A beleza da liberdade persa

Hoje é um dia diferente no Irã. Acostumados a criarem problemas com todo mundo, desde ocidentais, israelenses e árabes, choveu democracia lá enquanto o regime do Aiatolá estava arrumando problemas com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kwait, Israel e até Arábia Saudita. Em operação conjunta dos EUA e Israel, Aiatolá Khamenei is no more, e a população está comemorando direto, para infelicidade de pessoal levógiro. Continuar lendo “A beleza da liberdade persa”

O homem que virou o Deus dos Aspiradores

Em 2003, Scott McNealy, então CEO da Sun Microsystems, disse uma frase que o mundo da tecnologia fingiu não ter ouvido: “Você não tem privacidade. Supere isso.” À época, algumas pessoas riram nervosamente, como quem ouve uma piada de mau gosto num jantar de família. Hoje, vinte e dois anos depois, um homem chamado Sammy Azdoufal se sentou no sofá com a intenção de conectar seu aspirador robô a um controle de PlayStation 5, e acidentalmente se tornou o senhor absoluto de quase sete mil lares espalhados por vinte e quatro países. McNealy não estava sendo cínico. Estava sendo profético! Continuar lendo “O homem que virou o Deus dos Aspiradores”

As dez vezes que o mundo quase acabou

Existe uma pergunta que nenhum livro de história costuma fazer com a seriedade que merece: quantas vezes a civilização humana sobreviveu não por competência, estratégia ou sabedoria diplomática, mas por pura e simples sorte? A resposta, se você tiver estômago, é: pelo menos dez vezes documentadas, só na segunda metade do século XX. Provavelmente mais, porque boa parte dos arquivos ainda está registrada como “SECRETO” e somente pros olhos de alguém bem importante. O que se sabe já é suficiente para tirar o sono de qualquer pessoa com menos de três drinques no corpo.

Bombas nucleares caindo sobre o território americano. Submarinos prontos para lançar torpedos atômicos porque a água estava quente demais. Exércitos soviéticos em alerta máximo porque a OTAN decidiu fazer um joguinho de guerra realista demais. Um bando de cisnes voando sobre a Turquia. Um urso, sem filiação política conhecida, quase iniciando a Terceira Guerra Mundial. Continuar lendo “As dez vezes que o mundo quase acabou”

Artigos da Semana 294

Acabou-se o carnaval PLUFT! Não se tem muito o que fazer sobre isso, além de reclamar de outra coisa: do calor infernal que tá, enquanto eu fiquei sem luz váris horas sem poder ligar um ar-condicionado ou ventilador. Me senti coo os químicos sumérios que inventaram o asfalto. Sim, eu contei esta e outras histórias durante a semana.

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O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)

Então você, meu amigo, minha amiga, bate as botas no Egito romano, e seus parentes te enfaixam em linho com esmero, colocam uma máscara dourada no seu rosto para garantir que você consiga ver e falar no além, e te enterram com toda a pompa possível.

Agora imagine que, 2000 anos depois, alguém saqueia sua tumba, vende pedaços de você para antiquários ou mesmo para virar aditivo e tônico (sim, teve isso) e o que sobra da sua máscara funerária vai parar espalhado entre o deserto egípcio e um museu em Copenhague. Isso não é roteiro de filme de terror, mas a biografia arqueológica de uma quantidade assustadora de artefatos que habitam coleções ao redor do mundo sem que ninguém saiba de onde vieram. A boa notícia é que a ciência encontrou uma forma de reconectar esses fragmentos às suas histórias. Continuar lendo “O scanner que ressuscitou os mortos (do ponto de vista arqueológico, claro)”

Químicos sumérios já faziam o melhor que químicos fazem: inventaram o futuro

Uma das maiores inovações tecnológicas trazidas pela indústria do petróleo foi o asfalto. O asfalto é tão onipresente que virou sinônimo de modernidade urbana, de progresso industrial, de engenharia do século XX. Algo bem recente na História da Civilização, certo? Bem, não é bem assim. Os sumérios da Mesopotâmia já dominavam a lógica por trás dele há mais de quatro mil anos. Sem laboratório moderno, sem espectrômetro e, presumivelmente, sem nenhum PowerPoint de apresentação para a diretoria. Só observação, repetição e um conhecimento acumulado que atravessou gerações de artesãos em algum canto quente e úmido do que hoje é o sul do Iraque.

