
Em 26 de abril de 1986, o reator 4 da usina de Chernobyl explodiu e inaugurou o maior pesadelo civil da história nuclear. Quarenta anos depois, a Zona de Exclusão segue lá, com seus lobos, suas florestas improváveis, seus turistas de nervos de aço e uma pergunta que não sai de cena: o que aconteceu com a sujeira radioativa que ficou pelo caminho? Ela não evaporou, não pediu demissão e não foi embora junto com a Guerra Fria. Virou poeira. Uma poeira de péssimo humor.
Pois um grupo de cientistas resolveu fazer o que ninguém parecia ter feito direito: pegar pedacinhos desse pó, colocá-los diante de um dos feixes de raios X mais refinados do planeta e perguntar a cada um, em cristalografês fluente, quem são e o que andaram fazendo da vida desde 1986. A resposta surpreendeu, e não no sentido de festa de aniversário. Continuar lendo “Os segredos cristalográficos de Chernobyl”


Esta semana, Sumqayit, no Azerbaijão, ganhou o prêmio duvidoso de entrar na lista dos dez locais mais poluídos do mundo, publicada pela organização ambientalista americana Blacksmith Institute. Mais uma herdeira do legado tóxico da indústria soviética, a cidade de 275 mil habitantes convive com uma forte contaminação de metais, petróleo e produtos químicos, conseqüência de seus dias como centro de produção química. Como resultado, a população tem um número de 22% a 51% maior de casos de câncer que os habitantes do resto do país, e seus filhos sofrem de uma gama de complicações genéticas, de retardo mental a doenças nos ossos.