Garrafa no ânus, gritaria e a destruição de um país

Chegou até mim no Twitter o caso de um estúdio de design japonês que criou uma garrafa de cerveja diferenciada. A postagem não dizia, mas isso ocorreu em 2023, quando o designer japonês Kenji Abe apresentou na 2ª Conferência Internacional sobre Design para Ambientes Oceânicos, na AXIS Gallery de Tóquio, uma garrafa de cerveja com a base cônica e pontiaguda, projetada para ser fincada diretamente na areia da praia. O projeto ainda incluía um apelo ecológico, já que a garrafa poderia ser triturada após o uso e transformada em areia novamente, integrando-se à coleção “Objects for the Ocean”, que Abe desenvolvera com a mesma filosofia de funcionalidade litorânea.

O escritor e podcaster norte-americano Dan Savage resumiu o sentimento geral com a precisão de quem já ouviu muitas histórias ruins: “Em breve, em um pronto-socorro perto de você”. Apesar de isso ser uma constância em muitos hospitais pelo mundo afora, há um caso documentado, o ponto de partida para um dos maiores colapsos geopolíticos da Europa no século XX: o Colapso da Iugoslávia. Continuar lendo “Garrafa no ânus, gritaria e a destruição de um país”

Capivara da balé em autoridades inglesas. GO, SAMBA, GO!

Há uma longa tradição de animais que chegam a um lugar novo, dão uma olhada cínica ao redor com cara de fiscal do INSS e decidem: “isso aqui não passa nem no crivo da mais baixa expectativa”. Pombos fazem isso com aeroportos lotados. Gatos fazem isso com o conceito inteiro de dignidade humana. E Samba, uma capivara de nove meses recém-chegada ao Marwell Zoo em Hampshire, Inglaterra, fez isso com a calma de quem já leu o contrato, viu o “espaço temporário” e concluiu que o diabo está nas cercas mal soldadas. Continuar lendo “Capivara da balé em autoridades inglesas. GO, SAMBA, GO!”

O professor que virou um crocodilo corredor

Existe uma imagem que o mundo ocidental tem do crocodilo: aquele matusquela cabisbaixo nas margens lamacentas de um rio africano, imóvel como um tronco mal-humorado, esperando pacientemente que algum gnu distraído chegue perto o suficiente para se arrepender. Pois bem, essa imagem tem lá seus 200 milhões de anos de atraso. Porque antes que a preguiça se tornasse a filosofia oficial do grupo, houve quem corresse. E RÁPIDO!

Pesquisadores identificaram uma nova espécie de crocodilomorfo do período Triássico, encontrada em Gloucester, no sudoeste da Inglaterra, com cerca de 215 milhões de anos de existência e uma silhueta que não tem absolutamente nada a ver com o que imaginamos hoje quando pensamos em crocodilo. O bicho tinha pernas longas e esguias, corpo leve e uma constituição física adaptada para a velocidade em terra firme. Não vivia na água, nem ficava como um Zé Ruela esperando a presa. O serzão malvadão caçava. Continuar lendo “O professor que virou um crocodilo corredor”

Chuck Norris morreu. Caronte pulou do barco e fugiu nadando

É uma sexta-feira estranha, não insana. O mundo até tenta seguir o protocolo; em algum lugar, um desavisado grita “sextou”, outro abre uma cerveja. Não sou esses. Tem dias em que até a sexta-feira baixa a cabeça e hoje é um deles. Hoje não morreu apenas um homem; hoje se despede uma dessas figuras raras que parecem ter sido esculpidas mais pela lenda do que pela biologia, mais pela figura mítica que foi um dia, não apenas na ficção, mas na vida real.

Hoje se deu o passamento do homem, da lenda, do mito, de Chuck Norris. E não, ninguém vai chorar. Não por falta de sentimento, mas por coerência. Fãs de Chuck Norris não choram. Continuar lendo “Chuck Norris morreu. Caronte pulou do barco e fugiu nadando”

Brasil proibiu o maligno Ubunto para crianças (PornHub tá de boas)

Existe uma frase em inglês que virou ferramenta universal para encerrar qualquer discussão sem precisar vencer nenhuma: “Think of the children” (Pensem nas Criancinhas). Traduzida com carinho para o português, ela cumpre a mesma função: substituir argumento por emoção e abrir caminho para decisões que não sobreviveriam a dois minutos de análise honesta. O Brasil, sempre atento às piores importações culturais, resolveu adotar a prática com entusiasmo. E isso começou simplesmente com um vídeo viral, um Congresso subitamente apressado (e ciente que em 2026 haverá eleições) e pronto: nasceu uma lei antes que alguém com conhecimento técnico suficiente tivesse tempo de perguntar o que, exatamente, estava sendo aprovado. Continuar lendo “Brasil proibiu o maligno Ubunto para crianças (PornHub tá de boas)”

