O roubo mais audacioso da História da Inglaterra: uma pedra

Os facínoras planejaram o assalto, o roubo, a subtração. Eles estão preparados. Eles tinham tudo acertado e se muniram de ousadia, pois, ninguém havia tentado isso antes, ninguém tinha sequer imaginado ter o atrevimento de executar aquela ação. Eles estavam decididos a entrarem… digo, a escreverem a História.

Ao longo da história, ladrões audaciosos roubaram tronos, coroas cravejadas de diamantes, cetros de ouro maciço, joias que financiariam pequenos países. Tesouros reluzentes, objetos que gritam “EU VALHO UMA FORTUNA” para qualquer um com olhos funcionais. Mas em 1950, quatro estudantes escoceses olharam para todo esse catálogo de possibilidades e pensaram: “Sabe o que seria realmente ousado? Roubar uma pedra”. Não qualquer pedra, mas uma pedra de 150 kg que não vale nada no mercado negro, que não pode ser derretida, revendida ou escondida debaixo do colchão. Uma pedra que serve basicamente para dizer “esta é a nossa pedra”. E eles decidiram roubá-la. Continuar lendo “O roubo mais audacioso da História da Inglaterra: uma pedra”

Quando as enguias pagavam o aluguel e causaram uma guerra civil

Está lá você, meu caro senhor, à porta de sua morada, quando seu inquilino vindo pagar o aluguel; não, ele não usa chapeuzinho azul nem deve 14 meses. É um jovem cioso dos seus deveres. Ele não traz moedas, não traz ouro em barra nem um saco de prata tilintando como nos filmes. Ele chega com mil enguias secas amarradas em feixes, e você aceita, claro! Não só aceita, como tem certeza de que fez um ótimo negócio.

A cena nem é caricatura: é registro histórico. Bem-vindo à Inglaterra medieval, época em que enguias não eram só refeição. Eram moeda, eram contrato jurídico, eram commodity com variação de mercado e, ironicamente, também foram responsáveis por uma crise política que transformou o reino num caos digno de reality show com barões saqueando tudo. Um dia alguém ainda vai escrever “A História do Ocidente contada por peixes escorregadios”, e nós saberemos que será um livro honesto. Continuar lendo “Quando as enguias pagavam o aluguel e causaram uma guerra civil”

A Epidemia da Aldgate Pump

Imagine uma cidade onde as pessoas bebem, cozinham e tomam banho com o mesmo líquido que carrega os resíduos de… outras pessoas. Sim, eu sei que você tá bem pensando no Brasil (e nem o critico por isso, já que não está muito longe da verdade), mas o caso de hoje é um pouquinho… diferente, ainda mais porque adicionamos o fator “cemitério” na equação. Junta tudo isso e uma bomba d’água bem localizada em via pública e pronto, taí o problemão!

Esta é uma história que se passa na Londres Vitoriana, lugar nobre, cosmopolita e perfeito exemplo de civilização (segundo eles, claro). Nesse tempo, a água da Aldgate Pump era considerada fresca, borbulhante, magnífica, mas com uns detalhezinhos ruins, como estar cheia de ossos humanos dissolvidos. Continuar lendo “A Epidemia da Aldgate Pump”

Luis VII e Leonor da Aquitânia: casamento, cruzadas e a guerra por uma barba

A História é escrita por ocorrências funestas, fatos intrincados, ocorrências diversas e… decisões aparentemente banais que pouco tem a ver com os acontecimentos em volta, mas acabam por podem mudar o rumo de tudo. Pois bem, deixe-me contar a história de como um rei francês conseguiu entregar metade do seu país para os ingleses por causa de uma barba. Não, não estou falando de uma barba mágica ou encantada; apenas pelos faciais comuns que, quando removidos no momento errado, podem custar um império. Continuar lendo “Luis VII e Leonor da Aquitânia: casamento, cruzadas e a guerra por uma barba”

Quando a Grã-Bretanha da Idade do Bronze comercializava com o Mediterrâneo

O estanho era o mineral essencial do mundo antigo. Era essencial fundi-lo com o cobre para produzir o bronze, que por muitos séculos foi o metal preferido para ferramentas e armas. No entanto, as fontes de estanho são muito escassas – especialmente para as cidades e estados da Idade do Bronze, em rápido crescimento, ao redor do Mediterrâneo Oriental.

