoto expirar, em 2012. Continuar lendo “Ministros chegam a acordo sobre revisão do Protocolo de Kyoto”

Esmalte dos dentes indica que hominídeo antigo tinha dieta variada

Por Ciara Curtin

O hominídeo Paranthropus robustus pode não ter tido uma dieta tão especializada quanto se imaginava. Usando uma nova técnica de laser, antropólogos examinaram os dentes desses hominídeos e descobriram que, na realidade, o primata comia diversos tipos de alimentos. Continuar lendo “Esmalte dos dentes indica que hominídeo antigo tinha dieta variada”

Abu Musa Jabir ibn Hayyan (Geber)

Abu Musa Jabir ibn Hayyan (???? ?? ????) (c.721–c.815), também conhecido pelo nome latino “Geber“, foi um alquimista islâmico proeminente, além de farmacêutico, filósofo, astrônomo, e físico. Ele também foi chamado de “o pai de química árabe” pelos europeus. A origem étnica dele não é clara, embora a maioria das fontes o atribuem a origem arábe ou persa. Geber é responsável pela introdução da experimentação na alquimia, assim como a invenção de vários processos importantes usados na Química moderna, como as sínteses dos ácidos nítrico e clorídrico, a destilação e a cristalização. Continuar lendo “Abu Musa Jabir ibn Hayyan (Geber)”

Mito e razão: “a porta para o logos”

mitorazao.jpgContribuições clássicas

O histórico da busca de uma realidade inteligível, “a porta para o logos”, é envolvida pelo mito. Desde o século VI a.C., os gregos da Jônia estavam a procura de uma substância primária, de um material básico do qual, segundo argumentavam, todas as coisas haviam se desenvolvido. Três homens, todos de Mileto e todos astrônomos e matemáticos, tinham suas teorias a esse respeito. Continuar lendo “Mito e razão: “a porta para o logos””

Porque a homeopatia funciona

homeopatia.jpgPor Renato Sabbatini

De vez em quando a imprensa é invadida por algumas polêmicas que extravasam o domínio contido e sizudo das academias e associações científicas médicas. Uma delas é a real eficácia dos medicamentos homeopáticos, e se a medicina convencional deveria respeitar a homeopatia como uma ciência de verdade, ou desprezá-la como um dentre os inúmeros ramos fraudulentos da chamada “medicina alternativa”.

Conheço muita gente que jura que a homeopatia realmente funciona. São milhares e milhares de casos de pessoas, cujas afecções e moléstias, intratáveis pela medicina alopática convencional, aparentemente responderam ao tratamento homeopático. A ciência existe há mais de 200 anos, tendo sido fundada no final do século 18 pelo médico Samuel Hahnemann. No Brasil, a Associação Homeopática Médica Brasileira e a Associação Paulista de Homeopatia são oficialmente reconhecidas pela Associação Médica Brasileira e pela Associação Paulista de Medicina, as quais incorporaram oficialmente a homeopatia como especialidade médica, ao par de todas as outras. Existem cursos de especialização, de residência médica e até de pós-graduação em homeopatia, assim como revistas cientificas em muitos idiomas.

Portanto, trata-se aqui de um movimento sólido e seguido por muita gente. Aliás, é cada vez maior o número de médicos que, desencantados com a agressividade da medicina alopática, estão praticando homeopatia. A pergunta que muitos desses profissionais e seus pacientes se fazem é: mas a homeopatia realmente funciona ?

Afinal, não era para funcionar. A homeopatia se baseia em princípios totalmente anticientíficos e inexplicados de ação medicamentosa, que colocam a lógica de pés para o ar. Os princípios ativos da homeopatia, geralmente derivados de plantas e animais, são diluídos muitas vezes (a chamada “dinamização”). Não é comum certos medicamentos homeopáticos serem diluídos 30 vezes, ou seja, coloca-se uma gota do medicamento ativo num recipiente com uma solução de água e álcool, agita-se sistematicamente um certo número de vezes, depois toma-se uma gota dessa solução, coloca-se em outro recipiente com solvente, agita-se novamente, etc. Pode-se provar cientificamente que uma diluição de 30 vezes praticamente não tem mais nenhuma molécula do componente ativo em solução ! E existem dinamizações de até 200 vezes ! Então como que é possível existir algum efeito ?

