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Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Ceticismo e a “pedra irremovível”

O Ceticismo filosófico originou-se a partir da filosofia grega. Arcesilaos (315-241 A.E.C.) e Carneades (213-129 A.E.C.) desenvolveram perspectivas teóricas, que refutavam concepções absolutas de verdade e mentira. Carneades criticava as visões dos Dogmatistas, especialmente os defensores do Estoicismo, alegando que a certeza absoluta do conhecimento é impossível.

O Ceticismo científico relaciona-se com o ceticismo filosófico, apesar deles não serem idênticos. Os cientistas são criaturas céticas por natureza, ainda mais com relação a demonstrações paranormais. Quando críticos de controvérsias científicas ou paranormalidades são ditos céticos, isto se refere apenas à postura cética científica adotada.

Mas, há muitos daqueles que eu chamo de “céticos de fim-de-semana”. Tolos que acham que só duvidar de uma coisa é o suficiente para serem tidos como intelectuais e detentores de conhecimentos profundos. Não passam de tolos. Costumam muitas vezes, no campo das religiões, usar de pseudoceticismo, fazendo perguntas irrelevantes e falaciosas. Por exemplo, ao questionar Deus, fazem perguntas assim: “Pode Deus fazer uma pedra tão pesada que nem ele mesmo possa carregá-la?”, ou uma variante: “Deus pode criar algo absolutamente indestrutível, que nem mesmo ele possa destruir?”.

Ora, isso na verdade é um falso dilema lógico, sem fundamento nenhum. Fazem idéia do problema tanto do dilema da pedra, como qualquer outro dilema nesse estilo? O principal problema reside na violação do conceito lógico da não contradição. Mas, o que isso significa? Bem, falando em conceitos lógicos, em um raciocínio as premissas não podem ser contraditórias uma em relação a outra; caso contrário, nenhuma conclusão lógica será possível. É o dilema entre a força irresistível e o obstáculo irremovível. Este dilema lógico-filosófico é bem conhecido! O que acontece quando uma força irresistível se encontra com um obstáculo irremovível?

Bem, a resposta não existe sob a luz de um raciocínio lógico. Se há força irresistível, não há obstáculo irremovível. Se há um obstáculo, não há tal força. Isto é, essa é a limitação lógica para a questão. Ela não pode analisar um ambiente onde exista tal dualidade, pois tal dualidade é impossível em termos lógicos. Acontece que a onipotência é um valor que vai além da lógica.

A onipotência é um valor transcendente. Ao dizermos que Deus pode tudo, ele pode até mesmo violar a lógica e as próprias leis que definem a nossa realidade (Deus, para ser Deus, teria que viver além dessa nossa pobre realidade). A lógica, como a conhecemos, só pode estar contida na nossa realidade. Vamos brincar com o conceito de “realidade”? Bem, comecemos definindo a nossa realidade (só podemos definir esta e nenhuma outra, por motivos óbvios) como sendo um conjunto “R”. Acontece que Deus (supostamente) é quem criou esse conjunto R, então ele (Deus) precisa estar muito além desse conjunto, e das possibilidades delimitadas por ele.

Desse modo, podemos afirmar que Deus PODE (por definição) criar uma pedra tão pesada que nem ele mesmo pode carregar, mas ao mesmo tempo carregar essa pedra sem entrar em contradição com a primeira afirmação. Deus seria, portanto, como uma espécie de “fractal multidimensional” (ele atua em todas as dimensões e tipos de realidades), realizando infinitos “trabalhos” em uma dimensão atemporal (lembrem-se que o tempo também é, em tese, criação dele e uma dimensão como as demais). A onipotência, por definição, se opõe à lógica, e por isso mesmo não pode ser julgada por ela, logo o rótulo de ser “ilógico” é totalmente destituído de sentido.

Deus não pode ser analisado objetivamente naquilo que escapa a nossa realidade, conforme observado. Mas, as religiões que se baseiam no conceito de Deus podem. Dizer que Deus é bom num capítulo de um livro qualquer; enquanto que, em outro capítulo, ele ordena morte, fome e destruição de pessoas inocentes, aí podemos questionar com vigor. Podemos inquirir sobre o que acontece no mundo atualmente, sobre os conceitos de onisciência, onipotência e onipresença em contraponto à desolação, abandono e descaso com o que acontece às pessoas pelo mundo afora. Mas, usar da velha xaropada da pedra pesadona ou da esfera super-ultra-indestrutível é cair numa falha (na verdade, mais de uma) lógica, e não dá para ser analisada dessa forma.

Assim, surge de um raciocínio falacioso. Falácia é um raciocínio aparentemente lógico, mas que contém erros (propositais ou não) no seu princípio. Então essa questão (a da pedrona) é falsa, não serve para julgar onipotência nenhuma (ver Lógica & Falácias).

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • Mun Rá

    No meu entendimento a questão da pedra ou da esfera servem pra derrubar a suposta “lógica” ou harmonia da religião com a ciência comumente empregada pelos religiosos,mas com certeza não podemos explicar o mundo pela lógica apenas…concordo plenamente com a citação acima:
    “A onipotência, por definição, se opõe à lógica, e por isso mesmo não pode ser julgada por ela, logo o rótulo de ser “ilógico” é totalmente destituído de sentido.”

  • Também considero o paradoxo da pedra uma babaquice. Tão ridículo quanto se ele pode colocar um objeto ao lado direito do outro ou criar um quadrado redondo.

    Sou mais o paradoxo do Epicuro que é bem mais eficiente. Pelo menos com o “deus pessoal”. Ou mesmo as 12 provas da inexistência de Deus de Faure. Alguns argumentos dele são praticamente irrefutáveis.

  • celina
  • Reges Mendes

    Meu caro,

    Você disse:

    “Dizer que Deus é bom num capítulo de um livro qualquer; enquanto que, em outro capítulo, ele ordena morte, fome e destruição de pessoas inocentes, aí podemos questionar com vigor.”

    Mas, se Deus está além da lógica como você postulou, qual lei ou regra está sendo infringida ali, ao afirmar que Ele seja bom e ordene matanças? Estando Ele além da lógica, não estaria também apto a tal “aparente incoerência”? Aliás, não seria essa uma incoerência só na aparência?

    NestorBendo respondeu:

    Se fosse um de seus filhos, entre os mortos, essa “bondade” ainda seria inquestionável?

    Reges Mendes respondeu:

    Não compreendi seu questionamento, Nestor. Afinal, eu não disse nada sobre “bondade”.
    Eu me referi à lógica (do problema da pedra) que o autor julgou infantil, enquanto propôs outro questionamento baseado na mesma lógica, entendeu?

    NestorBendo respondeu:

    O que tem de difícil em entender que quem é bom não permite, ordena ou executa matanças?