O que é Mumificação?

Os reis do Vale dos Reis

Apesar do que possam pensar, as múmias egípcias não apareceram PUF! de uma hora pra outra. As primeiras múmias egípcias ocorriam por um processo natural. Os corpos eram colocados em covas rasas no deserto. A combinação de Sol quente, clima seco e sepulturas cheias de areia (muito boas para armazenar calor e causar desidratação de tecidos) fez com que os corpos começassem a secar e se preservarem de uma forma muito realista. Algumas dessas múmias ainda estão conservadas, datando de 5.500 anos, isto é, uns 3500 anos depois dos chinchorros, e por um processo natural, enquanto que o pessoal do Peru estava trabalhando diretamente no defunto. Os filhos de Rá notaram a ocorrência dessa preservação natural e ao longo de muitos séculos experimentaram formas artificiais de mumificação, melhorando o processo e obtendo o mesmo efeito. Criou-se uma liturgia que foi integrada à sua religião.

O garotão aí em cima é Ramsés II, rei da XIX dinastia egípcia, cujo reinado durou de aproximadamente 1279 A.E.C. até cerca de 1213 A.E.C. Alguns acham que ele é o “Faraó” mencionado na Bíblia, sendo que nenhuma fonte egípcia sequer mencione o ocorrido, muito menos outros relatos contemporâneos. Os eventos só existem no livro Êxodo, e nem mesmo os egípcios os chamavam de “Faraó”. Egípcios tinham “reis”. Só bem mais tarde o termo “faraó” começa a aparecer em alguns textos, mas aí os escritos judaicos estavam disseminados, o que aponta para a influência do termo já criado para a cultura da população, e não o contrário.

Muito bem, antes de relatarmos os processos egípcios de mumificação, a verdade é que ninguém sabe todos os detalhes dessas técnicas. Quando muito, sabem de relatos como os de Heródoto (que volta e meia escrevia algumas bobagens) e hieróglifos, mas os detalhes dos processos morreram com os escribas e sacerdotes; entretanto, o pouco que se sabe corrobora com tomografias computadorizadas. Outra coisa que é bom ressaltar é que com o processo de mumificação, os egípcios aprenderam muito sobre anatomia, o que ajudou-os a desenvolver sua própria medicina. Tudo bem que eles ficaram com umas ideias equivocadas, como da inutilidade do cérebro, mas estamos falando de algo que muito tinha se desenvolvido há mais de 4000 anos! Egípcios tinham escovas de dentes, desenvolveram suturas, imobilizavam braços e pernas quando estes se fraturavam, tinham remédios, cremes, pomadas etc. Isto posto, vamos ao que realmente interessa neste artigo: como os defuntos eram preparados para fazerem sua última jornada e terem seus corações medidos por Anúbis, para saber se eram pessoas boas ou não.

O candidato a ser imortalizado para poder viajar para o Reino de Osíris era aberto e seus órgãos internos eram retirados. Cada um ia para um vaso ritual com efígies simbolizando deuses, chamados “Vasos Canópicos”. O estômago ia para o vaso com a cabeça de um chacal (Duamutef). Já os pulmões iam parar no vaso com a cabeça de um babuíno (Hapi). O fígado ficava num vaso cuja tampa tinha a cabeça de um ser humano (Imset) e os intestinos eram guardados no vaso com cabeça de falcão (Kebehsenuef).

O cérebro era descartado, pois não se dava grande importância a ele. Uma vareta de bronze era introduzida pelas narinas, com um gancho na ponta. O sacerdote ficava escarafunchando dentro da cabeça do cara e retirava os pedaços de cérebro, até deixar o defunto totalmente sem o órgão, com um QI ligeiramente superior ao de um comentarista de YouTube. Em seguida, o corpo era recheado com sachês de sal, para depois ter o corpo coberto com sal, também. Esse sal absorvia a água do corpo, por isso vemos as múmias tão “magras’ e ressecadas.

Em seguida, o embrulho começava. Em meio a cânticos, os sacerdotes envolviam o corpo com tiras de linho embebidas em especiarias, óleos aromáticos e até mesmo betume. Amuletos de ouro, pedras preciosas e semi-preciosas eram colocados sobre o corpo e coberto por mais ataduras. Estes amuletos serviam para proteger o espírito em sua jornada. Depois que o corpo tinha sido embrulhado, a cabeça e o rosto eram muitas vezes coberto por uma máscara decorada com características faciais semelhantes aos do falecido.

O corpo era sepultado em câmaras na areia quente, depois tumbas, depois prédios e só bem depois que fizeram as pirâmides como as conhecemos. Isso não saía nada barato. Se ter o terreno já era complicado, pagar o sacerdote também doía no bolso (como assim? Não achou que os caras trabalhavam de graça, né?). Sendo assim, muitos apelavam para mumificar apenas a cabeça.

Assim como na vida, a morte é uma forma de dizermos o quanto temos mais posses que os outros.

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