Os homeopatas sabem disso, evidentemente, mas procuram dar “explicações” bizarras e não comprovadas sobre o suposto efeito terapêutico, como a retenção de uma “memória energética” da molécula pela água.

As explicações são provavelmente muito mais simples. Existem diversos motivos porque a homeopatia funciona. Entre elas:

  1. Muitas doenças se resolvem sozinhas, sem medicamento algum, o que dá a impressão que o medicamento funcionou
  2. Muitas doenças são cíclicas, e usar o medicamento no pico da gravidade dá a impressão de melhora, quando ela afinal regride
  3. Muitíssimos sintomas e doenças são psicossomáticas, causadas por alterações emocionais. Se a pessoa se convence que o medicamento vai funcionar, ocorre uma melhora;
  4. O médico adota outras medidas terapêuticas, como mandar o paciente fazer regime e exercício, e depois acha que foi a homeopatia que fez emagrecer;
  5. Distorção da realidade: pequenos efeitos aleatórios e temporários são julgados como sendo “curas”, pelo excesso de expectativa. A posterior recidiva da doença é atribuída a outras causas, não à falta de eficácia da homeopatia;
  6. Casos individuais de cura são interpretados como comprovação de um efeito para toda a população.

Mas o efeito mais provável da homeopatia (e até de muitas terapias alopáticas) é o chamado placebo. Este é o nome que a medicina dá a um medicamento comprovadamente ineficaz ou neutro (uma pilula de lactose, por exemplo), e que se prescreve ao paciente, dizendo ser um medicamento ativo. Todo placebo sempre obtém algum efeito terapêutico. Por exemplo, Vasomax, um novo medicamento contra a impotência lançado com muito alarde nos EUA, causou ereção em 41 % dos pacientes que o tomaram. Bom ? Pois bem, o placebo causou ereção em 35 % dos pacientes… Bastou o sujeito acreditar que funciona. Aliás, o efeito-placebo parece ser a base de quase todos afrodisíacos existentes.

Se a população está gastando centenas de milhões de reais em pílulas de açucar e vidrinhos de água quase pura para tratar males reais, isso é um problema muito sério de saúde e de economia pública. A homeopatia precisa apresentar publicamente os estudos científicos que supostamente servem de base para sua “ciência”.

Aparições de Deus

apparition.jpg Por Silvia Helena Cardoso

Ao longo da história da Humanidade, tomamos conhecimento de pessoas que declararam ser mensageiros de Deus. Estes indivíduos disseram ver luzes brilhantes, ouviram a voz de Deus ou mesmo do demônio, e comunicaram-se com Jesus, Nossa Senhora e anjos. Alguns deles chegaram a ser santificados.

Estas declarações são surpreendentemente semelhantes com as alucinações, ou seja, percepções de estimulação sensorial (principalmente visão e audição) quando a estimulação não está presente. Continuar lendo “Aparições de Deus”

Superstições de ano novo

<img src=”https://ceticismo.net/wp-content/uploads/2006/11/lentilha.jpg&#8221; alt=”lentilha.jpg” style=”margin:4px;” align=”right” border=”0″ />Por <a href=”mailto:sabbatin@nib.unicamp.br”>Renato Sabbatini</a>

Chupe sete sementes de romã e guarde-as na carteira. Você ganhará bastante dinheiro no ano que está começando !

Essa e outras inofensivas superstições de Ano Novo são uma prova de que a mente humana é uma máquina lógica imperfeita.<!–more–> Infelizmente, nosso cérebro não evoluiu biologicamente por milhões de anos com o objetivo de perceber e entender as relações entre causa e efeito. Essa capacidade surgiu somente depois da evolução da linguagem e do seu uso como uma ferramenta de representação simbólica do mundo. Assim sendo, nossa psique é constantemente vítima de enganos, levando-nos a acreditar em coisas que o método cientifico facilmente comprova como sendo falsas. Ele é a nossa única garantia de que podemos chegar ao que se convencionou chamar de “verdade”. Ele é o conjunto de normas, premissas e procedimentos que os cientistas utilizam sistematicamente para descobrir novos conhecimentos.