Cosplay de Zé Colmeia põe macacada pra correr na Índia

Segunda-feira. O dia em que a humanidade retorna ao trabalho com a mesma energia de um gato sendo empurrado para dentro de uma banheira com água gelada. Café do trabalho horrível, porque o pó é vagabundo, a cafeteira tá suja e a Tia do Café odeia todo mundo. Some-se a isso boletos acumulados e aquela suspeita persistente de que a civilização inteira é um grande projeto que saiu do controle, feito por algum débil mental, mas ninguém teve coragem de cancelar. Então, você abre o noticiário esperando algum escândalo político ou desastre geopolítico de bom nível… e descobre que, no interior da Índia, agricultores estão combatendo macacos vestindo fantasias de urso. A semana mal começou e a espécie humana já entrou em modo experimental. Continuar lendo “Cosplay de Zé Colmeia põe macacada pra correr na Índia”

Fatos fascinantes em Ciência, História e Geografia parte 2

Há alguns anos, eu postei fatos interessantíssimos. Eu sei, tem muita fake news por aí, mas eu não sou desses. Eu só publico coisas com acurácia nos levantamentos de informações. Aqui é Ceticismo.net, e tenho preocupação com tudo o que posto porque você quer saber. Querem saber mais? Pois tomem mais fatos que vocês nunca pararam para pensar!

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O pirata de terno que popularizou a maldição da sexta-feira 13

Se você acordou hoje, olhou o calendário e sentiu aquele desconforto irracional de perceber que é sexta-feira 13, pode respirar fundo e direcionar sua indignação para um endereço específico: Thomas Lawson, um dos maiores exportadores de paranoia coletiva da história moderna. O homem que ajudou o mundo inteiro a olhar o calendário com desconfiança nasceu pobre, ficou absurdamente rico, faliu com elegância e morreu esquecido. No meio do caminho, ainda arranjou tempo para afundar um navio e escrever um livro. Não necessariamente nessa ordem.

Hoje é Sexta-Feira 13, dia da SEXTA INSANA DO HORROR! Continuar lendo “O pirata de terno que popularizou a maldição da sexta-feira 13”

Não preciso mais de nada. Tenho IA

Eu estava pensando outro dia. Eu tinha escrito sobre o falecimento da Internet e como o uso intensivo das IA generativas de LLM (os chatbots turbinados. Não são bem isso, mas… bem, você entendeu e não vou me alongar). Vários conteúdos sendo feitos, imagens feitas, artes e até vídeos curtos e alguns cada vez mais longos mantendo consistência, isto é, se começa um vídeo com o Lula, daqui a pouco não vira o Godzilla com barba ou algo assim. É o mesmo estilo de personagem estilizado, seja desenho ou “3D”.

Eu vi umas brincadeiras de como fariam filmes com o Super-Homem ou o Homem-Aranha e me peguei pensando… não precisarei mais esperar por livros, música e filmes e nem me decepcionar com eles caso não estejam do meu agrado.

E isso é perigoso. Continuar lendo “Não preciso mais de nada. Tenho IA”

O bebum, a rainha e o vinho vagabundo

Tem coisas que só o álcool faz por você; que o diga o Zé Ruela que resolveu dar um rolê pelo Palácio de Buckingham, a residência oficial da monarquia britânica. Em teoria, invadir o Palácio de Buckingham deveria exigir algo próximo de uma operação do Ethan Hunt, já que, em tese, aquela residência humilde e simplória é a residência de um chefe de Estado, palco de recepções governamentais e símbolo arquitetônico do Império Cujo Sol Nunca Se Põe e uma coleção de tapetes que provavelmente tem mais pedigree histórico do que a maioria das famílias europeias. Junte-se a isso aqueles guardas imóveis com chapéus de pele de urso, patrulhas armadas, polícia especializada, alarmes, câmeras e uma burocracia de segurança que supostamente impede até um pombo mal-intencionado de entrar sem autorização.

Mas nem sempre foi assim. Em 1982 um pintor desempregado, meio bêbado e completamente sem a menor ideia do que estava fazendo conseguiu entrar ali dentro. Duas vezes. Na segunda, acabou frente a frente com a rainha. Continuar lendo “O bebum, a rainha e o vinho vagabundo”