Embora grandes depósitos de estanho sejam encontrados na Europa Ocidental e Central e na Ásia Central, os minérios de estanho mais ricos e acessíveis encontram-se, de longe, na Cornualha e em Devon, no sudoeste da Grã-Bretanha. No entanto, tem sido difícil comprovar que esses depósitos britânicos tenham sido usados ​​como fonte para os povos do Mediterrâneo Oriental. Assim, por mais de dois séculos, os arqueólogos têm debatido sobre onde as sociedades da Idade do Bronze obtinham seu estanho. Continuar lendo “Quando a Grã-Bretanha da Idade do Bronze comercializava com o Mediterrâneo”

Um almocinho supimpa numa taverna

Então que você está dando um rolê pela Inglaterra do século XIV e está com fome. Problema que o iFood ainda não foi inventado. Comofas? Bem, você faz como os trilobitas do período pré-cambriano e vai num estabelecimento comprar uma refeição. Eram as tavernas, e elas não eram apenas pontos de encontro para beber, mas também um reflexo fascinante da vida e cultura da época.

Claro, você quer saber mais sobre tavernas, mas mais ainda, como fazer em casa um legítimo ensopado que era servido lá. Continuar lendo “Um almocinho supimpa numa taverna”

A história fascinante contada por Mithras

Uma das mais importantes contribuições arqueológicas para o estudo da História Romana no Reino Unido acaba de ser doada ao Museu de Londres. Trata-se de uma coleção impressionante com mais de 14.000 artefatos romanos, revelados durante as escavações realizadas entre 2012 e 2014 na construção da sede europeia da Bloomberg. Esse local abrigava anteriormente um templo do século III E.C., dedicado ao deus Mithras, uma divindade de um culto misterioso praticado amplamente por soldados romanos.

A coleção é especialmente notável por incluir a maior concentração de tábuas de escrita romanas já encontradas na Grã-Bretanha. Uma dessas tábuas contém a primeira menção escrita de Londinium, como Londres era conhecida na época romana, oferecendo um vislumbre fascinante das interações sociais, comerciais e administrativas da cidade. Continuar lendo “A história fascinante contada por Mithras”

A Revolta de Rebecca: o protesto de saias que tocou o terror no País de Gales

Protesto é algo inerente aos seres humanos desde que Gronk ficou com uma parte maior da caça do que você. Gronk é um fidamãe e você não vai ficar calado com isso e vai mandar a real pro chefe. O protesto é uma forma de externar suas opiniões. E sim, apedeutas, existe protesto a favor, já que um protesto é uma firme declaração de algo. Vai depender do que você quer declarar.

Só que não basta declarar, tem que ser incisivo, nem que apele para outros artifícios, como se vestir de mulher e se chamar Rebecca… Mas hein? Continuar lendo “A Revolta de Rebecca: o protesto de saias que tocou o terror no País de Gales”

Desastre de Senghenydd: a pior tragédia de mineração da Grã-Bretanha

Mineiros que trabalhavam na Universal Colliery em Senghenydd, sul do País de Gales, estavam no meio de seus turnos matinais a cerca de 610 metros abaixo do solo quando uma enorme explosão rasgou o poço profundo às 8h10. Uma faísca de um sino elétrico acendeu uma mistura mortal de gás metano e pó de carvão, conhecida pelos mineiros como “firedamp”.

A explosão de 14 de outubro de 1913 matou 439 homens e meninos, com outro morrendo durante as operações de resgate. Foi, e continua sendo, o pior desastre de mineração de carvão da história britânica e também o sexto pior do mundo. Continuar lendo “Desastre de Senghenydd: a pior tragédia de mineração da Grã-Bretanha”

Londres na real

Londres é uma cidade milenar, datada do tempo Império Romano quando então era chamada Londinum. Com o passar do tempo, Londres se tornou um vilarejo maior, uma cidade e  por fim a capital do Império em que o Sol nunca se põe. Londres tem os seus defeitos (muitos ingleses) e algumas qualidades (poucos franceses). Obviamente, você ouve falar de Londres e pensa em uma paisagem com neblina, o Big Ben e os micos que os turistas passam com os Guardas da Rainha. Então, vamos pro nosso já tradicional timelapse de quinta-feira.

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