Como funciona o método científico ? Um dos grandes problemas que nossa sociedade enfrente atualmente é que a maioria do público não tem uma idéia muito clara a respeito. Uma das conseqüências graves desse desconhecimento é que se abrem as portas para a aceitação da pseudociência e do esoterismo mascarado como ciência.

Para explicar melhor, vou dar um exemplo. Uma das armadilhas mais comuns em que a mente humana cai, é chamada de efeito “propter hoc”. Esse nome vem de uma frase em latim: “Post hoc ergo propter hoc”, e que sigifica “se algo acontece depois disso, então é devido a isso”. É como se fosse uma relação causa-efeito que parece existir devido à proximidade temporal entre dois eventos, mas que, na realidade, não têm conexão entre si. Um exemplo em medicina é dado por uma frase aparentemente brincalhona, mas que tem implicações bastante sérias: “Se uma gripe não for tratada, ela dura uma semana, se for tratada, dura apenas sete dias”. Essa é uma fonte muito comum de erros científicos em medicina. O médico trata uma doença com um medicamento, e ela desaparece depois de um certo tempo. Ele (e o paciente) ficam então convencidos de que o medicamento foi efetivo, quando o que aconteceu pode ter sido o desaparecimento espontâneo dos sintomas ou da própria doença, que aconteceriam independentemente do medicamento ter sido ministrado.

Então, como o cientista consegue discriminar entre um efeito “propter hoc” e uma relação causa-efeito real ?. Isso é fundamental para todos os aspectos do conhecimento científico. Sem um método que consiga discriminar entre ambos, não teríamos descoberto milhares de coisas úteis, como por exemplo, os antibióticos.

O segredo do método científico é simples: através da experimentação, tenta-se repetir muitas vezes o evento que se supõe ser a causa, e se observa quantas vezes ocorre o que se supõe ser o efeito. Ao mesmo tempo, tenta-se manter constantes ou eliminar todas as demais variáveis e fatores que poderiam interferir ou causar variações nessa relação. Tomando novamente o exemplo do medicamento antigripal: o cientista dividiria uma população de 100 pessoas com gripe em dois grupos. Para as pessoas de um dos grupos ele ministraria o medicamento sob investigação, enquanto que para o outro grupo ele daria um placebo. Ambos os grupos seriam formados de pessoas as mais parecidas possiveis em termos de sexo, faixa etária, faixa socioeconômica, história médica, raça e até genética. Qualquer outro tipo de tratamento para a gripe seria suspenso. Tanto os pacientes quanto os médicos não deveriam saber previamente se estão tomando o medicamento ativo ou o placebo. Posteriormente, a melhora dos sintomas seria analisada e comparada entre os dois grupos. Se o medicamento ativo for realmente eficaz, isso seria facilmente observado, utilizando técnicas de análise probabilistica desenvolvidas nos últimos cem anos.

Para testar se é verdadeira a “simpatia” das sementes de romã, seguiríamos um procedimento semelhante. Poderiamos observar ao longo de 1998 dois grupos de pessoas, as mais parecidas possiveis entre si: as que seguiram a simpatia e as que não seguiram. Entre as variáveis coletadas, anotaríamos quanto dinheiro as pessoas ganharam a mais do que o normal (promoções no trabalho, loteria, doações, vendas, etc.). Depois analizaríamos se houve realmente uma diferença entre os dois grupos. Alguém tem alguma dúvida sobre o resultado que iria dar ?

Como disse muito bem o grande cientista e divulgador Carl Sagan, falecido no ano passado, o método científico é a única luz que é capaz de nos guiar através da escuridão da ignorância.

O filósofo Karl Popper, também falecido em 1996, tem uma frase muito bonita, que mostra como funciona o método científico:

<em>”A diferença entre uma ameba e Einstein é que, embora ambos aprendam através da tentativa e do erro, a ameba não gosta de errar, ao passo que Einstein fica intrigado pelo erro. Conscientemente, ele investiga os seus erros, com a esperança de aprender através da descoberta e da sua eliminação.” </em>