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O falecimento da Internet

Uma das maiores invenções do século XX foi a computação pessoal. Saímos dos grilhões que dependíamos de terminais burros acessando mainframes. Cada um podia ter seu próprio computador, fazer seus próprios programas ser senhor do seu pequeno mundo virtual. O problema é que você tinha que saber muito de eletrônica, tinha que saber muito de programação e ter o seu próprio computador mas para simples satisfação pessoal, o que não ajudava muito. Então, surgiu o Altair: sabendo programação, você podia usar as chavinhas para programá-lo. Veio Steve Wozniak e fez algo amigável. Veio os diferentes tipos de computadores (Commodore, Z-Spectrum, Amiga etc). Cada máquina com seu Sistema Operacional próprio. E então, o IBM-PC e o mundo foi outro. Você podia instalar o DOS e ter uma imensa variedade de programas, com a grande virada do Windows, que transformou tudo em muito mais amigável.

Ah, sim, veio o MacOS que jura que foi kibado pelo Windows, mas sabemos muito bem que tio Bill Gates pagou uma grana gostosa para a Xerox para ter a interface gráfica, enquanto a Apple praticamente roubou na cara dura com anuência dos executivos da fábrica de copiadoras, no que resultou em pedido de demissão em massa do PARC da Xerox. Continuar lendo “O falecimento da Internet”

Vai, confia na tecnologia durante o percurso, vai

Eu adoro a Amazon e o Mercado Livre (Fuck You, Correios!). Um dos motivos é terem entregadores que… bem, que entregam a sua mercadoria. O problema é que ninguém mjais sabe dirigir. Já pode ver o Uber: o miserável fica rodando pela cidade mas se não tiver o GPS, ele não sabe por onde vai, como chega e sequer onde é. Daí pessoal desenvolve uma fé cega, quase religiosa, pelo GPS. Uma confiança que ultrapassa laços familiares, opiniões de especialistas e, aparentemente, o instinto básico de não dirigir para dentro de um estuário com maré subindo.

Sim, o idiota não viu a porra de UM ESTUÁRIO! Continuar lendo “Vai, confia na tecnologia durante o percurso, vai”

A pele sintética que roubou os truques do polvo

Os polvos são mestres do disfarce. Numa fração de segundo, essas criaturas marinhas podem transformar a aparência de sua pele para se camuflar perfeitamente em recifes de coral, rochas ou até no fundo arenoso do oceano. É como se tivessem um Photoshop biológico embutido, capaz de alterar cor, textura e até padrões tridimensionais da superfície corporal através de um sistema complexo de músculos e nervos. Agora, pesquisadores decidiram copiar essa proeza evolutiva, mas em versão sintética.

Eles criaram uma pele inteligente feita de hidrogel que pode mudar de aparência, textura e forma sob comando, esconder informações como um agente secreto e ainda fazer origami sozinha. Ah, e de bônus, conseguiram esconder a Mona Lisa dentro dela. Porque ciência também precisa de drama, aparentemente. Continuar lendo “A pele sintética que roubou os truques do polvo”

Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio

A ressonância magnética do cérebro é uma experiência peculiar. Você se deita numa máquina claustrofóbica que parece ter sido projetada por alguém que perdeu uma aposta, passa meia hora ouvindo barulhos que variam entre britadeira industrial e show de música experimental finlandesa, e então sai de lá para esperar. E esperar. E esperar um pouco mais. Dias, às vezes semanas, até que algum radiologista sobrecarregado consiga sentar-se, analisar suas imagens, fazer muxoxo ao descobrir o que você tem na cabeça e emitir um laudo.

Todo mundo (vai, confessa que você também faz isso!) atualmente tá mandando pro ChatGPT analisar, e segundo minhas experiências, tem acertado muito bem… ou, se errou, o médico também errou, porque um confirma o que o outro diz. Continuar lendo “Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio”